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Lealdade

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Lealdade

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Autor: Márcio Souza

Editora: Marco Zero

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 207

Ano de edição: 1997

Peso: 365 g

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Bom
Marcio Mafra
23/07/2002 às 23:37
Brasília - DF
Lealdade narra a história do Brasil através da vida de uma família da Província do Grão-Pará e Rio Negro. A família de Fernando, militar, idealista, luta para que o Grão Pará possua a mesma liberdade propagada por D.Pedro em 7 de setembro de 1822. Porém, Fernando não vê seus sonhos se realizarem em face as dificuldades que acabaram desabando sobre sociedade do Pará que era muito mais evoluída politicamente, antes da independência do Brasil. A interferência, influência e mando advindo da corte do Imperador, causavam atrasos e grandes dificuldades burocráticas, políticas, econômicas e sociais para toda a região. O retrocesso acabou por resultar num levante levante, a revolução da Cabanagem...
Leitor que já tenha lido O Tempo e o Vento, do Veríssimo, pai, obrigatoriamente irá comparar o Lealdade com aquele romance escrito em 1949. Claro que não é uma imitação, mas que parece, parece. Indubitavelmente a melhor obra do Márcio de Souza é o fantástico e insuperável romance Mad Maria. Lealdade é apenas mediano.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história da aventura amazônica, nos primeiros anos do século XIX com o personagem narrador contando as suas aventuras numa fuga, porque um país - o Grão Pará - morreu para o Brasil nascer.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Tentei esconder Simone. Egoísmo e medo, que eu disfarçava como senso de proteção. Nos cincos anos entre sua chegada, a perda de sua mãe e a morte do doutor Carpenthier, logrei manter Simone distante de meus amigos. Só Batista Campos a conhecia e lealmente se mantinha em silêncio. Bernardo, agora casado com Ana Amélia, foi se distanciando de meu convívio, ainda que nossa amizade continuasse. Em 1811, nasceu-lhes uma filha, a primeira de uma série de quatro meninas. Queriam um menino, mas acabaram por desistir da insistência ou teriam um exército de ikamiabas, as amazonas guerreiras. Não foi difícil manter Simone fora das vistas de Bernardo, dos meus colegas oficiais, de minha própria família. Em Belém, ela tinha seus passos bastante limitados. Praticamente se dedicava à mãe sempre doente e ao pai, alquebrado e precocemente senil, definhando na prisão. Nos primeiros dois anos, comandei o destacamento da prisão. E fazia de tudo para tornar o menos dolorosa possível a vida de Simone. Mandei limpar um pátio interno, cheio de mato, onde distribuí uns bancos de madeira e fazia os prisioneiros tomarem sol diariamente. Cuidava da alimentação, mas este era um ponto em que eu tinha pouca influência e, pelo que me lembro, a comida não era exatamente de má qualidade, mas era feita por pretos e tapuias, e a aparência devia ser um tanto repugnante para os franceses. Em Caiena, Simone tinha permissão de trazer a comida para o general, mas em Belém isto não era permitido, e as visitas, embora diárias, obedeciam a horários definidos, e o visitante devia passar por humilhantes revistas. Em 1813, fui mandado para o comando do forte da Barra. Gostaria de acreditar que a vida tem um sentido, que o mundo não é completamente indiferente, tem a sua lógica, que nos escapa algumas vezes, mas tende à perfeição. Infelizmente, estou farto de seguir acreditando nisso, porque a existência não quer dizer nada, e tenhamos sido generosos ou avarentos, cordatos ou violentos, corruptos ou honestos, no fim resulta igual, em silêncio e vômito. O forte da Barra ficava numa ilha e era um dos bastiões a guardar a boca da baía de Guajará. Tratava-se de uma construção do século XVII, bastante bem-conservada, com armamentos novos e uma tropa de fuzileiros. O comandante tinha direito a um alojamento no forte, mas raramente eu dormia lá. Uma boa parte das minhas noites eu passava numa casa que comprara no Umarizal. As noites mais afortunadas, podia passar com Simone. Para chegar ao forte, uma chalana a vela vinha me apanhar todos os dias no porto do Arsenal. Velejávamos pela baía de Guajará, atravessando um labirinto de embarcações, de gritos dos vendedores fluviais, sob um céu de azul escandaloso, desse tipo de escândalo que os trópicos não temem. Ao regressar, no início da noite, regalava-me em respirar a brisa sutilmente perfumada do rio, composição invisível de todos os odores do mercado. Ah! como doem essas lembranças. Temo-as, encrespo-me todo. Como prisioneiro de meus próprios fantasmas, preferia não ser obrigado a considerar as lembranças que machucam mais e, mesmo assim, elas me assaltam, fazem-me tombar sobre elas, cortantes que são como cascas de mariscos incrustados nas pedras. Estou a ferir-me num passado que ninguém mais pode dividir comigo, porque nenhum passado é compartilhável, e só a morte nos pode roubar. Não foi totalmente por minha vontade que deixei para trás os meus contraditórios amigos, a minha estranhamente plácida vida militar, as mesas do bar do Cabrito... Não há queixume agora em minha alma, atinge-me apenas o fato de que minhas escolhas foram mais movidas pelo acaso, ao sabor do fortuito, e não exatamente pelo meu arbítrio, como eu ingenuamente julgava serem.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Em 1998 visitei - por dois dias consecutivos - a Bienal do Livro, em S.Paulo, ocasião em que adquiri este livro do Márcio Souza


 

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