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O Trovador

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O Trovador

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Autor: Rodrigo Garcia Lopes

Editora: Record

Assunto: Policial

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 405

Ano de edição: 2014

Peso: 505 g

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Excelente
Marcio Mafra
20/08/2015 às 23:07
Brasília - DF
Trovador é livro policialesco, ambientado em Londrina no início de 1930. Adam Blake, o personagem principal é escocês, tradutor e intérprete (a mesma profissão do autor) que faz o papel de detetive para desvendar o mistério de uma morte decorrente de um triângulo amoroso entre empregados da Paraná Plantations Limited.

Mas o mistério (e a morte) tem origem nas traduções e nas interpretações dos signos ocultos de uma canção de trovadores medievais, cujas palavras são encontradas na boca de uma das vítimas de assassinato.

O papel de detetive cabe ao tradutor Adam Blake, que trabalha para a empresa britânica Paraná Plantations Limited (no Brasil a empresa se chamava Companhia de Terras Norte do Paraná). Um delegado brasileiro de nome Silva também tem papel importante na história.

Muito interessante é que a visita do Príncipe de Gales, Eduardo VIII, futuro rei da Inglaterra (Esta visita do Príncipe realmente ocorreu ao Estado do Paraná, na época em que se passa a história do livro). No final é descoberta a identidade do trovador, não sem antes rolar muitos crimes de morte e muitos mistérios que cercam e constrangem figuras da nobreza e da alta sociedade da Inglaterra.

Autor e livro são muito mais que bons. São excelentes.

Marcio Mafra
20/08/2015 às 00:00
Brasília - DF

A história do detetive e tradutor Adam Blake, um escocês a serviço da empresa britânica Paraná Plantations Limited (que existia de verdade e se chamava Companhia de Terras Norte do Paraná). Ele tenta desvendar o mistério da morte que envolve figuras históricas e se desdobra em uma sequência de crimes aparentemente sem solução.

Marcio Mafra
20/08/2015 às 00:00
Brasília - DF

LUTO EM LONDRINA

 

Blake olhou-se no espelho que havia no lado de dentro do armário. Aproximou-se do reflexo e examinou seu rosto. Estava vermelho de sol, um pouco mais magro. Tinha um aspecto saudável, embora as têmporas parecessem mais grisalhas. Sorriu para si mesmo, para conferir os dentes recém-escovados. Com os olhos ainda enevoados de sono, foi até o peitoril da janela pegar o paletó sobre a cadeira. No fundo do céu, nimbos cor de ardósia pareciam se erguer como as torres gigantescas de um castelo. Do outro lado da rua, um caminhão-pipa regava a poeira vermelha da avenida Paraná, exalando um cheiro penetrante de terra molhada. Uma moça loira, com uma sombrinha para protegê-la do sol, acenou para Blake. Era Angelika, a filha de Ernest Günther. Estava acompanhada do guarda-costas que o tradutor vira depois do banquete. O escocês sorriu e acenou para ela. O guarda-costas também deu um sorriso. Blake untou os cabelos com brilhantina, os penteou para trás, vestiu o paletó e seguiu para a cozinha.

 

Um murmúrio de vozes e soluços alcançou seus ouvidos quando atravessava o corredor. Blake entrou e viu uma vela acesa, ardendo junto ao fogão a lenha. Depois viu a cozinheira, com um lenço na mão, os olhos inchados e vermelhos. Dois funcionários, que tomavam o café da manhã cabisbaixos e em silêncio, viraram-se para Blake, cumprimentaram-no, murmuraram alguma coisa entre si e saíram.

Sentado atrás de uma mesa de peroba, com expressão dura, Alexandre Razgulaeff molhava os bigodes numa caneca de café. Ergueu a cabeça e cumprimentou Blake com gravidade.

- o que aconteceu?

- As notícias não são nada boas, Blake.

- Lorde Lovat morreu - anunciou a cozinheira, com uma voz trêmula.

O sorriso se desmanchou no rosto de Blake. Ele se virou.

- O que a senhora disse? - balbuciou.

A cozinheira recomeçou a chorar.

Blake olhou para Razgulaeff.

O russo assentiu e repuxou os lábios para baixo. Disse:

- É verdade. Recebemos um telegrama da agência em São Paulo.

Lorde Lovat faleceu há dois dias. Garden tem mais detalhes.

Blake franziu o rosto, cobriu-o com a mão direita, encostou as costas na parede, procurando um apoio. Ficou alguns segundos de olhos fechados, o queixo encostado no peito, imóvel. Sussurrou um palavrão. Quando ergueu o rosto outra vez, seus olhos estavam cheios de lágrimas.

- Sinto muito, Blake - lamentou Razgulaeff, apertando o ombro do tradutor em sinal de solidariedade.

Ficaram calados alguns instantes.

- Ele era um homem tão bom ... - sussurrou Glória, enxugando os olhos, entre soluços. - Ajudou muito a minha família. Ele parecia tão bem quando se despediu de mim ...

Blake se aproximou da cozinheira e colocou a mão direita no ombro da senhora, reconfortando-a. Virou-se para Razgulaeff:

- Como foi que isso aconteceu?

- Vamos ao escritório, Blake - insistiu o russo. - Garden o espera.

- Vou passar um café para o senhor - disse a cozinheira. - É só um minuto ...

- Não é preciso, Glória. Obrigado - disse Blake, apertando as mãos da cozinheira, se despedindo e saindo, seguido de Razgulaeff.

Enquanto atravessavam o pátio, pequenos grupos de funcionários, agentes e curiosos sussurravam entre si. Ninguém estava trabalhando, e os carros dos corretores estavam enfileirados diante da rua. Algumas pessoas, passando diante da empresa, paravam para perguntar sobre a faixa preta junto à entrada, colocada no pavilhão, ao lado das bandeiras do Brasil e da Inglaterra.

No escritório, Nilson Garden conversava com Ernest Günther, que acabara de chegar na cidade e receber a notícia do prefeito. O alemão estava perto da janela, apoiado na bengala, o sol incidindo em seu rosto e em seus cabelos cor de areia.

Garden ergueu os olhos quando Blake entrou. Disse, com voz lenta e grave:

- Então já sabe da má notícia?

O tradutor meneou a cabeça.

- Como aconteceu?

- Lovat acabara de chegar à Inglaterra. Tinha uma reunião da diretoria na terça-feira. No dia seguinte de sua chegada foi assistir à corrida do filho. A informação que recebemos de Londres é que ele teve um colapso depois da corrida e morreu. Um ataque cardíaco fulminante. Leia o senhor mesmo - disse Garden, o lábio inferior cobrindo o superior.

Blake pegou o telegrama das mãos de Garden e leu-o com uma expressão de incredulidade e dor. Depois fechou os olhos, como se tentasse imaginar como tudo teria ocorrido.

- O velho coração do general parou de bater - disse Garden.

- Todos sabiam que o lorde não estava muito bem - falou Razgulaeff. - Quantos anos ele tinha?

- Sessenta e dois - informou Garden.

- Senhor Blake - disse Günther, apoiando o corpo na bengala, com uma expressão preocupada -, eu estou consternado com o falecimento de lorde Lovat.

- Decretei três dias de luto na cidade - informou Garden. - E pedi ao padre Braun que rezasse uma missa em sua homenagem. - Inspirou o ar dos pulmões, franziu a boca e suspirou:

- Saibam os senhores que eu perdi mais do que um amigo. Perdi um colega de muitas batalhas.

- É uma grande perda para a companhia -lamentou Razgulaeff.

- Não só para a companhia, mas para o Império - acrescentou Garden. E, voltando-se para Razgulaeff: - Lovat escreveu uma das mais belas páginas da aventura da colonização britânica.

- E brasileira também, prefeito - completou Günther. - Sem ele, não estaríamos aqui.

Blake expirou o ar das narinas. Alguns mosquitos zumbiram pela sala.

- Não consigo acreditar. Ele desembarca na Inglaterra depois de chegar do Brasil e morre assistindo a uma corrida de cavalos?

- É, dá o que pensar. .. - refletiu o alemão, coçando a testa.

Garden balançou a cabeça. Blake passeou os olhos marejados pelo escritório.

Günther apoiou as mãos na bengala e disse:

- Bem, o grande Simon Fraser nunca perdeu a fé na colonização e na tarefa histórica que estamos fazendo na região, mesmo com esta crise mundial. Seu exemplo deve continuar em nós. A melhor maneira de homenageá-lo é levar adiante nosso trabalho.

 

Blake olhou para Günther e depois para Razgulaeff. Não disse nada.

- Um homem generoso e honrado - continuou o russo. - Não consigo imaginar uma única pessoa que não esteja triste hoje.

- Não tenho certeza disso - opinou Blake. - A morte de Lovat deve ter sido um alívio para seus inimigos.

Garden lançou um olhar de reprovação para o tradutor. Contraiu os lábios e disse:

- Ora, Blake, Lovat não tinha inimigos.

- Como o senhor pode saber? No telegrama diz que o inquérito sobre a morte já foi concluído?

- Todos tinham grande estima por ele - interrompeu Günther. O tradutor deu de ombros.

- Todos disseram que Nussbaum também não tinha inimigos, e no entanto ...

- Espere um pouco, Blake ... O que está insinuando? - perguntou Razgulaeff.

- Quis dizer apenas que os interesses de Lovat nem sempre eram os interesses das pessoas com as quais tinha de lidar. Sua atuação no governo contrariou a vontade de muita gente ...

- Ora, Blake, o senhor não sabe do que está falando ... - disse o russo. 


  • O Trovador - Crimes entre a civilização e a barbárie.

    Autor: Gonçalo Junior

    Veículo: Em Valor Economico – Caderno Eu & Fim de Semana – Sexta feira 7 de novembro 2014

    Fonte: Jornal Valor Economico

    Por Gonçalo Junior, para Valor

    Fluência e certa naturalidade narrativa são algumas das principais características do romance policial "O Trovador", que marca a estreia nesse gênero do tradutor, poeta e prosador paranaense Rodrigo Garcia Lopes.

    O livro tem méritos em um contexto literário brasileiro marcado pelo modismo de certo experimentalismo exagerado, pretensioso e confuso surgido a partir da década de 1990.

    Ou seja, o esnobismo intelectual e pouco talento para narrativas de fôlego, disfarçados na complexidade de tramas difíceis de ser compreendidas e pouco sedutoras.

    Lopes foge do que se poderia chamar de literatura tortuosa, ao seguir um caminho oposto: seus escritos estão amparados na combinação eficiente das palavras e das frases, que funciona por meio de certo tom lírico. Em especial, nas passagens descritivas, que dão mais solidez à história que se quer contar.

    Ele escreve com elegância e estilo.

    Dá ao leitor o prazer em acompanhar suas peripécias literárias, em situações improváveis, mas que funcionam. Seu desafio foi enorme  e considerar que ele optou por contar uma história policial, ambientada em sua cidade natal, Londrina, na década de 1930. O protagonista é Adam Blake, escocês tradutor e intérprete que fala português e está na cidade a serviço da companhia britânica Paraná Plantations Limited – que existiu de verdade e se chamava Companhia de Terras Norte do Paraná. O mistério que lhe cabe desvendar envolve figuras históricas importantes e se desdobra em crimes aparentemente sem solução. Tudo é conduzido a partir de uma rigorosa pesquisa documental, que acaba por permitir uma visualização mais precisa e deixa a narrativa mais envolvente.

    A trama se passa durante a colonização do norte do Paraná, quando foi importante o papel da Paraná Plantations. O assassinato que deflagra a investigação de fato aconteceu e ficou famoso na época. A vítima foi o contador da companhia inglesa e a apuração passa a ser coordenada pelo próprio governo inglês, que dá a missão a Blake. Ele se aventura como detetive, em parceria com o delegado brasileiro de sobrenome Silva. Os dois acabam por descobrir coisas bem mais erradas que a simples eliminação de um estrangeiro.

    Para costurar a trama, Lopes se serviu da visita ao Paraná, verdadeira, do então principe de Gales e futuro rei da Inglaterra, Edward VIII, ao Paraná e o inseriu na trama a introdução do livro, por exemplo, ocorre em Londres.

    Desse modo, o autor busca seu propósito de ligar a história ao nascimento da "Pequena Londres", como foi depois batizada – Londrina -, cidade que nasceu como um ajuntamento de raças de todo o planeta que vieram desbravar os confins paranaenses.

    Como se passaram 80 anos da trama até a atualidade, é de imaginar o trabalho que deu para Lopes reconstruir o período, seu trunfo para seduzir o leitor.

    Nessa mistura entre a Inglaterra civilizada e o Brasil selvagem, entre a ficção e a história, Lopes mostra que o futuro rei teria colaborado com ascendente nazismo de AdolfHitler e levaria à Segunda Guerra a partir de 1939, enquanto o protagonista se apaixona por uma prostituta brasileira. Ele faz algumas adequações, sem prejuízo da sua veracidade, como levar os príncipes Edward e James da Inglaterra a visitar Londrina em 1931. De fato, os dois estiveram no Estado, mas só foram perto da cidade e desistiram, por causa das dificuldades de acesso ao local.

    Construído com elementos de erudição sem ser chato e referências dos clássicos romances de crimes, "O Trovador" é uma estreia de prosa longa em grande estilo. Ao contar boas histórias, pouco conhecidas, sobre um Brasil perdido, convence que certos supostos absurdos bem poderiam ter acontecido e tomado tudo mais interessante.   

Marcio Mafra
20/08/2015 às 00:00
Brasília - DF

Em 7 de novembro de 2014, Gonçalo Junior, jornalista do jornal Valor Econômico, Caderno Eu & Final de Semana, escreve boa matéria sobre o livro “O Trovador” tecendo elogios ao autor e disse que a trama muito bem elaborada tratava de “Crimes entre a civilização e a barbárie”. Só o comprei e li em maio de 2015.


 

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