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Meu Caminho Para Brasilia - A Experiência da Humildade

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Meu Caminho Para Brasilia - A Experiência da Humildade

Livro Excelente - 1 comentário

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Autor: Juscelino Kubitschek de Oliveira

Editora: Bloch

Assunto: Biografia

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 355

Ano de edição: 1974

Peso: 775 g

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Excelente
Marcio Mafra
08/07/2002 às 19:02
Brasília - DF
Indispensável para quem quiser conhecer a história política de Minas ou do Brasil na década de 40. É excelente, porque o autor consegue cativar o leitor com sua linguagem quase coloquial. À medida que a história se desenvolve, após vencer dificuldades com muita garra e determinação, Juscelino chega à Prefeitura de Belo Horizonte. Nesta altura já são marcantes os traços da personalidade de Juscelino, que a todos encanta e conquista, tanto pela inteligência, como pela elegância e otimismo. Leitura fácil, leve e cativante.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Meu caminho para Brasília é uma trilogia. No primeiro dos três livros - A experiência da Humildade - Juscelino conta a sua infância, a juventude difícil, os estudos em Diamantina e Belo Horizonte, a formatura em Medicina e a iniciação política. Termina com a sua nomeação para o cargo de prefeito da capital mineira.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Eu desenvolvia, por essa época, intensa atividade profissional. Além dos meus encargos na Santa Casa, no São Lucas e no consultório - que era sempre mais movimentado - chegavam-me Inúmeros chamados domiciliares, principalmente da área suburbana, e em decorrência de minha condição de médico da Beneficência da Imprensa Oficial. Acorria a todos os chamados com a maior solicitude, transportando-me a logradouros distantes que, de outra forma, jamais conheceria. E por ter sido também pobre, tratava de ajudar pessoas humildes. Pensava em meu próprio drama infantil ao assistir às privações de muitos dentre aquelas famílias. Eram mães que viam o filho morrer, por falta de um remédio. Eram inválidos que passavam a noite gemendo, porque não dispunham de um analgésico para lhes minorar a dor. Eram parturientes que davam à luz sobre camas imundas, arriscando-se a infecções que, muitas vezes, eram fatais. A pobreza e, por vezes, a ignorância provocavam estas tragédias. Quando acontecia achar-me perto, atendendo ao chamado, fazia tudo que era humanamente possível para evitar que coisas assim acontecessem. E, quando eu galgava aqueles morros, a chamado de um gráfico, de um modesto servente, ou de um operador de máquina, os vizinhos, que nem funcionários do Estado eram, aproveitavam a oportunidade para fazer, também, suas consultas. Atendia-os com boa vontade, sabendo que cumpria o meu dever. Se se tratasse de caso mais grave, exigindo internação, invocava minha condição de assistente da 3.a Enfermaria Cirúrgica da Santa Casa e conseguia para o enfermo o leito que, de outra forma, lhe seria negado. Aos pobres, que necessitavam de remédios, sempre encontrava um meio para mandar aviar-lhes as receitas. Desta forma, ao regressar de tais visitas, sentia-me reconfortado espiritualmente. Era como se estivesse saldando dívidas antigas, cujos pagamentos vinham sendo protelados desde minha infância em Diamantina. E o resultado é que me tornei estimado pela gente boa e humilde dos subúrbios. Era uma vantagem que eu não tinha procurado. Mais tarde, disputando eleições, como político, o grosso de minha votação era obtido justamente nas áreas que eu havia freqüentado como médico da Imprensa Oficial. Ao assumir a secretaria do Interior, Gustavo Capanema preocupou-se em melhorar a situação da Polícia Militar do Estado, cuja conduta, durante a Revolução, havia sido de grande lealdade, eficiência e bravura. Na campanha da Aliança Liberal, Washington Luís, preocupado com as atitudes de Antônio Carlos, de franca rebeldia à autoridade do Governo federal, mandou reforçar, com tropas de elite e equipamentos dos mais modernos, as guarnições do Exército sediadas em Juiz de Fora, São João del Rei, Três Corações e, principalmente, Belo Horizonte, numa tentativa de intimidação do chefe do governo mineiro. Dizem que, em conversa com os amigos, Washington Luís referia-se à pressão militar contra Minas, pilheriando: "A raposa está cercada." Nenhuma dúvida pairava, previamente, sobre o resultado do pleito, já que todos os recursos e processos eram bons para assegurar a vitória de Júlio Prestes. Começou-se, então, a conspirar em Minas e no Rio Grande do Sul, a fim de que, se Getúlio Vargas fosse esbulhado, pudessem os dois Estados levantar-se e impor pela força o que se lhes recusava por meio de eleições viciosas ou fraudadas. A Polícia Militar, ciente das responsabilidades que lhe cabiam, não fugiu ao seu dever de solidariedade com o governo estadual. Na hora decisiva, demonstrou sua coragem, lutando, com inferioridade de armas, contra unidades do Exército, como no lance valoroso do assalto ao 12º Regimento de Infantaria, em Belo Horizonte. Gustavo Capanema, como oficial de gabinete do Presidente Olegário Maciel, havia visitado, em caráter oficial, os feridos no hospital da corporação e ficou chocado com a deficiência dos serviços médicos do estabelecimento. Ao assumir, pouco depois, o cargo de secretário de Segurança, sua primeira preocupação foi a de retribuir, através de medidas administrativas, o muito que a Polícia Militar fizera pela Revolução. Resolveu transformar o velho e inadequado Hospital Militar num moderno e eficiente centro médico, com dotações orçamentárias próprias, de modo a manter instalações modelares e poderem seus diferentes serviços ser dirigidos por especialistas de renome. Uma dificuldade de natureza administrativa havia, entretanto, a ser transposta: o provimento dos cargos dependia de concurso. Os grandes médicos de Belo Horizonte, que Capanema tinha em mente recrutar para aquela tarefa - como Otaviano de Almeida, Santa Cecília, Brás Pelegrino e outros -, já desfrutavam de ótima situação profissional e consagrado conceito científico e certamente não iriam submeter-se àquela prova. Criou-se um impasse. Enquanto a solução estava sob exame, d. Luísa Lemos, minha sogra, informada do que se passava, solicitou a Gabriel Passos, também seu genro e na época secretário particular do Presidente Olegário, que se interessasse para incluir-me entre os médicos a serem nomeados. Vivia-se, então, sob um regime discricionário e legislava-se através de decretos-leis. Capanema não hesitou. Elaborou um decreto, reestruturando o Hospital e, em ato anexo, nomeou os integrantes da nova' equipe médica. Completavam o quadro, entre outros, como chefes de serviço, o Professor Otaviano de Almeida, na Cirurgia-Geral; Brás Pelegrino, na Clínica Médica, Santa Cecília, na Oftalmologia, e José Ferola, que eu encontrara fazendo um curso na Alemanha, na Radiologia. Fui também nomeado, ficando a meu cargo organizar o Serviço de Laboratório e Pesquisas, como os que havia observado na Europa. Fiz o que me foi determinado e, quando aquele Departamento já estava pronto, passei a chefiar o Serviço de Urologia em conformidade com o regulamento, no posto de capitão-médico. Embora absorvido pela atividade profissional, eu sentia, com alguma inquietação, o processo de desagregação em que o regime enveredava. Os poderes discricionários, em que se investiu Getúlio Vargas, de que se haviam agradado os radicais, causaram penosa repercussão na opinião pública. Pouco depois, a situação ainda se agravou, ante a estranha conduta do governo em relação a São Paulo. Era inadmissível, de fato, a injustiça que se praticava contra o grande Estado - o mais próspero, o mais rico e o mais desenvolvido da Federação. A situação criada ali dava a impressão de um beco sem saída. O Partido Democrático havia sido marginalizado. O poder oscilava entre dois pólos antagônicos: o interventor federal, que era o Coronel João Alberto, e a chefia de polícia, ocupada pelo General Miguel Costa. Para aumentar o tumulto alargavam-se as atribuições do comando da 2.a Região Militar, exercido a princípio pelo General Isidoro Dias Lopes e, depois, pelo General Góis Monteiro. Todos eram líderes revolucionários e disputavam, através de uma luta surda, mas encarniçada, a primazia do mando. A rigor, São Paulo estava sob ocupação militar. Dizia-se que a Revolução havia sido feita "contra" o grande Estado. E com a vitória do movimento, que lhe arrebatara a presidência da República, na pessoa de Júlio Prestes, candidato eleito, São Paulo precisava ser humilhado. A discriminação marginalizava realmente a poderosa unidade da federação. Para Minas, o Rio Grande e a Paraíba, tudo; para São Paulo, nada. Esta orientação, desprimorosa aos brios paulistas, não poderia dar bons resultados. Acirraria ódios. Geraria ressentimeI1tos. Fermentaria incompatibilidades insanáveis. Os descontentes não tardaram em surgir, principalmente entre os democratas mais exaltados. E tal inconformismo, originado nas esferas políticas, estendeu-se rapidamente a largos setores da população. O governo central desafiava São Paulo. O grande Estado, aceitando a luva, começou a preparar-se para a reação. Em Minas, também, o ambiente ameaçava conturbar-se. A remodelação do secretariado, feita em fins de 1930, havia sido inspirada por Francisco Campos, cujas idéias direitistas eram notórias. Organizou-se o chamado "bloco da montanha", liderado na esfera federal por Francisco Campos e, no âmbito estadual, por Gustavo Capanema e Amaro Lanari. Em fevereiro de 1931, foi dado a conhecer o manifesto de um movimento denominado "Legião de Outubro", cujo programa, divulgado pelo "Minas Gerais" - órgão oficial do governo -, anunciava a organização, no Estado, de um partido fascista, segundo o modelo italiano, com milícias, juramento de fidelidade e a camisa cáqui característica, para as grandes paradas em público. Os legionários, conhecendo o espírito de resistência de Olegário Maciel, não tentaram marginalizá-lo. Ao contrário, tudo fizeram para integrá-lo no movimento. Lembravam-se do acontecido a Cristiano Machado. Além do mais, o presidente achava-se fortemente apoiado pela cúpula revolucionária. Em janeiro de 1931, José Américo, Juarez Távora e Góis Monteiro haviam ido a Belo Horizonte, em missão especial do governo provisório, para oferecer a Olegário Maciel o título de general honorário do Exército. Um mês mais tarde era o próprio Getúlio Vargas, chefe supremo da Revolução, que se deslocava do Rio para entregar-lhe a espada correspondente àquela patente, e que fora doada pelo povo do Rio Grande do Sul. A época era de renovação, de mudança do quadro partidário, com os moços participando do processo político. Havia, porém, muita ambição de mando. Francisco Campos, por exemplo, não se conformava em ver a liderança do estado entregue aos antigos "medalhões" do PRM. Em Minas, tudo deveria ser mudado. Os velhos seriam alijados, e os postos de comando passariam às mãos de políticos jovens, atualizados com as idéias que prevaleciam no mundo. Apenas uma exceção seria tolerada no Estado: Olegário Maciel. Um velho - e justamente o mais idoso dos velhos - seria conservado na liderança. Que os demais próceres fossem derrubados - Bernardes, Venceslau, Antônio Carlos - e substituídos pelos que refletiam a nova mentalidade revolucionária. Daí a organização da Legião de Outubro. No dia 21 de abril, sob a invocação do martírio de Tiradentes, realizou-se em Belo Horizonte, com grande pompa, o primeiro desfile de legionários. Eram cerca de 8 mil, levados à capital com passagem paga pelas municipalidades e vestidos com o uniforme cáqui. De cáqui estavam também Francisco Campos, Capanema e Amara Lanari. Por fim o povo contemplou, surpreendido, o austero presidente do Estado igualmente uniformizado. Minas, a liberal, o berço de Tiradentes, a terra de Teófilo Otoni, fazia seu primeiro ensaio de totalitarismo. O que se tinha em vista, segundo os doutrinadores, não era bem uma cópia servil do fascismo de Mussolini ou do nazismo de Hitler. Tratava-se de uma fórmula intermediária. De um modelo tupiniquim; adaptado ao meio brasileiro.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Em 1958, por volta dos 14 anos de idade, tive consciência do governo JK, quando meu pai viajou de Florianópolis para Brasília. Aqui, em 16 de maio de 1960, conheci pessoalmente o Presidente da República durante a aula inaugural do colégio Caseb. Comprei o A Experiencia da Humildade, praticamente no mesmo dia em que chegou nas livrarias. Este livro faz parte da minha pretensiosa lista pessoal de "best sellers".


 

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