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1919 Quebra da Bolsa de Valores de Nova York

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1919 Quebra da Bolsa de Valores de Nova York

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Autor: Ivan Sant'Anna

Editora: Objetiva

Assunto: Economia

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 356

Ano de edição: 2014

Peso: 550 g

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Ótimo
Marcio Mafra
03/08/2014 às 17:19
Brasília - DF
Foi em 1929 – numeral do ano que dá titulo ao livro – que, em Nova York, milhares de investidores amadores e profissionais foram à falência, bancos quebraram e outros milhares de trabalhadores ficaram sem emprego. O estúpido e inevitável efeito dominó atingiu muitas economias no mundo, afundando nações inteiras numa grave crise econômica, politica e social, inclusive o Brasil. O livro conta como aquele maldito ano deu origem à Grande Depressão que influenciou a ascensão do nazismo e – consequentemente – levou à Segunda Guerra Mundial, onde morreram mais de 59 milhões de pessoas. O autor Ivan Sant’Anna narra, em 66 capítulos – alguns tristes e depressivos – os cruéis desdobramentos do crash que, em questão de dias e horas, virou de ponta cabeça a vida econômica de gente, empresas, bancos, governos, instituições, cidades e muitos países. Sant’Anna foge um pouco da aridez da análise econômica e oferece ao leitor uma pálida dimensão humana dos acontecimentos. Alguns personagens são fictícios e outros são de carne e osso, como Charlie Chaplin, Joe Kennedy, Irving Berlin. A vidente Evangeline Adams, o banqueiro Jack Morgan. O carteiro Homer Dowdy. A adolescente Jolan Slezsak. 1929 também narra muita falcatrua, muito roubo, muita fraude, muita ganância e muita estupidez. Leitura boa, rica em detalhes que acaba deixando a lição de que papel é papel, e moeda é moeda, segundo a opinião do Ari.

Marcio Mafra
03/08/2014 às 00:00
Brasília - DF

Fatos, histórias e muitas verdades dos dias, semanas e meses que precederam a quebra da Bolsa de Nova York, em setembro de 1929, resultando no maior colapso financeiro que atingiu o mundo inteiro, e segundo alguns, muito colaborou para a eclosão da 2ª Guerra Mundial.

Marcio Mafra
03/08/2014 às 00:00
Brasília - DF

TERÇA FEIRA NEGRA


Após trabalhar em sua sala na W E. Hutton até as primeiras horas da manhã de terça, Hut Miller não resistiu ao sono e desabou numa poltrona. Mas não por muito tempo. Acordou às seis horas, assustado com o som de um terminal de telex que começara a vomitar notícias, uma após a outra.

Na Albânia, o rei Zog pusera os principais líderes da oposição na cadeia. Em Londres, Edward, o príncipe de Gales, de 35 anos, redecorava sua residência oficial, a York House.

Num inflamado discurso pronunciado em Roma, Benito Mussolini vaticinava que o fascismo iria dominar o mundo.

Josef Stálin garantia o mesmo em Moscou, só que a respeito do comunismo.

Em Xangai, o líder nacionalista Chiang Kai-shek, como que em resposta ao ditador soviético, dizia que os comunistas jamais governariam a China.

No Japão, um camponês pulou na frente da carruagem dourada do imperador Hirohito, sofrendo morte instantânea.

As notícias chegaram a irritar Hut Miller, já que nenhuma delas tinha a menor capacidade de influenciar o comportamento da Bolsa de Nova York, a única coisa que o interessava naquele dia.

Outro que passou a noite em seu posto de trabalho foi William Crawford, superintendente da Bolsa. Só que Crawford não se deu ao luxo nem de um breve cochilo.

Desde o fechamento da véspera, ele e sua equipe tinham feito várias modificações no sistema de ticker-tape, visando a diminuição do atraso da fita.

A principal mudança foi suprimir os primeiros algarismos das cotações. Assim, uma transação com determinado papel fechada a 104,25 apareceria na fita a 4,25. Seriam frações de segundos a

menos no relato de cada negócio. Só que aqueles que leriam a fita teriam de estar bem atualizados com os níveis do mercado de modo a não confundir 104 com 94 ou com 114.

O dia estava clareando quando o novo método foi posto em teste, tendo funcionado a contento. Precioso tempo seria economizado.

Mesmo que o gigantesco volume da Quinta-Feira Negra - quase 13 milhões de ações negociadas - se repetisse, a ticker tinha chances de cumprir sua função.

Pelo menos era o que Crawford e seus homens esperavam.

Se o pessoal de Wall Street não dormia, Michael Levine e seus 2 mil mensageiros faziam o mesmo, não por solidariedade, é claro, mas por oportunismo. Antes mesmo de o sol nascer, o que

aconteceu às 6h22 naquela terça de outono, os rapazes de Levine, os mesmos que buscavam bebidas nos speakeasies para seus clientes durante a noite, já percorriam casas e apartamentos dos

funcionários da Bolsa e das corretoras para pegar mudas de roupas limpas a serem entregues no local de trabalho de cada freguês, ao preço de cinquenta centavos de dólar por viagem.

Michael Levine raspara os estoques de estimulantes nas farmácias locais. Tinha certeza de que haveria forte demanda por eles assim que o mercado abrisse. E mais uma vez seus portadores

entrariam em ação, entregando os medicamentos nas corretoras.

John Jakob Raskob agendara um café da manhã no Hotel Plaza. Seus convidados eram Alfred Srnith, Pierre du Pont e outros diretores da Empire State Inc., empresa fundada para financiar e construir o

arranha-céu de Raskob. O horário da breakfast meeting fora marcado de modo que todos pudessem estar em seus escritórios antes da abertura do pregão.

O excelente estado de espírito de Raskob, mais interessado na construção de seu prédio do que nos rumos da Bolsa, contagiou os demais integrantes da mesa.

"A América não é apenas um amontoado de papéis trocando de mãos", argumentou John Raskob. "Nós somos uma nação de empreendedores, tais como os senhores e eu. Nós somos a América" ,

empolgou-se.

Enquanto viajava no metrô, rumo sul, em direção ao Distrito Financeiro, o engraxate Pat Bologna prestava atenção na conversa dos outros passageiros do vagão. A maioria estava otimista, refletindo o

tom dos matutinos que quase todos tinham em mãos.

Pouco mais tarde, já em sua banca na Wall Street, Bologna não encontrou sua freguesia - bem mais calejada do que a turma do subway - tão animada. Exaurida sua capacidade de comparecer com

reforços de margem, as pessoas diziam ao engraxate que só sobreviveriam se o mercado abrisse em forte alta e continuasse subindo ao longo do dia.

Temendo que a angústia reinante pudesse provocar baixas entre os investidores, a Bolsa de Valores reforçara o contingente de seu departamento médico, dirigido pelo doutor Francis Glazebrook. A

polícia fora autorizada a enviar para lá todos aqueles que passassem mal em Wall Street e nas ruas próximas. A última coisa que o presidente em exercício Richard Whitney queria ver eram manchetes

sensacionalistas na imprensa dando conta de pessoas morrendo de ataques cardíacos nas proximidades de sua instituição. Daí o fato de ter franqueado ao público o ambulatório, até então exclusivo

dos membros e funcionários da Bolsa.

Glazebrook, 51 anos, grisalho, veterano da Grande Guerra, era especializado em traumatismo psicológico. Tratava-se da pessoa certa para o momento certo. Não faltariam traumas naquela terça-feira

que os historiadores, sempre apegados a um clichê, rotulariam como negra, tal como acontecera com a quinta da semana anterior.


Em seu escritório, Jesse Livermore olhava para o lado de fora da janela.

Faltando uma hora para a abertura do pregão, uma neblina, acompanhada de leve garoa, caía sobre Nova York, dando cores apropriadas ao clima de tristeza que reinava na cidade. Não aguentando

mais o estado permanente de bebedeira de sua mulher, Dorothy, com quem tinha discussões intermináveis a propósito de tudo, Jesse deixara o apartamento. Agora ele se dividia entre suítes dos

melhores hotéis e o escritório, onde passava boa parte das noites tal como acontecera nos últimos cinco dias, com incursões rápidas aos apartamentos das coristas com as quais mantinha casos

fugazes. Esses romances, se é que podemos chamá-Ios assim, sempre terminavam com um adeus sem mágoas, não sem a ajuda de um presentinho sob a forma de um casaco de peles ou uma

joia.

Jesse Livermore estava cada vez mais aflito por não estar ganhando uma fortuna num cenário que sempre fora o seu domínio: o do medo, da baixa, do pânico, do desespero. Agora, Jesse contemplava um ponto indefinido do outro lado da janela, suas entranhas lhe dizendo que esta terça-feira, 29 de outubro, seria o seu grande dia.


Pouco antes da abertura, o galês Mike Meehan chegou ao Posto 12, onde a RCA era negociada. O olhar gélido e a fisionomia indecifrável de Meehan não davam o menor indício do que ele estaria antevendo para a sessão.


Seria uma barganha comprar o papel a quarenta dólares, preço da véspera, ou seriam os quarenta dólares a rampa de salto de uma nova queda?

Meehan sabia as respostas para essas dúvidas. Durante a noite milhares de ordens de venda da Radio haviam chegado à sua sociedade corretora. Ao galês caberia tão simplesmente executá-Ias.

Defender o papel seria um mero e inútil suicídio financeiro. Mesmo porque a maior preocupação de Meehan naquele momento era a de salvar o que restava de seu patrimônio. O único modo de fazer

isso era se juntando às hostes vendedoras.

Nos próximos dias o Berengaria estaria partindo para a Europa com boa parte de suas cabines vazias. O mesmo não aconteceria na volta.

Chamuscados pela queda da Quinta-Feira Negra, muitos americanos, agora com menos dinheiro e menos vontade de gozar as delícias europeias, faziam fila em Londres, Paris e Berlim para comprar

seus bilhetes de regresso aos Estados Unidos. Durante a viagem, poderiam liquidar o que sobrara de suas carteiras, se é que sobrara alguma coisa, na corretora flutuante de Mike Meehan.

Desde a Quinta-Feira Negra a galeria de visitantes da Bolsa de Valores estava fechada a ... visitantes. Se, ao fazer isso, o presidente em exercício, Richard Whitney, quis evitar o pânico, ele não poderia

ter tornado decisão pior.

Não percebeu que as pessoas se impressionam muito mais com o que imaginam do que com o que veem.

Agora o superintendente William Crawford subia ao pódio para dar início ao pregão. Seus olhos observaram ao redor. A galeria dos visitantes, deserta, lhe pareceu obscena. "Quem sabe não tenha

sido um erro fechá-Ia" - pela primeira vez a possibilidade ocorreu ao superintendente.

''Agora é tarde", pensou ele, antes de bater o gongo.

Iniciava-se a sessão mais dramática e assustadora dos até então 112 anos de existência da Bolsa de Valores de Nova York, sessão essa que seria lembrada para sempre e que mudaria a história

americana e mundial.
 


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Marcio Mafra
03/08/2014 às 00:00
Brasília - DF

Em junho de 2014, Ari, meu irmão mais moço de idade, me enviou o 1929 com a seguinte nota: Marcio, sempre achei que papel é papel, e moeda é moeda. Fazer um virar outro é coisa de mágico e dos bons, como você. Esse livro é um aprendizado de como a cegueira coletiva pode fuder com todo mundo. Docilizar a estupidez, a ganância e o medo não é fácil não. Boa leitura. Ari, junho/14”


 

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