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Poema Sujo

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Poema Sujo

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Autor: Ferreira Gullar

Editora: José Olympio

Assunto: Poesia

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 100

Ano de edição: 2009

Peso: 145 g

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Excelente
Marcio Mafra
13/06/2013 às 17:38
Brasília - DF
Poema Sujo é considerado a obra prima de Ferreira Gullar e não é sem méritos. Ele o escreveu quando estava exilado em Buenos Aires, enxotado pela ditadura militar que governava o Brasil no ano de 1975. Ele se sentia perseguido e tinha medo de ser assassinado pela colaboração da ditadura brasileira com a ditadura argentina. Numa inspiração sofrida, começou a escrever o poema, para registrar o lado bom, o ruim, o poético ao lado de todas as lembranças dos anos que tinha vivido em São Luis do Maranhão. Rompantes da juventude, observações sórdidas, românticas e chocantes sobre os hábitos dele e da gente que o cercava. Sua vida transparece em todos os versos do poema. O estilo da escrita é genial com alternâncias de antíteses do tipo ruim x bom, fácil x difícil, puro x sórdido, inocente x desbocado. O final é sensacional, senão brilhante.

Marcio Mafra
13/06/2013 às 00:00
Brasília - DF

A história de um tempo da vida de Ferreira Gullar, narrada num só poema, onde ele revela a sordidez e a impureza do cotidiano humano em passagens comoventes que surgiram com a inspiração de  "escrever um poema que fosse o meu testemunho final, antes que me calassem para sempre". 

Marcio Mafra
13/06/2013 às 00:00
Brasília - DF

turvo turvo
a turva

mão do sopro
contra o muro
escuro

menos menos

menos que escuro

menos que mole e duro menos que fosso e muro: menos que furo
escuro

mais que escuro:
claro

como água? como pluma? claro mais que claro claro: coisa alguma
e tudo

(ou quase)

um bicho que o universo fabrica e vem sonhando desde as entranhas
azul

era o gato
azul

era o galo
azul

o cavalo
azul

teu eu

tua gengiva igual a tua bocetinha que parecia sorrir entre as folhas
de banana entre os cheiros de flor e bosta de porco aberta como
uma boca do corpo (não como a tua boca de palavras) como uma
entrada para

eu não sabia tu
não sabias

fazer girar a vida

com seu montão de estrelas e oceano
entrando-nos em ti

bela bela
mais que bela

mas como era o nome dela?

ão era Helena nem Vera
nem Nara nem Gabriela
nem Tereza nem Maria
Seu nome seu nome era ...
Perdeu-se na carne fria

perdeu-se na confusão de tanta noite e tanto dia
perdeu-se na profusão das coisas acontecidas

constelações de alfabeto

noites escritas a giz

pastilhas de aniversário

domingos de futebol

enterros corsos comícios

roleta bilhar baralho

mudou de cara e cabelos mudou de olhos e risos mudou de casa
e de tempo: mas está comigo está

perdido comigo

teu nome

em alguma gaveta


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Marcio Mafra
13/06/2013 às 00:00
Brasília - DF

Ferreira Gullar era, talvez, a figura mais marcante e mais importante da FLIP 2010, em Parati, RJ, que foi realizada no mês de agosto. Ele desfilou como uma personalidade rara, cara e com muita simpatia. Confesso que torço o nariz para a grande maioria dos poetas, claro com as exceções da praxe como João Cabral de Melo Neto, Camões, Dante Alighieri, Drumond , Cecilia Meireles e outros menos votados. Nunca tinha me dado o trabalho de ler Ferreira Gullar, nem na sua coluna do jornal O Globo. Achava ele um chato de galocha. Mesmo tendo assistido a sua apresentação na FLIP, não mudei minha opinião. Na livraria que funcionava anexa ao pavilhão da  FLIP, perguntei qual o melhor livro dele e me indicaram “Poema Sujo.” Comprei por obrigação. Deixei o livro na fila de leituras. Em abril de 2013 fiz uma viagem à Italia e levei o livro para leitura de bordo. Desde então coloquei o nome do poeta na lista dos maiorais que citei antes. Ele é mesmo um craque, um campeão, um poeta maior.


 

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