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O Encontro Marcado

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O Encontro Marcado

Livro Ótimo - 4 opiniões

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Autor: Fernando Sabino

Editora: Record

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 285

Ano de edição: 1986

Peso: 325 g

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Bom
Rafael Mafra
20/07/2002 às 21:01
Brasília - DF

É difícil distinguir os livros do Fernando Sabino. Todos tem um quê de especial, oculto, que ainda não achei. Houve uma época em que procurei o que tinha o Fernando Sabino. Fui atraído pela brevidade dos contos e pela possibilidade de rir. Não achei. Folheei o livro e não lembrei de nenhum conto, ainda que tenha lido toodos, a menos de 10 anos. Sabino escreve bem, as adaptações para as telonas ou telinha são sempre boas, mas seus livros são recomendados para hipertensos, pois são totalmente sem sal. O conceito é por respeito ao autor.



Excelente
F. Mafra
20/07/2002 às 21:00
Brasília - DF

Li este livro na escola, durante o primeiro grau. Foi tão marcante na minha vida que eu e mais alguns amigos resolvemos, também, marcar um encontro para o futuro. Hoje não sei que dia era o encontro, nem em que lugar...Será que já conteceu e eu não fui ?


Excelente
Marcio Mafra
20/07/2002 às 20:59
Brasília - DF

O Encontro Marcado é um livro emblemático. Foi praticamente adotado por todas as escolas de 2º Grau do Brasil, entre os anos 60/80, citado, comentado, analisado e dissecado em qualquer cursinho preparatório de vestibular. Este exemplar pertence a 48º edição, sinal de muita venda e muita leitura. Foi o primeiro romance do Sabino, lançado em 1956. Narra o drama de uma geração, de uma época social, onde um grupo de adolescentes havia combinado de fazer um encontro muitos anos depois. Leitura fácil e rica. Excelente.



Ótimo
Flavia Mafra
13/07/2002 às 18:57
Brasília - DF

Este livro é bem bacana. A narrativa facílima e gostosa, parece que o autor fala com a gente. A história é comum, tanto que o leitor se identifica com os personagens.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de um grupo de adolescentes que marcaram um encontro para dali há muitos anos, quando ainda estavam na escola. Depois de dar os contornos da vida de cada um, depois que sairam da escola até a fase adulta, finalmente o encontro acontece.....

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Sozinho no apartamento. É noite. Debruçado à janela, ele olha a rua. Um bonde, dois automóveis. Conversa de notívagos na esquina, o vigia da construção. Um choro de criança, miado de gato, tosse de homem, são ruídos esparsos, débeis sinais de vida que não iludirão a morte, nessa hora em que todos se esquecem e dormem. Uma noite .semelhante, no Hotel Elite... O que me impede de morrer? Um dia fui dizer uma coisa no bar e percebi que não tinha nada a dizer. Não soube escolher, fui escolhido. Pois agora agüenta a mão, rapaz! Não vai chorar mais não, que não adianta. A princípio chorava tanto que se acostumara a encarar o pranto com certo bom humor: muito bem, está chegando a hora, daqui a pouco começa a choradeira. Ou então: isto é bom, principalmente antes do jantar - é duro sofrer assim, mas abre o apetite. Encarava-se ao espelho com simpatia, quando o sofrimento fazia escorrer lágrimas de seus olhos: "Então, garotão, como vão as coisas? Tem cabimento um homem chorando dessa maneira? Não liga não, é assim mesmo, mais tarde passa. . ." Mas as lágrimas acabaram secando e ele se limitava a ficar andando pela casa, sem ter o que fazer, com preguiça de barbear-se, vestir e sair. "Uma de menos", dizia seu Marciano, enxugando o rosto a cada manhã. Mal se arriscava até a esquina para comprar cigarros, comer qualquer coisa, e voltava logo para casa. Um dia encontrou Neusa, a menina sua vizinha. Já não era menina: tivera um namorado. - Não quero que essa menina fique por aí, tomando intimidade conosco. A vida é assim mesmo, pensou, de novo sozinho, resolvido a esquecê-la sem remorso. Nos desmentimos a cada passo, o velho Germano afirmara. Mas não há verdade nenhuma nos nossos ombros como uma cruz. Para que esperar? Ele havia triunfado, precipitando o seu destino. E assim passavam os dias, não tinha sequer em que pensar. Rebuscava pensamentos que antes o seduziam, acabava organizando listas: listas dos livros que já lera, das coisas que mais o irritavam; das mulheres que já conhecera, de seus autores prediletos. Com estes compôs um time de futebol para jogar com o time das mulheres. - Assim eu acabo doido mesmo - reconhecia, de súbito sentindo pena de si mesmo, já se vendo doido manso, internado num hospício. Antonieta o visitaria? e recomeçava a chorar. Agora não está chorando. Tem os olhos secos e busca outra janela, a que dá para o fundo de outros apartamentos. A área entre os edifícios se abre como um poço. O que me impede de morrer? Inclina-se e olha para baixo. Se algum dia tiver de suicidar faço um estrago louco... Mas Jadir não pensava assim. Hoje ele também não pensava assim. Nada de violências! o tresloucado gesto na noite do Hotel Elite, me conte tudo sobre a morte da meretriz. Nada disso, a coisa tinha de ser suave, delicada, impressentida.,. Um tubo de luminal, Antonieta não deixara atrás de si, no armário do banheiro, um tubo de luminal ainda fechado? Por que diabo teria comprado aquilo? Foi ao banheiro, abriu o armário do banheiro. Para que ele se lembrasse de tomar, depois que ela se fosse? Deitar, dormir e morrer. Escovaria os dentes? Daria corda no relógio? Apanhou o tubo, abriu-o, despejou os comprimidos na palma da mão, brancos, puros, inofensivos. Vinte comprimidos, era o que se chamava uma dose cavalar. O tempo dos cavalos... De repente tocaram a campainha da entrada. - A esta hora? Por um momento pensou em Neusa - enfiou rapidamente os comprimidos no tubo, guardou-o no bolso do pijama e foi abrir . - Você? Era Vítor. Entrou meio constrangido, sorrindo de lado, tentando naturalidade: . - Estava passando aí por perto, resolvi te fazer uma visita. Então, como vão as coisas? Aqui por perto? Desde quando alguém do outro mundo passava jamais aqui por perto? Assim de noite, sem mais nem menos, como antigamente. Não há de ser para pedir que lhe dê um livro para a sua editora. Pois então sente-se aí, esteja à vontade, espere um instante, vou ali na máquina e escrevo um livro para você. Escrevo um romance, o meu romance. Esse bestalhão saberá que o tempo dos cavalos já passou? - Como vai a editora? - Vai indo. Estamos pensando em fundar uma revista. Aliás, seu nome foi lembrado... Eduardo o olhava, tentando simular interesse. Nem ao menos alguma coisa para beber, nada a oferecer-lhe para quebrar o constrangimento da visita. Quem sabe você aceitaria tomar uns comprimidos de luminal? - E Maria Elisa? - Está bem. Tivemos mais um filho, sabia? Alguma coisa ele queria dizer. O que quer que fosse, melhor que dissesse logo. Ou não dissesse - ninguém tinha nada com sua vida. - Soube que você está sozinho. - Escuta, Vítor - começou, mas o visitante o interrompeu,incisivo: - Não pense que vim aqui te chatear as idéias, me meter na sua vida. Apenas acontece o seguinte: toco neste assunto porque não vejo outro jeito de dizer o que eu quero dizer. Mas é só para dizer que o que eu quero dizer... De repente se perdia em palavras e olhava Eduardo como a pedir ajuda: - Bem, é o seguinte: vim aqui para lhe dizer que sou seu amigo, conte comigo para o que der e vier. Era isso. E está acabado, não se fala mais no assunto. Eduardo o olhava, estupefato. - Fica meio cretino eu dizer isso assim sem mais nem menos - continuou ele - mas que hei de fazer? Venho pensando há vários dias, não vi outro jeito. Afinal, você era o meu melhor amigo... - Também não exagere... - Não é exagero - protestou o outro - De toda aquela turma você foi sempre o melhor e em quem eu mais confiei. - Ora, deixe de bobagem. - Estou falando sério. - E hoje? - Ainda confio - disse Vítor, com firmeza. - Você vai para a frente, estou certo disso. E vai por caminhos estranhos. Ainda mais agora, que você não tem desculpa. Eu confio em você. - Obrigado, Vitor - disse Eduardo, comovido. - Então não se fala mais nisso - e ambos respiraram aliviados. Depois começaram a rir, felizes: - Você esteve viajando, não? - Por aí... Eduardo agora se tomava de inesperada euforia, pôs-se a falar, explicar, contar casos. Falou-lhe da viagem a Belo Horizonte, de Mauro, da nova geração, das intelecções. Vítor o ouvia, interessado, de vez em quando fazia um comentário: - Que estamos vivendo o fim de uma época, não há dúvida. Por que você não escreve o que está me dizendo? - Já pensei nisso. Mas, e você? Como é mesmo o plano dessa revista? Era um homem de meia-idade, Vítor - pensava, a observá-lo com simpatia, enquanto ele falava. Um pai de família, um homem respeitável, um pouco ingênuo, mas vivo, coerente, reto, convicto, vivendo de acordo com suas idéias - como ele gostaria de ser, como seu Marciano gostaria que ele fosse. O que acontecera para Vítor mudar tanto? - Cheguei à conclusão de que aquela vida que nós levávamos não servia, resolvi tomar outro rumo. Tem de ser de uma vez só: ou vai ou racha. Aos pouquinhos é que não adianta. Mas outro dia me aconteceu uma coisa engraçada - e Vítor sorriu,desajeitado, sem saber se contava ou não: - Você ainda é católico? - Eu nunca lhe disse que era católico. - Qual, vocês mineiros são todos católicos. Mas, eu dizia,o que me aconteceu foi o seguinte: fui a um médico, porque estava sentindo umas dores esquisitas. Tirei radiografia do pulmão, fiquei de voltar no dia seguinte. No dia seguinte o médico me pega e me leva a um canto: seja homem, rapaz - essa coisa toda . Você está com câncer no pulmão. - Não é possível! - Ouve o resto: levei a radiografia a outro médico, que confirmou. Fui para casa daquele jeito, você pode calcular - mas resolvi esconder de Maria Elisa a notícia. Quando cheguei não agüentei mais, me tranquei no banheiro, tive uma crise de choro. Quando dei por mim estava pedindo a Deus um milagre, fazendo uma promessa: se eu não tivesse nada no pulmão, subiria de joelhos a escadaria da Penha. Me lembrei disso porque é o que todo mundo promete. . . E Vítor fez uma pausa, respirou fundo: - Só mesmo um milagre, porque a radiografia não podia mentir. Pois bem: no dia seguinte o médico me telefonou todo afobado, dizendo que a radiografia fora trocada, eu não tinha absolutamente nada no pulmão. Eduardo ficou calado, à espera. - O que eu quero saber é o seguinte: houve milagre? Por favor, não conte isso a ninguém, que acho o caso todo meio ridículo, mas eu teria de cumprir a promessa? - Tem - e Eduardo, sem saber por que, se lembrou de Germano. - Mas foi apenas um engano do médico. . . - Você fez um pedido, não foi? O que você pediu? Que não tivesse nada no pulmão. Pois está aí, você não tem nada no pulmão. Com muito menos do que isso Graham Greene escreveria um romance. Cumpra a sua promessa. - Mas continuo a pensar que se foi engano. . . - Você acredita em Deus? - Não sei, Eduardo... Quando estou sozinho eu acredito. Nunca tinha pensado nisso antes... - Talvez o milagre tenha sido a sua esperança no milagre.. . O rosto de Vítor era agora o de um menino: - Se é assim eu subo a escada, não tem dúvida . Vou lá de madrugada, quando não tiver ninguém... Agora é uma questão de teimosia. Milagre ou não, a verdade é que se prometi eu cumpro. - Não sei, tudo é milagre. .. Se você não viesse hoje aqui, por exemplo, quem sabe? Conversaram até as quatro horas da manhã. Despediram-se alegres e cansados, prometendo-se mutuamente se encontrar sempre, se visitar, voltar ao convívio antigo, feito agora em outros termos. E nunca mais se viram: uma semana depois, na noite de Natal, Vítor foi atropelado e morto quando um ônibus desgovernado subiu na calçada e o prensou contra a parede.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Não há nada de especial sobre o livro do Fernando Sabino. Certamente foi adquirido por se tratar de um dos mais importantes escritores do Brasil, adotados em todas as escolas, primárias, secundárias e superiores nos anos 60. Os seus textos "caiam" em todos os vestibulares das universidades e em todos os concursos que "apuravam" cultura.  Este livro é um dos favoritos do Marcio.


 

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