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1968 O Que Fizemos de Nós

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1968 O Que Fizemos de Nós

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Autor: Zuenir Ventura

Editora: Planeta

Assunto: História

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 222

Ano de edição: 2008

Peso: 320 g

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Bom
Marcio Mafra
19/01/2013 às 23:53
Brasília - DF
A ideia tema deste livro foi mais que genial. No entanto, para conseguir resultado semelhante ao obtido no livro primeiro “1968 O Ano Que Não Terminou” além do talento do autor, muita coisa (sorte, gente, disposição, documentos) tinha que rolar no teclado do computador. Ainda assim o resultado não seria tão brilhante porque: (1) o autor – por razões óbvias - jamais conseguiria entrevistar cada um dos personagens citados no primeiro livro; (2) rolou muito conceito, muita filosofia, muita explicação - sempre inteligentes e bem colocadas, diga-se a bem da verdade – de comportamento social, político e até econômico. De como era, por exemplo, o assunto sexo em 1968, e como a sociedade o encarava em 2008, entre muitos assuntos; (3) Alguns dos entrevistados, em 2008 eram (ou tinham sido)figuras importantes nos governos “pós revolução”. E, todos sabemos que autoridade é treinada para falar sem dizer nada. Por fim o livro se pareceu com uma quase “ação-entre-amigos-sobreviventes-daquela-época-e-que-hoje-são-importantes”, ou uma ação de exibicionismo mutuo.

Marcio Mafra
19/01/2013 às 00:00
Brasília - DF

Após escrever “1968 O Ano Que Não Terminou “ o autor Zuenir Ventura, em 2008  saiu fazendo entrevistas, tomando depoimentos, buscando informações sobre o que a turma de 68 fez durante os 40 anos que transcorreram desde 1968. São histórias, depoimentos, e informações sobre 40 anos de vida brasileira. 

Marcio Mafra
19/01/2013 às 00:00
Brasília - DF

SEXO, DROGAS E RAVE
O que houve com o lema que embalava os hippies
SEXO
Como andar de bicicleta
As vésperas da visita do papa Bento XVI ao Brasil, em maio de 201 o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNB D. Dimas Lara Barbosa, fez uma declaração que provocou rebuliço nos arraiais da juventude. Ele disse que "ficar" era um comportamento próprio de garotas de programa. Acontece que esse verbo é, na prática, o mais conjugado por boa parte dos adolescentes da classe média urbana brasileira. Houve reações até de fiéis. Católico e pai de quatro adolescentes o deputado federal Chico Alencar protestou: "Ficar não significa se entregar de maneira inconseqüente, ou banalizar o sexo. É o que chamávamos antigamente de flertar, paquerar. Isso é diferente de se prostituir. Nessas questões de sexualidade, a minha Igreja devia ser mais serva e aprendiz do que mestra e rainha".

Muito antes de D. Dimas manifestar sua preocupação, a cientista social Maria Isabel Mendes de Almeida, de tradicional família católica, sobrinha de um ex-presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, D. Luciano Mendes de Almeida, já tinha feito um sério trabalho acadêmico sobre o fenômeno. Com a antropóloga Fernanda Eugenio, ela comandou uma pesquisa por bares, boates e outros points da garotada da Zona Sul carioca, observando e perguntando. "Ficar é essencialmente beijar", ela explica. "Beijar em série, beijar muito." O praticante ganhou até um apelido de Isabel: "serial kisser". Mas nada lembra outros tempos. "Não é o beijo sobre o qual guardamos na memória o registro de uma primeira vez, uma noite sem dormir, a temperatura elevada, a extensão e a longevidade da lembrança."

Certa noite, numa boate, ela avistou uma aglomeração na porta do banheiro feminino, que descobriu ser um ponto estratégico. À medida que iam saindo, as meninas eram assediadas. "Eles se beijam, os olhos estão abertos, os amigos aplaudem. Ela reencontra uma amiga e ambas saem de mãos dadas, rindo." O clima é muito mais lúdico do que sensual ou promíscuo, e uma divertida competição domina a cena. O animador estimula o embate: "Vamos beijar na boca, galera!". Isabel conta: "A noite esquenta, todos parecem compartilhar da gigantesca pulsação do lugar, manifestam visualmente uma energia que se intensifica de maneira vertiginosa. Jovens em pares - as meninas encostadas e os meninos em frente a cada uma delas - beijam-se sob olhares e observações vindos de outro grupo de jovens. A atmosfera performática é absoluta. O tom de disputa começa a se espalhar e a produzir efeitos. Os beijos se serializam, assumindo a condição de score em um imenso torneio. Quem 'pegou' mais? Com quantas ficou? Quantos beijos eu dei?".

Algumas características dessas tribos da night são o descompromisso e a circulação incessante de um lugar para outro. Eles não param de "zoar": deslocam-se, são peripatéticos "nômades", para usar uma classificação que Isabellhes aplica. "Meninos e meninas, quando querem ficar com alguém, não podem parar. Eles têm de andar, de estar em movimento todo o tempo, 'rodando', 'rodando'. Não permanecem no mesmo lugar esperando que alguém se aproxime. Eles procuram alguém para ficar."

E, depois de toda essa "pegação", eles não vão às vias de fato?, estranhará uma cabeça "sessentoitista", para quem o beijo era apenas a preliminar da conjunção carnal. "Foi para isso que fizemos a revolução sexual?", perguntará quem assistiu à queda de tabus como a virgindade, e que se surpreende por desconfiar que esses jovens não estejam aproveitando toda a liberdade sexual conquistada. Haverá certamente várias maneiras de responder à questão, pois essa geração é segmentada, com cada grupo formando uma tribo específica.
Uma das respostas possíveis me foi dada por Camila, que tinha 20 anos quando a entrevistei em 2007. "Neta" da geração de 68, ela começou a namorar aos l3 anos, perdeu a virgindade aos 17, mora com os pais, na casa dos quais dorme eventualmente com o namorado (ou então inverte e vai para a casa dos pais dele), e tem a cabeça de quem poderia ter o dobro de sua idade. Sua iniciação sexual correu naturalmente, talvez porque mantivesse um diálogo franco e permanente com a mãe, que a orientava.

"Meus pais nunca me disseram que a minha virgindade era um tesouro a ser mantido. Quando se diz isso, a pessoa se sente tão pressionada para ter uma primeira vez de cinema que isso jamais acontece. A primeira transa é sempre um negócio super atrapalhado, ninguém sabe o que está fazendo, não dá para ser perfeito. Ainda mais no meu caso, em que o menino, apesar de mais velho, também era virgem. O pior é que era virgem e não tinha me contado. Só contou bem depois, no final do namoro. Era muito orgulhoso, e só confessou porque tinha que me dar uma razão para a rompimento. Ele alegou que queria "cair no mundo", conhecer outras mulheres, curtir a vidal"
Nem sempre é assim, claro. Camila tem uma amiga da mesma idade que ainda é virgem. ''As pessoas sacaneiam, mas, consciente, ela resiste a pegar o primeiro que aparecer pela frente só para dizer que não é mais virgem. Não se pode achar que experiência sexual não é nada de mais. Não precisa ser um trauma, mas também não pode ser “tô aí pra quem quiser”! Curtir sexo assim só quando pinta aquela explosão, aquela atração súbita, e isso não é o mais comum, ainda mais para a mulher. Comigo ainda teve a vantagem de ter sido com um namorado, ou seja, sem aquele medo de ser largada depois de transar, sem sofrer aquele lance de “comeu e depois chutou'!"

Não é exatamente como as feministas dos anos 60 sonharam, mas é inegável o avanço. Por mais ambígua que seja a experiência inicial, e até traumática num caso ou em outro, a sexualidade hoje parece não ser uma questão problemática para os jovens, pelo menos como antigamente. Camila explica: "As pessoas aceitam o sexo muito mais facilmente, até descompromissadamente. Tabu apenas em alguns casos, por causa da educação em casa. A questão hoje não é mais quando vai fazer, e sim com quem vai fazer".

Quando se pensa que há quarenta anos até o "onde" era complicado - o carro, a garçonniêre de um amigo ou um canto providencial -, entende-se que os parceiros sejam menos açodados. "Na verdade", explica Camila, "ninguém quer mais ser virgem, mas também não quer deixar de ser de qualquer maneira. Ninguém quer perder a virgindade no canto da boate ou num lugar escondido da rave."

De fato, não é o sonhado, como esclarece Camila. "A ideologia para as mulheres é de que você é livre para fazer o que quiser. Mas se você resolver ficar com um cara assim que conheceu, tem que assumir as conseqüências. É bom saber que depois pode acontecer de o cara nunca mais olhar na sua cara. É como se tivesse um preço para a sua liberdade. Para a mulher tem. Se você resolver sair com todo mundo, vai ficar malfalada.

Com os homens não é assim. A menina, quando quer fazer o que bem entende, se torna malvista. Ninguém se sente interditado de sair e ficar com quem quiser, mas existe a fofoca depois. Algumas não ligam para a má fama, mas outras ligam."

A dificuldade de descobrir padrões e paradigmas num quadro tão segmentado está no fenômeno que o jornalista Marcos Augusto Gonçalves chama de "pulverização sustentável - dos gostos, dos interesses culturais, dos modismos e dos comportamentos: Autor do livro Cultura e participação nos anos 60, junto com Heloisa Buarque de Hollanda, ele continua acompanhando os movimentos jovens. "Bastaria observar a quantidade de 'ícones' que agora povoam a mídia para imaginar a proliferação das tribos:' É verdade, elas se sucedem. Em 2006, por exemplo, a repórter Paloma Cotes detectou em São Paulo a emergência de uma nova. Não mais os góticos, os neohippies, as patricinhas - ou não só -, mas os emos (de emotional hardcore), uma vertente do punk, reunindo jovens de 11 a 18 anos. Além de expressarem abertamente suas emoções, os em os preconizam e praticam a tolerância sexual ou "sexualidade flexível': Um deles confessou já ter namorado meninas e meninos. Sua mãe estranhou quando o filho começou a pintar os olhos e as unhas. Depois ficou deprimida ao descobrir sua bissexualidade, mas acabou se conformando. "Mesmo sem acatar, aceito a opção dele."

Num site sobre comportamento de adolescentes, a repórter Thaís Corrêa fez descoberta parecida: "Ninguém se espanta quando vê duas meninas se beijando na boca". Seria uma nova tendência: "Uma garota combina com uma amiga de ficarem 'pagando' de lésbicas por um tempo: beijinho pra cá, beijinho pra lá, um amasso de leve 'só para causar', ou seja, pro garoto se interessar".

Os emos existem ou existiram (a rotatividade é alta) no Rio. Os repórteres Mariana Filgueiras e Júlio Calmon os encontraram ao fazerem o mapeamento das tribos cariocas. "Eles aparecem ao lado dos indies (de independent Vô.ffi\>uos (releitura dos góticos), superzens (os mais radicais adeptos da alimentação natural chegam a beber xixi), camilinhas (espécie de patricinhas paulistas) e forever young, quarentões que se tornaram gurus da nova geração."

Bem diferente de 68, quando se falava muito de sexo, até mais do que se fazia, o assunto é pouco recorrente no consultório do psicanalista João Batista Ferreira. "É um tema resolvido. A sexualidade hoje é essa: é viver, é transar de uma forma prazerosa e com uma pessoa interessante. Não é, como os moralistas dizem, uma desvalorização do outro, uma objetificação da mulher. Não é verdade. A menina gostou do rapaz, dá pra ele; o rapaz gostou da menina, se apresenta e os dois têm ali um encontro bom. Nem sempre ela sabe o nome dele, nem ele guarda o nome dela. O encontro pode inclusive não se desdobrar em mais nada. Mas foi uma coisa boa. Que não chamem isso de perversão. Não chamem isso de orgia, de promiscuidade. É uma das grandes miopias nossas em relação à prática sexual deles. A sexualidade entra pela tangente, não entra pelo foco, por­ que o foco, a partir dos 14 anos, está muito bem resolvido. Sem preconceito, sem aquela velha história de qual será o primeiro? 'Quando resolvi dar, dei, porque achei que estava na hora'. É uma coisa simples, noticiada como se fosse: 'Aprendi a andar de bicicleta.'
 


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Marcio Mafra
19/01/2013 às 00:00
Brasília - DF

No inicio do verão de 2013 estava em Salvador, na gostosa Bahia,  quando fui presenteado por Vera Lucia dos exemplares “1968 o Ano Que Não Terminou”  e “1968 o que fizemos de nós”, ambos da autoria do jornalista Zuenir Ventura. Feliz por recebê-los, eram livros que escaparam de minha estante de assuntos políticos, embora editados em 1989. Mais feliz fiquei por poder ler e apreciá-los com o distanciamento dos fatos, coisa que sempre proporciona não viver “o calor da hora”. 


 

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