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Nu, de Botas

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Nu, de Botas

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Autor: Antonio Prata

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Crônica

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 140

Ano de edição: 2013

Peso: 235 g

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Excelente
Marcio Mafra
03/08/2014 às 14:17
Brasília - DF
Livro bom é assim: você lê de uma sentada. Tem começo, meio e fim. Leitura simples, gostosa, divertida, inteligente, e bem humorada.
O leitor fica “com pena” quando o livro acaba.

Escritor bom é assim: o talento surge na primeira e vai até a última página.
Nu, de botas também serve para comprovar que “fruto não cai longe da árvore”.

Para mim é caso único: jamais tive noticia da existência de pai e filho sendo escritores de reconhecido - e verdadeiro - talento.

O personagem principal e autor narra, com graça, estilo, humor e elegância as primeiras lembranças do quintal de sua casa, os amigos e a turma da rua, os passeios com a família e as férias na praia, o cometa Halley, o sexo descoberto nas revistinhas pornográficas.

Antonio Prata escreve seu livro com o olhar inteligente e ingênuo da criança, que se espanta com as contradições e complicações do mundo, quase sempre cômicas, misteriosas, mágicas e encantadoras.

Marcio Mafra
03/08/2014 às 00:00
Brasília - DF

A história das passagens muito marcantes da infância de Antonio Prata, um paulista que era um menininho no inicio de 1970. Relatos na visão da criança que se espanta com o mundo misterioso, lindo, encantador e mágico. 

Marcio Mafra
03/08/2014 às 00:00
Brasília - DF

Passei boa parte das férias da infância em Lins, cidade do interior onde moravam meus avós paternos. Como Lins fica a 430 quilômetros de São Paulo, não seria incorreto dizer que passei boa parte das férias da infância dentro do carro, indo ou voltando de Lins.


Da cidade, guardo poucas lembranças: o piche do asfalto, derretido pelo sol, a terra vermelha, o cheiro das centopeias embaixo das pedras do jardim e o cheiro de naftalina nas roupas de cama. Já da estrada, das infinitas horas que separavam a nossa casa da dos nossos avós, recordo de muita coisa.


O começo da viagem era sempre animado. Eu e minha irmã, que não víamos nosso pai durante a semana, falávamos sem parar sobre os acontecimentos mais importantes dos últimos dias:

"Eu tô com dois dentes moles!", "A tia Cada tá grávida!", "O Cauã é muito burro, ele desenhou um homem com o bigode em cima do nariz!".

Quando sossegávamos um pouco, meu pai contava uma ou outra novidade. Dizia que tinha falado com a nossa avó e ela havia feito a gelatina de canela, que esse ano o presépio estava ainda
mais caprichado, com uns boizinhos e vacas que o meu avô tinha mandado fazer em Bauru, e a gente ficava ali, vendo o mato passar borrado pela janela e imaginando o que faria primeiro quando
chegasse, se corria para o presépio ou atacava as gelatinas.

Quatrocentos e trinta quilômetros, contudo, são quatrocentos e trinta quilômetros, de modo que mais cedo ou mais tarde aquele nosso velho amigo, o tédio, se aboletava no banco de trás.

Com as vozes arrastadas, perguntávamos: "Pai, falta muito?". Sabíamos a resposta, mas não nos importávamos. Queríamos justamente ouvi-Ia dizer quanto faltava, pois meu pai tinha inventado
uma unidade de medida muito mais interessante do que quilômetros, horas ou minutos para quantificar a duração de uma viagem: "Acho que faltam uns ... dezesseis banhos".

Fazíamos uma cara séria, como convém a viajantes escalados, e perguntávamos: "De chuveiro ou banheira?". "Banheira. E caprichado, de lavar atrás da orelha e entre os dedos dos pés."

Então começávamos a simular os banhos, ao mesmo tempo que os narrávamos, desde o momento de tirar a roupa até pentear os cabelos. Pelo retrovisor, ele fiscalizava cada passo: "Tô entrando!", dizia minha irmã. "Na banheira vazia?! Tem que encher!"


A manivela do vidro direito era a água quente, a do vidro esquerdo, a fria. Enquanto o vento entrava no carro, testávamos a temperatura da água, mexendo os pés no vão entre os bancos. "Esfrega mais essa cabeça, filha! Quero ver fazer espuma! Fecha o olho, filho, não vai deixar entrar sabão!"

O banho só era considerado terminado quando estivéssemos limpos, vestidos e penteados. Alongar o processo era fácil, sempre faltava "esfregar as costas", "passar creme rinse", "limpar
embaixo das unhas" ou "peraí, não vai fechar o zíper dessa calça?!" para nos manter ocupados por mais alguns quilômetros. O problema era quando ele errava a conta, já estávamos na entrada
da cidade e ainda tínhamos que tomar três ou quatro chuveiradas. Nessas ocasiões, fazíamos o chamado "lava a jato", método expresso de assepsia em que era permitido lavar o corpo com a
espuma do xampu e recomeçar o processo sem ter que se vestir de novo.

Uma ou outra vez ele chegou a estacionar o carro na esquina da casa da nossa avó, depois de seis horas de viagem, para que terminássemos de secar os cabelos com nossas toalhas
imaginárias.

Então chegávamos, corríamos casa adentro, comíamos as gelatinas e víamos as melhorias do presépio. Mais tarde, antes de dormir, tomávamos banho de verdade, com água e sabonete: um
banho chato, que parecia alongar-se por muito mais quilômetros que os do banco de trás no carro do nosso pai.


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Marcio Mafra
03/08/2014 às 00:00
Brasília - DF

Em julho de 2014 não fui a FLIP, na cidade de Paraty, no Rio de Janeiro, mas comprei alguns livros dos autores convidados: Marcelo Rubens Paiva (E aí, comeu?), Fernanda Torres (Fim), Eliane Brun (Meus desacontecimentos), Joel Dicker (A verdade sobre o caso Harry Quebert), Antonio Prata (Nu de Botas)


 

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