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Suicídio ou Sobrevivência do Ocidente?

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Suicídio ou Sobrevivência do Ocidente?

Livro Bom - 1 comentário

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Autor: L J Lebret  

Editora: Duas Cidades

Assunto: Sociologia

Traduzido por: Benevenuto de Santa Cruz

Páginas: 390

Ano de edição: 1961

Peso: 635 g

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Bom
Marcio Mafra
28/07/2002 às 18:18
Brasília - DF
Lebret era um afamado pensador da igreja católica. Foi padre dominicano bastante festejado no ciclo dos anos 60/70 pelos seus estudos da política de desenvolvimento econômico, muito discutidos pelos governos de nações subdesenvolvidas, que precisavam adotar programas sociais para servir de rede de apoio às suas miseráveis e empobrecidas populações.
A leitura do livro é cansativa, posto que é apresentada como um estudo, ou um ensaio. A tradução não é nada brilhante. É livro para os iniciados em sociologia e economia. Ao longo dele percebe-se um certo anti-americanismo, além de uma tênue condenação ao comunismo, embora o autor afirme o contrário. Como estudo é interessante para saber como se enxergava o mundo, nos idos de 1960, com estatísticas e levantamentos de 1955.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Análise sobre os problemas fundamentais da civilização ocidental, elaborada em 1956, sob o ponto de vista religioso do autor

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

É impossível impedir um fato inelutável: o crescimento demográfico do mundo. Geogràficamente, o mundo tornou-se pequeno e as relações de dependência entre povos desenvolvidos e subdesenvolvidos são hoje muito mais estreitas. Os povos estão mais aproximados e são mais interdependentes. Basta olhar os mapas de um atlas geográfico para compreender a importância da navegação aérea no mundo de hoje. Um dêsses mapas, o do Oxford Economic Atlas of the World, com indicação do número de vôos semanais, é particularmente expressivo, ainda que nêle não constem as intensas rêdes de linhas "domésticas" de vários países. O tráfego aéreo, em 1952, acusou cifras impressionantes: 24.400 milhões de passageiros/milhas e 594 milhões de toneladas( milhas; após essa data, o aumento da navegação aérea tem sido. constante. As linhas aéreas estendem-se, hoje, a todo o globo. com exceção das regiões polares. Para se ter uma idéia da importância atual da aviação, basta citar o caso da Air-France, cujo movimento aumentou de 22% ,em 1956. A tonelagem das diversas marinhas mercantes passou de 870.000 em 1938 para 87.245.000 em 1951, recordando-se que os navios atuais são muito mais rápidos que os de antes da guerra. A velocidade dos aviões aumentou ainda mais que a dos navios. Pode-se, hoje, dar a volta ao mundo, em avião, em três ,dias; mais ràpidamente, ainda, atua o rádio, transmitindo instantaneamente a palavra até aos mais longínquos lugarejos. Grande parte da humanidade conhece diàriamente, pelo rádio e pelos jornais, os acontecimentos de todos os países. Pelos Congressos internacionais e por publicações, os cientistas estão constantemente a par dos trabalhos de seus colegas estrangeiros; cientistas europeus ajudam o Extremo-Oriente a .descobrir suas fontes de civilização; cientistas asiáticos e outros acompanham com interêsse os trabalhos de cientistas da Europa ou dos Estados Unidos; as técnicas tendem cada vez mais a se 'Uniformizar; os países analisam de modo idêntico os fatos econômicos e sociais, e também da mesma maneira calculam as rendas nacionais. Hoje é possível conhecer melhor o que se passa em regiões outrora apenas conhecidas, do que há um século o interior ,da mesma nação. O mundo se torna, pois, cada vez menor, numa interdependência cada vez maior. Alguns aspectos dêsse fenômeno serão analisados na segunda parte dêste livro. Os países industrializados não podem dispensar os países complementares, menos desenvolvidos, dos quais recebem matéria-prima e produtos energéticos, e para os quais exportam produtos semi-acabados ou totalmente manufaturados. Não é, evidentemente, necessário insistir nos aspectos materiais de fenômeno tão evidente; mas é importante sublinhar os seus aspectos sociológicos, éticos e políticos. Essa aproximação do mundo permite comunicações entre os povos anteriormente isolados, modifica as psicologias individuais e coletivas, desperta a inveja, desagrega antigas comunidades e, freqüentemente, conduz à degradação moral. Basta que se estabeleça qualquer tensão internacional, que se declare uma guerra, que surja uma revolução ou que a nacionalização de reservas de petróleo ou de um canal seja decretada, para comprometer o equilíbrio do mundo. Fatos como a guerra da Coréia ou do Canal de Suez assumiram proporções de acontecimentos mundiais; modificaram o mercado de vários produtos, intensificaram determinadas produções, provocaram aumento da tonelagem de navios, exigiram a intervenção da Organização das Nações Unidas e deram aos Estados Unidos ocasião de medir, simultâneamente, o seu poder e a sua fraqueza. Não somos ainda capazes de avaliar a intensidade da perturbação provocada no mundo pelos novos meios de comunicação e de transporte. Menos ainda podemos avaliar as conseqüências éticas de uma solidariedade tão universal e tão forte. Os povos persistem em pensar em têrmos "nacionais" e não em têrmos "mundiais"; os povos ricos continuam pensando que o mundo inteiro está à sua disposição, a fim de lhes permitir aumentar mais ainda seus já elevados níveis de vida; os povos pobres não têm perfeita consciência da gravidade de seus desequilíbrios internos, de suas ambições irrealizáveis e de seus desejos contraditórios. A política seguida pelos povos do mundo inteiro, ricos e pobres, é curta, extremamente curta; nenhum dêles foi capaz, até hoje, de compreender lucidamente as obrigações decorrentes das complementariedades econômicas e culturais, bem como da extensão universal da ciência e da técnica ocidentais. Os dirigentes perdem-se num "imediatismo" que os impede de adotar, para a solução dos problemas, uma ampla perspectiva. Um fato capital deveria, no entanto, levá-los a refletir: o exemplo do Ocidente levou a todos os povos o desejo do saber, da instrução. Mesmo os povos menos desenvolvidos procuram criar e multiplicar escolas primárias, secundárias e superiores. A instrução dará a êsses povos, pela primeira vez na História, consciência de sua realidade total: é uma revolução tão importante quanto a dos transportes e comunicações. Não nos é possível conhecer exatamente, por falta de dados, a amplitude do esfôrço realizado pelos povos subdesenvolvidos ou não desenvolvidos, para a alfabetização de suas populações. A natureza pouco exata de certas avaliações pode ser deduzida do fato de, no mesmo país, várias fontes oficiais indicarem cifras absolutamente contraditórias. No caso de determinado país, por exemplo, uma estimativa recente indicava que o número de pessoas com instrução rudimentar era de 3%, 10% e 41 % da população total, segundo as várias fontes oficias de informação. Segundo um quadro publicado pelo Ponto IV, em 1950, o número de professores primários por 1.000 habitantes era de 1a 2 na União Sul-Africana, no Egito, na Colômbia, no Peru, na República Dominicana, no Haiti, na Guatemala, na índia, nas Filipinas; de 2 a 3, no México, Uruguai e Nicarágua; de 3 a 4, no Japão, Panamá e Paraguai. Nos países desenvolvidos o índice era de 2,5 a 5,5. Na índia, o esfôrço no setor educação é considerável. Em 1948-1949, êsse país contava com 18 universidades, 537 colégios de estudos superiores (apenas 400 em 1939-1940), 14.342 estabelecimentos de ensino secundário, 154.912 escolas primárias, sem falar nas escolas "vocacionais" e técnicas e nos cursos de alfabetização de adultos. No total, existiam 184.346 escolas de diversos graus reconhecidas, e 8.595 não reconhecidas. 17 milhões de crianças e adolescentes freqüentavam escolas, colégios e universidades; a percentagem de alunos do sexo feminino era muito pequena. De 8% apenas, há alguns anos atrás, a taxa de alfabetização elevou-se, em 1954, a 16,6%. O Plano do "Central Advisory Board of Education" prevê que a alfabetização do total dos cidadãos da índia estará completada no 40º ano da independência. Previa o Plano que, se apenas 51% das crianças de 6 a 11 anos freqüentasse a escola em 1955/1956, a percentagem de alfabetizados, em 1975/1976, seria de 95%. Segundo o Relatório da ONU sôbre a situação social do mundo (1957), os dados fornecidos por países perfazendo 90% da população mundial indicam que a proporção de freqüência nas escolas aumentou de 18% entre 1950 e 1954. Aprendendo a ler, observar, comparar, deduzir e concluir, os povos pobres aprendem também a reagir. As camadas de população de baixo nível de vida começam a reagir contra as camadas dominantes, cujo egoísmo ou incompreensão da situação mundial são patentes. Os povos subdesenvolvidos descobrem a distância que os separa, na satisfação de suas necessidades, dos povos desenvolvidos, e quanto foram, por êles, desprezados e explorados. Passam, por isso, a reagir contra o Ocidente inteiro. Os povos ocidentais, habituados a tudo interpretar segundo suas próprias perspectivas, dão pouca importância à agressividade que se manifesta hoje em tôda a parte contra os seus erros. Quando, por exemplo, um homem como Mamadou Dia analisa a influência européia na economia africana, suas afirmações, às vêzes de fato excessivas, chocam os europeus. No entanto, a interpretação que dá a êsses fatos é muito mais objetiva do que a análise ingênuamente conservadora feita ainda pelos europeus. Como exemplo da atual agressividade anti-ocidental podemos citar, resumindo-a, a posição de Mamadou Dia. Preocupado apenas na procura de mercados para os produtos manufaturados, investindo nas regiões subdesenvolvidas apenas seus excedentes de capitais, empenhado em garantir o seu abastecimento de matéria-prima, o capitalismo imperialista se desinteressa da industrialização dos países que domina. Durante o período do liberalismo, os capitais, nessa fase quase que exclusivamente privados, são investidos em setores nos quais o lucro é antecipadamente garantido para acionistas não africanos, em vários setores, agricultura, exportação e minas. A agricultura caracteriza-se pelo abandono das culturas de víveres e pelo domínio dos produtos industriais: café, algodão, amendoim, mamona. As pequenas plantações cedem lugar às grandes plantações em grandes áreas desflorestadas. A antiga economia rural de subsistência foi substituída por uma economia de mercado, cuja preocupação essencial é a distribuição de altos dividendos e a acumulação do capital. Nessa perspectiva não se cogita de equipar a agricultura, nem de educar os agricultores locais, nem mesmo de formar uma burguesia autoctone. Dominada por preocupações estreitas e encorajada por uma fácil prosperidade, a economia comercial não se interessa por estudos e pesquisas técnicas. As advertências de agrônomos e pedólogos foram, durante muito tempo, consideradas abstrações inúteis. O resultado foi a degradação dos solos, o progresso da erosão, o avanço contínuo do deserto, influindo na degradação dos homens e na decomposição do regime comunitário baseado nas relações familiares e na autoridade tradicional dos chefes locais. A medida que as melhores terras foram cedidas em regime de concessão ao ocupante branco, as tribus de agricultores - como os Kikuyu e os Kamba - reduziram suas culturas a terras gastas pela erosão e os pastores - como os Masai - confinados em terras pobres dos planaltos são condenados à ruina e ao extermínio, decorrente da insuficiência de pastos para os seus rebanhos. Fatos dessa natureza, assim como as obrigações fiscais que continuam a pesar sôbre as famílias explicam o êxodo para as cidades industriais. A economia capitalista funciona, pois, como um fator ativo de proletarização, preparando os movimentos nacionalistas. A análise da decomposição introduzida na Africa pelo capitalismo colonial levou Mamadou Dia a concluir: dos valores humanos. Em outras palavras, além do espírito de lucro, há uma filosofia subjacente no Pacto Colonial, tendo como base a velha concepção assimiladora da Europa, para quem a plenitude da humanidade é representada exclusivamente pelo homem europeu. Há, no fato de um africano negro exprimir-se dessa maneira com linguagem e forma ocidentais, um testemunho patente do que êle deve ao Ocidente e das acusações que lhe faz. A verdade éque o comportamento de muitos ocidentais justificam essas acusacões. Muitos dos textos citados em nosso livro o provam indiscutivelmente. Citemos, também, por exemplo, um texto da revista francêsa Etudes et Conjoncture, publicada por um órgão oficial ereconhecidamente objetiva em suas apreciações. Malgrado os inconstestáveis esforços feitos pelos europeus para melhorar a agricultura de certas zonas da Africa negra, não se pode evitar de lhes imputar a responsabilidade pela regressão verificada na agricultura de subsistência em várias regiões. Entre as causas dessa regressão pode-se citar as imigrações temporárias de mão-de-obra, freqüentemente consideráveis, o alcoolismo introduzido pelos brancos, o desflorestamento excessivo, e o desenvolvimento de culturas industriais que contribuem para o esgotamento da terra: amendoim, algodão, cana de açúcar [...] Em muitos casos, os europeus se reservaram uma parte importante das terras mais ricas e mais accessíveis, freqüentemente utilizadas até o último grau de laterização. É verdade que muitas dessas terras foram, de fato, inutilizadas pelos autóctones. Em todo caso, essas práticas contribuiram para reduzir muitas dessas populações à agricultura de subsistência em solos que, com igual trabalho, acusam menor produção. A economia de mercado, mesmo quando redundava em benefício financeiro para as populações locais, teve freqüentemente como conseqüência, por falta de precauções, uma redução do nível alimentar. Não seria aqui o caso de investigar se as acusações de Mamadou Dia atingem apenas o regime capitalista ou qualquer imperialismo, seja qual for o seu regime econômico; basta-nos assinalar os aspectos fundamentais dessas acusações para compreendermos que o despertar de consciência fatalmente provocado pelo contacto com a cultura ocidental engendra uma inevitável reação nacionalista, talvez prematura ou, mesmo, nociva do ponto de vista do desenvolvimento.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Este foi mais um dos livros que adquiri na década de 60, para entender a vida.


 

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