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Saga Brasileira

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Saga Brasileira

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Autor: Miriam Leitão

Editora: Record

Assunto: História

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 475

Ano de edição: 2011

Peso: 770 g

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Excelente
Marcio Mafra
26/01/2014 às 18:44
Brasília - DF
Hiperinflação no Brasil foi um flagelo que começou em 1986, quase no início do Governo Sarney e durou oito longos anos, até o final do governo de Itamar Franco. Saga Brasileira da jornalista Mirian Leitão conta como foi esse drama. Com as exceções da praxe, ninguém pode viver sem dinheiro. Era uma luta contra a desvalorização. O dinheiro que se tinha hoje, valia menos amanhã. Freezer era um eletrodoméstico indispensável em qualquer casa porque se era obrigado a estocar alimentos. Em todas as famílias, da classe pobre, média e alta havia alguém desempregado. Todos eram atingidos pela quebradeira geral que atingiu grandes, médias e pequenas empresas. Bancos e tamboretes, assim como os bancos estaduais foram falindo, desaparecendo, ou incorporados à outros. O livro é um resgate histórico para quem queira conhecer o quanto foi sacrificante estabilizar a moeda brasileira que hoje se chama real. No Governo do ditador Getúlio Vargas em 1942 foi criado o Cruzeiro. Em 1967 os ditadores militares o passaram para Cruzeiro Novo. Em 1986 Sarney inventou o Cruzado. Em 1989 foi chamado de Cruzado Novo. Quando Color assumiu o governo, tornou a chama-lo de Cruzeiro. Em 1993 no Governo Itamar foi criado o Cruzeiro Real. Em julho de 1994 foi criado o Real, que perdura até hoje. Cada troca dessas moedas cortavam-se três zeros. Mirian Leitão explica como com muita sabedoria e talento. Este não é um livro de economia. É sim um excelente livro de história, escrito no estilo dos bons jornalistas. Os brasileiros apanharam muito para ter uma moeda estável.

Marcio Mafra
26/01/2014 às 00:00
Brasília - DF

A história das cinco moedas brasileiras entre 1986 e 1994, durante o primeiro ano do Governo José Sarney e o último do Governo Itamar Franco. Mirian Leitão conta o que foi o tormento inflacionário, com impressionante riqueza de detalhes, sobre a enorme e demorada luta econômica, monetária e financeira que atingiu os nacionais – e também os estrangeiros que aqui residiam - sem distinção de classe econômica, social ou política Ninguém escapou da hiperinflação, sem considerar o horror do confisco do dinheiro no início do Governo Color.

Marcio Mafra
26/01/2014 às 00:00
Brasília - DF

Economia, a que é que se destina

Quando a economia ocupa todos os espaços da agenda do país, é a manchete inescapável de todos os dias, perturba tanto as famílias, o país tem algum problema. Ela não pode ser o centro tão obsessivo
como foi na hiperinflação. A economia se destina a ser a base na qual são feitas as escolhas do país. Se vai bem, é mais fácil escolher. A isso ela se destina. Uma inflação alta como aquela que vivemos por tanto tempo reduz dramaticamente o campo para as decisões em qualquer área em direção ao projeto nacional. E o nosso projeto é ser democrá­tico, forte e menos desigual.

O Brasil sempre se sentiu um país grande. Nunca enfrentou os sustos que ameaçaram outras nações. Nunca foi invadido e ocupado.
Sempre soube que era imenso geograficamente, com população que está entre as maiores do mundo, país com chances de virar uma das maiores potências deste século. Tamanho nunca foi nosso complexo.
Mas não é apenas de população, de dimensão territorial ou de PIB que se faz um grande país.

Em A cortina, livro de ensaios sobre arte, Milan Kundera faz uma profunda e bela ponderação sobre países e seus tamanhos: "O que distingue as pequenas nações das grandes não é o critério quantitati­vo do número dos seus habitantes; é alguma coisa mais profunda: para as pequenas nações sua existência não é uma certeza autoevi­dente, mas sempre uma dúvida, uma aposta, um risco. Eles estão na
defensiva contra a História, uma força que é maior que eles, que nun­ca os leva em consideração, que às vezes nem nota sua existência?'

Kundera nasceu na Tchecoslováquia, hoje República Tcheca, que um dia se chamou Boêmia, nome que ele mostra preferir. O maior herói de seu país, [an Hus, foi sentenciado à morte numa fogueira, em 1415, por um poder estrangeiro: o Vaticano. O país já foi ocupado e anexado pelos austríacos, pelos alemães, pelos russos. No ensaio, ele se referia a um desses momentos em que a existência da sua pátria foi negada pela ação dos outros países, os grandes: o acordo feito em 1938, entre a Itália, Alemanha, França e Inglaterra, entregou a terra dos tchecos à Alemanha hitlerista com o argumento de que "É um país distante do qual pouco sabemos': Depois, na Conferência de Ialta em 1945, Roosevelt, Churchill e Stalin partilharam o mundo entre eles, e a Boêmia, com toda a sua história e cultura ocidental, foi considerada parte do mundo do Leste, sob domínio soviético, apesar de estar na Europa Central. Mesmo após a Revolução de Veludo em 1989, para o resto do mundo a República Tcheca continua sendo considerada parte de outro mundo, não ocidental; o mundo do Leste Europeu. Kundera trata com bom humor essa revogação do que ele define como raízes centro-europeias do país. Lembra que [an Hus foi reconhecido por Martinho Lutero como seu mentor e precursor da Reforma Protestante, mas que, com essa inversão geográfica e cultu­ral, acabou condenado a viver eternamente, no além, na companhia de Ivan, o Terrível.

Há tantos poloneses quanto espanhóis, lembra Kundera, mas a Espanha não tem sua existência ameaçada; já a Polônia deixou de existir por quase um século e também enfrentou a torça estrangeira
comandando seus destinos. A quem canta estar deitado eternamente em berço esplêndido, e ser gigante pela própria natureza, a afirmação inicial do hino nacional polonês parece estranha: "A Polônia não pe­receu ainda:' 

Nunca vivemos ameaça igual. Nosso território nunca foi dividido, ocupado, nossa existência jamais esteve ameaçada. Por isso é difícil para brasileiros sequer entender o sentimento registrado por Kun­dera ou imaginar um hino nacional como o dos poloneses. Houve interferência estrangeira em alguns momentos da nossa história, mas temos escolhido por nós mesmos o nosso destino.

A inflação foi escolha. Uma escolha confirmada em todos os mo­mentos em que achamos que era um caminho fácil para financiar o crescimento, em momentos em que elidimos conflitos criando fór­mulas para conviver com o problema. Toleramos o que deveria ser combatido e o inimigo ganhou musculatura. Houve um momento em que a inflação se tornou organismo tão forte que ameaçava tragar o futuro do país.

Um dia eu conversava com o embaixador Rubens Ricupero e ele me disse uma frase que me afligiu:

- Países fracassam.

Eu nunca havia pensado que o Brasil pudesse fracassar. Cheguei à juventude no tempo em que o país era governado pela estupidez do arbítrio. Mesmo naquela época, e com todo o sentimento de horror
ao regime militar, continuei participando dessa vasta maioria que sempre apostou que o futuro seria melhor e aquele desvio, apenas conjuntural. Somos educados nessa certeza de que o melhor está por
vir, dadas as nossas dimensão e vantagens. Mesmo nos períodos de recessão, das décadas que foram chamadas de perdidas, jamais pensei no fracasso nacional como uma possibilidade. Por isso a frase do embaixador me deixou petrificada.

No decorrer da longa luta pela moeda estável, escolhemos derrotar a inflação. Houve inúmeros momentos de retrocesso, desânimo e risco, mas o Brasil perseguia sempre, insistentemente, inflação baixa
o suficiente que nos tornasse parecidos com o resto do mundo. Se não tivéssemos resistido, aquele processo nos consumiria, de alguma maneira. Não como destruição física ou política, mas como revo­
gação do futuro esperado, traição das possibilidades de sucesso. No livro Trem noturno para Lisboa - de Pascal Mercier, pseudônimo do filósofo suíço Peter Bieri -, o personagem Amadeu do Prado define
em determinado momento: "Poderíamos descrever o medo da morte como o medo de não conseguir se tornar aquele que pretendemos ser, ou para o qual nos projetamos:' O descontrole inflacionário abotava o que pretendíamos ser.

A longa hiperinflação recente do Zimbábue foi mais uma etapa do caminho do regresso do país que se torna mais pobre, menor, pior a cada ano. A Alemanha escolheu ao final da hiperinflação da década
de 1920 o mais perverso dos caminhos para a reconstrução do orgu­lho nacional: o da afirmação agressiva da superioridade racial. Quem sabe o que nos aconteceria se persistíssemos no erro de considerar aceitável mais um pouco de inflação a cada ano, adaptando-nos a um nível mais elevado da anomalia?

Mesmo assim fomos longe demais na leniência. Outro dia, ao falar dos riscos que passamos quando a inflação fugiu ao controle, um amigo disse que "nós pulamos uma fogueira, e conseguimos evitar o
pior sem nos queimarmos". Ao reviver os passos do nosso sofrimento, concluí que nos queimamos seriamente pelo menos duas vezes: na hiperinflação e no Plano Collor. O Brasil tem uma estranha tendência de apagar as cores mais vivas da História, como se precisasse dos tons sépia para se reconhecer como povo cordial. Os brasileiros preferem acreditar que a escravidão aqui foi suave. Acredita que as transições foram sempre negociadas, esquece as revoltas e chacinas. Acha que houve apenas uma quase hiperinflação, e que o sequestro do dinheiro coletivo foi só um plano que deu errado. Nosso mérito é outro: é o de superar os traumas, mesmo quando são difíceis e dolorosos. Amadurecer talvez seja adquirir a capacidade de entender a dor passada. Não é negá-Ia, mas superá-Ia.

Este livro contou a história de uma vitória econômica. A vitória que escolhemos. Não foi um fato só. Ela foi conquistada em campos diversos da nossa vida, em vários tempos. Escrevi este livro me emo­cionando com o longo padecimento econômico do país, mas saben­do que lembrava a todos uma história cujo final dá orgulho. No tem­ po mesmo em que o escrevia, o ambiente político se deteriorava dia
a dia. Como na sucessão dos fatos que nos levavam a mais inflação, nos últimos anos se repetiram os escândalos, que foram reduzindo o piso das expectativas políticas do país. Da mesma forma, como es­quecíamos os valores em moedas sucessivas, estamos nos perdendo no labirinto de casos de corrupção. Não temos o monopólio dos escândalos políticos, mas o que nos diferencia de outros palses é que aqui as revelações de mau comportamento não têm levado a cor­reções de rumo. No passado nos acostumávamos à inflação, como temos nos acostumado à piora da prática política. Perdemos a no­ção de valor e preço na economia durante o processo inflacionário, como hoje perdemos a noção dos valores a preservar para garantir a qualidade da democracia. Não estamos condenados ao  clientelismo, à confusão entre o público e o privado, à corrupção, como não está­ vamos condenados à inflação crescente.

Um país faz suas escolhas; paga por elas ou usufrui dos seus frutos. 
Não há soluções simples. Aqui se contou o longo processo, a de­morada construção de um edifício, tempo de avanços e recuos até a formação do grande consenso nacional. Tivemos que sofrer para entender que a inflação não era o motor do desenvolvimento, mas sua destruição; não era parte da natureza nacional, e sim estrangeira às nossas aspirações. No processo, amadurecemos. O país aprendeu a não acreditar nos líderes que vendiam soluções mágicas ou prome­tiam a destruição do inimigo com apenas um golpe de luta marcial.
Tudo foi mais complexo.

O Plano Real foi construído com os acertos que o antecederam, e com a persistência que o sucedeu. Frequentemente se ouve que uma reforma política vai resolver tudo num passe de mágica. A ideia é
sedutora, mas falsa. O próprio Plano Reai nao foi apenas a reforma monetária. Foi o estuário de várias mudanças e avanços que deram as bases da moeda estável. Mesmo na economia, a modernização ainda está incompleta.

Certos fatos da política desanimam como os fracassos dos planos econômicos. O desânimo pode nos levar a considerar que o Brasil é "assim mesmo': frase muito ouvida na era da bagunça econômica.

O Brasil não é assim; será apends se quisermos que ele seja. Na polí­tica são necessários aperfeiçoamentos na forma de representação, nas regras partidárias, na transparência do financiamento das campa­nhas. Há muito a fazer. Mas de nada adianta despejar um conjunto de normas num projeto e aprová-Io no Congresso. A chance de virarem letra morta é grande. Não há uma revolução política  possível, um dado momento de libertação do clientelismo; não há uma pessoa que encarne sozinha a mudança. De novo, será um processo de avanços, de construção de valores, de mudanças sucessivas que levem a mais legitimidade, mais transparência nos gastos públicos, e ao hábito da prestação de contas.

A saga do Brasil pela moeda foi possível na democracia. É mais difícil construir uma obra assim no regime democrático porque é preciso negociar, informar, prestar contas, conciliar interesses e con­vencer. É mais difícil do que baixar um decreto autocrático. Mas na democracia os avanços, quando alcançados, são mais robustos.

O erro que não se pode cometer é o país se acostumar com os abusos e desvios. A atitude adaptativa - aprendemos com a hiperin­flação - leva ao desastre. O certo é perseguir o objetivo de longo prazo como o de elevar a qualidade da democracia. A economia se destina a preparar o terreno para outros avanços. Eles têm aconte­ cido. Na caminhada política, o país tem chances de reencontrar o
sentido mais profundo dos sonhos que levaram milhões de pessoas às ruas pedindo eleições diretas, no final do regime militar; como os sonhos que fizeram, na economia, milhões de pessoas a reagirem, o
seu cotidiano, à inflação alta. Não há tarefas fáceis pela frente na construção do país que podemos ser. O caminho será longo, mas não impossível. A vantagem é que, ao buscar a moeda estável, o Brasil
aprendeu a fazer longas travessias.

 


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Marcio Mafra
26/01/2014 às 00:00
Brasília - DF

No meu aniversário de 2011, Edite, minha mulher, me presenteou o “Saga Brasileira”, que só fui ler em 2013 durante minhas férias de final de ano, na praia Farol da Barra, em Salvador-Ba.


 

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