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Garota Exemplar

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Garota Exemplar

Livro Excelente - 3 opiniões

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Autor: Gillian Flynn

Editora: Intrínseca

Assunto: Romance

Traduzido por: Alexandre Martins

Páginas: 446

Ano de edição: 2013

Peso: 605 g

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Excelente
F. Mafra
22/08/2014 às 21:51
Brasília - DF
Simplesmente fantástico.
O livro prende o leitor do inicio ao fim.
Narrativa solta, fácil, envolvente.
Conta a saga do casal Nick e Amy. Um casal que vivia fingindo ser feliz como já haviam sido um dia. E a historia começa quando Nick resolve ir morar na cidade onde nasceu, no Missouri, já que estava desempregado e desesperançado, e por causa dos pais, que estavam doentes. Mas algo estranho acontece e Amy some misteriosamente. E a partir de então não apenas a policia investiga o que aconteceu, como o próprio Nick e sua irmã Go. Quebra cabeça montado pelo autor é perfeito, intrigante, ousado, fantástico. Quem começar a ler não vai conseguir largar.
“Tenho uma amante. Este é o momento que tenho que contar que tenho uma amante e você para de gostar de mim. Se é que gostava antes de mim. Tenho uma amante bonita, jovem, muito jovem, e seu nome é Andie. Eu sei. Isso é ruim.”

Excelente
Rodrigo Soares
03/06/2013 às 10:58
Samambaia - DF
Este livro é Excelente!

Excelente
Marcio Mafra
13/05/2013 às 22:33
Brasília - DF
Gillian Flynn, em Garota Exemplar criou uma história muito boa. Tudo gira em torno de Amy, personagem mais importante do livro, mulher jovem, bonita, fútil, com dinheiro fácil tanto pela família como pelo sucesso do livro que escrevera. Loura e inteligente, casada com Nick – personagem igualmente importante – que estando desempregado, se muda para uma cidade do interior, lugar onde morava o seu pai. Nick pretendia dar-lhe assistência, pois o pai era idoso e doente terminal. Para trabalhar ele resolveu comprar um bar e para isso tomou emprestado dinheiro de sua mulher. Nick era o típico marido ausente. Amy a típica mulher insatisfeita e vingativa. Eles formam um casal completamente dependente da loucura um do outro. No dia do aniversário de casamento Amy desaparece e, ao que tudo indica, foi Nick que deu cabo da vida dela. O ritmo da história é maravilhoso. Cada personagem vai narrando a sua história em capítulos alternados. Tem suspense, mistério, amor, vingança, problemas e suspeitas em todos os capítulos. O final é fantástico. O livro, o argumento, a história e principalmente a autora são nada menos que excelente. Essa é uma leitura que vale.

Marcio Mafra
13/05/2013 às 00:00
Brasília - DF

A história de Nick e Amy, casal empanturrado de problemas afetivos e amorosos. Ambos desempregados. Ela, jovem, bonita e loura é escritora que fez sucesso. Nunca conviveu com falta de dinheiro, mas é completamente doida em termos de vida, embora disciplinada e muito inteligente. Ele se muda com a mulher para uma cidade do interior, pretextando cuidar de seu pai que está quase morrendo. A casa deles fica às margens do Rio Mississipi. Para ganhar a vida Nick compra um bar decadente, utilizando dinheiro tomado emprestado de sua mulher. No dia do 5º aniversário de casamento, Amy desaparece sem deixar pistas. Nick é o principal suspeito.

Marcio Mafra
13/05/2013 às 00:00
Brasília - DF

Amy Elliot Dunne
O DIA DO

Estou muito mais feliz agora que estou morta.

Tecnicamente, desaparecida. Em breve, considerada morta. Mas para simplificar, digamos morta. São apenas horas, mas já me sinto melhor: articulações soltas, músculos relaxados. Em dado momento desta manhã me dei conta de que meu rosto parecia estranho, diferente. Olhei pelo retrovisor - a horrenda Carthage setenta quilômetros atrás de mim, meu marido auto-suficiente fazendo hora em seu bar pegajoso enquanto a tragédia balança em uma fina corda de piano logo acima de sua cabeça alienada de merda - e percebi que estava sorrindo. Rá. Isso é novidade.

Minha lista de tarefas para hoje - uma das muitas listas que fiz no último ano - está no banco do carona, uma gota de sangue ao lado do item 22: me cortar. Mas Amy tem medo de sangue, dirão os leitores do diário. (O diário, sim! Vamos chegar ao meu brilhante diário.) Não, não tenho, nem um pouco, mas no último ano fiquei dizendo que tinha.
Disse a Nick provavelmente meia dúzia de vezes como tinha medo de sangue, e quando ele falou "Não me lembro de você ter tanto medo de sangue", retruquei: "Eu disse a você, disse tantas vezes!" Nick tem uma memória tão ruim para os problemas dos outros que simplesmente
supôs que era verdade. Desmaiar no centro de doação de plasma foi um belo toque. Eu realmente fiz aquilo, não simplesmente escrevi que fiz. (Não se preocupe, vamos esclarecer isto: a verdade, a não verdade, e o que pode muito bem ser verdade.)

O item 22, me cortar, está na lista há muito tempo. Agora é real, e meu braço dói. A pessoa precisa ter uma disciplina muito especial para se cortar além da camada do corte de papel, até o músculo. Você quer muito sangue, mas não a ponto de fazer você desmaiar, e ser encontrada
horas depois em uma piscina infantil de sangue com muitas explicações a dar. Primeiro levei um estilete ao pulso, mas olhando para aquela rede de veias eu me senti como uma especialista em bombas em um filme de ação: corte a linha errada e você morre. Acabei me cortando na parte interna do braço, mordendo um pano para não gritar. Um bom corte comprido e fundo. Sentei de pernas cruzadas no chão da cozinha por dez minutos, deixando o sangue escorrer até fazer uma poça densa e bela. Depois limpei tão mal quanto Nick teria feito depois de esmagar minha cabeça. Queria que a casa contasse uma história de conflito entre verdadeiro e falso; a cena na sala de estar parece forjada, mas o sangue foi limpo: não pode ser Amy!

Então a automutilação valeu. Ainda assim, horas depois, o corte queima sob a manga, abaixo do torniquete. (Item 30: faça um curativo com cuidado, garantindo que nenhum sangue pingou onde não deveria. Enrole o estilete e guarde no bolso para jogar fora depois.)

Item 18: Forjar a cena na sala de estar. Virar divã. Confere.

Item 12: Embrulhar a primeira pista em sua caixa e a colocar fora do caminho para que a polícia a encontre antes que o marido tonto pense em procurar por ela. Ela tem de fazer parte do registro policial. Quero que ele seja obrigado a iniciar a caça ao tesouro (seu ego fará com que termine). Confere.

Item 32. Vestir roupas comuns, enfiar cabelos em um chapéu, descer a margem do rio e andar rapidamente pela beirada, a água batendo centímetros abaixo, até chegar ao limite do condomínio. Fazer isso embora saiba que os Teverer, únicos vizinhos com vista para o rio, estarão na igreja. Fazer isso porque nunca se sabe. Você sempre dá o passo a mais que os outros não dão, você é assim.

Item 29: Dizer adeus a Bleecker. Sentir seu halitozinho fedido de gato pela última vez. Encher sua tigela de comida para o caso de as pessoas se esquecerem de alimentá-lo quando tudo começar.

Item 33: Cair fora. Confere, confere, confere.

Posso contar mais sobre como fiz tudo, mas antes quero que você me conheça. Não a Amy do Diário, que é uma obra de ficção (e Nick disse que eu não era escritora de verdade, por que um dia o escutei?), mas eu, a Verdadeira Amy. Que tipo de mulher faria tal coisa? Deixe-me contar uma história para você, uma história de verdade, para que comece a compreender.

Para início de conversa: eu nunca deveria ter nascido. Minha mãe teve cinco abortos e dois bebês natimortos antes de mim.
Um por ano, no outono, como se fosse uma tarefa da estação, como rotação de culturas. Todas as meninas; todas chamadas Esperança. Tenho certeza de que foi sugestão do meu pai - seu impulso otimista, sua seriedade descolorida: Não podemos perder a esperança, Marybeth. Mas perder a Esperança foi exatamente o que eles fizeram, repetidamente.

Os médicos ordenaram que meus pais parassem de tentar; eles se recusaram. Não são pessoas que desistem. Tentaram e tentaram, e então vim eu. Minha mãe não esperava que eu sobrevivesse, não conseguia pensar em mim como um bebê real, uma criança viva, uma garota que poderia ir para casa. Eu teria sido Esperança 8 caso as coisas tivessem dado errado. Mas vim ao mundo berrando, rosa-néon, elétrica. Meus pais ficaram tão surpresos que se deram conta de que não haviam discutido um nome, não um nome de verdade, para uma criança de verdade. Durante meus dois primeiros dias no hospital eles não me deram um nome. Toda manhã minha mãe ouvia a porta do quarto se abrir e sentia a enfermeira esperando no umbral (sempre a imaginei vintage, com saias brancas sacudindo e um daqueles chapéus dobrados parecidos com caixa de comida chinesa). A enfermeira ficava ali esperando, e minha mãe perguntava sem nem sequer erguer os olhos: "Ela ainda está viva?"

Quando permaneci viva, eles me chamaram de Amy, porque era um nome comum de garota, um nome popular de garota, um nome que mil outros bebês receberam naquele ano, de modo que talvez os deuses não percebessem aquele pequeno bebê aninhado entre os outros. Marybeth disse que se fosse refazer tudo, teria me chamado de Lydia.

Cresci me sentindo especial, orgulhosa. Eu era a garota que lutara contra o esquecimento e vencera. As chances eram de um por cento, mas eu consegui. No processo, arruinei o útero de minha mãe minha própria terra pré-natal arrasada. Marybeth nunca teria outro filho.
Quando criança, eu sentia um grande prazer com isso: apenas eu, apenas eu, só eu.

Minha mãe tomava chá quente nos dias dos nascimentos-mortes das Esperanças, sentada em uma cadeira de balanço com um cobertor, e dizia estar apenas "passando um tempo comigo mesma". Nada dramático, minha mãe é sensível demais para cantar lamentos, mas ficava pensativa, se distanciava, e eu não aceitava isso, coisinha carente que eu era. Subia no colo dela, enfiava um desenho a lápis de cor no rosto dela, ou a lembrava de uma autorização para a escola que precisava de atenção imediata. Meu pai tentava me distrair, tentava me levar ao cinema ou me comprar com doces. Não importava qual fosse o artifício, não funcionava. Eu não daria à minha mãe aqueles poucos minutos.

Sempre fui melhor que as Esperanças, eu era aquela que conseguira. Mas também sempre fui ciumenta, sempre - sete princesas dançantes mortas. Elas podem ser perfeitas sem nem ao menos tentar, sem nem ao menos enfrentar um momento de existência, enquanto eu estou presa aqui na Terra, e todo dia devo tentar, e todo dia é uma chance de ser menos que perfeita.

É uma forma exaustiva de viver. Vivi assim até os trinta e um anos. E então, por uns dois anos, tudo ficou bem. Por causa de Nick. Nick me amava. Um tipo de amor com oito as: ele me amaaaaaava.

Mas ele não amava a mim, eu mesma. Nick amava uma garota que não existe. Eu estava fingindo, como muitas vezes fazia, fingindo ter uma personalidade. Não consigo evitar, foi o que sempre fiz: assim como algumas mulheres trocam de estilo regularmente, eu troco de personalidade. Qual persona parece boa, qual é cobiçada, qual está em voga? Acho que a maioria das pessoas faz isso, apenas não admite, ou se acomoda em uma persona porque é preguiçosa ou burra demais para mudar.

Naquela noite da festa no Brooklyn eu estava interpretando a garota que tem estilo, a garota que um homem como Nick quer: a Garota Legal. Os homens sempre dizem isso como o elogio definidor, não é?
Ela é uma garota legal. Ser a Garota Legal significa que eu sou uma mulher gostosa, brilhante, divertida, que adora futebol, pôquer, piadas indecentes e arrotos, que joga video game, bebe cerveja barata, adora ménage à trois e sexo anal e enfia cachorros-quentes e hambúrgueres na boca como se fosse anfitriã da maior orgia gastronômica do mundo ao mesmo tempo em que de alguma forma mantém um manequim 36, porque Garotas Legais são acima de tudo gostosas. Gostosas e compreensivas. Garotas Legais nunca ficam com raiva. Apenas sorriem de uma forma desapontada e amorosa e deixam seus homens fazerem o que quiserem. Vá em frente, me sacaneie, não ligo, sou a Garota Legal.

Os homens realmente acham que essa garota existe. Talvez se deixem enganar porque muitas mulheres estão dispostas a fingir ser essa garota. Durante muito tempo a Garota Legal me ofendeu. Eu costumava ver homens - amigos, colegas de trabalho, estranhos - babarem por essas medonhas mulheres fingidas, e eu queria sentar com esses homens e dizer calmamente: Você não está saindo com uma mulher, você está saindo com uma mulher que viu filmes demais escritos por
homens socialmente estranhos que gostariam de acreditar que esse tipo de mulher existe e poderia beijá-los. Tinha vontade de agarrar o pobre coitado pela lapela ou mochila e dizer: A piranha na verdade não gosta tanto de cachorros-quentes com chili - ninguém gosta tanto de cachorros-quentes com chili! E as Garotas Legais são ainda mais patéticas: elas nem sequer fingem ser a mulher que querem ser, fingem ser a mulher que um homem quer que elas sejam. Ah, e se você não é uma Garota Legal, imploro que você não acredite que seu homem não quer a Garota Legal. Pode ser uma versão ligeiramente diferente - talvez ele seja vegetariano, então a Garota Legal adora carne de soja e é ótima com cachorros; ou talvez seja um artista de vanguarda, de modo que a Garota Legal é uma nerd tatuada e de óculos que adora revistas em
quadrinhos. Há variações na fachada, mas, acredite em mim, ele quer a Garota Legal, que é basicamente a garota que gosta das mesmas merdas que ele e nunca reclama. (Como você sabe que não é a Garota Legal? Porque ele diz coisas como "gosto de mulheres fortes". Se ele diz isso a você, em algum momento irá trepar com outra. Por que "gosto de mulheres fortes" é código para "odeio mulheres fortes".)

Esperei pacientemente - anos - para que o pêndulo oscilasse para o outro lado, para que os homens começassem a ler Jane Austen, aprendessem a tricotar, fingissem amar a revista Cosmopolitan, organizassem festas de scrapbooks e dessem uns amassos entre si enquanto nós assistíamos, babando. E então diríamos: É, ele é um Cara Legal.

Mas isso nunca aconteceu. Em vez disso, mulheres de todos os Estados Unidos conspiraram para nossa degradação! Em pouco tempo a Garota Legal se tornou a garota-padrão. Os homens acreditaram que ela existia - não era apenas uma garota dos sonhos em um milhão.
Toda garota tinha que ser essa garota, e, se você não era, então havia algo de errado com você.

Mas é tentador ser a Garota Legal. Para alguém como eu, que gosta de vencer, é tentador querer ser a garota que todo cara deseja. Quando conheci Nick, soube imediatamente que era o que ele queria e, por ele, acho que estava disposta a tentar. Aceito minha parcela de culpa.
A questão é que inicialmente fiquei louca por ele. Eu o achei perversamente exótico, um bom e velho garoto do Missouri. Era muito gostoso tê-lo por perto. Ele despertava em mim coisas que eu não sabia que existiam: uma leveza, um humor, um relaxamento. Era como se ele me esvaziasse e depois me enchesse de penas. Ele me ajudou a ser a Garota Legal - não poderia ter sido a Garota Legal com mais ninguém. Não teria querido. Não posso dizer que não gostei de parte daquilo: comi biscoitos recheados de marshmallow, andei descalça, parei de me preocupar. Assisti a filmes idiotas e comi comidas cheias de aditivos químicos. Não pensei dois lances à frente em relação a tudo, esse foi o segredo. Bebia uma coca e não me preocupava em como reciclar a lata ou com o ácido fermentando em minha barriga, um ácido tão forte que era
capaz de limpar uma moeda. Assistíamos a um filme idiota e eu não me preocupava com O sexismo ofensivo ou a falta de minorias nos papéis principais. Nem sequer me preocupava se o filme fazia sentido. Não me preocupava com nada que vinha depois. Nada tinha consequência, eu estava vivendo o momento, e podia sentir que ficava mais superficial e burra. Mas também feliz.

Até Nick, eu nunca me sentira como uma pessoa de verdade, porque sempre fui um produto. Amy Exemplar tinha de ser brilhante, criativa, gentil, atenciosa, esperta e feliz. Só queremos que você seja feliz. Rand e Marybeth diziam isso o tempo todo, mas nunca explicaram como. Tantas lições, oportunidades e vantagens, e eles nunca me ensinaram como ser feliz. Lembro-me de sempre ficar perplexa com as outras crianças. Eu ia para uma festa de aniversário, via as outras crianças rindo e fazendo caretas, e tentava fazer também, mas não entendia por quê. Ficava sentada ali com o elástico do chapéu de aniversário apertando meu queixo, com a cobertura granulada do bolo deixando meus dentes azuis, e tentava entender por que aquilo era divertido.

Com Nick, finalmente entendi. Porque ele era muito divertido. Era como namorar uma lontra marinha. Foi a primeira pessoa naturalmente feliz que conheci do meu nível. Era brilhante, deslumbrante, engraçado, encantador e encantado. As pessoas gostavam dele. As mulheres o adoravam. Eu achava que seríamos a união perfeita: o casal mais feliz do pedaço. Não que o amor seja uma competição. Mas não entendo a razão de estar junto se não for para serem os mais felizes.

Provavelmente fui mais feliz naqueles poucos anos - fingindo ser outra pessoa - do que jamais fui antes ou depois. Não consigo decidir o que isso significa.

Mas aquilo tinha de terminar, porque não era real, não era eu. Não era eu, Nick! Achei que você soubesse. Achei que fosse uma brincadeira.

Achei que fosse um jogo implícito de piscadelas, de não pergunte, não diga. Tentei muito ser relaxada. Mas era insustentável. E na verdade ele também acabou não conseguindo sustentar o lado dele: as provocações inteligentes, os jogos espertos, o romance, o galanteio. Tudo começou a implodir. Odiei Nick por ficar surpreso quando me tornei eu. Odiei-o por não saber que aquilo tinha de terminar, por realmente acreditar que havia se casado com essa criatura, esse fruto da imaginação de um milhão de homens masturba dores, com dedos cobertos de sêmen. Ele realmente pareceu chocado quando pedi que me escutasse. Não conseguiu acreditar que eu não adorava depilar minha boceta com cera e pagar boquete quando solicitado. Que eu me importava, sim, quando ele não aparecia para os drinques com meus amigos. Aquela grotesca anotação em diário? Eu não preciso de patéticas cenas de macacos amestrados para repetir para minhas amigas; fico satisfeita deixando que ele seja ele mesmo.

Aquilo era pura baboseira de Garota Legal burra. Que estúpida do caralho. Mais uma vez, não entendo: se você deixa um homem desmarcar compromissos ou se recusar a fazer coisas para você, você perde.
Não consegue o que quer. É evidente. Sim, ele pode ficar feliz, pode dizer que você é a garota mais legal que já existiu, mas está dizendo isso porque conseguiu o que ele queria. Está chamando você de Garota Legal para enganar você! É o que os homens fazem: tentam dar a impressão de que você é a Garota Legal para que faça as vontades deles.
Como um vendedor de automóveis dizendo Quanto quer pagar por esta belezinha? quando você ainda não concordou em comprá-la. Aquela frase medonha que os homens usam: "Quer dizer, sei que você não se importaria se eu ... " Sim, eu me importo. Simplesmente diga isso. Não perca, sua imbecil de merda.

Então aquilo tinha de parar. Entregar-me a Nick, me sentir segura com Nick, ser feliz com Nick me fez perceber que havia uma Amy Real ali dentro, e ela era muito melhor, mais interessante, complexa e desafiadora do que a Amy Legal. Mesmo assim, Nick queria a Amy Legal.
Você consegue imaginar, finalmente revelar seu verdadeiro eu ao seu cônjuge, à sua alma gêmea, e ele não gostar de você? E foi assim que o ódio começou. Pensei muito nisso, e foi quando começou, acho.
 


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Marcio Mafra
13/05/2013 às 00:00
Brasília - DF

Quase todas as semanas eu olho a lista dos mais vendidos e suas respectivas críticas, invariavelmente elogiosas. 

Claro que estou vacinado paranão comprar besteira bem elogiada. Mesmo assim de quando em vez caio numa roubada.

Meio desconfiado, comprei Garota Exemplar. O titulo não podia ser mais ridículo. No original é Gone Girl. Foi um risco calculado.


 

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