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Ilha de Santa Catarina - Relatos de Viajantes Estrangeiros

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Ilha de Santa Catarina - Relatos de Viajantes Estrangeiros

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Autor: Alesc

Editora: Alesc

Assunto: História

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 355

Ano de edição: 1979

Peso: 615 g

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Ótimo
Marcio Mafra
19/04/2014 às 22:34
Brasília - DF
Ilha de Santa Catarina não é um livro sobre turismo. É um raríssimo livro de história, leitura adequada para os apreciadores, jornalista e estudantes de história. O livro se compõe de 14 relatos de navegadores que estiveram na Ilha do Desterro, com suas caravelas ou pequenos navios que navegavam impulsionados apenas pelos ventos. A leitura é um pouco maçante porque se constitui de tradução de registros de bordo ou de navegação. Mas tem muitas passagens maravilhosas, que relatam sobre a política, costumes, cultura e moral dos habitantes da Ilha do Desterro. O leitor também descobre muito sobre as belezas naturais, sobre os negócios e a economia da época do Império Português e do abandono e desalento com que a Coroa Portuguesa tratava a sua colônia denominada Brasil. O Relato de Seidler, de 1825 é imperdível. “Observações sobre a Baía de Santa Catarina” no capitulo de Louis Duperrey, que foi “scaneado” como trecho deste livro, também é sensacional. Livro ótimo para ler aprender.

Marcio Mafra
19/04/2014 às 00:00
Brasília - DF

Histórias de 14 navegadores estrangeiros que estiveram na Ilha de Santa Catarina nos séculos XVIII e XIX,  compreendendo os relatos de:
Amédée François Frezier em 1712, 1713 e 1714
George Shelvocke  e Betagh   em 1719,
George Anson em 1740
Antoine Joseph Pernetty 1763 e 1764
Jean-Francois Galaup De La Pérouse 1785 a 1797
Major James George Semplke Lisle 1799
Adam Johan von Krusenstern 1807
John Mawe 1812
Vassili Golovnin  1808
David Porter 1812
Otto Von Kotzebue 1815
Louis Isidore Duperrey 1822
Carl Friedrisch Gustav Seidler 1825
Heinrich Traschsler 1828

Marcio Mafra
19/04/2014 às 00:00
Brasília - DF

Observações sobre a Baía de Santa Catarina

O imenso canal que separa a ilha de Santa Catarina do Continente, bastante estreito no meio de sua extensão pelas pontas de terra opostas, as quais, a julgar pela pouca  profundidade da água neste lugar, deveriam ser ligadas em outra época, divide-se em duas vastas bacias de tamanho mais ou menos igual, limítrofes à Vila de Nossa Senhora do Desterro, edificada precisamente sobre a margem oriental da passagem estreita que as agrega.

Não tivemos tempo disponível para examinar a bacia do Sul que, ademais, é pouco freqüentada, ainda que grandes navios possam chegar bem próximo à Vila, vantagem que não oferece a bacia do Norte, onde estávamos sitiados. Esta bacia caracteriza-se mais particularmente como ponto de estadia, conhecido sob.o nome de Santa Catarina. É, depois do Rio de Janeiro, a melhor baia e mais considerável da América meridional; pode receber as maiores esquadras, colocar sob a defesa de fortificação mais preparadas que estas existentes o maior número de navios mercantes que todo o comércio do Brasil possa atrair e tornar-Se talvez um dia, por sua posição geográfica, um dos pontos mais importantes do Oceano austral.

Altas montanhas margeiam suas costas e protegem sobretudo dos ventos do sul, que reinam durante a má estação. Suas orlas são dotadas de muitas enseadas eangras onde estão refugiadas as pequenas casas à beirada praia, bastante favoráveis às atividades da pesca, que é muito abundante.

Encontramos esta baía defendida por fortificações frágeis e mal conservadas, além de muito mal servidas; tais são: o forte São José sobre Ponta Grossa, o que observamos sobre a maior das ilhas dos Ratones ea bateria caída em ruínas, que se ergue sobre a praia de Santa Catarina, no outro lado da ponta de Nossa Senhora do Desterro.

A fortaleza de Santa  Cruz, construída sobre a ilha Anhatornirirn, é de todas as mais considerável. Sua fundação data da época da primeira instituição colonial. Entra-se nesta fortaleza através de um
portal, admirável porsu estilo gótico e sua vetustez, após haver transposto uma centena de passos, onde enormes costelas de-baleias estão situadas à guisa de rampa.

Bosquetes densos, agradável moradia de uma quantidade de beija-flores margeiam as partes laterais desta escada até o desernbarcadouro, cujo lugar, bastante estreito, está encoberto por uma
ponta e rochedos de granito. Trinta e dois canhões arruinados, de diferentes calibres, montados sobre carretas estragadas, compunham toda a artilharia desta fortaleza quando nós a visitamos: alguns soldados esfarrapados, lembrando mais a paisanos que a militares, formavam a guarnição.

Durante nossa estadia, os comissários, enviados pelo Imperador, ocupavam-se de obter informações sobre os meios de defesa que possuía a baía de Santa Catarina; e, sem dúvida, não assinalaram o péssiino estado de todas as baterias, a fim de passar por uma pronta reparação.

É um prazer sempre renovado para o homem do mar entregue ao prazer da vida errante, o de pisar seus pés vagabundos por terras férteis, onde a mão do homem apenas desbravou alguns pontos. Ele fica embalado por suaves fantasias quando, seguindo um caminho aberto no meio das florestas escuta a voz surda e lamentosa do pombo envolvida ao ruído de um regato que se escoa. A solidão da mata alegra a alma; osilêncio que ali reina provoca a reflexão; as lembranças sondam o ânimo; um instante e dias felizes se renovam; e o espelho do passado, refletindo sobre o presente a sombra da felicidade que ele oferece, colore o futuro de uma imagem risonha.

Mais de uma vez também as terras do continente, que formam a parte ocidental da baía de Santa Catarina, fomos tomados por este vago ideal de emoções indefiníveis, compa­ nheiras da solidão. Lã, as costas coroadas dos montes elevados, cobertas de grandes árvores e atravessadas por caminhos que conduzem ao interior; as cascatas tombam dos flancos das montanhas, escapando-se pelos vales através de vegetais pomposos, rendendo passagem à verde folhagem e seus buquês de flores sobre onda espuinante; rios, regatos de água límpida de. um curso lento e monótono que, após haver regado grandes vales umbrosos, ricos campos, vão se perder nos imensos pântanos que margeiam diversos pontos da costa.

 

Uma rua, traçada sobre toda a costa, leva-nos, através de mil sinuosida­des, pela beira do mar, ao longo das habitações e dos grupos de bananeiras, laranjeiras, limoeiros e dos cafezais que as envolvem; pelos vales solitários, ao meio de espessas florestas, onde a sombra silenciosa da mata, o murmúrio da água corrente, o canto variado dos pássaros, o sussurro das folhas Que caem, encantam os sentidos, estimulam o pensamento e lembram o homem de sua grandeza e sua insignificância.

Jamais algum viajante que tenha respirado o ar do Brasil, sentado à sombra de suas florestas, deixou de receber as mais profundas impressões.

"Recordar-nos-emos por muito tempo.'diz M. Lesson,"da doce sensação que experimen­tamos, ao pisar pela primeira vez o solo americano. Descemos sobre a ilha de Anhatorni­ rim, que, separada do continente por um estreito canal, não é senão uma massa de rochas graníticas, cobertas de arbustos, orquídeas, sobre as quais se erguem os candelabros espinhosos dos cactus, no meio de longos juncos de bambu.

"Alguns destes arbustos serviam de abrigo aos bentevis e aos tico-ticos um tanto ariscos,cantantes, e tão comuns neste ponto do Brasil quanto os pardais em França.

Conduzidos por um nativo que havia prestado o mesmo serviço a M. de Chamisso, nós desembarcamos em uma pequena enseada, que está situada frente à ilha de Anhatomirim e dirigimo-nos para o Norte.

caminho, através de um vale pantanoso, que era morada de um grande número de repteis, às vezes encoberto por marés profundas, forçavam-nos a contornar pelo sopé das montanhas

 

Matamos neste lugar algumas belas espécies de papa-moscas e tangarás .

A senda que conduz à Armação se adelga sobre uma elevada montanha, em numerosas sinuosidades, pelo meio das florestas. Estas são quase impenetráveis, tantas são as plantas que se enlaçam umas sobre as outras. As passifloras azuis equadrangulares formam longas guirlandas sobre os caminhos.

Grandes árvores de folhagem muito variada e frutos muito diversificados saem dos barrancos, no meio de latânios, canas, brilhantes helicônias, que indicam sempreas rochas úmidas sobre as quais se ouve o murmurar das quedas de água.

Araçarís e tucanos voavam sobre as nossas cabeças, mas menos freqüentemente que o ani das savanas e o bentevi.

Em alguns pontos, a terra removida, sobre a qual é fixada uma pequena cruz,indica a sepultura de um escravo negro;é o fim de seus sofrimentos eo refúgio ondeele quebrou seus grilhões.

Detivemo-nos, após algumas milhas de caminhada, em uma palhoça miserável, onde recebemos a amigável acolhida de um pobre casal de negros que a ocupava. Eles nos ofereceram tudo o que possuíam, água, um pouco de farinha de pau e peixe secado ao sol.

Numerosas grades de cana cercavam a cabana e serviam para preparar este último alimento. Poucos móveis ornamentavam esta choupana; um velho pedaço de esteira para se sentar, uma panela para cozinhar os alimentos, compunham o mobiliário destes Philemón e Baucis africanos.

Várias choças e habitações, em geral miseráveis, encontram-se espalhados sobre esta costa. É realmente espantoso ver no meio de um solo tão rico, de uma natureza tão risonha, cabanas enfumaçadas, estreitas, disseminadas cáe lá sobrea encosta de um morro, ou ao pé de alguma colina, de onde a vista domina a baía. Elas estão todas situadas. de frente para uma praia onde as pirogas, único tipo de embarcação usada pelos habitantes, podem abordar com facilidade. Suas construções se compõem de fortes pranchões, cujos espace­jamentos são preenchidos de barro.

 

Os tetos são todos feitos com folhas de palmeiras. Ao contrário do que aparentam, estas choças são muito sólidas e pequenos reparos são o bastante para que durem quase cinqüenta anos. Algumas são branqueadas com a cal e têm a cobertura feita de telhas: um sinal de certa largueza de vida do proprietário. Um bosque de laranjeiras, plantações de mandioca, talvez alguns pés de.algodão e cafezais circunscrevem o pequeno campo e suprem as necessidades diárias da vida, juntamente com a pesca, com suas grades de cana cobertas de peixe expostos ao sol, atestando a abundância.

 

Avançando-se para o Sul, ao longo da costa, encontra-se a Vila de São Miguel, notável por um moinho de água e uma linda cascata. Escutemos M. Lesson, que a visitou muitas vezes nas caminhadas penosas aque lhe arrastava o seu ardor pelo progresso das ciências naturais.

 

A Vila de São Miguel, diz ele, é situada a O.S.O. acerca de umas seis milhas do forte de Santa Cruz.

 

Esta se-compõe de uma série de casas distantes umas das outras. 

 

Na sua entrada fica a aguada, onde os navios se abastecem. Esta é fresca e Iímpida e vem das montanhas, vizinhas por meio de um aqueduto de madeira que conduz a água sobre os cubos de uma larga roda externa de um moinho que serve para debulhar o arroz. 

 

É muito fácil fazer aguada neste lugar, pois é só estender o recipiente onde ela cai sob a roda e donde a mesma escoa até o mar, que Hão está a mais de cinqüenta passos.

 

Pode-se, ainda, encher os depósitos de água de uma chalupa, servindo-se de um conduto de tela ou couro.

 

A costa apresenta um grande número de.fontes que desaguam no mar, escoando por riachos pouco profundos e saibrosos, que não poderiam servi r para aguada, ainda que suas posições sejam próximas do ancoradouro.

 

Não longe do moinho de arroz, corre um pequeno rio, cujas margens são baixas e submersas. As-casas que constituem o vilarejo são particularmente dispostas em duas fileiras muito espaçadas; em seguida o terreno sobe e desce e as casas isoladas não ultrapassam uma pequena cadeia que se dirige de leste a oeste. Nos vales estão estabeleci das algumas moradas, cujos arredores são verdadeiramente muito atraentes.

 

As montanhas desta parte são muito elevadas; como em toda parte, aliás, um verdor ininterrompido as reveste.

 

Seguindo na direção do sul, encontra-se um lugarejo que tivemos ocasião de visitar a fim de escolher as peças de madeira necessárias a nossos reparos. As casas, algumas construí­das com pedras, estão largamente espalhadas à beira do mar, próximas de um regato.

Encontramos um aprovisionamento de madeira de construção bastante considerável. 

Diversos estaleiros estão ali abastecidos no fabrico de pranchas. Constroi-se, para a navegação das costas pequenos navios que os brasileiros designam pelo nome de "Suma­cas". Vastos arrozais ocupam as terras circunvizinhas, que são baixas e pantanosas. Mais além está um agradável vale guarnecido de choças inteiramente branqueadas pela cal que reboca as suas paredes, cercadas de laranjais e plantações de café.

 

É próximo dali que se lança no mar o rio Biguaçu, cuja embocadura pode ter de quarenta a cinqüenta toes as de largura; ele é navegável por barcos até várias léguas pelo interior. Este rio, antigamente
chamado "rio dos Patos", servia de limite para com os índios do mesmo nome, que Sei estendiam até o "rio São Pedro" e com os índios Carijós, que ocupavam as terras setentrionais' até Cananéa.

 

Em nossas inúmeras incursões, fomos frequentemente acolhidos pelos nativos. Muitas vezes descansamos em suas cabanas: bastava apresentarmo-nos frente a suas portas para que recebêssemos o convite; sua hospitalidade era sempre generosa. Eles não são ricos, mas possuem o necessário. .

 

O peixe fresco ou seco ao sol; o arroz, o milho, batatas, legumes, frutas e algumas vezes carne: esta é a sua alimentação diária.

 

Os animais e aves que eles criam são para eles objeto de pequeno comércio, por meio do qual eles subvencionam as despesas domésticas, como o pagamento de direitos, as vestimentas, os móveis e os utensílios, a compra do mate ou a erva do Paraguai, com a qual eles fazem uma bebida que substitui o chá; e, por fim, as celebrações de festas familiares e religiosas, em que circulam garrafas de rum e áraque.

 

Eles dançam nos dias de aniversário, ocasião em que eles se mostram alegres, galhofeiros e galantes. O interior de suas casas são, geralmente, pouco cuidadas, onde somente um leito guarnecido de belo acolchoado de algodão mostra uma elegância que contrasta com o resto do mobiliário, composto de algumas cadeiras grosseiras, ou de um banco, de uma arca ou de um armário.

 

Os homens dedicam-se, principalmente, à pesca e à cultura; eles têm uma constituição seca, a pele crestada e parecem vigorosos.

 

As mulheres voltadas para os diferentes trabalhos domésticos, ocupam-se de fazer rendas que elas trabalham com gosto, e a limpar o algodão que elas fiam nos fusos, com os quais elas fazem as roupas para toda a família. Elas tem formas graciosas e as suas figuras não faltam encantos nem expressão.

 

Embora ponham um certo esmero em seus adornos, elas usam vestimentas simples de uma limpeza notável. Um vestido leve de chita que desenha uma estatura bem apanhada, algumas flores colocadas com arte sobre a bela cabeleira, Ihes dão um ar provocante. Elas POSsuem aquela coqueteria tão comum ao seu sexo, e, nas colônias, tão atraente para os estrangeiros; mas existe em seus costumes algo que pareceria contraditório com a vida retirada que elas levam no campo, pois- que freqüentemente fazem amizade com os marinheiros que apartam em suas costas.

 

Outra coisa, digna de notaé que o ciúme parece ser endêmico entre os maridos, o que se é Um tanto tirânico, é pelo menos desculpável.


Existe muito pouca comunicação entre os habitantes do litoral e os índios que vivem nas florestas; eles atacam, às vezes, os primeiros quando avançam ao interior das terras. Os vales que se avizinham ao de Picadas formam os limites do território habitado pelos brasileiros portugueses. No oeste, a uma distância considerável, acha-se a tribo antropó­faga. Estes selvagens vivem nos bosques e se abrigam em miseráveis choças, feitas de ramos de palmeira, entrelaçadas de folhas de bananeiras.

Armados de flechas e de lanças, a caça é a sua principal atividade. Já destruiram famílias inteiras. A sua ferocidade é tal, que, entre eles mesmos se promovem guerras de extermínio.

Os criolos viajam acavalo, cobertos com um poncho, com um chapéu de abas largas,armados ordinariamente com uma faca que eles colocam na bota do pé direito. Eles são ativos, empreendedores, religiosos; mas, no cumprimento de seus deveres religiosos, nota-se por sinais exteriores, que eles estão ainda sob o império de uma beatice degradante que diminui o seu caráter, e muito contribue para Ihes tornar a vida infeliz.

 

A costa da Ilha de Santa Catarina que forma a parte oriental da baía apresenta o mesmo aspecto que o do continente; mas as habitações são maiores, mais bem construídas e mobiliadas com mais luxo: aí se vê a terra mais desbravada, plantações de milho e de mandioca mais consideráveis, arrozais mais extensos, enfim os campos são melhor cultivados.

 

"As margens da Ilha", diz Lesson, "são muito povoadas. Seus habitantes são muito mais afáveis e mais amáveis que aqueles da terra firme; suas casas têm uma aparência mais cuidada. O granito é usado com freqüência em suas construções. Repousamos algumas horas na residência campestre de velho oficial português. Nós o encontramos com uma pá na mão, cultivando algumas flores européias; ele nos recebeu maravilhosamente. Este filósofo prático, retirado do mundo, estava alheio, há muito tempo, aos acontecimentos da Europa, que não partilhavam de sua solidão.

 

Os seus campos eram 9S mais graciosos que nós havíamos visto. Lá estava a mais bela combinação, a escolha e a reunião das árvores, as fontes e os acidentes do terreno que se pudesse imaginar. .

 

A vista era sublime.

 

Descortinava-se um horizonte imenso que sobraçava a cena da baía, coberta de inumeráveis pirogas; e o sol doirava ao longe os cimos das montanhas que se afastam para o interior do continente.

 

Felizes aqueles que, após consumirem uma parte de suas vidas tão tranqüila e tão deliciosa nas florestas da América!

Não citarei", diz M. de Blosseville, "mais que uma só caminhada que fiz na parte setentrional da Ilha, na véspera da partida, e após a qual eu muito lamentei por não ter visitado mais freqüentemente aquela parte da colônia que me parece a mais importante.

 

As casas não são de modo algum inferiores às da cidade e o luxo e a industriosidade estabelecem uma grande diferença entre os habitantes das duas costas dabaía. O que mais me surpreendeu naquele passeio, foi a vista de um grande vale onde corria um rio pouco profundo e muito largo, queem seus contornos, formava ilhas pantanosas no meio de uma vegetação enérgica e magnífica. Via-se no fundo, extensas culturas e habitações considerá­veis pelos flancos das colinas; ligeiras pirogas, navegando nas mais diversas direções, ernbelezam a paisagem.

 

Aquele rio parece dirigir-se, em meandros, do NO ao SO; este amontoa o lodo sobre as suas margens, e, na sua foz, ele formou sobre a margem setentrional um barranco baixo.

 

A ilha de Santa Catarina, conhecida antigamente sob a denominação de "Ilha dos Patos", provavelmente pelo nome dos lndios que foram os seus primeiros habitantes, foi por longo tempo negligenciada pelos concessionários e se passou mais de um século antes que se pensasse em estabelecer uma Colônia. Foi Dias Velho, a quem João IV a concedeu em 1654, que fundou o primeiro povoamento; mas, pereceu em meio de seus trabalhos de colonização, assassinado por corsários ingleses que infestavam então estas paragens.

 

Mais tarde, famílias das Ilhas dos Açores foram transportadas em diversas épocas e aí criaram raízes. Antes de Frézier, Santa Catarina não passava, no princípio, de um valhacouto de vagabundos de diferentes partes do Brasil. Em 1740, a corte de Lisboa estabeleceu um governo regular, formando com as terras adjacentes do continente a província que leva seu nome, e que não passa de um desmembramento da província de São Paulo, cujos habitantes intrépidos compuseram-se nos seus primeiros colonizadores. Os limites desta província, em sua parte continental, são hojeo rio "Sahy" ao Norte e o de"Mampituba" ao sul. compreendendo uma extensão de duzentas e dez milhas sobre uma largura que não excede a sessenta milhas; à Oeste chegam até a cadeia de montanhas comumente chamadas de "Andes Brasileiros", onde se confinam as províncias de São Pedro e de São Paulo.

 

A Ilha de Santa Catarina apresenta trinta milhas de extensão norte ao sul sobre uma largura de quatro a oito milhas .. Sua superfície é um composto de montanhas, planícies, lagos e pântanos. Está banhada por um bom número de rios, sendo os principais o "rio Vermelho", que verte suas águas à extremidade Norte da grande laguna; o "rio Ratones", que se lança ao mar diante das ilhotas do mesmo nome; os "rios Tavares e Ribeirão", cujas fozes estão ao sul da capital, na parte meridional da Ilha: É sobre as suas margens que se cultivam as melancias e os melões. reputados como os melhores da província.

 

Encontra-se nos vales uma argila vermelha, excelente, usada no fabrico de louças de barro. O solo, no interior, é bastante úmido e de uma fertilidade admirável; consiste, principalmente, numa rica decomposição vegetal, sobre aqual cresce em abundância uma grande variedade de plantas. Os mirtos; os jasmins, as roseiras, os martírios e os cra veiros, difundidos em profusão; exalam pelos ares um aroma suave. Os mangues cobrem as margens das terras baixas e pantanosas, sobre as quais se construiu aterros de uma extensão considerável. Estas terras, devido a sua umidade, são bastante favoráveis à cultura do arroz. A vegetação por toda a parte é tão pujante que maciços de plantas parasitas impedem, em todas as direções, o passo do viajante que procura penetrar nas florestas.

 

Diversas espécies de árvores fornecem uma madeira dura e pesada, própria a todos os usos, exceto à confecção de mastro de em barcações. Constroem com seus troncos, pirogas de uma só peça de cinqüenta pés de comprimento por três a quatro pés de largura.

 

Após algum tempo, a exploração das florestas, que deu lugar a grandes cortes de madeira para a construção de navios, deixou muitas áreas descobertas. Mas, estes trabalhos foram realizados com pouco discernimento: os cimos dos morros estão arrasados e como a camada vegetal não é de grande espessura, vê-se já transparecer em muitos lugares as rochas de granito que constituem o esqueleto da ilha.

 

Negros escravos são destinados aolabornas terras. Colhe-se, principalmente, o milho, a mandioca e o arroz.

A cana de açúcar é também cultivada, da mesma forma que a batata-doce, couve da caraíba, feijões. O algodoeiro e o tabaco, ainda que comuns, parecem negligenciados. As laranjeiras, os limoeiros, abundam por toda parte; mas, aparte aqueles que circundam os campos, não são enxertados, e seus frutos, que cobrem o solo, não são o bastante agradáveis ao paladar para tentar os passantes que poderiam se aproveitar: é, sem dúvida, por esta razão que os habitantes negligenciam de os colher e deixam que os estrangeiros disponham à vontade. A papaia, a bananeira, o coqueiro, guarnecem as cercas-vivas de seus jardins e o ananás se exibe com explendor, no meio de cercados, em todas as clareiras.

 

Cafeeiros embelezam, de ordinário, as propriedades, onde crescem também a vinha, a figueira, o pecegueiro e a amendoeira, árvores cuja folhagem misturada com a vegetação dos trópicos afaga agradavelmente o olho do Europeu espantado. Legumes europeus são também cultivados em todas as hortas e parece que com bastante sucesso. O trigo e cevada brotam em algumas habitações.

 

As florestas são habitadas por animais de diversas espécies. É na espessura de seus redutos que vivem os macacos, os preguiças, os tamanduás, as serpentes e uma espécie de grande lagarto que é facilmente capturado com um anzol, e cuja carne os brasileiros acham muito apetitosa. Entre os pássaros, as gaivotas.os "fous", os abutres, os grous, os tucanos, os papagaios, são os mais comuns, sem esquecer os brilhantes colibris, que esvoacejam sem cessar sobre as árvores e as flores e cravam afoitamente seus bicos delicados nos cálices entreabertos, para sugar o licor melado; ao que se deve o nome com que os batizaram os portugueses: "chupa-flores".

 

Entre os animais domésticos, o gado é pouco numeroso: não encontramos nunca grandes tropas de bois e vacas.Cl) não vimos mais que um pequeno número de cavalos, asnos e mulas. Os porcos, ao contrário, multiplicam-se muito, assim como as aves, tais como as galinhas, patos, gansos e perus. O cão é comum e não se pode dar um passo nos campos sem escutar este guardião fiel e vigilante das habitações.

 

As costas apresentam uma enorme variedade de peixes excelentes, que nos fornecem em abundância os lagos, os rios e as margens da baía. Existe um que chamam de "bagre", motivo de um comércio lucrativo: pescam-no ordinariamente nos meses de novembro e dezembro, época em que ele vem em mantas numerosas se refugiar nas lagunas que se comunicam com o mar: conservam-no seco, expondo-o à ação dos raios solares; e, mesmo que exale, após este preparo, um odor de ranço muito desagradável, não deixa de ser um alimento muito apreciado pelos brasileiros. Exportam-no em barcos carregados aos portos vizinhos da Ilha. Outras espécies, chamadas, na região, de "tainhas", "robalos", "carapebas", são abundantes também na baía e nas lagunas: são pescados em todas as épocas e são largamente consumidos.

 

A carne de boi em Santa Catarina não é de uma qualidade excelente; sem dúvida que as pastagens daquela província são, assim como aquelas das pastagens da parte oriental do Paraguai e da maior
parte do Brasil, privadas de uma parte do sal, que é indispensável ao desenvolvimento destes animais.

Dom Félix de Azara, nos seus Ensaios sobre.a história natural dos quadrúpedes do Paraguai, após ter atribuído a origem de todas as bestas de cornos, que têm tão singularmente se multiplicado na América meridional, aum touro e a sete vacas que o capitão Juan de Salazar teria transportado de Andaluzia para o Brasil em 1546, exprime-se assim:

Nas regiões do Norte do Rio da Prata, onde nãose dá o sal grosso ao gado, eis que é para ele necessário que exista o barréro: é assim que se chama uma argila salina ou, salitrosa, que as tropas de
bestas corneadas e outros animais refocilam avidamente, e sem a qual eles pereceriam e morreriam no entretempo de quatro meses. Após alatitude meridional de 27° até as ilhas Malvinas, o gado, em geral,
não tem necessidade do barréro, porque as águas e as pastagens têm muito sal; mas, a partir desta latitude, indo-se para o norte, esta argila é necessária, e os campos que não a contém, não nutrem nem o cavalo, nem o burro, nem a mula, nem-o boi, nem a cabra, nem a ovelha.

 

A metade oriental da província do Paraguai não possui o barréro. Parece que se passa a mesma coisa na maior parte do Brasil: o que faz com que aí cresçam poucas tropas, e que estas que aí estão,
como diz Buffon, sejam de pequena estatura e de uma carne desagradável.

 

A pesca da baleia oferece um ramo de indústria vantajoso. Ela tem lugar, durante os meses de inverno, na embocadura setentrional do canal e sobre as costas da Ilha e da terra firme. Três grandes estabelecimentos, conhecidos sob o nome de "Armação", cuja sede está a três milhas ao norte da ilha Anhatomirim, estão destinados especialmente à fabricação do óleo.

 

Assim, os produtos que alimentam hoje o fraco comércio interno e externo de Santa Catarina, o qual deve ser considerado como quase nulo, devido à sua pouca extensão e à modicidade de suas exportações, consistente em mandioca, milho, arroz, café, açúcar, tabaco, aguardente-de-arroz, rum, áraque, óleo, linho, algodão, louça de barro, peixes secos, gado, aves e diversas espécies de madeira. Se a cultura do anil não estivesse negligenciada e, se estimulassem a cultura do linho, do algodão e do tabaco, estas produções ofereceriam ao comércio benefícios seguros.' A mesma coisa com relação à cochonilha, que se aniqui:la sem fruto sobre os nopais que ela cobre, abandonada pela indiferença ou pela ignorância dos proprietários. Sabe-se que o governo português não tem em nada negligenciado para manter os brasileiros nos limites estreitos das necessidades naturais.

 

Os objetos de luxo não tinham entrada em suas habitações: diz-se que eles eram proibidos; tanto que eram raros, mesmo nas casas dos mais ricos colonos. Também até hoje, os produtos da Ilha jamais excederam em muito no consumo dos habitantes, em geral pobres, ainda que pareçam laboriosos. Os panos de linho e de algodão sãoos únicos tecidos manufaturados em Santa Catarina. apenas suficientes às necessidades dos habitantes. 

Quase todos os outros artigos são importados pelas embarcações nacionais ou estrangei­ras. Os navios da Bahia, de Pernambuco, do Rio de Janeiro e do Rio de Ia Plata, são os que mais freqüentam ordinariamente Santa Catarina; eles exportam farinha, arroz, óleos, jarras, panelas, moringues e outros utensílios de barro.

 

Deve-se reconhecer, por esta breve exposição, que Santa Catarina possui por si própria os elementos para a sua prosperidade. Poderá vir a florescer se a indústria for protegida e se especuladores instruídos vierem a explorar as produções de seu solo fértil.

 

Esta Ilha goza de um são e belo clima. Somente algumas localidades,. próximas aos pântanos, são insalubres, e, a tez cadavérica dos brasileiros ali fixados prova que as febres intermitentes reinam de vez em quando. Os calores do verão são moderados pelas brisas frescas do Nordeste, que sopram bastante de setembro a março. Os ventos do Sudoeste dominam durante os meses de inverno e, é ordinariamente entre agosto e setembro que as chuvas são mais abundantes.

 

Todo o território da Ilha de Santa Catarina está dividido em quatro distritos ou paróquias que tomaram seus nomes das instituições de que foram formadas, a saber:

Nossa Senhora das Necessidades: esta aldeia mais conhecida sob o nome de Santo Antônio,.está situada à margem do canal, numa distância de cinco milhas ao Norte da capital. O solo deste distrito é bastante próprio à cultura da cana de açúcar; várias usinas de açúcar estão ali estabelecidas.: Sua população é quase que inteiramente composta de agricultores. Foi a cinco milhas ao norte desta aldeia, na enseada das Canavieras que os  Espanhóis efetuaram seu desembarque quando se apoderaram da ilha em 1777.

 

Nossa Senhora da Conceição: edificada ao meio da ilha sobre o lado ocidental da grande Lagoa, esta aldeia está a quatro milhas, aproximadamente, ao leste da capital. A cultura do linho e da cana de açúcar é bastante desenvolvida neste distrito, onde nas águas da lagoa abundam os peixes. Os habitantes são por sua vez, agricultores e pescadores.

 

Nossa Senhora da Lapa: esta aldeia recebecomumente a designação de Ribeirão, porque está situada na foz do pequeno rio deste nome, que se lança ao fundo de uma angra a oito milhas ao sul da capital. A pesca e o cultivo formam as principais ocupações de seus habitantes.

 

Nossa Senhora do Desterro: esta Vila é a capital de toda a província de Santa Catarina. 

 

Está situada sobre a costa ocidental, numa enseada estendida a E.S.E. do estreito que divide o canal, onde ancoram as sumacas, com capacidade de cinqüenta a duzentas pipas d'água. Está edificada sobre um terreno irregular entre dois morros e cruzada por três riachos, cuja água corrente e clara corre sobre inúmeras pontes de pedra sobre pedra. Esta cidade é composta de ruas geralmente direitas e não pavimentadas. "E com­preende", diz M. Lottin, "aproximadamente 600 casas numeradas,formandoruas de vinte a vinte e quatro pés de largura, sendo que algumas vão em declive em direção ao mar: estas são calçadas, sem dúvida para que a águà não as estrague na estação das chuvas".

 

As casas têm até dois pavimentos; a rriaiorparte não tem mais que um, e existem muitas que não são mais que ao rés-do-chão.

 

Estas são construídas de pedras ou de tijolos, rebocadas com cal. Na saída da Vila, do lado do S.O., vimos casas de madeira, e em um bom número tinham a aparência de serem miseráveis choupanas. O granito, que forma em geral o limiar e o arco das portas, lhes dá um certo brilho. São separadas em tabiques, assoalhadas em parqués ou em pranchas com madeira da região. Uma grade muito serrada, que permite a livre circulação do ar, guarnece as janelas. O interior é simples, limpo, elegante, mas sem luxo. As dos mais ricos proprietários têm a pintura fresca.

 

Nãoexiste mais que um lugar que se possa dizer grande em Santa Catarina: é lá que se encontra o Palácio da Administração local, e o Palácio da Justiça, dois edifícios que não merecem atenção: é lá também que está o Mercado, que só tem lugar u ma vez por semana, todo o domingo. No centro desta praça está um cadafalso de madeira. onde se amarra e chicoteam os negros faltosos.

 

Conta-se quatro Igrejas: A Catedral, São Francisco que faz parte do convento de São Francisco de Assis, Nossa Senhora do Rosário e a Caridade. Existe um Hospital anexado àquela última, onde são recebidos os mendigos e os enfermos; está situado sobre a encosta de um morro que limitaa cidade a Sudoeste. A catedral é o único edifício que tem uma bela aparência; é sobre ela que se ergue um campanário em forma de torre e é situada na extremidade superior da praça de Santa Catarina. Em f ren te, do ou tro lado da praça, fica o desembarcadouro,que é bem construído e cômodo; há um guindaste para facilitar a movimentação das mercadorias.

 

Nossa Senhora do Desterro não oferece aos estrangeiros nem hotéis, nem restaurantes, nem cafés. Como em todas as colônias portuguesas, encontram-se muitas lojas de revendedores, espécies de tavernas onde se pode comer e beber, e onde o populacho e os negros vêm se regalar com o peixe frito e com o áraque.

 

Os magazines. pouco numerosos são todavia bem sortidos em objetos de todo gênero. As  farmácias são conservadas com elegância, e nelas reina até um certo luxo que faria crer que, se os habitantes não estão freqüentemente doentes, gostam decerto de se medicamentar.

 

Encontram-se manufaturas de linho e de algodão, fábricas de licores e olarias. Vê-se também muitos artesãos, tais como alfaiates, sapateiros, ferreiros, latoeiros, marceneiros.

As mulheres sentadas em frente as suas portas entretêm-se fazendo rendas.

Escolas onde se aprende a ler e um pouco de Latim são as únicas que servem para a instrução da: juventude. Elas são mantidas às expensas da municipalidade, que as estabelece; e para subvencíonar os honorários dos professores, onerou-sede um imposto os licores fartes.

 

A população de Nossa Senhora do Desterro é aproximadamente de seis mil almas.

 

Distingue-se três classes de habitantes, os brancos, os mulatos e os negros; a última é quase em sua totalidade composta de escravos. O pequeno número de negros libertos não devem a sua liberdade a outra coisa senão o arrependimento e a superstição: é somente no leito de morte que, atormentado pela crença em uma justiça divina, o senhor é capaz de uma ação generosa; somente então ele abjura um poder mantido a força, consagrado pelo uso, e consegue ver em seu próximo um ser, como ele mesmo, saído das mãos do Criador.

 

Não obstante, os escravos negros aplicados seja nos trabalhos no campo, seja no doméstico, pareceu-nos que são tratados com doçura. Suas figuras transpiravam bem­ estar e contentamento, que devemos reconhecer que existe até mesmo sob a servidão. 

 

Dentro das residências sobretudo eles pareciam fazer parte da família de seus senhores, onde partilham às vezes de suas alegrias. Eles usam apenas uma cinta de couro para cobrir a sua nudez. Os da cidade quase não são mais bem vestidos. São vistos semi-nus, fantasiados com algumas velhas vestimentas; e tudo, nos seus passos e seus ares, acusa o orgulho com que eles se paramentam com estes velhos despojos usados que assinalam a riqueza de seu proprietário.

 

As negras são trajadas com um pouco mais de decência e uma certa coqueteria; uma camisola e uma saia curta, ligeria, atada por cima das ancas, desenham as formas robustas de seus corpos. Algumas destas escravas não são desdenhadas pelos brancos que por vezes tentam ganharos seus favores;em geral elas tem um físico repelente. 

 

O traje dos colono é calcado sobre o dos Europeus, a maneira Inglesa. As senhoras adotaram as modas francesas; e, trajadas com simplicidade e elegãncia elas atraem as homenagens. São cheias de vivacidade. Vimos algumas que eram lindas.

 

A população total da Ilha de Santa Catarina chega a dez mil almas, a da província inteira atinge a casa dos trinta mil, e compreende quatrocentos homens de tropas disciplinadas quase todas em casernas de Nossa Senhora do Desterro. Estas tropas, formam o quadro de um regimento, e tem uma bela apresentação. a época de nossa estadia elas eram secundadas por uma numerosa guarda nacional.

 

Travessia de Santa Catarina às Ilhas Malvinas.

 

A 30 de outubro, pela manhã, saímos da baía de Santa Catarina e nos dirigimos com sentido às ilhas Malvinas. As observações do pêndulo e do magnetismo que nós nos propúnhamos a fazer nesta extremidade do Oceano austral , foi decidida em favor de seguir diretamente, a fim de aproveitar a ótima estação nestas paragens, já avançada. 

 

A quarenta milhas mais ou menos do Sudeste da Ilha de Santa Catarina. encontramos um largo espaço de maré avermelhada. Vários baldes d'água apanhados nos mostraram uma poeira vermelha impalpável, ao meio da qual nasciam pequenos glóbulos da mesma côr. Observados na lupa, estes pequenos glóbulos se apresentavam sob forma de ovos lineares de onde se escapavam crustáceos microscópicos de uma tenuidade e agilidade extremas.

 


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Marcio Mafra
19/04/2014 às 00:00
Brasília - DF

Numa das minhas frequentes viagens a Florianópolis,  encontrei esta preciosidade sobre a Ilha de Santa Catarina, que são relatos de navegadores estrangeiros que chegaram à Ilha do Desterro entre os anos 1712 e 1828. Trata-se de uma publicação da Assessoria Cultural da Alesc Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina e foi publicado em 1979. O livro me foi presenteado pelo Sergio Hamilton d’Aquino. 


 

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