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Doze Anos de Escravidão

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Doze Anos de Escravidão

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Autor: Solomon Northup

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Biografia

Traduzido por: Caroline Chang

Páginas: 258

Ano de edição: 2014

Peso: 270 g

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Ruim
Marcio Mafra
24/01/2015 às 22:44
Brasília - DF
Segundo consta “Doze Anos de Escravidão” foi editado - pela primeira vez - em 1853, logo após a libertação de Solomon Northup, portanto há mais de 160 anos.

Solomon, era um negro que vivia no norte dos EUA, onde a escravatura já vinha sendo - praticamente abolida - a partir de 1820 (Compromisso do Missouri) talvez porque no norte americano predominasse a “industrialização”.

Ao contrário do sul, onde a escravatura continuou forte porque a agricultura predominava na economia. A escravidão americana foi extinta em 1860 e parece que esta divisão entre o sul e o norte foi a causa maior da guerra civil americana.

Por viver no norte Solomon, embora negro, foi alfabetizado.
Ele era uma espécie de “trabalhador rural” durante o verão, mas tocava violino e junto com sua esposa Anne, prosperava financeiramente.
Nos dias atuais ele seria considerado um cidadão da classe pobre ascendente.

Na primavera de 1841, ele entrou na conversa de Merrill Brown e Abram Hamilton que diziam precisar de um músico para tocar nas apresentações deles em um circo na cidade de Nova York.

Sequestrado, Solomon foi encarcerado, vendido como escravo e levado para o sul. Aí começou seu calvário.

Em diversas ocasiões apanha e é chicoteado quase até a morte.

Os escravos eram submetidos a todo tipo de atrocidade, e seus donos tinham a proteção do Estado.
Durante os doze anos seguintes Solomon foi seviciado, humilhado e tratado como simples mercadoria.

Mas pela sua formação, ele tinha a percepção de liberdade, noção de seus direitos, do quanto o processo de escravidão era não só injusto, mas desumano e cruel.

O livro é interessante, mas sua leitura, por vezes é difícil, chata, embora com algumas passagens emocionantes.

Em compensação tem passagens da “biografia” que mais parecem ficção dramática.
Outras parecem textos de historiador.
E em alguns trechos parece historia da carochinha.

O leitor vai constatar que o vocabulário com que Solomon narra sua história é rico, mas também é pretensioso, senão pernóstico.

“Eu não podia compreender a justiça de uma lei ou uma religião que apoiasse ou reconhecesse o princípio da escravidão; e nem uma única vez – orgulho-me de dizer – deixei de aconselhar a quem tivesse vindo a mim para que atentasse ao surgimento de uma oportunidade e se arrojasse à liberdade.”

O livro virou filme e quando um livro vira filme, invariavelmente vira sucesso.

Marcio Mafra
24/01/2015 às 00:00
Brasília - DF

A autobiografia de Solomon Northup, negro americano, que vivia em Saratoga, pequena cidade do Estado de Nova York. O pai dele tinha sido escravo e fora liberto. Solomon, 33 anos de idade era casado com Anne, tinha três filhos com idades entre cinco e doze anos. Era um cidadão educado, alfabetizado e músico. No inverno tocava violino e na primavera e verão trabalhava em fazendas. Na primavera de 1841 - desempregado – Solomon entrou na conversa de dois malandros, que o levaram à Washington e lá o sequestraram. Então ele foi vendido como escravo. De Washington Solomon foi levado para uma fazenda no sul dos EUA, em New Orleans, onde a escravatura era legal. Naquela região do Estado de Lousiania, viveu pelos 12 anos seguintes, onde foi submetido a trabalhos forçados, miséria quase absoluta, fome, açoites e outros castigos, até a sua libertação e retorno à sua casa, em Saratoga.

Marcio Mafra
24/01/2015 às 00:00
Brasília - DF

A dor em minha cabeça se atenuara um pouco, mas eu me sentia muito tonto e fraco. Estava sentado sobre um banco baixo, feito de tábuas, sem casaco nem chapéu. Minhas mãos estavam algemadas.

Em torno de meus tornozelos havia um par de pesados grilhões. Uma ponta de corrente estava presa a um grande anel que saía do chão; a outra, aos grilhões em meus tornozelos. Em vão tentei me pôr de pé. Acordando desse transe tão doloroso, demorou algum tempo até eu conseguir organizar meus pensamentos. Onde estava? O que significavam as correntes? Onde estavam Brown e Hamilton? O que eu fizera para merecer ser encarcerado em tal masmorra? Eu não conseguia entender.

Havia um branco de duração indefinida antes de eu acordar em tal lugar solitário, e os acontecimentos desse período não foram recordados nem mesmo com o maior esforço de memória. Agucei os ouvidos em busca de algum sinal ou som de vida, mas nada quebrou o silêncio opressivo, a não ser o clangor de minhas correntes, sempre que eu ousava me mexer. Falei em voz alta, mas o som de minha voz me surpreendeu.

Apalpei meus bolsos, tanto quanto os grilhões permitiam — o suficiente, na verdade, para me certificar de que eu não apenas fora roubado em minha liberdade, mas que os documentos que a atestavam e meu dinheiro também tinham sido levados! Foi então que começou a ganhar espaço em minha mente a ideia, a princípio difusa e confusa, de que eu fora sequestrado. Mas isso me parecia impossível.

Deveria ter havido algum mal­-entendido — algum engano fatídico. Não era possível um cidadão livre de Nova York, que não fizera mal a homem nenhum, tampouco violara qualquer lei, ser tratado de forma tão desumana. Quanto mais eu contemplava minha situação, porém, mais tinha certeza de minha suspeita. Era um pensamento lamentável, de fato. Senti que não havia confiança ou misericórdia em homens desprovidos de sentimentos; e, voltando­-me para o Deus dos oprimidos, deitei a cabeça sobre minhas agrilhoadas mãos e chorei lágrimas amargas.

* * *

Cerca de três horas se passaram, durante as quais permaneci sentado no banco baixo, absorto em reflexões pesarosas. À distância ouvia o cacarejar de um galo, e logo mais um estrondo ao longe, como coches passando aceleradamente pelas ruas, chegou até meus ouvidos, e eu soube que era dia. Nenhum raio de sol, porém, penetrou minha prisão. Finalmente ouvi passos que pareciam vir de cima, como de alguém caminhando de um lado para o outro.

Ocorreu­-me que decerto eu estava em um imóvel subterrâneo, e o cheiro de umidade e mofo do lugar confirmava minha suposição. O barulho acima continuou por pelo menos uma hora, quando, enfim, ouvi passos vindo de fora. Uma chave rangeu na fechadura — uma porta pesada fez ranger as dobradiças, permitindo uma inundação de luz, e dois homens entraram e se postaram à minha frente. Um deles era alto, forte, com uns quarenta anos de idade, talvez, cabelo castanho­-escuro, ligeiramente salpicado de grisalho.

Seu rosto era amplo, sua compleição, corada, seus traços, graúdos, expressando nada mais além de crueldade e astúcia. Tinha cerca de um metro e oitenta de altura, usava um traje completo, e sem qualquer preconceito tenho a permissão de dizer que era um homem de aparência sinistra e repugnante. Seu nome era James H. Burch, conforme fiquei depois sabendo — um negociante de escravos bem conhecido em Washing­ton; e naquele momento, ou recentemente, ligado por negócios, na condição de sócio, a Theophilus Freeman, de New Orleans. A pessoa que o acompanhava era um simples lacaio chamado Ebenezer Radburn, que agia meramente como carcereiro.

Esses dois homens ainda vivem em Washington, ou viviam na época em que, voltando da escravidão, passei por aquela cidade, em janeiro último.

A luz que penetrara pela porta aberta me permitiu observar o cômodo no qual eu estava confinado. Tinha cerca de três metros e meio por três metros e meio — com sólidas paredes de argamassa. O assoalho era de tábuas pesadas. Havia uma pequena janela, sobre a qual cruzavam­-se espessas barras de ferro, com um postigo externo, firmemente fechado.

Uma porta com armação de ferro levava para a cela ou cave adjacente, totalmente destituída de janelas ou qualquer abertura para a luz. A mobília do quarto no qual eu me encontrava consistia no banco de madeira em que eu estava sentado e em um fogão de ferro antiquado e sujo. Além disso, nas duas celas, não havia nem cama nem cobertor, absolutamente mais nada. A porta, pela qual Burch e Radburn haviam entrado, levava a um estreito corredor e, subindo um lance de escadas, até um quintal, cercado por uma parede de tijolos de três ou três metros e meio de altura, imediatamente atrás de uma construção de mesmo tamanho.

O quintal se estendia atrás da casa uns nove metros. Numa parte do muro havia uma porta de ferro pesada que dava para uma passagem estreita e coberta, que por sua vez contornava uma das laterais da casa até a rua. O destino do homem de cor sobre o qual a porta da estreita passagem se fechava estava selado. O topo do muro suportava a extremidade de um telhado, que subia na direção da parte interna, formando uma espécie de recesso aberto. Abaixo do telhado havia um sótão circundante onde escravos, se assim quisessem, podiam dormir à noite, ou, na intempérie inclemente, buscar abrigo da tempestade. Era, no geral, como o celeiro de uma fazenda, a não ser pelo fato de ser construído de forma que o mundo lá fora jamais pudesse ver o gado humano ali mantido.

A construção à qual o quintal era adjacente tinha dois andares e dava para uma das ruas de Washington. Sua fachada tinha a aparência de uma residência particular sossegada. Um estranho que a olhasse jamais sonharia com seus usos execráveis. Por mais estranho que pareça, perfeitamente avistável dessa mesma casa, soberano em sua colina, ficava o Capitólio. As vozes de representantes patrióticos enchendo a boca para falar de liberdade e igualdade e o clangor das correntes dos pobres escravos quase que se mesclavam. Uma casa de escravos sob a sombra do Capitólio! Tal é a descrição correta de 1841 da casa de escravos de William, em Washington, em uma de cujas celas me vi tão inexplicavelmente confinado.

“Bem, meu rapaz, como se sente agora?”, perguntou Burch ao passar pela porta aberta.

Respondi que me sentia mal e perguntei a razão de meu cárcere.

Ele respondeu que eu era seu escravo — que me comprara e que estava prestes a me mandar para New Orleans.

Afirmei, em alto e bom som, que eu era um homem livre — morador de Saratoga, onde tinha mulher e filhos, que também eram livres — e que meu nome era Northup. Reclamei com amargura do estranho tratamento que recebera e fiz ameaças de, uma vez liberto, buscar vingança pelos males sofridos.

Ele negou que eu fosse livre e com um xingamento enfático declarou que eu vinha da Geórgia.

Repetidas vezes afirmei que não era escravo de ninguém e insisti para que ele retirasse minhas correntes imediatamente.

Ele tratou de me silenciar, como se temesse que minha voz fosse ouvida. Mas eu não queria saber de ficar em silêncio e denunciei os autores de minha prisão, fossem quem fossem, como vilões irremediáveis.

Percebendo que não podia me calar, ele se lançou num furor violento.

Com xingamentos blasfemos me chamou de crioulo mentiroso, fugitivo da Geórgia, e todos os demais epítetos profanos e vulgares que a mente mais indecente poderia conceber.

Durante esse tempo Radburn manteve-se em pé e em silêncio. Sua função era supervisionar aquele estábulo humano, ou melhor, desumano, receber escravos, alimentá-los e açoitá­-los, a uma taxa de dois xelins por cabeça por dia.

Ele desapareceu, e em poucos momentos voltou com os seguintes instrumentos de tortura: o remo, como é chamado na nomenclatura dos castigos para escravos, ou pelo menos na nomenclatura com a qual primeiro me familiarizei, consistia numa tábua de madeira de uns cinquenta centímetros ou pouco mais escarvada nessa forma. A parte do remo em si, que tinha o tamanho de duas mãos espalmadas, fora furada com uma broca fina em vários lugares; o gato era uma corda grande de vários cordões — os cordões se abriam, com um nó na extremidade de cada um.

Assim que esses formidáveis flagelos apareceram, fui pego pelos dois homens e bruscamente privado de minhas roupas. Meus pés, como já fora dito, estavam presos ao chão. Colocando-me sobre o banco, com o rosto para baixo, Radburn pôs seu pesado pé sobre os grilhões entre meus punhos, mantendo-os dolorosamente junto ao chão.

Com o remo, Burch começou a bater em mim. Golpe após golpe foi infligido sobre meu corpo nu.

Quando seu incansável braço finalmente se fatigou, ele parou e perguntou se eu ainda insistia em ser um homem livre.

Eu insisti, e então os golpes recomeçaram, mais rápidos e com mais força, se é que isso era possível.

Quando se cansava ele repetia a mesma pergunta e, recebendo a mesma resposta, prosseguia em sua ação cruel.

A essa altura o diabo encarnado praguejava as imprecações mais demoníacas. Com a força dos golpes o remo se quebrou, deixando o inútil cabo nas mãos de meu agressor. Ainda assim eu não capitulava.

Todos aqueles golpes brutais não eram capazes de forçar meus lábios a proferir a mentira imunda de que eu era um escravo.

Jogando com força contra o chão o cabo do remo quebrado, Burch pegou a corda.

Foi mais doloroso ainda. Lutei com todas as minhas forças, mas foi em vão.

Roguei por misericórdia, mas minhas preces só foram respondidas com imprecações e novos golpes.

Pensei que morreria sob os açoites do bruto maldito.

Até agora a carne se arrepia sobre meus ossos quando lembro da cena.

Eu estava em fogo.

Só posso comparar meus sofrimentos às agonias flamejantes do inferno!

Por fim fiquei em silêncio diante de suas repetidas perguntas. Eu não daria nenhuma resposta.

Na verdade, estava quase incapacitado de falar.

Ainda assim ele vergava o chicote sem descanso sobre meu pobre corpo, até parecer que a carne lacerada era arrancada de meus ossos a cada golpe.

Um homem com uma centelha de misericórdia na alma não espancaria nem mesmo um cachorro dessa forma cruel.

Ao fim e ao cabo Radburn disse que era inútil continuar me açoitando — que eu já ficara bastante machucado.

Assim, Burch desistiu, dizendo, ao mesmo tempo que agitava ameaçadoramente o punho fechado junto a meu rosto, sibilando as palavras por entre seus dentes firmemente cerrados, que, se algum dia eu ousasse dizer mais uma vez que tinha direito à minha liberdade, que fora sequestrado ou qualquer coisa do tipo, o castigo que acabara de receber não seria nada em comparação com o que aconteceria.

Jurou que ia me dobrar, ou me matar.

Com essas palavras de consolo, os grilhões foram tirados de meus punhos, com meus pés ainda presos à argola do chão; o postigo da pequena janela gradeada, que havia sido aberto, foi novamente fechado, e, quando eles saíram, trancando a grande porta atrás de si, fui deixado numa escuridão tão densa quanto antes.
 


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Marcio Mafra
24/01/2015 às 00:00
Brasília - DF

Desde abril de 2014 que tenho anotado o titulo Doze Anos de Escravidão para comprar. Só o fiz em dezembro e o li durante o recesso de fim de ano, na praia em Salvador-BA.


 

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