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Crescendo - Hush Hush

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Crescendo - Hush Hush

Livro Ótimo - 2 comentários

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Autor: Becca Fitzpatrick

Editora: Intrínseca

Assunto: Adolescente

Traduzido por: Livia de Almeida

Páginas: 285

Ano de edição: 2011

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Excelente
Clara de Assis Ferreira
28/01/2018 às 00:15
Rio de Janeiro - RJ
Amei esse livro. Li a saga toda e é meio que um livro diferente. Um romance de uma humana com um anjo caído? Maravilhoso!! Muito bem pensado pela escritora. Amei...amei...amei!!

Ótimo
Priscila Lourenço de Assis
23/01/2013 às 20:18
Barra do Piraí - RJ
Assim como Sussurro, Crescendo ( o segundo da série Hush Hush) foi outro livro que li muito rápido. A cada capítulo, uma nova descoberta, mas ao mesmo tempo, mais mistérios. A gente nunca sabe o que esperar, e este é o ponto forte da série. O que gosto da personagem Nora, é que ela não é a "perfeita". Às vezes é egoísta, ciumenta, briguenta e ao mesmo tempo se preocupa com todos a sua volta e tem bom coração.

Priscila Lourenço de Assis
23/01/2013 às 20:04
Barra do Piraí - RJ

Crescendo - o segundo livro da série Hush, Hush -  traz muitas surpresas em relaçãoaos personagens Nora e Patch. Só que os Arcanjos não podem saber que continuam juntos, porque senão o destino de Patch será o inferno. Muitas reviravoltas sobre o passado de Nora, revelando quem realmente ela é. Ela descobre muitas coisas em relação à morte de seu pai e um novo personagem entra na história: Scott.

Priscila Lourenço de Assis
23/01/2013 às 20:04
Barra do Piraí - RJ
CAPÍTULO 1 DELPHIC BEACH, MAINE NOS DIAS DE HOJE PATCH ESTAVA DE PÉ ATRÁS DE MIM, COM AS MÃOS NA MINHA cintura, o corpo relaxado. Tinha quase dois metros de altura e um corpo esguio e atlético, que nem os jeans folgados e a camiseta conseguiam esconder. A cor de seus cabelos deixava a escuridão da meia-noite no chinelo, e os olhos não ficavam atrás. O sorriso era sexy e sugeria encrenca, mas eu havia me convencido de que nem todo tipo de encrenca era ruim. Acima de nossas cabeças, os fogos de artifício iluminavam o céu noturno e despencavam no Atlântico em torrentes de cor. A multidão soltava exclamações de admiração. Era final de junho e o Maine se jogava de cabeça no verão, celebrando o início de dois meses de sol, praia e turistas com os bolsos cheios. Eu celebrava os dois meses de sol, praia e bastante tempo devotado exclusivamente a Patch. Havia me matriculado em um curso de verão — química — e tinha toda a intenção de deixar que Patch monopolizasse o restante do meu tempo livre. O corpo de bombeiros disparava os fogos de artifício de um cais que não estava a mais de cento e oitenta metros do lugar onde nos encontrávamos, e eu sentia a reverberação de cada explosão na areia sob os meus pés. As ondas arrebentavam na praia, logo abaixo da duna, e a música festiva soava em volume máximo. O cheiro de algodão-doce, pipoca e churrasquinho enchia o ar, e meu estômago me lembrou de que eu não havia comido nada desde a hora do almoço. — Vou pegar um cheesebúrguer — disse a Patch. — Quer alguma coisa? — Quero, mas não está no menu. Sorri. — O que é isso, Patch? Está me paquerando? Ele beijou o alto da minha cabeça. — Ainda não. Vou pegar seu cheesebúrguer. Aproveite o finalzinho dos fogos. Segurei em um dos passantes de cinto de sua calça, para impedi-lo. — Obrigada, mas quem vai comprar sou eu. Ou vou me sentir culpada. Ele ergueu os olhos, com um ar questionador. — Quando foi a última vez que a garota da barraca de hambúrguer deixou você pagar pelo lanche? — Faz tempo. — Ela nunca deixou. Fique aqui. Se ela o vir, vou passar o restante da noite com a consciência pesada. Patch abriu a carteira e tirou uma nota de vinte dólares. — Dê a ela uma boa gorjeta. Foi minha vez de erguer as sobrancelhas. — Está tentando se redimir por todas as vezes que levou comida sem pagar? — Da última vez que paguei, ela correu atrás de mim e enfiou o dinheiro no meu bolso. Não quero ser apalpado novamente. Aquilo parecia uma invenção, mas, conhecendo Patch, provavelmente era verdade. Procurei o fim da longa fila, que dava volta na barraca de hambúrgueres e terminava perto da entrada do carrossel. A julgar pela extensão, estimei que levaria uns quinze minutos só para fazer o pedido. Uma única barraca de hambúrguer para a praia inteira. Nem parecia que estávamos nos Estados Unidos. Depois de alguns minutos de espera inquieta, eu dava provavelmente a décima olhada entediada ao meu redor quando vi Marcie Millar atrás de mim, com duas pessoas nos separando. Marcie e eu estudávamos juntas desde o jardim de infância e naqueles onze anos eu já me encontrara com ela mais vezes do que gostaria de me lembrar. Por causa dela, a escola inteira já havia visto minha roupa de baixo com frequência maior do que o necessário. Antes mesmo do ensino médio, Marcie tinha como hábito roubar meu sutiã de dentro do meu armário da educação física e prendê-lo no quadro de avisos diante da secretaria, mas ocasionalmente ela ficava criativa e o empregava como uma peça decorativa no refeitório — com os dois bojos recheados com pudim de baunilha e enfeitados com cerejas em conserva, por exemplo. Sim, muito elegante. As saias de Marcie eram dois manequins abaixo de suas medidas e quinze centímetros mais curtas do que deveriam. O cabelo era louro-avermelhado e ela tinha a forma de um picolé — se a virassem de lado, ela praticamente desapareceria. Se houvesse um placar registrando a pontuação da batalha entre nós duas, eu tenho certeza de que Marcie teria o dobro de pontos. — Oi — falei ao encontrar seu olhar acidentalmente, sem pensar em outra forma de escapar de um cumprimento mínimo. — Oi — respondeu ela, em um tom que quase passava por educado. Ver Marcie em Delphic Beach naquela noite era praticamente como brincar do jogo dos sete erros. O pai de Marcie era dono da revendedora da Toyota em Coldwater, a família morava em um bairro elegante nas colinas e os Millar se orgulhavam de serem os únicos cidadãos de Coldwater admitidos no prestigioso Harraseeket Yacht Club. Naquele exato minuto, os pais de Marcie deveriam estar em Freeport, participando de alguma regata com seu veleiro e comendo salmão. Diferentemente, Delphic era uma praia de pobres. Dava para rir ao pensar em compará-la a um clube elegante. O único restaurante dali era uma barraca caiada que vendia hambúrguer, com ketchup ou mostarda, à escolha. Nos dias bons, ofereciam-se batatas fritas para acompanhar. O entretenimento provinha de fliperamas barulhentos e carrinhos de bate-bate e, depois do anoitecer, sabia-se que a oferta de drogas no estacionamento era maior do que em qualquer farmácia. Não era o tipo de ambiente que o sr. e a sra. Millar considerariam apropriado para sua filhinha. — Será que dá para andar mais devagar, minha gente? — reclamou Marcie, da fila. — Tem gente morrendo de fome aqui atrás. — Só tem uma pessoa trabalhando no balcão — expliquei a ela. — E daí? Eles deveriam contratar mais gente. Oferta e demanda. Levando-se em conta suas médias na escola, Marcie deveria ser a última pessoa a esbanjar conhecimentos em economia. Dez minutos depois, eu havia avançado e já me encontrava suficientemente próxima do balcão para ler a palavra mostarda escrita com caneta hidrográfica preta no frasco amarelo de uso comunitário. Atrás de mim, Marcie não parava de bufar e transferir o peso de uma perna para a outra. — Estou sentindo fome com F maiúsculo — reclamou. O sujeito na minha frente pagou e levou embora seu lanche. — Um cheesebúrguer e uma Coca-Cola — pedi para a atendente. Ela se aproximou da grelha para preparar o pedido e me virei para Marcie. — Então, quem está com você aqui? — perguntei. Não que eu ligasse para as companhias dela, até porque não tínhamos amigos em comum, mas o instinto de ser educada falou mais alto. Além do mais, Marcie não havia feito nada que fosse obviamente rude nas últimas semanas. E tínhamos ficado em relativa paz nos últimos quinze minutos. Talvez fosse o início de uma trégua. Águas passadas, essas coisas. Ela bocejou como se conversar comigo fosse mais tedioso do que esperar na fila encarando a parte de trás da cabeça das pessoas. — Sem ofensas, mas não estou a fim de conversar. Estou nesta fila há umas cinco horas, por causa de uma garota incompetente que obviamente não consegue preparar dois hambúrgueres ao mesmo tempo. A garota atrás do balcão estava com a cabeça baixa, concentrada na tarefa de retirar os discos de carne do papel encerado, mas eu sabia que ela havia ouvido. Devia odiar aquele trabalho. Era bem provável que cuspisse secretamente nos hambúrgueres quando virava de costas. Eu não me surpreenderia se, ao final do expediente, ela fosse para o carro e chorasse. — Seu pai não se incomoda com você andando por Delphic Beach? — perguntei para Marcie, franzindo os olhos muito levemente. — Talvez prejudique a reputação da honrada família Millar. Especialmente agora que ele foi admitido no Harraseeket Yacht Club. A expressão de Marcie tornou-se fria. — Estou surpresa que seu pai não se incomode por você estar aqui. Ah, espere aí. É verdade. Ele está morto. Minha primeira reação foi de choque. A segunda foi ficar indignada com a crueldade. Um nó de raiva apertou minha garganta. — O quê? — argumentou ela, erguendo um dos ombros. — Ele está morto. É um fato. Você quer que eu minta sobre os fatos? — O que foi que eu fiz para você? — Você nasceu. A completa falta de sensibilidade dela mexeu comigo de tal forma que não consegui encontrar uma boa resposta. Peguei o cheesebúrguer e o refrigerante no balcão, deixando os vinte dólares lá. Quis muito correr para contar para Patch, mas aquilo era entre mim e Marcie. Se eu aparecesse naquele momento, bastaria que Patch desse uma olhada em meu rosto para perceber que havia algo errado. Eu não precisava metê-lo naquela história. Resolvi dar a mim mesma um momento para me recuperar e encontrei um banco próximo à barraca de hambúrgueres. Sentei-me com toda elegância possível, sem querer dar a Marcie o poder de arruinar minha noite. A única coisa que poderia tornar aquele momento ainda pior era saber que ela me observava, satisfeita por ter me jogado no pequeno buraco negro da autopiedade. Dei uma mordida no cheesebúrguer, mas o sanduíche deixou um gosto ruim em minha boca. Só conseguia pensar em carne morta. Vacas mortas. Meu próprio pai morto. Joguei o hambúrguer na lixeira e continuei a caminhar, sentindo que minha garganta segurava o choro. Cruzei os braços com força, segurando os cotovelos, e corri para o pavilhão dos banheiros, na beira do estacionamento, torcendo para conseguir chegar antes que as lágrimas começassem a rolar. Havia uma fila para o banheiro feminino, mas mesmo assim consegui me esgueirar pela porta e me coloquei diante de um dos espelhos ensebados. Apesar da iluminação ruim, eu conseguia perceber que meus olhos estavam vermelhos e embaçados. Umedeci uma toalha de papel e a apertei contra o rosto. Qual era o problema de Marcie? O que eu tinha feito de tão cruel para merecer aquilo? Respirei fundo algumas vezes para me recuperar, ergui os ombros e construí um muro de tijolos na minha mente, colocando Marcie do outro lado. Afinal, por que eu deveria me importar com o que ela dizia? Eu nem gostava dela. Sua opinião não tinha o menor valor. Ela era grosseira, egocêntrica e usava de golpes baixos. Ela não me conhecia e, com toda certeza, não tinha conhecido meu pai. Seria um desperdício chorar por alguma palavra saída de sua boca. Recupere-se, disse a mim mesma. Esperei que a vermelhidão de meus olhos diminuísse antes de sair do banheiro. Vaguei pela multidão, procurando Patch, e o encontrei junto a uma das barracas de bola ao alvo, de costas para mim. Rixon estava a seu lado, provavelmente apostando dinheiro na incapacidade de Patch em derrubar um único pino de boliche. Rixon era um anjo caído que conhecia Patch de muito tempo, e seus laços eram muito profundos, quase como se fossem irmãos. Patch não deixava que muitas pessoas fizessem parte de sua vida e confiava em menos gente ainda, mas, se havia alguém que sabia todos os seus segredos, esse alguém era Rixon. Dois meses atrás, Patch também era um anjo caído. Mas ele salvou minha vida, recuperou suas asas e se tornou meu anjo da guarda. Nesse momento, ele deveria estar jogando do lado dos mocinhos, mas eu percebia secretamente que sua ligação com Rixon e com o mundo dos anjos caídos tinha uma importância maior para ele. E, apesar de não admitir, sentia que ele lamentava que os arcanjos houvessem decidido transformá-lo em meu guardião. Afinal de contas, não era o que ele queria. Ele queria se tornar humano. Meu celular tocou, arrancando-me desses pensamentos. Era o toque de Vee, minha melhor amiga, mas deixei que a chamada caísse na caixa postal. Com uma onda de culpa, lembrei-me de que era a segunda chamada dela que eu não atendia naquele dia. Justifiquei-me pensando que a veria no dia seguinte, bem cedo. Patch, por outro lado, eu só veria à noite. Minha intenção era aproveitar todos os minutos que tivesse com ele. Observei-o jogar a bola contra uma mesa cuidadosamente arrumada com seis pinos de boliche, com um pequeno frio na barriga ao ver que sua camiseta se levantava nas costas, revelando um pedaço da pele. Eu sabia por experiência própria que todos os centímetros do corpo de Patch eram cobertos por músculos rígidos e definidos. Suas costas eram lisas e perfeitas, as cicatrizes que ele ganhara ao cair dos céus haviam sido substituídas por asas — asas que nem eu nem os outros seres humanos podiam ver. — Aposto cinco dólares que você não consegue fazer isso de novo — falei, vindo por trás dos dois. Patch olhou para trás e sorriu. — Não quero seu dinheiro, Anjo. — Ei, galera, vamos manter a conversa própria para menores — disse Rixon. — Os três pinos restantes — desafiei Patch. — E qual seria o prêmio? — perguntou ele. — Que inferno — disse Rixon. — Vocês não podem mesmo esperar até ficarem sozinhos? Patch me deu um sorriso cúmplice, depois transferiu seu peso para trás, segurando a bola contra o peito. Deixou cair o ombro direito, deu uma volta com o braço e mandou a bola para a frente com toda a força. Houve um barulho e os três últimos pinos caíram da mesa. — Pois é, agora você está encrencada, mocinha — berrou Rixon para mim, sua voz se sobrepondo à comoção causada por um grupo de espectadores que aplaudia e assobiava em homenagem a Patch. Patch encostou-se na barraca e arqueou as sobrancelhas para mim. O gesto dizia: Está na hora de pagar. — Você teve sorte — afirmei. — Eu vou começar a ter sorte. — Escolha o prêmio — rosnou o velho que cuidava da barraca, abaixando-se para pegar os pinos caídos. — O ursinho lilás — disse Patch, e recebeu um urso com aparência horrenda, com a pelúcia amassada. Ele o entregou para mim. — É meu? — indaguei, apertando uma das mãos contra o coração. — Você gosta dos enjeitados. Na mercearia, sempre escolhe as latas amassadas. Andei prestando atenção. — Ele prendeu o dedo no cós da minha calça jeans e me puxou. — Vamos sair daqui. — O que você está planejando? — perguntei. Senti por dentro uma agitação e um calor, porque sabia exatamente o que ele tinha em mente. — Sua casa. Sacudi a cabeça. — Não vai dar. Minha mãe está lá. Podíamos ir para a sua — sugeri. Estávamos juntos havia dois meses e eu ainda não sabia onde Patch morava. E não por falta de tentativas de descobrir. Duas semanas de relacionamento me pareciam tempo suficiente para ser convidada à casa dele, especialmente porque Patch morava sozinho. Dois meses era tempo demais. Eu tentava ser paciente, mas minha curiosidade atrapalhava. Não sabia nada sobre os detalhes pessoais, particulares da vida de Patch, como a cor das paredes de sua casa. Se ele tinha um abridor de latas elétrico ou manual. A marca de sabonete que usava. Se tinha lençóis de algodão ou de seda. — Deixe eu adivinhar — provoquei. — Você mora em um esconderijo secretonos subterrâneos da cidade. — Anjo. — Tem louça usada na pia? Cuecas sujas no chão? Vamos ter bem mais privacidade que na minha casa. — É verdade, mas a resposta continua sendo não. — Rixon já esteve na sua casa? — Rixon está na categoria dos que precisam saber. — Eu não estou? Sua boca estremeceu. — Existe um lado sombrio entre os que precisam saber. — Se você me mostrasse, precisaria me matar? — arrisquei. Ele me envolveu em seus braços e beijou a minha testa. — Chegou perto. Qual é o horário para chegar em casa? — Dez horas. O curso de férias começa amanhã. Isto e o fato de que encontrar formas de me manter afastada de Patch tinha se tornado praticamente um segundo emprego para minha mãe. Se eu tivesse saído com Vee, poderia dizer com toda certeza que o horário-limite teria sido estendido até as dez e meia. Não podia culpar minha mãe por não confiar em Patch, pois houve um momento em minha vida em que eu também não confiava nele, mas seria extremamente conveniente se, de vez em quando, ela relaxasse a vigilância. Como esta noite. Além do mais, nada aconteceria comigo. Não com o meu anjo da guarda por perto. Patch olhou o relógio. — Hora de ir. Às 22h04, Patch fez uma curva fechada diante da casa de fazenda e estacionou perto da caixa de correio. Desligou o motor e os faróis, deixando-nos sozinhos na escuridão do campo. Ficamos sentados por um longo momento antes que ele falasse: — Por que você está tão quieta, Anjo? Imediatamente prestei atenção nele. — Quieta, eu? Estou apenas perdida em meus pensamentos. Um sorriso ligeiro ergueu os cantos da boca de Patch. — Mentirosa. O que há de errado? — Você é bom nisso — respondi. O sorriso dele aumentou minimamente. — Sou muito bom. — Encontrei Marcie Millar na fila do hambúrguer — admiti. Era inútil tentar guardar meus problemas só para mim. Obviamente, eles ainda estavam bem vivos sob a superfície. Por outro lado, se eu não pudesse conversar com Patch, com quem mais eu poderia? Havia dois meses nosso relacionamento envolvia muitos beijos dentro de carros, fora de carros, debaixo de arquibancadas e sobre a mesa da cozinha. Também envolvia muitas mãos bobas, cabelos despenteados e manchas de gloss. Mas era tão mais do que isso agora. Eu me sentia ligada a Patch do ponto de vista emocional. Sua amizade significava mais para mim do que uma centena de experiências casuais. Quando meu pai morreu, deixou-me com um enorme vazio que ameaçava me devorar por dentro. O vazio ainda estava ali, mas a dor não era mais tão forte. Eu não via por que razão deveria permanecer agarrada ao passado quando tinha tudo o que queria neste momento. E eu precisava agradecer a Patch por isso. — Ela fez a enorme gentileza de me lembrar que meu pai está morto. — Quer que eu fale com ela? — Isso está parecendo uma frase de O Poderoso Chefão. — O que foi que começou esta guerra entre vocês duas? — Esse é o problema. Não faço a mínima ideia. Costumávamos disputar a última caixinha de achocolatado na prateleira do refeitório. Então, um dia, ainda no ensino fundamental, Marcie entrou enfurecida na escola e escreveu “piranha” com tinta spray no meu armário. Ela nem tentou disfarçar. A escola inteira testemunhou. — Ela ficou louca do nada? Sem nenhum motivo? — Isso mesmo — declarei. Nada que eu soubesse, pelo menos. Ele colocou um dos meus cachos atrás da minha orelha. — Quem está ganhando a guerra? — Marcie, mas sem muita vantagem. O sorriso dele aumentou. — Vá pegá-la, garota. — E tem outra coisa. Piranha? No ensino fundamental eu nem tinha beijado na boca ainda. Marcie poderia ter guardado o spray para o próprio armário. — Está começando a parecer que você tem um problema, Anjo. — Ele deslizou o dedo sob a alça da minha camiseta e seu toque fez minha pele formigar. — Aposto que consigo fazer você esquecer Marcie. Algumas luzes estavam acesas no andar superior da casa, mas, como eu não via o rosto de minha mãe espremido contra uma das janelas, imaginei que tivéssemos algum tempo. Soltei o cinto de segurança e me inclinei por sobre a marcha, encontrando a boca de Patch na escuridão. Eu o beijei lentamente, saboreando o gosto salgado do mar em sua pele. Ele havia feito a barba naquela manhã, mas agora os pelos arranhavam meu queixo. Sua boca percorreu meu pescoço e senti o toque da língua, o que fez com que meu coração saltasse dentro do peito. O beijo avançou para o meu ombro desnudo. Ele baixou a alça da minha camiseta e desceu com a boca pelo meu braço. Naquele momento, eu queria estar o mais perto dele possível. Não queria que ele fosse embora. Precisava dele na minha vida naquele dia, e no dia seguinte, e depois. Precisava dele como nunca tinha precisado de ninguém. Passei por sobre a marcha e subi em seu colo. Encostei as mãos no peito dele, agarrei seu pescoço por trás e o apertei. Seus braços passaram pela minha cintura, prendendo-me, e me aconcheguei ainda mais. Deixando-me ser levada pelo momento, passei as mãos sob sua camisa, pensando apenas em como eu amava sentir o calor de seu corpo se espalhando pelas minhas mãos. Assim que meus dedos esbarraram no lugar das costas onde costumavam se encontrar as cicatrizes das asas, uma luz distante explodiu no fundo da minha mente. A escuridão perfeita foi rompida pela explosão ofuscante. Era como observar um fenômeno cósmico no espaço, a milhões de quilômetros de distância. Senti como se minha mente fosse engolida pela de Patch, para dentro de todas as milhares de memórias secretas guardadas ali, quando subitamente senti que ele tomava minha mão e a puxava para baixo, tirando-a do lugar onde suas asas se juntavam às costas, e tudo voltou depressa ao normal. — Boa tentativa — murmurou ele, os lábios esbarrando nos meus ao falar. Mordisquei seu lábio inferior. — Se você pudesse ver o meu passado só de tocar em minhas costas, você também teria dificuldade em resistir à tentação. — Eu já tenho dificuldade em manter minhas mãos longe de você sem esse bônus extra. Eu ri, mas logo minha expressão ficou séria. Mesmo com considerável concentração, eu mal podia me lembrar de como tinha sido a vida sem Patch. À noite, deitada na cama, eu conseguia pensar com perfeita clareza no timbre grave de sua risada, no jeito como aquele sorriso erguia ligeiramente mais o canto direito da boca, no toque de suas mãos — quentes, macias, deliciosas — sobre a minha pele. Mas só com muito esforço eu conseguia recuperar as recordações dos dezesseis anos anteriores. Talvez porque aquelas lembranças perdiam a importância diante de Patch. Ou talvez porque não houvesse nada de bom nelas. — Não me deixe, nunca — implorei a Patch, prendendo um dedo na gola da sua camisa e o puxando para perto. — Você é minha, Anjo — murmurou ele, soltando as palavras em volta do meu maxilar enquanto eu arqueava meu pescoço para trás, convidando-o a beijar todos os lugares. — Você me tem para sempre. — Prove que está falando sério — declarei, solenemente. Ele me observou por um momento, então passou a mão atrás do pescoço e abriu o fecho de uma corrente simples de prata, que ele usava desde o dia em que eu o conhecera. Não tinha a mínima ideia da origem daquele cordão nem de seu possível significado, mas sentia que era importante para ele. Era o único acessório que Patch usava, e ele sempre o mantinha sob a camisa, próximo da pele. Nunca o vira ainda sem ele. As mãos dele deslizaram para minha nuca, onde ele prendeu a corrente. O metal tocou a minha pele, ainda morno com o seu calor. — Recebi isso quando era um arcanjo — disse ele. — Para me ajudar a diferenciar a verdade da ilusão. Toquei-a suavemente, admirada com a importância daquele objeto. — Ainda funciona? — Não para mim. — Ele entrelaçou nossos dedos e virou minha mão para beijá-la. — Sua vez. Girei um anelzinho de cobre que estava no dedo médio da minha mão esquerda e o entreguei para ele. Havia um coração gravado na superfície lisa do interior do anel. Patch segurou o anel entre os dedos, examinando-o silenciosamente. — Meu pai me deu uma semana antes de morrer — contei a ele. Os olhos de Patch faiscaram. — Não posso aceitar. — É a coisa mais importante do mundo para mim. Quero que fique com ele — pedi. Dobrei seus dedos, fazendo com que envolvessem o anel. — Nora — hesitou ele. — Não posso aceitar. — Prometa guardar para mim. Prometa que nada vai nos separar. — Prendi seu olhar, impedindo-o de desviá-lo de mim. — Não quero ficar sem você. Não quero que isso termine. Os olhos de Patch eram negros como a noite, mais escuros do que um milhão de segredos acumulados uns sobre os outros. Ele baixou o olhar para contemplar o anel na sua mão, virando-o lentamente. — Jure que você nunca vai deixar de me amar — sussurrei. Ele balançou a cabeça, assentindo quase imperceptivelmente. Agarrei sua gola e puxei-o para mim, beijando-o com ainda mais fervor, selando a promessa entre nós. Prendi meus dedos nos dele, a borda afiada do anel marcando as palmas de nossas mãos. Nada do que eu fazia parecia fazê-lo chegar perto o suficiente de mim, nenhuma parte dele era o bastante. O anel afundou ainda mais em minha pele, até eu ter certeza de que havia me ferido. Uma promessa de sangue. Quando achei que meu peito ia explodir de falta de ar, me afastei, descansando a testa contra a dele. Meus olhos estavam fechados, e a respiração fazia com que meus ombros subissem e descessem. — Eu amo você — murmurei. — Mais do que deveria. Esperei que ele respondesse, mas, em vez disso, Patch me apertou com mais força ainda, quase como se quisesse me proteger. Virou a cabeça na direção da mata do outro lado da estrada. — O que houve? — Ouvi alguma coisa. — É que acabei de dizer que amo você — afirmei, sorrindo enquanto contornava sua boca com o dedo. Esperei que ele devolvesse o sorriso, mas seus olhos permaneciam grudados nas árvores que lançavam sombras enquanto seus galhos balançavam com a brisa. — O que tem lá? — perguntei, seguindo seu olhar. — Um coiote? — Alguma coisa está errada. Senti o sangue gelar e saí de seu colo. — Você está começando a me assustar. É um urso? Não víamos ursos havia anos, mas a casa de fazenda ficava bem na periferia da cidade e os ursos costumam se aproximar das zonas urbanas depois de hibernarem, quando ficam famintos e saem à procura de alimentos. — Ligue os faróis e aperte a buzina — sugeri. Forcei a vista na direção da mata, para captar os movimentos. Meu coração bateu um pouco mais depressa quando me lembrei de quando eu e meus pais vimos, pelas janelas da casa, um urso balançar nosso carro, farejando comida. Atrás de mim, as luzes da varanda se acenderam. Eu não precisava me virar para saber que minha mãe estava diante da porta, franzindo a testa e batendo o pé. — O que é? — perguntei mais uma vez a Patch. — Minha mãe está saindo. Ela está segura? Ele ligou o motor e colocou o Jeep no acesso para a casa. — Entre. Tem uma coisa que preciso fazer. — Entrar? Você está brincando? O que está acontecendo? — Nora! — chamou minha mãe, descendo os degraus, com um tom irritado. Ela parou a um metro do Jeep e gesticulou para que eu abrisse a janela. — Patch? — voltei a insistir. — Ligo para você mais tarde. Minha mãe abriu a porta do carro. — Patch — cumprimentou ela, secamente. — Blythe — respondeu ele, acenando displicentemente com a cabeça. Ela se virou para mim. — Você está quatro minutos atrasada. — Ontem cheguei quatro minutos antes do horário. — Não dá para compensar o horário de chegar em casa. Vá para dentro. Agora. Sem querer deixar Patch antes que ele me respondesse, mas vendo que não havia alternativa, falei: — Ligue para mim. Ele assentiu uma vez, mas o foco peculiar de seu olhar indicava que seus pensamentos estavam em outro lugar. Assim que saltei do carro, o Jeep avançou para a frente, sem desperdiçar tempo com aceleração. Para onde quer que Patch estivesse indo, ele estava com pressa. — Quando eu lhe dou um horário para voltar para casa, espero que você cumpra — disse mamãe. — Quatro minutos de atraso! — exclamei com um tom que sugeria que ela talvez estivesse exagerando. Aquilo provocou um olhar de completa desaprovação. — No ano passado, seu pai foi assassinado. Alguns meses atrás, você mesma correu risco de vida. Acho que conquistei o direito de me tornar superprotetora. Ela caminhou rigidamente de volta para a casa, com os braços cruzados contra o peito. Tudo bem, eu era uma filha insensível e sem coração. Mensagem transmitida. Voltei a atenção para uma fileira de árvores na beira da estrada, do outro lado da pista. Nada parecia fora do normal. Esperei sentir um calafrio que me alertasse que havia algo escondido ali e que eu não podia ver, mas ele não veio. Uma brisa cálida de verão agitou as folhas, com o som das cigarras enchendo o ar. A mata parecia simplesmente serena sob o brilho da lua. Patch não havia visto nada no mato. Ele se afastara porque eu dissera três palavras muito idiotas, que tinham saído da minha boca antes que eu pudesse impedir. O que havia se passado na minha cabeça? Não. O que se passava na cabeça de Patch agora? Será que ele fora embora para evitar respondê-las? Eu estava bastante convencida de saber a resposta. E estava bastante convencida de que ela explicava por que fiquei ali, olhando para a traseira do Jeep.

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Priscila Lourenço de Assis
23/01/2013 às 20:04
Barra do Piraí - RJ

O engraçado é que comprei este livro pela internet. Queria outros dois, mas no dia existia uma promoção para a compra de 3 livros. Então, procurando no site, vi uma pechincha, que era a coleção Hush, Hush. Comprei pela capa mesmo, que me chamou muito a atenção. E não me arrependi. Amei o livro.


 

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