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Não Há Silencio Que Não Termine

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Não Há Silencio Que Não Termine

Livro Ótimo - 3 opiniões

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Autor: Ingrid Betancourt

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Biografia

Traduzido por: José Rubens Siqueira

Páginas: 553

Ano de edição: 2010

Peso: 830 g

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Excelente
Renan Trombella Destri
30/10/2016 às 11:56
Toledo - PR
Livro ótimo, a autora narra os acontecimentos de maneira muito viva. Uma excelente autobiografia!


Excelente
Fernanda
26/07/2015 às 15:54
Duque de Caxias - RJ
Linguagem simples e fácil.
A história é surpreendente pela riqueza de detalhes. Intensa. Forte. Chocante.

É uma noticia que vimos na televisão, mas cheia de minúcias incríveis. Muita coisa para pensar sobre a saga da ex-candidata à presidência da Colômbia, que foi feita refém pelo exército das FARC durante quase sete anos. O cotidiano, as tentativas de fuga, as criações da mente humana para se acostumar a todo tipo de situação degradante. A fome e a miséria, e a relação dos reféns com os sequestradores. As notícias que chegavam através dos rádios fornecidos aos reféns, situação paradoxalmente permitida pelo exército das FARC.

Tudo isso misturado com uma vontade enorme de sobreviver com um mínimo de dignidade. Ingrid é uma personagem da vida real, que narra sua história de forma cativante, emocionante, sincera, despida de vaidades. Vale muito a pena.

“Tendo perdido toda a minha liberdade e, com ela, tudo o que era importante para mim; afastada à força de meus filhos, de minha mãe, de minha vida e de meus sonhos; o pescoço acorrentado a uma árvore, sem poder me mexer, levantar, sentar, sem ter o direito de falar ou calar, comer e beber, ou mesmo satisfazer livremente as mais elementares necessidades de meu corpo, naquele estado da mais infame humilhação, eu ainda conservava a mais preciosa liberdade, que ninguém jamais poderia me tirar: a liberdade de decidir quem eu queria ser.”

Ótimo
Marcio Mafra
26/07/2015 às 15:34
Brasília - DF
Ingrid Betancourt escreveu com muita lucidez sobre os seis anos mais dolorosos de sua vida, enquanto ficou refém da FARC Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Perambulou pela selva, em acampamentos miseráveis onde passou por inacreditáveis privações, ficou acorrentada, fugiu diversas vezes e foi recapturada. A esperança inicial de ser libertada foi cedendo lugar à prostração e até à indiferença. Ingrid era importante candidata à presidência da República. Ela estudou e residiu alguns anos na França e nos EUA, culta, filha de político e tinha no pai a fonte de inspiração. Seu longo cativeiro – quase seis anos – foi matando pouco a pouco a realidade, a força e a esperança. Suas fantasias de libertação e as lembranças da mãe, dos filhos e de outros familiares ajudaram-na a manter-se viva e lúcida. Na mão de seus algozes sofreu torturas físicas, psicológicas e grandes humilhações, mas não perdeu a dignidade, nem delatou seus companheiros de cativeiro. Ingrid, além de boa escritora é o personagem principal dos 82 capítulos onde narra sua história com competência e muita emoção. O final surpreende. Livro ótimo.

Marcio Mafra
26/07/2015 às 00:00
Brasília - DF

A história de Ingrid Betancourt sequestrada pela Farc - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia em 2002, no trajeto de uma viagem pelo interior do país, durante a sua campanha de candidata à presidência da República. Seu martírio durou seis anos. Ela conta com detalhes o cativeiro na selva, a fome, a solidão, a brutalidade, a tortura, as humilhações, agressões físicas e morais pelas quais passou. Não foram poucas as angústias e o desespero de mulher, de mãe, de cidadã, privada da companhia dos filhos, dos amigos, dos familiares e correligionários por longos e dolorosos anos. Muitas vezes perdeu o norte e a vontade de viver, como por ocasião do falecimento de seu pai, talvez sua maior referência de vida. Mas nunca perdeu a esperança de fugir ou de recuperar a liberdade, embora soubesse que estava em poder da guerrilha narcotraficante.

Marcio Mafra
26/07/2015 às 00:00
Brasília - DF

No dia 17 de dezembro de 2005, a marcha se deteve às dez horas da manhã. Acabávamos de transpor dois lindos cursos d'água revestidos de pedrinhas brilhantes. Correu o boato de que iríamos montar acampamento no alto de um morro que se erguia a poucos metros dali.

"Chegamos antes do Natal", pensei, aliviada.

O acampamento foi instalado em poucas horas. Coube-me uma árvore na extremidade do acampamento, e outra coube a Lucho, na outra ponta. Em seguida nos acorrentaram. Recebi autorização de construir barras paralelas para fazer ginástica. "Eles querem que eu fique em forma para caminhar melhor", pensei.

Abriram o cadeado que me prendia à arvore, mas fiquei com a corrente inteira, que eu enrolava no pescoço para subir nas barras. Dei umas piruetas, diante do olhar divertido dos meus guardas. "Vou cair, a corrente vai ficar presa na barra, vou morrer estrangulada", fiquei pensando.

Eu tinha uma hora para fazer meus exercícios e ir tomar banho.

- Você precisa fortalecer a musculatura dos braços - disse-me um jovem que substituíra Gira como enfermeiro. Só a muito custo eu conseguia fazer algumas flexões de braço, e em vão tentara erguer o peso do meu corpo suspenso numa das barras fixas. "Vou tentar todo dia, vou acabar conseguindo”: prometi a mim mesma.

Meus companheiros me observavam, desolados. Arteaga foi o primeiro a quebrar o silêncio que haviam me imposto. Falou sem olhar para mim, sem parar de trabalhar no boné que estava costurando enquanto me instruía sobre que tipo de exercícios eu deveria fazer, e quantos, diante dos guardas. Não houve comentários nem reprimendas. Um a um, meus companheiros voltaram a falar comigo, cada vez mais abertamente, com exceção de Lucho.

Certa tarde, ao retomar do banho, vi que Lucho estava passando mal. Tinha um ar miserável e seu olhar dos dias difíceis. Precisava de açúcar. Peguei rapidamente algum nas minhas coisas, as mãos trêmulas pelo sentimento de urgência.

Dei a Lucho minha reserva de açúcar e fiquei algum tempo com ele para me certificar de que estava se sentindo melhor. Atrás de mim, Ángel puxou brutalmente a corrente que pendia em meu pescoço.

- Quem você pensa que é? - ele berrou. - Ou você é estúpida, deficiente mental, ou está achando a gente com cara de bobo! Não deu para entender que você está proibida de falar com quem quer que seja? Esse seu cérebro de mula velha não funciona? Vou dar um jeito nele com uma bala no meio dos seus olhos, você vai ver só!

Escutei sem piscar, enquanto fervia por dentro. Ele me arrastou feito um cachorro até a minha árvore e me acorrentou, curtindo cada minuto do espetáculo que estava dando.

Eu sabia que tinha feito bem em me controlar e ficar quieta. Mas a raiva que eu sentia de Ángel me desviava das minhas boas intenções. Estava meio aborrecida comigo mesma. Durante a noite, reconstituí a cena e fiquei imaginando todas as respostas possíveis, inclusive uma bofetada, e me deliciava imaginando a desfeita de um Ángel que eu recolocava em seu devido lugar. Sabia, porém, que tinha feito bem em ficar quieta, apesar de as ofensas que ele me infligira queimarem feito ferro em brasa.

Ángel fez questão de não deixar que eu o perdoasse. Perseguiu-me com seu ódio e dividiu-o com aqueles que, como Pipiolo ou Tigre, tinham prazer em me atormentar. Aquelas pequenas infâmias todas os deliciavam. Sabiam que eu esperava a bebida da manhã com impaciência, pois, por causa de meu fígado, evitava o café preto ao acordar. Só se dignavam me servir por último e, quando eu estendia minha tigela, mal e mal a enchiam, ou então jogavam o resto fora na minha frente, olhando para mim.

Eles sabiam que eu adorava a hora do banho. Eu era a última a fazê-lo, mas era quem eles mais apressavam para sair. Proibiam que eu me agachasse no riacho para me lavar. Eu tinha de ficar de pé, pois, segundo eles, eu sujava a água. Meus companheiros tinham colocado uma cortina de plástico para que eu ficasse mais à vontade no banho. Todos podiam utilizá-la, menos eu.

Certa manhã, quando estava me lavando, percebi um movimento vindo da direção da mata. Continuei a me lavar, observando algo que se mexia atrás de uma árvore. Descobri Mono Liso, de calça arriada, se masturbando.

Não chamei o guarda. Não fiz nada. Só apanhei minhas roupas e voltei para a minha caleta. Quando o guarda veio prender minha corrente em volta da árvore, pedi-lhe que chamasse Enrique. Enrique não veio. Mas o Anão, seu novo imediato, atendeu ao meu pedido.

O Anão era um sujeito curioso. Primeiro, porque tinha dois metros de altura, e também porque parecia um intelectual perdido no meio do mato. Não conseguia definir se ele me era antipático ou não. Achava-o fraco e hipócrita, mas podia ser que fosse disciplinado e prudente.

 

- Quero deixar claro que, se as Farc não são capazes de educar esse moleque, eu mesma vou tratar disso.

- Da próxima vez que isso acontecer, me avise - respondeu o Anão.

- Não vai haver próxima vez. Se isso se repetir, dou uma surra nele de ficar com vergonha pelo resto da vida.

No dia seguinte, não soltaram a minha corrente para que eu me exercitasse nas barras fora da caleta. Fiquei reduzida a fazer flexões de braço embaixo da minha rede.

Foi de lá que avistei a galinha. Ela acabava de pular em cima da caleta de Lucho e se acomodar sobre o mosquiteiro que ele deixava dobrado ao pé da cama durante o dia. Devia ser um ninho agradável. Ela ficou ali horas, imóvel, sem que ninguém percebesse, um olho fechado, ereta, como se fingisse dormir. Era malhada de cinza, com uma linda crista vermelho sangue, e muito consciente da forte impressão que era capaz de causar. "É uma vaidosa", pensei, ao observá-la. Ela se levantou, indignada, arrulhando, cacarejou com vontade sacudindo sua bola de penas e foi embora sem mais delongas.

Todo dia, no mesmo horário, a galinha de Lucho vinha visitá-lo. Deixava para ele um ovo, escondido da guerrilha. No crepúsculo, observávamos os guardas.

- Ela estava no acampamento à tarde.

- Deve ter deixado o ovo por aqui, no meio das árvores.

O ovo já estava na nossa barriga. Chegava até mim por vias tortuosas, para que eu o cozinhasse. Eu desenvolvera uma técnica para esquentar minha tigela queimando o cabo plástico das lâminas descartáveis que apareciam no acampamento. Guardava todos eles. Um só era suficiente para cozinhar um ovo, que Lucho distribuía alternada mente entre os companheiros.

Quando chovia, eu cozinhava em série: a chuva disfarçava a fumaça, os odores e os sons. Comíamos todos os ovos da nossa reserva.

Lucho acabava de descobrir mais um entre as dobras do mosquiteiro. Fez amplos acenos para avisar a mim e a Pinchao. Ficamos supercontentes, pois era o Dia das Mães e assim teríamos como comemorar.

Não podíamos imaginar que a data seria marcada de um modo bem diferente. Eles não fizeram ruído algum: quando percebemos, já estavam em cima de nós. 


  • Não Há Silêncio Que Não Termine

    Autor: Cristina R. Durán

    Veículo: Jornal Valor Economico, edição 22/10/2010

    Fonte: Jornal Valor Economico

    NÃO HÁ SILÊNCIO QUE NÃO TERMINE - EXPERIENCIA TRANSFORMADORA - O CATIVEIRO CONTADO POR INGRID BETANCOURT

    Experiência transformadora Por Cristina R. Durán 22/10/2010 Valor Economico "Não Há Silêncio Que não Termine" Ingrid Betancourt Trad.: vários. Companhia das Letras 556 págs., R$ 45,00 / BB+

    Uma vertiginosa tentativa de fuga abre "Não Há Silêncio Que não Termine - Meus Anos de Cativeiro na Selva Colombiana". No mesmo ritmo, seguem-se mais de 500 páginas com o relato de Ingrid Betancourt sobre os seis anos e meio vividos em cativeiro na selva colombiana. Em fevereiro de 2002, a ex-deputada e ex-senadora, então candidata a presidente de seu país pelo partido Oxigenio, foi sequestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

    Ela tinha 40 anos. Levada para o interior da mais densa floresta, permaneceu cativa até julho de 2008. Sua libertação, narrada no mesmo tom de vertigem, resultou em uma espetacular operação de resgate perpetrada pelo exército colombiano. "Eu acabava de nascer. Não havia mais nada dentro de mim além de amor", descreve Ingrid sobre esse momento. Acabava ali uma dramática experiência transformadora.

    Graduada no Institut d'Études Politiques de Paris, Ingrid viveu confortavelmente na capital francesa até os anos 90. No entanto, movida pela necessidade de lutar por melhores condições de vida na Colômbia, voltou ao seu país para se lançar em uma luta encabeçada pelo combate à corrupção. Mais de uma vez, a sua obstinação lhe valeu ameaças de morte e uma vivência oposta à de seu cotidiano parisiense. Em seu primeiro livro, "Coração Enfurecido" (Objetiva, 2001), ela conta com detalhes todos esses episódios. Nada poderia se comparar, contudo, ao que lhe reservava o destino naquela manhã de fevereiro, quando foi sequestrada durante a campanha presidencial, em circunstâncias nunca bem explicadas.

    A história que ela conta em "Não Há Silêncio Que não Termine" traz ingredientes inimagináveis. Ingrid se viu repentinamente desligada do convívio dos amigos, da família, da política. Ficou isolada no meio de uma selva que mal compreendia e cercada de homens e mulheres armados que lhe impunham condições humilhantes. Ela descreve minuciosamente as várias tentativas frustradas de fuga, a fome, a doença, as inúmeras viagens de barco, caminhão e a pé a que foi submetida.

    Os momentos em que permaneceu acorrentada, subjugada, imunda. O dia a dia exigia um esforço sobre-humano para não sucumbir à autoanulação e para passar pelas provações perversas que às vezes divertiam alguns de seus algozes. Obter notícias do exterior era a maior preciosidade a que os cativos aspiravam, além da liberdade. Os aparelhos de rádio eram motivo de disputa. Por meio deles, os prisioneiros ouviam as mensagens dos parentes e sabiam que ainda não haviam sido totalmente abandonados naquele inferno na Terra. Mas era pelo rádio também que tomavam conhecimento da morte de parentes e do abandono ou retomada das negociações pela sua libertação.

    Foi por meio de um pedaço de jornal velho que Ingrid soube da morte de seu pai, ocorrida muitos meses antes - golpe do qual foi difícil se recuperar. Ao mesmo tempo em que narra as atrocidades da privação de liberdade, Ingrid faz profundas reflexões sobre a vida, a morte, o ser livre, o poder, a esperança, a obstinação, o humanismo. O olhar feminino lançado por ela a todo o horror vivido com os seus companheiros de cativeiro - o que inclui traições mesquinhas entre eles - vai até o fundo de sua alma.

    Em alguns momentos, ela até reconhece fagulhas de bom coração nas atitudes de seus algozes. Mas tem de lutar ferozmente consigo mesma para anular os piores instintos que eles lhe despertam. Ingrid Betancourt não quer se transformar em um deles. Quando é libertada, agradece aos céus pela nova vida que se abre à sua frente.

Marcio Mafra
26/07/2015 às 00:00
Brasília - DF

Desde outubro de 2010 eu havia anotado a transcrito para minhas anotações um texto da jornalista Cristina Duran, publicado no jornal Valor Econômico. Ela recomendava fortemente a leitura do livro. A reportagem está transcrita na aba “mídia” da Livronautas.  Só comprei o livro em 2013 e fiz a leitura no inicio de 2015.


 

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