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Simplesmente Helena

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Simplesmente Helena

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Autor: Carolina Kotscho

Editora: Planeta

Assunto: Memórias

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 285

Ano de edição: 2007

Peso: 490 g

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Ótimo
Marcio Mafra
19/08/2015 às 21:53
Brasília - DF
Helena é uma mulher comum, goiana do interior, pobre, mal alfabetizada, casada com Francisco, teve dez filhos.

Dois deles – Zezé de Camargo e Luciano – cantores de músicas sertanejas de enorme sucesso. Foram mais de 15 milhões de discos vendidos em 15 anos de carreira. A família ficou em evidência máxima, quando do lançamento do filme ”Os 2 filhos de Francisco” assistido por mais de 5 milhões de pessoas.

Mas o “esteio da família”, a “pessoa forte da casa” foi Helena.

A autora, conta a história na primeira pessoa e assim mantém intacta a peculiaridade da fala e o sotaque goiano.

Salta do livro a submissão incondicional da mulher, sua inferioridade social e também sua valentia como mãe, sua autêntica fortaleza para suportar a perda de dois filhos, o sequestro de outro, e as agruras do dia-a-dia, com as incertezas do marido, incorrigível sonhador.

Grande parte de sua vida foi pautada no trabalho braçal – inclusive lavando “roupa para fora” – que lhe rendia suados trocados para diminuir a fome dentro de casa.

Mulher de fé, resignação e honestidade não pode ser chamada simplesmente Helena.

Helena “dá voz ao que as mulheres dizem quando se calam”

Marcio Mafra
19/08/2015 às 00:00
Brasília - DF

A história de Helena, mãe dos famosos cantores Zezé de Camargo e Luciano. Baseado em fatos reais, grande parte deles transcritos de anotações guardadas porque “queria preservar a história da minha família e queria que meus bisnetos soubessem o quanto lutamos”. 

Marcio Mafra
19/08/2015 às 00:00
Brasília - DF

ZEZÉ DI CAMARGO & LUCIANO

Francisco não conseguia mais nada de trabalho perto de casa. Rodava o país fazendo serviço de pedreiro. Quase sempre em obra grande do governo, construção de estrada ou ponte. Demorava meses para aparecer de volta. Zezé ajudava no que podia, virou mesmo quase um pai para os irmãos. Mas ele também estava vivendo uma fase complicada e tinha agora a própria família para sustentar.

Quando a Zilu ficou grávida, perdeu o emprego na loja. Ficou sem serviço. Zezé tentava se virar na música, mas já tinha duas filhas pequenas para criar e nada para comer.

Mesmo com o salário que eu ganhava agora trabalhando na Arisco, a gente estava no fundo do poço.

Camilla nasceu em 1985. Neste tempo, já estava com três anos de idade e a Wanessa com cinco. Zilu vendia roupa como sacoleira. Rodava Goiânia atrás da freguesia. Mas ela trabalhava para os outros, não tinha como comprar a própria mercadoria. Sobrava pouco no final das contas. Meu filho estava repetindo a nossa história. Zilu ainda se emociona quando lembra do dia em que o homem da mercearia entrou na casa dela para levar o sofá como pagamento das dívidas. Wanessa se agarrava no móvel e chorava de desespero.

Minha nora vendeu a aliança de casamento dela para comprar comida. Sem aliança, sem móveis, sem esperança e sem dinheiro para a condução, Zezé chegou a atravessar a cidade inteira, mais de seis quilômetros a pé, para ir na nossa casa pedir emprestados os oitenta centavos de um litro de leite. Francisco estava lá nesse dia. Deu para ele o único cruzeiro que carregava no bolso.

 

Meu filho não acertava dupla. Os discos que gravou não viraram nada. Mesmo o pouco sucesso que chegou a fazer na cidade já estava caindo no esquecimento. Um dia, ele conheceu o Felipe, da dupla Felipe & Falcão, em um evento de música. Não sei se foi num show ou programa de televisão.

Ficou amigo demais do Felipe e da Fátima Leão, mulher dele. A idade regulava também. Viraram compadres. Felipe e Fátima são padrinhos da Camilla. Quando vagou um apartamento lá no prédio onde morava, Zezé convenceu o casal a mudar para junto dele. Foi aí que nasceu a parceria que mudou a vida do meu filho.

 

A Fátima era compositora também, tinha muito talento, mas ainda não era conhecida. O casal vivia na mesma penúria que a gente. Vendo a situação do Zezé, ela ofereceu o repertório dela para ele tentar uma carreira nova. Foi com uma música da Fátima que meu filho ganhou o primeiro concurso cantando sozinho. Ele se animou com o sucesso e gravou uma fita, voz e violão, com as músicas da amiga. Foi aí que inventou esse nome de Zezé di Camargo. Achou que ficava chique com o sobrenome, mais importante do que só Zezé. Esse "di" no lugar do "de" também foi coisa da cabeça do meu filho. Aí criou coragem e ligou para um produtor de gravadora, conhecido dele:

- Eu estou com um repertório sozinho, queria que você ouvisse ...

- Vem aqui me mostrar!

Com dinheiro emprestado pelo Felipe, trezentos cruzeiros, Zezé viajou a noite toda na estrada e amanheceu em São Paulo. Ficou hospedado num hotelzinho na frente da rodoviária antiga. Já tinha gravado na cidade, mas não sabia nem andar no meio daquele mundo de prédio e rua e carro e gente e carro e gente. E mais um tanto de gente. Tinha medo até. Zilu ficou apavorada com a viagem do marido. Eu também. Acho que todo mundo, olhando de fora, se sente um nada quando pensa em São Paulo.

 

O dinheiro era contadinho para a passagem e uma noite de hotel barato. Meu filho enfrentou a cidade grande sem dinheiro para um copo d'água ou bilhete de ônibus. Só com a coragem no peito e a fita debaixo do braço. Tomou um café reforçado no Hotel Ninho, colocou escondido um pãozinho no bolso, e seguiu a pé para a gravadora, que ficava na outra ponta da cidade. Foi perguntando o caminho entre uma esquina e outra e acabou chegando lá.

 

O homem foi muito simpático, mas a gravadora dele só lançava tema de novela, não estava contratando artista novo.

- Mas deixa seu material aqui que no dia que pintar um negócio pra você eu te ligo lá em Goiânia. Deixa aqui!

Desanimado, meu filho deixou com o sujeito o telefone da Cleire, a outra comadre dele que é madrinha da Wanessa, e pegou o ônibus de volta no mesmo dia.

Zezé até se esqueceu da fita que deixou em São Paulo. Já fazia cinco meses da viagem, no dia em que a Cleire, que também morava no mesmo prédio dele, bateu na porta do meu filho cedinho trazendo o recado:

- Acorda que tem um homem no telefone. É lá de São Paulo, diz que é de gravadora ...

Meu filho pulou da cama e saiu correndo para atender a ligação. Dessa vez eu nem sei como ele conseguiu o dinheiro, mas no dia seguinte de manhã já estava naquela cidade monstra para encontrar com o homem. Era um diretor muito conhecido e respeitado no meio de gravadora que já faleceu até.

 

O sujeito estava montando uma gravadora nova, contou para o Zezé que ia contratar também uma outra dupla de Goiânia e mostrou a foto. Eram Leandro e Leonardo, que o Zezé já conhecia de muito tempo. Zezé ficou foi feliz demais e fez a maior propaganda dos garotos. Acabou que assinaram juntos o contrato com a gravadora, na tarde daquele mesmo dia.

 

Zezé conheceu os irmãos no tempo em que ele se apresentava em circo no interior do estado. Uma vez, a dupla ficou carregando lata de água o dia inteiro, entre o poço e o picadeiro, só para conseguir chegar perto do meu filho. Zezé ficou muito falado em Goiânia depois de ganhar o concurso da Record. Leandro e Leonardo pediram dicas para a carreira e os três acabaram que ficaram amigos, de jogar bola junto todo final de semana. Por coincidência, o nome de verdade do Leonardo também é Emival. Isso impressionou muito o meu menino.

 

Por orientação do Zezé, no ano seguinte, os amigos participaram daquele mesmo concurso na televisão e acabaram ganhando. Foi por conta disso que deu certo de assinarem contrato juntos em São Paulo.

 

Os três ganharam passagens da gravadora para voltar de avião a Goiânia. Foi a primeira vez que eles entraram naquele trem que voa. Quando a aeromoça ofereceu o lanche, Zezé e Leonardo, mesmo com muita fome, acharam melhor não aceitar. Não tinham dinheiro para pagar a refeição.

 

Leandro aceitou. Disse que ainda estava com uns "courinhos de rato" no bolso e que, qualquer coisa, depois mandava acertarem a diferença da conta com a gravadora.

 

Contrato assinado não significava dinheiro na mão do meu filho. Era só um tempo de investimento e muito trabalho apostando no futuro. Zezé já não dava conta de pagar o aluguel do apartamento no conjunto Ilha de Paquetá e teve que se mudar para a periferia de Goiânia de novo. Atrás do fim do mundo. Mesmo morando longe, Felipe e Fátima continuavam muito próximos. Os casais davam sempre um jeito de estarem juntos. Zezé e Fátima começaram a compor em parceria. Zezé diz que ela era a única mulher que a Zilu não tinha ciúmes. Eram quase irmãos mesmo. Um respeito e uma admiração enormes que tinham um pelo outro. Eles têm até hoje uma amizade muito bonita. 


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Marcio Mafra
19/08/2015 às 00:00
Brasília - DF

No início de 2015 Carolina Farnese, colega de trabalho, me presenteou “Simplesmente Helena”. 


 

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