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O Punho e a Renda

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O Punho e a Renda

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Autor: Edgard Telles Ribeiro

Editora: Record

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 460

Ano de edição: 2014

Peso: 485 g

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Ruim
Marcio Mafra
04/04/2015 às 23:11
Brasília - DF
Qualquer leitor, medianamente inteligente, sabe que diplomata usa “renda” sem jamais usar “punhos” em suas atividades. Exceção – claro – no período da ditadura militar brasileira, quando naqueles cinzentos anos 64 a 85 até diplomatas usavam punho, força bruta, porrada, tortura e armas de verdade, tudo em nome do regime que combatia a subversão e o comunismo. Muito já se escreveu sobre a ditadura. Muito já de desvendou – ficcional, romanceado ou biograficamente - sobre os subterrâneos secretos dos governos militares e suas ações conjuntas com os governos igualmente malditos e violentos do “cone sul”. Mas ainda não havia aparecido nada na trilha delicada e suave da diplomacia. Edgard Telles Ribeiro foi cônsul, embaixador ou representante do Brasil em San Francisco, Quito, Guatemala, Washington, Nova Zelândia, Kuala Lumpur, Bangkok, Malásia e em diversos organismos da ONU. Portanto o autor sabe das coisas da vida diplomática. Ele certamente viu, assistiu, presenciou e talvez tenha participado – voluntaria ou involuntariamente - de atos, fatos e episódios que a discrição e profissionalismo dos diplomatas não permitem aparecer, falar ou escrever. Mas, entre sua obrigação profissional e a criação ficcional de MAX, o personagem maldito de seu livro, vai uma distância de quase 500 páginas de leitura cansativa. Cansativa porque toda a trama do livro é inconclusa. Nem o Max, nem seus seguidores ou outros personagens menores concluem suas histórias. No fim do livro o leitor fica com cara do bobo. Fica sem saber nada das consequências dos atos, nem mesmo das sequências ou do prosaico final de cada história, personagem, trajeto, abordagem etc. É chato e cansativo ler livro de ficção sem herói, vilão, vitória, derrota, bandido, amante, traidor, desespero, justiça, verdade. Os personagens do livro são ridículos, porque são falsos. É pena! Pena porque o autor é bom. É culto, bom de escrita, mas “O Punho e a Renda” é bobinho. Edgard Telles Ribeiro meteu a mão na cumbuca, na caixa preta da diplomacia, mas foi inócuo. Vazio. Fez ficção onde só houve realismo. História, mesmo vergonhosa é história. Não se reconstrói história com romance. Fica a sensação de que o autor não teve coragem (ou motivação) para trazer a lume e mostrar o submundo e os bastidores da diplomacia do Brasil, durante a última ditadura militar, com suas safadezas, erros, sacanagens, atrocidades, espionagem, maldades, mesquinhez, injustiças, torturas, crimes e mortes. Livro ruim.

Marcio Mafra
04/04/2015 às 00:00
Brasília - DF

A história romanceada, inspirada no trabalho de diplomatas, nas movimentações de suas carreiras, nas intrigas de gabinete, na estreita colaboração dos serviços secretos, nas vantagens políticas e pecuniárias tanto legais como ilegais, nas atrocidades praticadas pelos governos da Argentina, Chile, Uruguai e Brasil a partir de 1964, nos malditos anos  da ditadura militar brasileira.

Marcio Mafra
04/04/2015 às 00:00
Brasília - DF

Cerca de dois anos depois da morte de Marina, em 2006, portanto, quando eu servia pela segunda vez em nosso consulado em Los Angeles, fui ao Rio de Janeiro visitar meus filhos. Na viagem de ida, ao folhear as páginas de um jornal, dei com o anúncio da missa de sétimo dia da esposa do coronel João Vazo Ao chegar, telefonei  para ele. Desde nosso encontro em Viena, havíamos trocado cartões de Natal e conversado algumas vezes por telefone.

De início, ele não logrou me situar em seu núcleo de conhecidos, pois ainda se encontrava sob o impacto da perda que acabara de sofrer. Mas, quando procurei justificar minha ausência da missa de sétimo dia e mencionei nosso convívio em Viena, o coronel, para meu constrangimento, se pôs a chorar ao telefone:

- Minha pobre Matilde ... - soluçou por um bom momento.

 - Você não pode imaginar como ela ficou emocionada ao ver o urso de pelúcia que você mandou para nosso neto!

- Que já deve estar um garotão! - exclamei por meu lado, tentando ajudá-lo a conter suas lágrimas.

­ Deve estar com uns dez ou onze anos, não?

Na verdade, já tinha me esquecido do urso que havia enviado a seu neto - no fundo uma homenagem a ele, coronel, e a seu jeito entre bonachão e desengonçado de caminhar pelas ruas de Viena em busca de nossos restaurantes. Mas, pelo visto, o bicho de pelúcia criara raízes afetivas duradouras na memória do militar:

- Foi o primeiro presente que fez o Ernestinho rir e bater palmas!

Pôs-se então a falar dos netos, que agora eram três. Sua tristeza foi minguando, até desaparecer por completo. Daí às recordações enraizadas nos prazeres da mesa foi um passo. Tanto que logo me convidou para jantar.

Combinamos que nos reveríamos em duas noites mais. Ele me indicou o restaurante, cujo nome e endereço, em Ipanema, me fez repetir. Disse que me esperaria por volta das oito. E que cuidaria da reserva.

- Só não garanto a lareira ... - brincou antes de se despedir.

 - Mas a comida é pra lá de decente.

Na noite marcada cheguei ao local indicado com um ligeiro atraso. O coronel já estava instalado em uma mesa ao fundo da sala e acenou para mim com um gesto jovial. Quando me aproximei, contudo, notei que ele se levantou com dificuldade para me cumprimentar.

Nada perdera em matéria de porte ou altura, mas envelhecera visivelmente. Toda uma década, além do mais, tinha passado desde que nos havíamos visto pela última vez. E, em sua faixa de idade, esses anos costumam pesar. Deu-me, assim mesmo, um forte abraço, que nos remeteu sem transições a nossas noitadas.

Depois de uma escala obrigatória em homenagem à falecida, atacamos nossas caipirinhas. Em questão de minutos, já estávamos às voltas com uma animada conversa. A certa altura, ele me mostrou as fotos dos netos.

"Esse aqui é o Ernestinho", disse com indisfarçável orgulho, colocando sob meu nariz a imagem de um garoto gorducho atracado a uma bola de futebol. Seguiram-se alguns comentários sobre a filha e o genro, que moravam não longe dele.

- O que não é mau com a chegada da velhice - reconheceu com uma pitada de melancolia.

Logo, porém, o elo invisível que nos aproximara em Viena se fez presente com naturalidade na conversa:

- E Max? - o coronel indagou. - Que notícias você tem dele?

Contei que não via meu colega havia dois anos, mas que acompanhava a distância sua carreira com a admiração de sempre.

 

- Admiração e perplexidade ... - ele brincou de olho em mim, depois de um segundo gole em sua bebida.

Mas a conversa ainda daria toda uma sinuosa volta protocolar antes de regressar a nosso personagem.

Falamos do que ocorria na política e na economia do país, nas figuras que subiam ou desciam na gangorra do poder, nas glórias e fracassos da Seleção. Até que, servido o jantar, Max voltou a se juntar a nós, só que agora acompanhado de um coadjuvante, ele também nosso velho conhecido.

- Max sempre fascinou Eric - comentou o coronel, como se falasse de outro amigo comum.

E ergueu a cabeça de seu prato:

- Que tal a comida?

- Ótima.

E estava mesmo. Aproveitei o embalo para registrar, no mesmo tom caloroso, a entrada em cena da figura que acabara de sair dos bastidores:

- Eric Friedkin! O Station Head da ClA na América do Sul!

- Chief of Station, ou COS - ele corrigiu com a boca cheia. - Anos cruciais na história de nossa região, aqueles ... A fase mais dura ...

Olhou para os lados, pois nunca se sabia que orelhas poderiam estar escutando. E, nos dias de hoje, a caça às bruxas fascistas baixara de sua plataforma heroica de paixão política para o plano trivial das fofocas dos salões de beleza ("Fulano? Nem me fale, querida. Dizem que foi um tremendo torturador. . ."; e, depois de uma pausa furtiva, em uma voz mais baixa ainda, " ... nos anos de chumbo .. .").

- A fase mais dura ... após nosso movimento militar de 64 ... - emendou por fim.

Satisfeito com o resgate da fórmula a que já vinha recorrendo desde nossos tempos de Viena, completou:

- Do Uruguai, onde se instalou após passar um breve período no Brasil, ele acompanhou os acontecimentos em Montevidéu, no Chile e na Argentina.

Acompanhou ... , ainda pensei, mantendo a duras penas o sorriso congelado nos lábios.

Nesse instante, por sorte, fomos interrompidos por um conhecido do coronel, que o puxou de lado e lhe apresentou seus pêsames. Após o que se puseram a conversar animadamente a um canto, enquanto eu me refugiava em meus pensamentos.

Ainda sob o efeito da maneira casual com que meu anfitrião se referira às atividades de Eric Friedkin, recordei-me do desabafo que Max se permitira na famosa festa de casamento, mais de vinte anos antes. Quando ele, valendo-se do gênio de Merce Cunningham, estabelecera um paralelo entre os golpes ocorridos na região e um exercício coreográfico inspirado e coordenado pela CIA.

Com muitos pedidos de desculpas, o coronel regressou a seu lugar. Parecia bastante satisfeito consigo mesmo.

- Um antigo colega de turma - explicou. - Veio me convidar para participar de uma reunião da velha guarda. Para ver se conseguimos melhorar o soldo do pessoal da reserva.

E depois de um aceno ao garçom:

- Passamos aos chopes?

Talvez atento ao próprio bolso, o simpático coronel afastara com discrição a carta de vinhos que o garçom tentara em vão lhe submeter.

- E onde é que nós estávamos?

- Eric Friedkin. E sua admiração por Max.

- É verdade ... Mas admiração não é bem a palavra.

Era mais um fascínio ocasional. Por vezes, ficava impressionado com ele. Mas, no geral, acho que se sentia mais intrigado. Como se não conseguisse situá-lo em contexto algum. Aliás, nisso não estava sozinho ... E olha que ele se considerava um excelente juiz de pessoas.

Ele jamais se enganava. Afinal, fora treinado para isso ... E, com um sorriso cheio de bondade, que apenas a idade confere aos homens que já aprontaram muito, mas que talvez assim mesmo escapem do inferno:

- Para isso e ... para enganar! 


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Marcio Mafra
04/04/2015 às 00:00
Brasília - DF

Em abril de 2011 li uma extensa matéria no jornal Valor Econômico que atribuía triplo A, para o livro de Edgard Telles Ribeiro. Guardei a matéria e coloquei o “Punho e a Renda” na minha lista de compras. Comprei  o livro na Amazon, no mês de novembro de 2014 e fiz a leitura em março de 2015.


 

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