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O Professor do Desejo

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O Professor do Desejo

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Autor: Philip Roth

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Romance

Traduzido por: Jorio Dauster

Páginas: 251

Ano de edição: 2013

Peso: 325 g

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Marcio Mafra
01/03/2013 às 23:29
Brasília - DF
Philip Roth é um campeão, um craque da literatura. Escreveu mais de 100 livros. Ganhou mais de uma dúzia de importantes prêmios internacionais de literatura. Mas nem por isso “O Professor do Desejo” não é um livro fácil. Pelo contrário. Também não é simplório. Logo no início o livro não passa muito dos velhos clichês – absolutamente vulgares – da fantasia sexual masculina. David Kapesh, um judeu estereotipado, professor de literatura, é o personagem principal, intelectual, por vezes kafkaniano e ao mesmo tempo filósofo, que dá tratos ao amor e a luxúria, por isso vive em sérios conflitos existenciais. As descrições dos personagens e de suas fantasias sexuais e não sexuais, por vezes são bizarras. O Professor Kepesh fala sobre sua infância vivida num hotel, sobre a vidinha de estudante universitário e sobre o começo de sua carreira acadêmica. No começo ele era um “desastre” com as mulheres, depois ganha uma bolsa e viaja para estudar na Inglaterra, quando se descobre um garanhão e realiza as suas fantasias sexuais. Não é uma leitura gostosa. Mas é intrigante.

Marcio Mafra
01/03/2013 às 00:00
Brasília - DF

A história de David Kepesh, professor de literatura que revive (ou relembra)suas aventuras eróticas, quando seduz uma estudante e revive (ou remoi) seu tempo de boêmia. Ele era assim: de dia bom professor. De noite garanhão. Ele parece viver entre instinto sexual e a intelectualidade própria de um professor universitário.

Marcio Mafra
05/03/2013 às 00:00
Brasília - DF

Esse cavalheirismo de Arthur seria objeto de pena ou inveja? Será que meu antigo mentor e atual benfeitor tem um quê de mentiroso, um quê de masoquista? Ou apenas está apaixonado? Ou será que Debbie, com seu jeito travesso algo desmedido e a aparência bonita mas um pouco desleixada, representa o toque de falta de decoro que torna suportável uma vida asfixiantemente impoluta?
"Vulvaridade" é o diagnóstico de Ralph Baumgarten, nosso poeta em residência, e "amantes da vulvaridade" - a classe de maridos na qual o versejador solteiro enquadra Arthur Schonbrunn - são aqueles que se sujeitam servilmente a padrões de boas maneiras e respeitabilidade que, no entender de Baumgarten, foram estabelecidos por gerações de mulheres a fim de desarmar e domesticar os homens. Domesticação à qual o poeta claramente não se submete. Tendo a concordar com Baumgarten que ele será dispensado após o término de seu contrato tanto por causa da atitude decididamente desrespeitosa que demonstra para com o sexo oposto como por suas predileções sexuais em geral. No entanto, se por conta de seu comportamento ele atraiu o desprezo de alguns colegas e suas esposas, isso não o tornou menos desabrido com aquilo de que gosta e como gosta. Para ele, a notoriedade parece constituir boa parte da diversão.
"Peguei uma garota no Modern Museum e, na saída, encontramos seus amiguinhos, Kepesh. A Debbie levou a garota para o banheiro a fim de extrair dela tudo que podia sobre mim, e Arthur, em meio aos gracejos de praxe, perguntou há quanto tempo eu e Rita éramos amigos. Respondi que há cerca de uma hora e meia. Disse-lhe que estávamos saindo porque o museu não oferecia nenhum cantinho confortável onde pudéssemos fazer um meia-nove. Perguntei então o que ele achava da bundinha gostosa de Rita e ele não comentou nada. Em vez disso, me deu uma lição de moral sobre a compaixão."
Não há dúvida de que Baumgarten lança uma rede enorme para pegar seus lambaris. Quando caminhamos pelas ruas de Nova York, raramente passa uma mulher com menos de cinquenta ou mais de quinze anos sem que ele tente obter alguma informação que faz parecer absolutamente vital para sua sobrevivência. "Poxa, que beleza de casaco!", diz, abrindo um enorme sorriso para a jovem que, vestida num casaco de pele vagabundo, empurra um carrinho de bebê. "Ah, obrigada." "Posso perguntar de que pele de animal ele é feito? Nunca vi um assim antes."
"Este? É de pele artificial." "Jura?" Em pouco tempo, ele está à beira do assombro (por sinal não de todo fingido) ao saber que aquela mulher ainda tão jovem vestindo casaco de pele artificial já se divorciou, é mãe de três crianças pequenas e abandonou os estudos numa universidade situada a mais de três mil quilômetros dali. "Ouviu isso, Dave? Essa aqui é a Alice. Alice nasceu em Montana - e está aqui empurrando um carrinho de bebê em plena Nova York!" E, tanto quanto Baumgarten, a jovem mãe parece agora ela própria um tanto surpresa de ter vencido tamanha distância em apenas vinte e quatro anos.
O sucesso com estranhos, Baumgarten me informa, consiste em nunca lhes fazer uma pergunta que não possa ser respondida sem pensar, e então prestar toda a atenção na resposta, por mais trivial que seja. "Lembre-se de quando representava o papel de James, Kepesh, e dramatize, dramatize. Faça as pessoas entenderem que o que elas são, de onde vêm e o que estão usando é interessante. De certo modo, até mesmo importante. Isso é compaixão. E, por favor, nada de ironias, está bem? O problema é que você afasta as pessoas com sua extraordinária atração pela complexidade das coisas. Minha experiência é que as mulheres que encontramos na rua não são chegadas a uma ironia. Na verdade, ficam danadas com qualquer ironia. Querem atenção. Querem ser apreciadas. Certamente não desejam entrar numa competição de inteligência com você, garotão. Guarde toda essa sutileza para seus ensaios críticos. Quando for para a rua, trate de se abrir. É para isso que as ruas servem."
Durante meus primeiros meses na universidade, descubro que, quando o nome de baumgarten é mencionado nas reuniões do círculo de professores, há sempre alguém que não suporta nem vê-l o e está mais do que pronto a dizer por quê. Debbie Schonbrunn sustenta que o "pavor residente" seria cômico se não fosse tão - a palavra é uma das preferidas dela e de Arthur - "destrutivo". Naturalmente, eu não preciso dizer nada em resposta, bastaria tomar meu drinque e voltar a Nova York. "Ah, ele não é tão mau assim", digo a ela. "Na verdade", acrescento, "até gosto dele." "E o que você vê nele para gostar?" Vá para casa, Kepesh. Seu lugar é naquele apartamento vazio; entre esta discussão predizível e aqueles aposentos afrescalhados, não há dúvida de onde você estará melhor. "O que ele tem para se desgostar tanto dele?", retruco. "Por onde devo começar?", diz Deborah. "Para início de conversa, seu desprezo pelas mulheres. Ele é um conquistador barato, sem a menor consciência. Odeia as mulheres." "Pois eu acho que ele gosta delas um bocado."
"David, você está sendo insincero e do contra, até mesmo umpouco hostil, e não consigo entender por quê. Ralph Baumgarten é um horror, assim como sua poesia. Nunca li nada tão desprovido de calor humano em toda a minha vida. Leia o primeiro livro dele e veja você mesmo o quanto ele gosta das mulheres."
"Bem, ainda não li nada dele" - mentira - "mas almoçamos algumas vezes. Tanto quanto eu possa ver, ele não é tão censurável. Quem sabe, Deborah, a poesia não retrata o verdadeiro homem?" "Ah, retrata sim: os versos são maldosos, presunçosos arrogantes e realmente bem idiotas. E que dizer do 'homem'?
Aquele jeito de andar deslizanie; aqueles uniformes do Exército; aquela cara - na verdade ele não tem uma cara, não é? Só aqueles olhos mortiços e um esgar de riso grosseiro. O mistério é como alguma garota possa até mesmo chegar perto dele." "É, ele deve ter alguma coisa a mais." "Ou elas têm alguma coisa a menos. Ora, você tem uma elegância inata e ele é uma ave de rapina até nas garras. Por que quer se associar minimamente a ele ... " "Me dou bem com ele", digo, sacudindo os ombros, e só agora termino o drinque a fim de tomar o caminho de casa.
Em breve fico sabendo o que os poderes de observação de Debbie descobriram durante nossa conversa. É sem dúvida o que eu devia haver esperado, e provavelmente o que mereço. Assim, a única surpresa é a minha surpresa - isso e a vulnerabilidade.
Durante um jantar na casa dos Schonbrunn, a anfitriã anunciou a todos os convivas que Baumgarten se tornara o "alter ego" de David Kepesh, "realizando as fantasias de agressão às
mulheres" que ele passou a ter por causa de seu casamento e da maneira "angustiante" como tudo havia terminado. O fim "angustiante" em Hong Kong - a cocaína, os policiais, os arranjos -, bem como alguns pormenores do começo e do meio, foram então narrados para conhecimento de todos. Soube disso por um homem muito simpático, presente ao jantar, que não faz parte da história e imaginou que me fazia um favor.


  • O Clamor do Sexo

    Autor: Bernardo Scartezini

    Veículo: Correio Braziliense, Diversão & Arte, Pagina 6, Brasilia, sábado 2 de março de 2013

    Fonte: Jornal Correio Braziliense

    Philip Roth é um sujeito discreto. Dia desses, outubro passado, numa entrevista para a revista pop francesa Les Inrockuptibles, ele comentou que estava se aposentando. Não fez maiores alardes. Já tinha escrito o suficiente, disse, melhor parar por aqui.
    "Fiz o melhor com o que eu tinha em mãos", sentenciou, tomando de volta para si as palavras que colocou na letra de - Bucky Cantor, narrador.e protagonista daquele que - pelo jeito - será o último livro de Phílíp.Roth, Nêmesis (2010)
    A ficha só começou a cair quando uma publicação vetusta, o jornal Le Monde, foi atrás do camarada para confirmar a notícia. E era isso mesmo. Philip Roth, que completará 80 anos em março, está decidido a parar de escrever. Tão prolífico ao longo das últimas duas décadas, ele hoje conta não ter escrito mais nada desde Nêmesis. Nem acha provável que volte a escrever.
    O leitor brasileiro, no entanto, antes de se ver órfão deste que é considerado um dos maiores romancistas contemporâneos, pode aproveitar que a obra de Philip Roth está quase integralmente publicada e disponível no mercado nacional. É hora de ler, reler Philip Roth. Mais do que nunca.
    Pode-se começar por O professor do desejo. Publicado originalmente em 1977, a última edição brasileira tinha sido em 1987, pelo Círculo do Livro, em tradução de Mendonça Taylor. A Companhia das Letras o recoloca no mercado, sob tradução do experiente Jorio Dauster (que já se exercitara por Nabokove Salinger).
    O professor do desejo traz David Kepesh, UIl). personagem recorrente para Roth. Ele nos tinha sido apresentado primeiro em O seio (1972), atualmente fora de catálogo no Brasil, e anos mais tarde voltaríamos a Kepesh para O animal agonizante (2001); facilmente encontrado em edição da Companhia.
    David Kepesh foi criado no hotel de veraneio mantido por seus pais e frequentado basicamente por judeus de origem húngara, como o são os próprios Kepesh. Dali, seguiremos o rapaz quando ele for para Nova York estudar na universidade e de lá passar urna temporada em Londres para aprimorar seus pendores acadêmicos.
    Mas o interesse primordial do jovem David Kepesh estava em fazer sexo. Ele ganha uma baita oportunidade para afinar seu repertório quando vai morar na companhia de duas garotas suecas que estavam por Londres se virando em pequenos empregos. Elas não trabalhavam direito, Kepesh não estudava nem a pau.
    O interlúdio a três, porém, será abreviado por um incidente que não convém contar por aqui. Kepesh voltará aos puritanos Estados Unidos e se tomará professor de literatura. O ambiente acadêmico também tem suas tensões sexuais, mas o bravo Kepesh apostará nas benesses da monogamia - e se unirá a uma colega professora ...
    Nesse momento, O professor do desejo corre o risco de se transformar num "romance de formação", de se transformar num desses livros que acompanham os tropicões de um personagem no árduo caminho da maturidade, coisa e tal.
    Philip Roth não cai nessa, não. Ele não deixará Kepesh vencer seus "demônios", para usar um termo empregado pelo próprio professor. Em última instância, isso seria o mesmo que
    matá-lo. São esses demônios que o fazem ser digno de nosso interesse. E eles podem preparar diversas armadilhas para o afeto e a libido. Como, por exemplo, o lodoso tédio matrimonial quando se abre num inferno cotidiano - do qual o nosso herói ali adiante provará.
    Ao fim do livro, anos depois do início de sua narrativa, deixamos Kepesh tão confuso e atordoado quanto em sua juventude. Um pouco mais apaziguado, talvez, mas nem um
    pouco bem-resolvido. Afinal, este é aquele camarada que uma certa manhã, ao acordar de sonhos intranquilos, se verá repentinamente metamorfoseado em um peíto gigante na kafkiana novela O seio.

    Kafka e Tchekhov

    As relações de O professor do desejo com O seio e Animal agonizante são naturais e passam pelo talento do autor em revisitar um personagem de tempos em tempos, a cada vez atribuindo a ele novos interesses e novos aspectos pessoais. Roth também faz isso com excelência quando reencontra o personagem Nathan Zuckerman, criado no fim dos anos 1970 e retomado periodicamente ao longo das décadas seguintes.
    A obra de Philip Roth, agora fechada e arredondada por sua aposentadoria, é muito rica em tais aproximações e semelhanças. O professor do desejo assim se relaciona, tanto em forma
    quanto em conteúdo, com O complexo de Portnoy (1969). Por uma dessas adoráveis coincidências do mercado editorial, a Companhia das Letras agora está a relançar também esse livro, na consagrada versão de Paulo Henriques Britto.
    Alexander Portnoy é um masturbador compulsivo que procura ajuda psiquiátrica para se livrar de sua compulsão.
    Mas acaba por transtornar ainda mais a si mesmo - e a seu terapeúta, bem podemos imaginar. O livro é um longo monólogo, como uma sessão de Portnoy deitada por escrito. O monólogo é realmente o discurso perfeito para um masturbador.
    David Kepesh é um sujeito mais culto que Portnoy. Professor de literatura, ele tenta buscar em seus escritores preferidos a chave do erotismo que o fascina às raias de comprometer sua vida pessoal. E tenta, ao mesmo tempo, encontrar neles alguma espécie de álibi lírico para si.
    Atravessada por esse filtro erótico chamado Kepesh, portanto, temos uma leitura de Philip Roth sobre a sexualidade representada em Tchekhov, Tolstoi, Flaubert, Mann e (claro) nosso amigo Franz Katka. Se uma das virtudes de um grande autor é saber abrir diálogos com outros autores, aqui neste livro Roth exercita esse talento com sutileza e engenho.
    A lembrança de um antigo conto de Tchekhov ilumina a enésima desilusão amorosa de Kepesh e encaminha magistralmente seu desfecho. A felicidade, parecem sugerir tanto Kepesh quanto Roth, existe sim, existe de fato.
    Ainda que seja breve. Ainda que dure uma tarde apenas.
    Como em um conto de Anton Tchekhov.

Marcio Mafra
01/03/2013 às 00:00
Brasília - DF

Trata-se de um autor muito badalado pela mídia, o que coloca o livro - embora uma reedição - na lista dos mais vendidos. Por isso o comprei em fevereiro de 2013.


 

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