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O Lado Bom da Vida

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O Lado Bom da Vida

Livro Ótimo - 1 opinião

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Autor: Matthew Quick

Editora: Intrínseca

Assunto: Romance

Traduzido por: Alexandre Raposo

Páginas: 254

Ano de edição: 2012

Peso: 410 g

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Ótimo
Marcio Mafra
07/04/2013 às 00:03
Brasília - DF
Pat, o personagem central do “Lado Bom da Vida” não sabe, nem se lembra por que foi parar num hospital psiquiátrico. Mas a mãe dele o trouxe para casa, na tentativa de fazê-lo lembrar de tudo e voltar a ter uma vida normal. Geralmente romances que tratam de assuntos ligados a psiquiatria são tristes. Tristes e chatos, porque narrar loucura ou vida de louco não é a mesma coisa que uma história do tipo “Domingo Alegre da Bondade”. Neste livro, porém, Matthew Quick demonstra que é autor de talento. Ele consegue contar uma história sem se fixar na tristeza ou no sofrimento que esse tipo de doença inflige. A narrativa é muito dinâmica, a leitura tem muito ritmo e o final não é facilmente previsível. O leitor só fica “perdido” quando o autor fala dos jogos, das disputas e da transmissão dos campeonatos do futebol americano, coisa que brasileiro nenhum entende.

Marcio Mafra
07/04/2013 às 00:00
Brasília - DF

A história de Pat Peoples, que tenta recuperar a memória. Pat é um cara que não sabe o que aconteceu com ele, nem mesmo quando teve “alta” de um hospital psiquiátrico, que ele chama de “lugar ruim”. Fora do hospital ele tenta refazer a vida e se recorda muito de Nikki, sua amada esposa, por quem ainda é apaixonado. Tem sérios problemas de relacionamento com seu pai – que parece meio doido – mas tem também o carinho e a dedicação da mãe para que volte a ser normal.

Marcio Mafra
07/04/2013 às 00:00
Brasília - DF

 

Suportando a imundície relativa

Quando peço para ver as fotos do casamento de Jake, minha mãe se faz de boba.

- Que fotos de casamento? - pergunta ela.

Mas quando digo para ela que conheci Caitlin - que almoçamos juntos e que eu já aceitei a existência de minha cunhada -, minha mãe parece aliviada e diz:

- Bem, então acho que posso pendurar as fotos do casamento novamente.

Ela me deixa sentado na sala de estar, junto à lareira. Quando volta, ela me entrega um pesado álbum de fotos encadernado em couro branco e começa a dispor grandes porta-retratos sobre o consolo da lareira: fotos de Jake e Caitlin anteriormente escondidas para o meu bem. Enquanto folheio as páginas do álbum de casamento do meu irmão, minha mãe também pendura alguns retratos de Jake e Caitlin nas paredes.

- Foi um dia lindo, Pato Todos queríamos que você estivesse lá.

A imensa catedral e a recepção luxuosa indicam que a família de Caitlin deve ter o que Danny chama de "bufunfa", então pergunto o que o pai de Caitlin faz da vida.

- Durante anos, ele foi violinista da Filarmônica de Nova York, mas agora dá aulas na escola de música Juilliard. Teoria musical. O que quer que isso signifique. - Mamãe termina de pendurar as fotos emolduradas e se senta ao meu lado no sofá. - Os pais de Caitlin são gente boa, mas não são realmente o nosso tipo de gente, o que se tornou dolorosamente óbvio durante a recepção.

Como eu me saí nas fotos?

Nas fotos, minha mãe está usando um vestido marrom-chocolate e uma faixa vermelho-sangue sobre os ombros nus. A cor de seu batom combina perfeitamente com a da faixa, mas ela está usando muita maquiagem nos olhos, o que a faz parecer um guaxinim. Por outro lado, seu cabelo está arrumado com aquilo que Nikki chamaria de "um penteado clássico" e está muito bonito, então digo à minha mãe que ela é muito fotogênica, o que a faz sorrir.

O rosto do meu pai está tenso. Ele não parece à vontade em nenhuma das fotos, então pergunto se ele aprova Caitlin.

- No que diz respeito a seu pai, ela vem de um mundo diferente, e ele não gostou nem um pouco de interagir com os pais dela, mas está feliz por Jake, do jeito não expressivo dele, mas está - diz mamãe. - Ele entende que Caitlin faz seu irmão feliz.

Isso me faz pensar em como meu pai estava estranho no meu casamento, recusando-se a falar com alguém a menos que falassem com ele primeiro, e só então respondendo com monossílabos. Lembro-me de ter ficado com raiva de meu pai durante o jantar de ensaio do casamento, porque ele nem sequer olhava para Nikki, muito menos interagia com a família dela. Lembro­me de minha mãe e meu irmão me dizendo que papai não lidava bem com mudanças, mas a explicação dos dois não significou nada para mim até o dia seguinte.

No meio da missa, o padre perguntou às pessoas presentes se elas incluiriam Nikki e eu em suas orações, e, conforme fomos instruídos, nos voltamos para ouvir a resposta. Instintivamente olhei para meus pais, curioso em saber se meu pai diria a palavra "incluiremos" com todos os outros presentes, como era esperado, e foi aí que eu o vi enxugar os olhos com um lenço e morder o lábio inferior. Seu corpo inteiro tremia de leve, como se ele fosse um velho.

Foi uma visão muito estranha, meu pai chorando durante um casamento que até então parecia deixá-lo tão irritado. Aquele mesmo homem, que nunca demonstrava outra emoção além de raiva, estava chorando. Continuei olhando para meu pai e, quando se tornou óbvio que eu não voltaria a olhar para o padre, Jake, que era meu padrinho, teve de me dar uma cutucada para quebrar o encanto.

Sentado no sofá com minha mãe, pergunto:

- Quando Caitlin e Jake se casaram?

Minha mãe me olha de um modo estranho. Ela não quer mencionar a data.

- Sei que o casamento aconteceu enquanto eu estava no lugar ruim, e também sei que estive lá durante anos. Já aceitei isso.

- Tem certeza de que você quer mesmo saber a data?

- Eu aguento, mamãe.

Ela olha para mim por um segundo, tentando decidir o que fazer, mas depois diz:

- Foi no verão de 2004. Sete de agosto. Eles estão casados há pouco mais de dois anos.

- Quem pagou pelas fotos do casamento?

Minha mãe ri.

- Você está brincando? Seu pai e eu jamais poderíamos pagar um álbum de casamento tão chique. Os pais de Caitlin foram muito generosos, montaram o álbum para nós, permitiram que ampliássemos as fotos que nós queríamos e ...

- Eles deram os negativos para vocês?

- Por que eles nos dariam ...

Ela deve ter visto a expressão que toma conta do meu rosto, porque para de falar imediatamente.

- Então, como você substituiu as fotos depois que o ladrão veio e roubou todas as fotos emolduradas da casa?

Minha mãe pensa na melhor forma de responder enquanto espero por seu argumento. Ela começa a morder o interior de sua bochecha, como faz às vezes quando está ansiosa. Depois de um segundo, calmamente me diz:

- Liguei para a mãe de Caitlin, contei a ela sobre o roubo, e ela mandou fazer cópias na mesma semana.

- Então, como você explica isso? - digo, antes de tirar as fotos emolduradas do meu casamento com Nikki de trás da almofada, na outra extremidade do sofá.

Quando minha mãe não diz nada, eu me levanto e devolvo minha fotografia de casamento ao seu lugar de direito sobre o consolo da lareira. Em seguida, na parede junto à janela da frente, volto a pendurar a foto da minha família reunida em torno de Nikki em seu vestido de noiva, o véu branco espalhando-se pela grama em direção à câmera.

- Eu encontrei a caixa "Pat", mãe. Se você realmente odeia Nikki tanto assim, é só me falar que penduro os retratos no sótão, onde durmo.

Minha mãe não diz nada.

- Você odeia Nikki? E se odeia, por quê?

Minha mãe não olha para mim. Ela passa as mãos pelo cabelo.

- Por que você mentiu para mim? Sobre o que mais você mentiu?

- Desculpe-me, Pato Mas eu menti para ...

Mamãe não diz por que mentiu. Em vez disso, começa a chorar novamente. Durante muito tempo, fico junto à janela olhando para a casa dos vizinhos do outro lado da rua. Parte de mim quer consolar mamãe - quer que eu sente ao lado dela e estenda um braço sobre seus ombros, especialmente porque sei que meu pai não fala com ela há mais de uma semana e está feliz pedindo comida em casa três vezes ao dia, lavando a própria roupa e suportando a imundície relativa. Peguei minha mãe arrumando aqui e ali, e sei que ela está um pouco aborrecida porque seu plano não está funcionando como ela esperava. Mas também estou bravo com minha mãe por ela ter mentido para mim, e mesmo que eu esteja praticando ser gentil em vez de ter razão, não consigo reconfortá-Ia agora.

Afinal, deixo minha mãe chorando no sofá. Troco de roupa e, quando saio para correr, Tiffany está me esperando. 


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Marcio Mafra
07/04/2013 às 00:00
Brasília - DF

: Livro que em março de 2013 – de repente - apareceu nas listas dos mais vendidos nas cidades de São Paulo, Rio e Brasília. Comprei  imediatamente “O Lado Bom da vida”, pois Best seller é assim, compra-se logo: ou é excelente ou uma grande porcaria.


 

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