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A Morte do Pai

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A Morte do Pai

Livro Bom - 2 opiniões

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Autor: Karl Ove Knausgard

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Romance

Traduzido por: Leonardo Pinto Silva

Páginas: 511

Ano de edição: 2013

Peso: 630 g

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Ótimo
Aliomário Moreira
22/06/2014 às 01:06
Piritiba - BA
Fiquei muito curioso quanto a esse livro.,.. Parece ser incrível.

Mediano
Marcio Mafra
06/07/2013 às 22:50
Brasília - DF
“A Morte do Pai” é o primeiro volume, de um total de seis, da série Minha Luta, o mesmo titulo que Adolf Hitler adotou para seu famoso livro. A “cópia” do titulo alemão, certamente é uma ironia literária. Neste primeiro livro o autor “revive” o seu próprio passado enquanto narra a trajetória da vida de seu pai. O personagem principal tem o nome do próprio autor e a narração de seu viver, com as angustias, dúvidas, tristezas e alegrias são sempre contadas paralelamente à vida de seu pai. A história é longa e muito minuciosa, talvez porque abranja desde a infância do autor até o episódio da morte de seu pai. Ou não, talvez porque seja apenas o estilo clássico utilizado pelo escritor. A leitura flui e tem ritmo. Mas como todos os autores clássicos - entre eles Proust – é uma história descrita com tantos pormenores, tantos detalhes que, por vezes, cansa o leitor. Se o primeiro volume tem mais de 500 páginas, há que ter muita persistência e vontade para dar conta de cinco outros volumes, notadamente se o leitor não for um profundo conhecedor e admirador do estilo de vida dos noruegueses.

Marcio Mafra
06/07/2013 às 00:00
Brasília - DF

A história de Knausgard, e tudo o que viveu com seus familiares, enquanto ele escrevia um romance que conta as angústias pela morte de seu pai, com cortes que remetem o personagem/autor ao seu próprio passado.

Marcio Mafra
06/07/2013 às 00:00
Brasília - DF

Para o coração a vida é simples: ele bate enquanto puder.
E então para. Cedo ou tarde, mais dia, menos dia, cessa aquele movimento repetitivo e involuntário, e o sangue começa a escorrer para o ponto mais inferior do corpo, onde se acumula numa pequena poça, visível do exterior como uma área escura e flácida numa pele cada vez mais pálida, tudo isso enquanto a temperatura cai, as juntas enrijecem e as entranhas se esvaem.
Essas transformações das primeiras horas se dão lentamente e com tal constância que há um quê de ritualístico nelas, como se a vida capitulasse diante de regras determinadas, um tipo de
gentlemen’s agreement que os representantes da morte respeitam enquanto aguardam a vida se retirar de cena para então invadirem o novo território. Por outro lado, é um processo inexorável.
Bactérias, um exército delas, começam a se alastrar pelo interior do corpo sem que nada possa detê-las. Houvessem tentado apenas algumas horas antes, e teriam enfrentado uma existência
cerrada, mas agora tudo em volta está calmo, e elas avançam pelas profundezas escuras e úmidas. Chegam aos canais de Havers, às glândulas de Lieberkühn, às ilhotas de Langerhans. Chegam à cápsula de Bowman nos rins, à coluna de Clarke na medula, à substância escura no mesencéfalo. E chegam ao coração. Ele continua intacto, mas se recusa a pulsar, atividade para a qual toda a sua estrutura foi construída. É um cenário desolador e estranho, como uma fábrica que trabalhadores tivessem sido obrigados a evacuar às pressas, os veículos parados a projetar a luz amarela dos faróis na escuridão da floresta, os galpões abandonados, os vagões carregados sobre os trilhos, um atrás do outro, estacionados na encosta da montanha.
No exato instante em que a vida abandona o corpo, ele passa para os domínios da morte. As lâmpadas, as malas, os tapetes, as maçanetas, as janelas. A terra, os campos, os rios, as montanhas, as nuvens, o céu. Nada disso nos é estranho. Estamos permanentemente rodeados por objetos e fenômenos do mundo dos mortos. Ainda assim, poucas coisas nos causam mais desconforto do que ver alguém preso a essa condição, ao menos se julgarmos
pelos esforços que empreendemos para manter os cadáveres longe dos nossos olhos. Nos grandes hospitais eles não são apenas escondidos em ambientes isolados, os corredores que levam até eles são ermos, com elevadores e acessos privativos, e, mesmo que acidentalmente topemos com eles, serão apenas corpos empurrados sobre macas, sempre cobertos por lençóis. Quando deixam o hospital, fazem-no por uma saída própria e são transportados em carros com vidros escurecidos, nas igrejas são velados em salões sem janelas, durante o funeral estão em caixões lacrados, até afundarem numa cova ou serem consumidos no calor de um forno. Difícil enxergar um objetivo prático em tudo isso. Os cadáveres poderiam muito bem, por exemplo, ser conduzidos descobertos pelos corredores dos hospitais e transportados em carros comuns sem representar risco a quem quer que fosse. O homem idoso que morre numa sessão de cinema poderia, da mesma forma, permanecer no seu assento até o filme terminar, ou durante a sessão seguinte. O professor que sofre um ataque súbito e tomba no pátio da escola não tem necessariamente que ser retirado dali no mesmo instante, não faz mal nenhum que o corpo continue no chão até que o zelador tenha tempo de cuidar dele, ainda que mais para o fim da tarde, talvez mesmo à noite. Se um pássaro decidir pousar sobre ele para bicá-lo, que diferença fará? Porventura o destino que o aguarda na cova será melhor somente porque não o presenciaremos? Contanto que o corpo não esteja bloqueando uma rua, não é preciso pressa, pois ele não vai morrer outra vez. Nesse caso, os dias de frio extremo no inverno são especialmente propícios. Mendigos que morrem congelados em bancos de praça ou debaixo de marquises, suicidas que saltam de prédios altos ou de pontes, senhoras idosas que despencam de escadarias, vítimas presas nas ferragens de veículos, o garoto embriagado que cai na água depois de uma noitada na cidade, a garotinha que vai parar debaixo do pneu de um ônibus, por que a pressa em ocultá-los? Decoro? O que seria mais decoroso que permitir ao pai e à mãe daquela garota encontrá-la uma ou duas horas mais tarde, deitada na neve ao lado do local do acidente, a cabeça esmagada tão visível quanto o restante do corpo, o cabelo empapado de sangue e o casaco imaculado? A céu aberto, sem segredos, do jeito que estava. Mas mesmo uma hora na neve é impensável. Uma cidade que não mantenha seus mortos longe dos olhos, que os deixe jazer nas ruas e calçadas,
parques e estacionamentos, não é uma cidade, e sim um inferno. Não importa que esse inferno reflita de modo mais realista e profundo nossa conduta. Sabemos que ela é assim, mas nos recusamos a encará-la.


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Marcio Mafra
06/07/2013 às 00:00
Brasília - DF

Entre os escritores  internacionais, Karl Knausgard era o mais incensado da FLIP 2013. Parece que seria o primeiro escritor norueguês a vir ao Brasil com tanto destaque. Seria, porque não foi. Ele não veio tendo alegando um problema pessoal de ultima hora. Esse tipo de alegação, habitualmente, pode ser interpretado como um desacerto de grana.
Comprei “A Morte do Pai“ incentivado pela reportagem da Revista Piaui, edição de maio 2013.


 

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