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Meu Caminho Para Brasilia - A Escalada Política

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Meu Caminho Para Brasilia - A Escalada Política

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Autor: Juscelino Kubitschek de Oliveira

Editora: Bloch

Assunto: Biografia

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 502

Ano de edição: 1976

Peso: 1.085 g

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Excelente
Marcio Mafra
08/07/2002 às 10:59
Brasília - DF
Escalada Política, o segundo livro da trilogia, cobre o período de maio de 1940 até 31 de janeiro de 1956, data em que Juscelino tomou posse como Presidente da República. É a parte mais rica da história da democracia do Brasil. Leitura indispensável para se compreender, claramente, o divisor político-econômico do "Brasil - Monocultura do Café", para o "Brasil - Desenvolvimentista". Excelente livro. Vale repetir: É excelente, também porque o autor consegue cativar o leitor com sua linguagem quase coloquial. À medida que a história se desenvolve, após vencer dificuldades com muita garra e determinação, Juscelino chega à Presidência da República. Nesta altura os traços da personalidade de Juscelino, se sobrepõem à política nacional. Continua o destaque de sua inteligência, elegância e otimismo. Leitura cativante. Livro excelente.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

No "A Escalada Política" segundo livro da trilogia, Juscelino relata suas primeiras lutas políticas, a administração como Prefeito de Belo Horizonte, que ocorreu durante o Estado Novo. A candidatura, campanha e eleição para o governo de Minas. Episódios da campanha, candidatura e eleição para a Presidência da República, destacando-se a deposição de dois presidentes: Café Filho e Carlos Luz.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Na noite de 4 de agosto, eu me encontrava no Palácio das Mangabeiras, quando, às 2 horas da madrugada, o Dr. João Pinheiro Neto, meu oficial de gabinete, avisou-me sobre o que ocorrera no Rio. Disse-me que as emissoras cariocas estavam divulgando, em edições extraordinárias, detalhes do atentado. Liguei o rádio imediatamente e tomei conhecimento do que se havia verificado na Rua Toneleros.
A partir daquele momento, passei a temer pelo que pudesse suceder ao país. Quando os primeiros indícios conduziram as investigações no rumo do Palácio do Catete, envolvendo a guarda pessoal, concluí que a situação de Getúlio Vargas era de fato muito difícil. Ninguém ignorava o prestígio que ele sempre dera a Gregório. O anjo negro era pessoa da sua mais absoluta confiança e, não havia muito, causara verdadeiro impacto na opinião pública a publicação, por uma revista, de uma fotografia em que se via Gregório, numa atitude de pai velho carinhoso, penteando os cabelos do presidente.
Enquanto a crise se precipitava no Rio, eu estava às voltas com outro problema em Belo Horizonte. Getúlio Vargas havia prometido estar presente à inauguração da Mannesmann. Na véspera desse acontecimento, quando tudo já estava preparado para a solenidade, Amaral Peixoto, genro do presidente e então governador do Estado do Rio, telefonou-me, revelando sua apreensão em relação àquela viagem. Temia, com razão, que na ausência do presidente pudesse ocorrer um levante no Rio, já que os ânimos estavam muito exaltados na área militar, notadamente no Ministério da Aeronáutica.
Declarei a Amaral Peixoto que compreendia sua preocupação, mas que eu, do meu lado, não sabia como poderia evitar a viagem. O presidente fora convidado por mim e seria, portanto, meu hóspede. Qualquer atitude minha, no sentido de fazê-lo desistir de estar presente à inauguração, poderia ser mal interpretada, dando a impressão de que não desejasse recebê-lo. Em seguida, Alzira Vargas veio ao telefone e renovou, com insistência, o apelo feito por Amaral Peixoto.
Assim pressionado pela família, fiquei em situação embaraçosa. Lembrei-me, então, de adiar a inauguração e, nesse sentido, convoquei os diretores da Mannesmann, para explicar-lhes as razões que impunham aquela providência. A diretoria mostrou-se contrariada com a decisão, temendo que o adiamento prejudicasse a reputação da empresa.
Decidi, então, assumir a responsabilidade pelo adiamento. Telefonei a Tancredo Neves, que então era ministro da Justiça, e lhe relatei o que se havia passado nas conversas com Amaral Peixoto e Alzira Vargas. Dessa troca de impressões, ficou combinado que Tancredo Neves diria ao presidente que a inauguração tivera que ser adiada, em face de uma avaria no cabo de distribuição que levava a força da Usina do Salto do Rio Grande para a Mannesmann.
Deixando seu gabinete, Tancredo dirigiu-se para o Catete. Eram 11 horas da noite. Getúlio Vargas deveria embarcar às 8 horas da manhã do dia seguinte. Tancredo Neves transmitiu-lhe, em meu nome, o pedido para que adiasse sua ida a Belo Horizonte, em conseqüência da avaria verificada na linha de transmissão da força. Vargas era astuto e sagaz. Não acreditou na informação do seu ministro e, interrompendo-o, perguntou, com certo acento irônico: "O governador está com receio de que eu vá a Belo Horizonte?"
Tancredo Neves sentiu-se embaraçado, dando as explicações que lhe pareceram cabíveis no momento. Mas o presidente replicou, com vivacidade: "Se as razões que levam o governador a propor o adiamento da inauguração não se prendem ao desejo de evitar a minha presença, irei de qualquer maneira. Rogo comunicar-lhe que amanhã meu avião levantará vôo às 8 da manhã."
Voltando ao seu gabinete, Tancredo Neves me telefonou. Era então meia-noite. No dia seguinte bem cedo, reuni toda a minha equipe no palácio e tomamos as providências necessárias para a recepção. O General Lima Câmara, comandante da 4ª DI, procurou-me pouco depois, a fim de me mostrar um telegrama que havia recebido do ministro da Guerra. Tratava-se de uma comunicação, com instruções sobre a segurança do presidente. Como a guarda pessoal havia sido dissolvida, deveria caber ao Exército proporcionar-lhe as necessárias garantias.
Entretanto, conhecendo bem a organização da Polícia mineira, julgara melhor transferir para o Estado a responsabilidade pela segurança de Getúlio Vargas e, nesse sentido, já havia respondido ao ministro da Guerra. Aceitei a incumbência e, imediatamente, tomei as providências que se faziam necessárias.
As 8 horas da manhã, dirigi-me para o Aeroporto da Pampulha. Os adversários do presidente haviam preparado um movimento para recebê-lo com manifestações de desagrado. Achavam-se à frente dessa articulação elementos da UDN local e algumas organizações estudantis, notadamente a dos alunos da Escola de Direito. Os responsáveis pela segurança, informados do que se tramava, tomaram providências para evitar que se realizassem as projetadas manifestações.
Lembro-me de um fato ocorrido naquela ocasião, que reflete o ambiente que se respirava no país. Como não dispunha de tempo, recomendei a um dos meus assessores que elaborasse a discurso que deveria pronunciar na cerimônia da inauguração da Mannesmann, em saudação a Getúlio Vargas. O texto, que me apresentou, não poderia ser mais vago, formalista e vazio de significação. A atmosfera carregada que naquele momento prevalecia até em Belo Horizonte havia contagiado o meu auxiliar, fazendo com que, ao redigir o discurso, houvesse procurado não me envolver em qualquer compromisso de natureza política. Rasguei o texto, já datilografado, e mandei que tomasse nota do que iria dizer. Assim, quase na hora de seguir para o aeroporto, ditei rapidamente o discurso, o qual, datilografado em seguida, foi-me entregue quando já me achava no automóvel. Era um texto vazado numa linguagem incisiva, no qual afirmava meu elevado apreço ao chefe da Nação, naquela hora de angústia e, também, de agonia do seu Governo.
Do aeroporto, dirigimo-nos, em carro aberto, diretamente para a Mannesmann, no Bairro do Barreiro. Quando ali chegamos, percebi a surpresa do presidente. Milhares de trabalhadores aguardavam-no, agitando flâmulas. E, ao lado dos operários, e com eles confundidas, viam-se milhares de outras pessoas, de todas as categorias sociais, que se haviam deslocado da capital, para homenagear o ilustre visitante.
Getúlio Vargas sentiu-se à vontade e numa reação perfeitamente compreensível, voltou a ser o homem jovial e acolhedor que todo o país admirava. Na cerimônia da inauguração, falaram diversos oradores e, entre eles, o presidente da Mannesmann, o governador do Estado e Getúlio Vargas. O discurso do chefe da Nação foi sereno, mas firme e enérgico. Ao deixarmos o local, ele estava alegre e expansivo. A felicidade transbordava nos olhos que brilhavam, inundados de luz.
Em face do êxito da recepção, senti-me integralmente recompensado por lhe haver proporcionado, num momento em que era alvo das maiores aleivosias, aquela consagração popular, certamente uma das mais calorosas mas, por outro lado, a última que receberia em vida.
Apesar da oposição de Amaral Peixoto e de Alzira Vargas, feitas aliás com a melhor das intenções, aquela viagem a Belo Horizonte só dera satisfação a Getúlio Vargas. Sentia-se como nos seus grandes dias de popularidade. Sob ruidosas aclamações, chegou ao Palácio da Liberdade, onde eu lhe oferecia um almoço. A refeição nos foi servida em tomo da piscina, com mesas distribuídas sob as árvores e uma orquestra, sobre o gramado, tocando em surdina. Alguns artistas haviam sido contratados para abrilhantar o garden-party. E, como era de se esperar, a reunião transcorreu num ambiente de alegria e confraternização.
Entretanto, a crise política se agravava, de momento a momento, no Rio. Durante o almoço, que se prolongou por causa dos artistas que cantaram peças folclóricas mineiras, o General Caiado de Castro, chefe da Casa Militar da presidência. da República, chamou-me a um canto e me declarou que o presidente não poderia passar a noite em Belo Horizonte. Estava em permanente comunicação com o Rio e as notícias que recebia revelavam-se inquietadoras. Declarei ao general que, infelizmente, não poderia aconselhar o meu hóspede a deixar o Estado. A ele, sim, como chefe da Casa Militar, cabia o dever de fazer aquela advertência e de insistir com Getúlio Vargas para que regressasse sem demora. O general concordou com a minha sugestão. Aproximou-se do presidente, transmitiu-lhe as notícias que recebera do Rio e concluiu dizendo que o avião já estava preparado. Getúlio Vargas olhou-o com tranqüilidade e respondeu, sem a menor alteração na fisionomia: "Não sigo hoje para o Rio, general. Vou pernoitar em Belo Horizonte."
Terminado o almoço, quase às 5 horas da tarde, acompanhei o presidente até o Palácio das Mangabeiras, onde ficaria hospedado. Alguns representantes de sindicatos haviam-lhe solicitado uma audiência, e, quando me despedi à entrada do palácio, disse-me, com sua habitual benevolência: "Ficaria grato, governador, se pudesse trazer à minha presença, às 19 horas, os presidentes de sindicatos que desejam falar-me."
Ao chegar de volta ao Palácio da Liberdade, convoquei os representantes das organizações sindicais, expliquei-lhes que o dia havia sido exaustivo para o presidente e que não seria justo sobrecarregá-lo com uma recepção de milhares de pessoas. Ficou combinado, então, que cada sindicato enviaria um representante e
que todos estivessem às 19 horas às portas do palácio, a fim de que
fôssemos juntos à presença do chefe da Nação. À hora combinada, quando desci as escadas do palácio, fiquei surpreso ao ver o saguão repleto de pessoas. Eram muitas centenas de trabalhadores, e seus líderes me explicaram que não havia sido possível contê-los, pois todos faziam questão de falar ao presidente.
Quando .chegamos e a porta foi aberta, verificou-se uma verdadeira invasão dos salões. Trabalhadores, estudantes, funcionários públicos e, principalmente, numerosas mulheres precipitaram-se, lotando todas as dependências do palácio. Getúlio Vargas a todos acolhia, com um sorriso franco e espontâneo. Depois de longa conversa, que se prolongou até as 21 horas, os populares foram-se retirando e apenas ficaram os que haviam sido convidados para o jantar. Eram cerca de 30 pessoas. Deste grupo faziam parte alguns ministros de Estado, diretores da Mannesmann e pessoas representativas da sociedade de Belo Horizonte.
O jantar transcorreu, igualmente, num ambiente de grande animação. Eu havia convocado alguns artistas, já que o presidente gostava de canto e música. Compareceram César Prates, grande seresteiro, e o melhor guitarrista do Brasil, Dilermando Reis, que reviveram, ao violão, as mais antigas modinhas de Minas Gerais. Getulio Vargas mostrava-se feliz. Conversava com uns e com outros, sempre bem humorado e não revelando qualquer cansaço.
À meia-noite, porém, demos por finda a reunião. Todos saíram e eu esperei que o presidente se recolhesse aos seus aposentos, para deixar o Mangabeiras. Em seguida, tomei o automóvel de regresso ao Palácio da Liberdade. Mal havia descido a serra do Curral, lembrei-me de que não fizera ao mordomo todas as recomendações que julgava necessárias, para o melhor atendimento ao ilustre hóspede, e voltei para fazê-as.
Ao entrar no salão, fiquei surpreso ao verificar que, havendo descido do primeiro andar, o presidente se encontrava na biblioteca. Dirigi-me para ali, e Getúlio Vargas esclareceu que estava procurando um livro para ler. E ajuntou: "Nunca durmo, sem ler um pouco." Escolheu um dos romances de Eça de Queirós e, com ele sob o braço, encaminhou-se para a escada. Perguntei-lhe se não estava com sono e ele sorriu, mostrando o livro: "O Eça se encarregará de me fazer dormir."
Despedi-me de novo e saí. No dia seguinte, às 8 horas da manhã, já estava no Mangabeira para acompanhar o presidente ao aeroporto. Ordenei ao comandante do pelotão de motociclistas que iria escoltar o carro que se por ocasião da passagem pela Avenida Afonso Pena - a artéria principal de Belo Horizonte - ocorresse qualquer manifestação de desagrado, seus comandados procurassem fazer o maior ruído possível, de forma a abafar os apupos. Em seguida, o carro rolou tranqüilamente no rumo do aeroporto.
Enquanto estivera em Belo Horizonte, em nenhum momento Getúlio Vargas deixara transparecer o mundo de apreensões que trazia n'alma. Pela manhã, quando fora buscá-lo no Mangabeiras, mostrava-se tranqüilo, apenas refletindo certo cansaço na fisionomia. Perguntei-lhe se havia passado bem a noite, e respondeu-me com vivacidade: "Dormi admiravelmente." E, após ligeira pausa, acrescentou: "O silêncio desta serra ajuda muito o sono."
Entretanto, ele não dizia a verdade. Mais tarde, o mordomo Damásio, que o servira, e que era pessoa da minha inteira confiança, contou-me o que se passara durante a noite. Por volta das 3 horas, o presidente tocara a campainha, e ele acorrera para atendê-lo. Getúlio Vargas, então, lhe dissera: "Estou ouvindo uns ruídos estranhos. Parece que estão arrastando móveis na casa. Poderia ver se evitava isso?" O mordomo esclarecera que aquele ruído era provocado pelo vento que ali, no alto da serra, era forte e sacudia com violência as janelas. Às 5h30min da madrugada, ele chamou de novo. O mordomo subira as escadas, com os passos abafados pelo tapete e, quando entreabrira a porta, vira uma cena que muito o impressionara. Getúlio Vargas estava recostado na cabeceira da cama, com as mãos postas e os olhos fechados. Observando-lhe a fisionomia, percebera que seus lábios se moviam, como se estivesse rezando.
Custei a admitir a hipótese da prece. Os que o conheciam intimamente consideravam-no ateu. Nenhum gesto ou qualquer atitude dele havia denunciado, até então, a menor inclinação religiosa. Há pouco tempo, porém, conversando com o Dr. Miguel Teixeira, gaúcho e amigo íntimo do falecido presidente, ele me afirmou que Getúlio Vargas havia se reconciliado com Deus e que não alimentava a menor dúvida de que, naquele instante crucial, se os seus lábios se moviam era porque de fato ele estaria rezando.
Ao embarcar, quando se despediu, disse-me visivelmente comovido: "Muito obrigado, governador. Não esquecerei as horas felizes que me proporcionou." Quis dizer mais alguma coisa, mas não conseguiu. Abaixou a cabeça, virou-se e subiu lentamente a escada do avião. Quando atingiu o último degrau, voltou-se e fez um gesto largo, despedindo-se mais uma vez. Esta foi a última vez que o vi com vida. Duas semanas mais tarde iria contemplá-lo sereno como sempre, as mãos ao peito e a fisionomia, finalmente, descansada - já no interior do seu caixão mortuário.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Em 1958, por volta dos 14 anos de idade, tive consciência do governo JK, quando meu pai viajou de Florianópolis para Brasília. Aqui, em 16 de maio de 1960, conheci pessoalmente o Presidente da República durante a aula inaugural do colégio Caseb.
Comprei o livro A Escalada Política, praticamente no mesmo dia em que chegou nas livrarias.
Este livro faz parte da minha pretensiosa lista pessoal de "best sellers".É um dos favoritos do Marcio.


 

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