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O Quarteto de Alexandria - Balthazar

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O Quarteto de Alexandria - Balthazar

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Autor: Lawrence Durrell

Editora: Ediouro

Assunto: Romance

Traduzido por: Daniel Pellizzari

Páginas: 193

Ano de edição: 2006

Peso: 360 g

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Muito bom
Marcio Mafra
08/02/2013 às 22:16
Brasília - DF
Balthazar o segundo livro do Quarteto de Alexandria, contrariando o costume das editoras, não é uma simples continuação do primeiro livro: Justine. Não é "uma esticada" só pra vender livro, na sombra de um sucesso. Claro que uma história se liga à outra, mas não é "enchimento de linguiça. Já os personagens continuam na sua angustiada fixação sexual, tanto pelo envolvimento de Clea, Melissa e Justine, com Nessim, Balthazar, Naruz ou Pursewarden. A parte IV ou capitulo IV do livro onde o autor narra a “viagem ao deserto” bastaria para tornar “Balthazar” um autêntico “clássico da literatura”. Só esta parte, vale a leitura, vale o livro. Mas não é uma leitura fácil, embora muito boa.

Marcio Mafra
08/02/2013 às 00:00
Brasília - DF

No segundo volume do Quarteto de Alexandria, Lawrence Durrel, conta a história de Balthazar que visita o “narrador” numa ilha, onde vive isolado com a filhinha de Melissa. Balthazar lhe entrega os originais de “Justine”. Ao reler o seu próprio manuscrito-original revive toda sua vida em companhia de Melissa, Cléa e Justine. Pura obsessão sexual

Marcio Mafra
08/02/2013 às 00:00
Brasília - DF

Sempre que Pombal ficava muito aflito com qualquer coisa "Mon Dieu! Hoje estou descomposto!", exclamava em seu inglês peculiar, refugiava-se num magistral ataque de gota a fim de relembrar seus antepassados normandos. Para essas ocasiões, tinha uma poltrona antiga, com espaldar alto, forrada com veludilho vermelho. Sentava-se com a perna dolorida apoiada sobre um escabelo para ler o Mercure e refletir sobre as possíveis repreensões e transferências que seriam causadas por sua última gafe. Tinha consciência que toda a Chancelaria estava contra ele e considerava sua conduta (bebia demais, era mulherengo) prejudicial ao trabalho diplomático. Na verdade sentiam inveja de seu dinheiro, que se não era suficiente para lhe permitir viver livre de preocupações com trabalho, ao menos dava-lhe condições de viver mais ou menos en prince - se é que podemos chamar de principesco o pequeno apartamento enfumaçado onde morávamos.

Naquele dia, subindo as escadas, percebi que estava "decomposto" pelo tom rabugento de sua voz.

- Não é uma notícia - repetia, histérico. - Proíbo que a publique. - Encontrei o caolho Hamid na entrada, que recendia a fritura, e ele acenou-me sem muita energia.

- Moça foi embora - segredou, anunciando a partida de Melissa -, às seis horas. Senhor Pombal não muito bem. - Hamid pronunciava o nome de meu amigo como se não possuísse vogal alguma, assim: Pmbl.

Keats estava com Pombal na sala de estar, suando sua enorme carcaça no sofá.

Sorria, mostrando os dentes, com o chapéu puxado para trás. Pombal, sentado em sua poltrona de doente, parecia desolado e de péssimo humor. Reconhei não apenas os sinais de uma ressaca, mas de outra gafe cometida. Que mais Keats tinha descoberto?

- Pombal- eu disse -, que diabos aconteceu com seu carro? - Ele gemeu e beliscou as papadas como se implorando para que eu mudasse de assunto; era evidente que Keats lhe estivera incomodando com essa mesma questão.

Esse tal carro, tão caro ao coração de Pombal, estava em frente à porta de entrada, num estado lamentável. Keats fungou e engoliu o muco.

- Foi Sveva - explicou -, e não estou autorizado a publicar essa informação.

- Pombal resmungou, inquieto. - Ele não quer me contar a história toda.

Pombal começou a ficar realmente irritado.

- Quer fazer o favor de ir embora? - gemeu, e Keats, que se desarmava facilmente na presença de integrantes do corpo diplomático, levantou-se, colocou o bloquinho no bolso e apagou o sorriso do rosto.

- Certo - disse -, tudo à sua gota. - E após esse trocadilho lamentável, desceu sem pressa pela escadaria. Sentei-me em frente a Pombal e esperei que se acalmasse.

- Outra gafe, meu rapaz - suspirou enfim -, a pior de todo o affaire Sveva.

Foi ela ... meu pobre carro ... você viu? Olhe, sinta esse inchaço no meu pescoço.
Hum? Uma maldita pedra.

Pedi um pouco de café a Hamid enquanto Pombal relatava seu último contratempo, gesticulando angustiado como de costume. Cometera a imprudência de envolver-se com a ardente Sveva, que agora o amava.

- Amor! - resmungou Pombal e remexeu-se na poltrona. - Sou tão fraco com as mulheres - admitiu -, e ela foi tão fácil. Céus, era como receber na mesa um prato pelo qual não paguei, ou que foi pago por outra pessoa e entregue na mesa errada; ela entrou na minha vida como um bifteck a point, como uma berinjela recheada ... Que mais eu podia fazer? Ontem pensei: "Levando tudo em consideração, sua idade, o estado de seus dentes, não seria impossível que ela ficasse doente, e eu teria de arcar com o prejuízo”. Além do mais, eu não quero uma amante em perpetuum mobile. Então, resolvi levá-Ia até um recanto tranqüilo do lago para dizer adeus. Ela ficou fora de si. Saiu correndo até a beira do rio, até uma pilha de seixos.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, pife pafe pangue bangue. - Gesticulava com eloqüência. - Começou a chover pedras. Pára-brisa, faróis, tudo ... Fiquei abaixado perto da embreagem, gritando. Sinta esse inchaço no meu pescoço. Depois de quebrar todos os vidros, pegou um pedregulho imenso e começou a destruir o carro, berrando "Amour, Amour" a cada pancada, como se estivesse louca. Nunca mais quero ouvir essa palavra. Destruiu o radiador, acabou com os pára-lamas. Você chegou a ver o carro? É difícil de acreditar que uma garota poderia fazer tamanho estrago. E sabe o que ela fez depois? Vou dizer o que ela fez. Atirou-se no rio. Tente imaginar o que eu senti. Ela não sabe nadar, nem eu. Imagine o escândalo se ela
morresse! Pulei na água para buscá-Ia. Ficamos agarrados um ao outro, berrando como gatos fazendo amor. Engoli tanta água! Acabamos salvos por um policial.
Depois, um longo procès-verbal, etc. Não me atrevi a telefonar para a Chancelaria hoje cedo. A vida não vale a pena.

Estava à beira das lágrimas.

- É meu terceiro escândalo nesse mês - disse. - E amanhã é Carnaval.

Quer saber? Pensei muito e tive uma idéia. - Esboçou um sorriso desanimado.
- Precisarei tomar muito cuidado nesse Carnaval, sei que, como sempre, vou beber demais e acabar entrando em apuros. Desta vez usarei um disfarce inexpugnável. Sim. - Esfregou as mãos e repetiu: - Um disfarce inexpugnável. - Então me encarou por um instante, como se estivesse decidindo se eu era digno de sua confiança. Pareceu satisfeito, pois voltou-se bruscamente para o armário e disse:
- Se eu lhe mostrar, você guardará segredo, hum? Afinal de contas, somos amigos.
Pegue aquele chapéu na última prateleira. Prepare-se para rir.

Dentro do armário encontrei um chapéu feminino, imenso e antiquado, ao estilo de 1912, decorado com penas de águia desbotadas e guarnecido por um alfinete maciço com uma pedra azul.

- Isto aqui? - perguntei incrédulo, e ele confirmou com um riso abafado e um aceno de cabeça.

- Quem me reconheceria com uma coisa dessas? Veja só ...

Pombal ficava tão engraçado com o chapéu que caí na gargalhada e precisei sentar. Parecia Scobie com seu absurdo Dolly Varden. Pombal parecia ... é impossível descrever o efeito daquela invenção ridícula em seu rosto gordo. Ele também começou a gargalhar e disse:

- Maravilhoso, não? Meus malditos colegas nunca reconhecerão aquela mulher bêbada. E se o cônsul-geral não estiver de dominó, talvez eu ... tente seduzi -10. Ficará louco com meus beijos apaixonados, aquele porco! - Seu rosto ficava ainda mais engraçado com sua careta de ódio. Precisei implorar, como fiz com Scobie: - Tire isso, pelo amor de Deus!

Pombal tirou o chapéu, sorrindo de seu plano brilhante. Esperava que nenhuma das indiscrições que provavelmente cometeria seriam atribuídas a ele.

- Tenho uma fantasia completa - prosseguiu, empolgado. - Você irá procurar-me, não vai? Vai ao Carnaval, não é? Ouvi dizer que haverá dois grandes bailes, então podemos alternar. Muito bom, hum? Estou um pouco aliviado, e você?

Esse funesto chapéu de Pombal, porém, acabou envolvido na morte misteriosa de Toto de Brunel na noite seguinte, na mansão dos Cervoni - a morte que Justine acreditava ter sido reservada a ela pelo marido e que eu ... Não posso me adiantar, devo seguir os Comentários.

"O caso da chave do relógio': escreve Balthazar. "Aquela chave que você me ajudou a procurar pelas calçadas da Grande Corniche naquele dia de inverno - teve uma reviravolta incomum. Como você bem sabe, meu relógio parou e precisei encomendar outro pequeno ankh de ouro. Enquanto isso, a chave foi-me devolvida em circunstâncias suspeitas. Certo dia Justine apareceu na clínica, deu-me um beijo afetuoso e retirou a chave da bolsa. 'Reconhece?', perguntou sorridente, e prosseguiu num tom de desculpas: 'Espero que me perdoe, Balthazar. É a primeira vez na vida que fui obrigada a agir como um batedor de carteiras. Sabe, tenho em casa um cofre que eu estava decidida a abrir. Como à primeira vista as chaves pareciam iguais, resolvi testar se a chave de seu relógio encaixava na fechadura.
Minha intenção era devolvê-Ia na manhã seguinte, antes que você pudesse notar sua falta, mas alguém a retirou de minha penteadeira. Isso fica entre nós. Imagino que Nessim talvez a tenha visto e, suspeitando de minhas intenções, se apossado dela para verificar se funcionava no cofre. Felizmente (ou infelizmente), ela não serve, e não consegui abrir a fechadura. Mas eu não podia dizer nada, por não ter certeza de que Nessim a tivesse visto; não queria chamar sua atenção para uma chave tão parecida com a dele. Interroguei Fatma discretamente e revirei meus guarda-jóias. Nada. Dois dias mais tarde Nessim apareceu com a chave, dizendo tê-Ia encontrado em sua caixa de abotoaduras; comentou que se parecia com a dele, mas não mencionou o cofre. Pediu apenas que a devolvesse a você, o que estou fazendo, com sinceras desculpas pela demora:

"Fiquei muito aborrecido, naturalmente, e disse isso a Justine. 'E afinal de contas, o que você queria com o cofre particular de Nessim?', perguntei. 'Não me parece seu comportamento normal, e devo dizer que perdi um pouco do respeito por você, pois sei como é tratada por Nessim,' Ela baixou a cabeça e disse: 'Eu só esperava descobrir alguma coisa sobre a menina - alguma coisa que ele está escondendo de mim:"
 


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Marcio Mafra
08/02/2013 às 00:00
Brasília - DF

Desde abril de 2008 Quarteto de Alexandria, de Lawrence Durrel, com seus quatro livros: Justine, Balthazar, Mountolive e Clea aguardam oportunidade de leitura. Aguardam porque não é necessária pressa para a leitura de clássico. 


 

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