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1968: O Ano Que Não Terminou

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1968: O Ano Que Não Terminou

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Autor: Zuenir Ventura

Editora: Planeta

Assunto: História

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 284

Ano de edição: 2008

Peso: 400 g

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Excelente
Marcio Mafra
13/01/2013 às 20:01
Brasília - DF
Comentar livro de ficção onde se é apenas leitor é simples, fácil e confortável.
Comentar livro de história também não é difícil porque o leitor se atem aos fatos descritos pelo autor.
Já comentar livro de história onde o leitor possa ter sido testemunha ou protagonista, fica mais difícil.

Assim foi 1968, como fora 1964 – ano do golpe de estado que os militares brasileiros chamaram de revolução. Em 68 recrudesceu a raiva, a vingança, a ignorância, a prepotência, a arrogância e a estupidez dos militares.

Foi na esteira dos acontecimentos do mês de maio de 68, em Paris, onde Daniel Coen Benedict liderava ruidosas e agressivas passeatas de estudantes que bradavam por mudanças sociais, políticas e estudantis. Os estudantes franceses conseguiram. Os estudantes brasileiros, no mesmo ano, foram presos e muitos torturados.

Segundo o livro de Zuenir Ventura - 1968 começou embalado numa festa de réveillon na antológica mansão carioca de Heloísa Buarque de Holanda. E não teve mais fim. Zuenir, testemunha da festa e de tudo o mais, relata o início dos anos de chumbo.

O autor mistura – com estilo e competência – as entrevista com os protagonistas, documentos, com suas próprias memórias, sem mágoas das vivências nem o ranço dos sofrimentos que passou quando preso.

Foi assim que em 13 de dezembro de 1968 o ditador de plantão, Marechal do Exército Marechal Arthur da Costa e Silva encerrou o ano com a edição do Ato Institucional - AI nº 5. O ato cassou senadores, deputados federais, deputados estaduais, vereadores, prefeitos e governadores. Fechou Câmara Federal, Senado, Câmaras Estaduais e Municipais. Interferiu nos tribunais, destituiu juízes desde o Supremo Tribunal em Brasília, até as varas e comarcas mais insignificantes do interior do país.

Milhares de políticos, artistas, professores, estudantes, funcionários públicos, profissionais liberais, empregados privados, foram alvo das perseguições na madrugada e nos dias seguintes ao Golpe dentro do Golpe, 1968 deixou no ar a sensação incompleta do ano que não terminou.

Além da política propriamente dita, o livro trata com muita propriedade das evoluções, involuções, conquistas, avanços e atrasos sociais, culturais e educacionais como as discussões sobre sexo nas salas de aula, o avanço da moda que era reflexo da rebeldia dos jovens, as discussões sobre as artes, o uso da pílula anticoncepcional, que provocou mudanças extremas no comportamento da mulher brasileira; o uso da maconha na classe média alta, muitas vezes até como forma ideológica, os inconvenientes da religião, embora determinadas alas da igreja católica tenham optado pelas estranhas comunidades eclesiais de base, a necessidade cultural da leitura dos comunistas consagrados Karl Marx, Trotsky e Guevara.

De resto, Zuenir conta muito sobre a censura, punição, cassação, tortura, exílio e repressão dos inimigos da revolução.
A leitura, embora por vezes romanceada (e bem) é indispensável para se entender a vida de políticos, de militares, de professores, empresários, estudantes, funcionários públicos, artistas, trabalhadores privados, profissionais liberais, a mídia como um todo e cidadãos comuns no Brasil entre os anos 1964 – 1985.

O livro é excelente. O autor num livro anterior "Pecado da Inveja", romancinho mediano, não teve nenhum sucesso. Todavia, neste "1968 O Ano Que Não Terminou" esbanjou talento de repórter, de escritor e muita competência.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Uma historia romanceada dos acontecimentos políticos e sociais que aconteceram no Brasil, durante e após o ano 1968. Ano célebre,  marcado na Europa pelo movimento estudantil de Paris, liderado por Daniel Coen Benedict , foi o ano do recrudescimento do golpe de estado, que os militares brasileiros chamavam de revolução de 64. Aqui, o ditador Marechal do Exército Arthur da Costa e Silva, pressionado pelo Alto Comando das Forças Armadas, editou o AI-5, que endureceu a vida política, fechou o Congresso, demitiu juízes, permitiu prisões arbitrárias, praticou vergonhosas torturas e perseguição implacável dos inimigos da revolução, também chamados de subversivos, ou comunistas.  

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A geração de 68 talvez tenha sido a última geração literária do Brasil pelo menos no sentido em que seu aprendizado intelectual e sua percepção estética foram forjados pela leitura. Foi criada lendo, pode-se dizer, mais do que vendo.
As moças e rapazes de então já começavam a preferir o cinema e o rock, mas as suas cabeças tinham sido feitas basicamente pelos livros. O filósofo José Américo Pessanha prefere chamá-Ia de "a última geração loquaz", em que "uma formação altamente literatizada lhe deu o gosto da palavra argumentativa". Da palavra argumentativa e do palavrão, que foi na época a expressão mais escandalosa da, digamos, "revolução verbal". O palavrão, claro, não foi inventado em 68, mas nesse ano ele deixou de ser nome feio e passou a freqüentar as mais jovens e delicadas bocas, em todos os lugares. Nelson Rodrigues lamentava não conhecer "O padre Ávila, ou outro sociólogo, ou quem sabe um psicanalista", para perguntar: "Há ou não, por todo o Brasil, a doença infantil do palavrão?". Segundo ele, se retirassem os palavrões de O rei da vela, por exemplo, a peça "não ficaria de pé cinco minutos".
Estudando os jovens que se formaram depois - A geração AI-5 -, o sociólogo Luciano Martins constatou um fenômeno inverso: estes são, talvez por reação, de poucas palavras. Luciano notou que a "desarticulação do discurso" foi - ao lado do culto da droga e do modismo psicanalítico - uma das características dos jovens de classe média e urbana que, do final de 68 até 75, ficaram expostos à "cultura autoritária". Foi a geração da linguagem indeterminada, "unidimensional" - do barato, curtir, transar, pintar.
Em 68 já havia um rádio quantitativamente poderoso e uma televisão em preto-e-branco razoavelmente diversificada - com uma meia dezena de canais entre o Rio e São Paulo -, mas a TV estava longe de ser o que é. Era ainda, como a definia Stanislaw Ponte Preta, "a máquina de fazer doido". Ou, como diria o Pasquim no ano seguinte, "um mundo onde não havia vida inteligente".
É verdade que um dos principais acontecimentos culturais do ano ­ os festivais de música - deve grande parte do seu sucesso à televisão: à Excelsior, à Record, à Tupi e mesmo à incipiente Globo. Mas a televisão nesses casos entrava como mero veículo de cobertura. Os festivais - da mesma maneira que os programas de humor e o telejornalismo - eram transposições do rádio, não tinham uma linguagem própria, como a do jornalismo e a da telenovela hoje.
A não ser em momentos excepcionais, quando transmitia eventos como estes, a TV não concorria culturalmente nem com o cinema, nem com o teatro - nem tinha prestígio intelectual para, como mídia, exercer alguma influência nos rebeldes jovens de 68. Mesmo o telejornalismo era de uma precariedade inimaginável. Quando a rainha Elizabeth da Inglaterra esteve no Brasil em novembro, uma visita que mobilizou o país, a revista Veja escreveu: "A rainha sorriu, falou, acenou, trocou de vestidos, chapéus e jóias. Até cavalgou. Um show de notícias. Mas quem esperou pelas reportagens da TV não viu quase nada".
Se a geração de 68 teve uma mídia preferencial, esta oscilava entre a música e o cinema. Os ídolos da juventude da época não eram televisivos, mas musicais, ainda que ajudados pela TV: Roberto Carlos, para os alienados; Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, para a faixa participante; e, vindo avassaladoramente de fora, os Beatles.
O cinema já fornecia mitos como Glauber Rocha e Jean-Luc Godard, mas de consumo restrito, não ultrapassando o âmbito da "Geração Paissandu", isto é, da vanguarda intelectual. A atriz Dina Sfat já se surpreendia com a onda de cineastas amadores: "Antes, os rapazes vinham da solidão com poemas no bolso; hoje, trazem uma câmera de filmar" Quando um cineasta de treze anos, Bruno Barreto, inscreveu-se no IV Festival ]B-Mesbla, o crítico da revista Realidade comentou: "Houve um tempo em que os adolescentes escreviam poemas".
Mais do que indústria, porém, muito mais do que divertimento ou fenômeno de consumo, o cinema era, para a jovem vanguarda que o fazia e que o consumia, uma aventura experimental de linguagem e de ação política.
O Cinema Novo já tinha realizado no ano anterior a sua primeira grande produção em cores, Garota de Ipanema, de Leon Hirszman, e diretores como Joaquim Pedro, Cacá Diegues e o próprio Glauber completavam em 68 suas primeiras "superproduções": Macunaíma, Os herdeiros e Dragão da maldade.
Depois de ganhar vários prêmios internacionais, o nosso cinema ia tenta ganhar o público interno, porque o já conquistado, mínimo, estava mais interessado no que de preferência não entendia. O poder de comunicação era uma desprezível "facilidade': A transgressão era tida como um estágio superior da percepção e a medida de excelência de uma obra era dada pela taxa de virulência formal que continha. Não por acaso o cult movie do ano foi A chinesa, de Godard.
Um exemplo do maniqueísmo de gosto da época foi dado recente mente por Susan Sontag, durante uma entrevista. Depois de se declarar "condenada a falar sempre dos anos 60 como um fonógrafo quebrado", ela acabou se comportando como se fosse uma daquelas freqüentadoras do bar ao lado do Cine Paissandu em 68. Quando o entrevistado ousou comparar dois filmes, ela o interrompeu com a intolerância típica dos anos 60:

- Não posso discutir com um entrevistador que na mesma frase junta A primeira noite de um homem e A chinesa, uma obra-prima.
Enquanto a "Geração Paissandu" prenunciava euforicamente o advento da civilização da imagem no Brasil, sem saber ainda que ela iria chegar mais para a tela pequena do que para a grande, a palavra de ordem em 68 era a própria palavra - aqui e nos muros de Paris.
As manifestações dos estudantes brasileiros tinham uma comunicação visual pobre. Um dos primeiros a se preocupar com isso talvez tenha sido Fernando Gabeira; articulado com os alunos da Escola Superior de Desenho Industrial, à qual, aliás, não pertencia, ele procurava elevar o nível estético das mensagens. Eram raros os cartazes criativos como o concretista luto luta, que sob a inspiração do poeta e professor Décio Pignatari, seus alunos da ESDI fizeram para o enterro do estudante Edson Luís, assassinado pela PM em março. Foi também nessa passeata que apareceu o polêmico cartaz "Muerte” que Nelson Rodrigues interpretou como sinal de "infiltração estrangeira”
Não se tratava evidentemente disso. O objetivo da autora, a jovem estudante de design Ana Luísa Escorel, era o mesmo que levou Capinam, Torquato Neto e Gil a criar o Soy loco por ti América, em portunhol: promover a simbólica integração da América Latina.
Na verdade, a geração de 68 teve com a linguagem escrita uma cumplicidade que a televisão não permitiria depois. O boom editorial do ano indica um tipo de demanda que passava por algumas inevitáveis futilidades, mas se detinha de maneira especial em livros de densas idéias e em refinadas obras de ficção. Nas listas de best-sellers, convivem nomes como Marx, Mao, Guevara, Debray, Lukács, Gramsci, Iames Ioyce, Hermann Hesse, Norman Mailer e, claro, Marcuse.
A Civilização Brasileira, investindo na qualidade, era capaz de audácias como o lançamento de O capital- em edição integral e pela primeira vez em língua portuguesa - e de Ulysses, de Iames Ioyce, numa portentosa tradução de Antônio Houaiss. A editora não temia, além disso, alternar um pacote de quatro Norman Mailer com a memorável trilogia sobre Trotsky, de Isaac Deutscher. Até o imbatível general das tropas do Vietnã do Norte, Vo Nguyen Giap, obtinha surpreendentes vitórias no território dos mais vendidos aqui. Seu livro O Vietnam segundo Giap esgotou duas edições em dez dias.
Lia-se como hoje se vê televisão. Uma das manias do ano era a "leitura dinâmica", um revolucionário método que, dizia a propaganda, ensinava a decuplicar a velocidade da leitura. "Leia 2 mil palavras por minuto", prometia o anúncio, citando leitores como Juscelino Kubitschek e Abreu Sodré, dois alunos brilhantes, mais ou menos como fora, nos Estados Unidos, John Kennedy.
Em outubro, Realidade publicava uma reportagem com o título "Os best-sellers de Deus", sobre lançamentos tratando das novas posições da Igreja, um dos hits da época. Quando se constata que, ao lado desses, os livros sobre sexo representavam um terço dos lançamentos, pode-se ter uma idéia da pluralidade do consumo.
Os pensadores de esquerda tinham a preferência do público jovem universitário. Havia um interesse especial por aquelas obras que, de uma maneira ou de outra, traziam uma contribuição prática à pedagogia revolucionária. Revolução na revolução, de Régis Debray, Os pensamentos, de Mao, o Diário, de Guevara, funcionavam como manuais ou cartilhas. Era comum perguntar-se não por que, mas "para que você está lendo esse livro?".
Obra aberta, de Umberto Eco, fornecia um excelente álibi para que se fizesse da leitura um ato tão intencional quanto a escritura. A recepção ganhava uma absoluta autonomia em relação à emissão. A leitura de um livro, um filme ou um quadro eram capazes de descobrir sentidos, significados e, sobretudo, mensagens nem sempre vislumbradas pelo próprio autor.
Mas independentemente do uso instrumental que os jovens revolucionários procuravam fazer de alguns autores, havia uma natural curiosidade pelas idéias teóricas, o que explica o sucesso da Revista Civilização Brasileira, que de 65 a 69 foi o pólo de concentração da intelectualidade de esquerda. Ali se travaram debates entre a esquerda reformista e a esquerda revolucionária.
Através de suas páginas, tomou-se contato com Walter Benjamin, Louis Althusser, Eric Hobsbawm, Adorno, Iuliet Mitchell, entre outros. Nela colaboravam intelectuais como Alceu Amoroso Lima, Ferreira Gullar, Paulo Francis, Fernando Henrique Cardoso, Carlos Nelson Coutinho, Leandro Konder, Nelson Werneck Sodré.
Carlos Nelson Coutinho acha que o período de 64 a 68 foi um dos mais férteis na divulgação dos autores marxistas: Lukács, Goldmann, Adam Schaff, Althusser e, evidentemente, Marcuse.
Os marxistas mais clássicos - inclusive o heterodoxo Lukács - não tinham uma boa audiência na esquerda radical. Aliás, Lukács era sistematicamente atacado não só pelo radical José Celso Martinez, por exemplo, como por um independente como Paulo Francis.
Para os estudantes esquerdistas, havia um livro, lançado dois anos antes, que numa leitura enviesada funcionava como uma bíblia: A revolução brasileira, de Caio Prado [únior, que criticava a posição oficial do PCB, que dava o Brasil ainda como um país com resquícios feudais. Como muito bem diz Carlos Nelson, Caio Prado não propunha o socialismo já para o Brasil, "mas foi lido como dando o país pronto para o socialismo".
Nos primeiros meses do segundo semestre, o editor José Fernando de Barros informava que um terço dos últimos lançamentos tratava de assuntos econômicos e políticos. Um projeto para o Brasil, de Celso Furtado, vendeu seiscentos exemplares em três horas, no lançamento, e uma edição em uma semana. Outro, no gênero, foi Desenvolvimento e crise no Brasil, de Luiz Carlos Bresser-Pereira. Os dois apostavam na crise. Furtado ainda deixava entrever alguma saída. Acreditava que só com a mobilização da opinião pública poder-se-ia "superar a barreira de obstáculos que se antepõe ao desenvolvimento do país". Alguns desses obstáculos eram a baixa capacidade de consumo, a estrutura agrária superada e as dificuldades de exportação para a indústria nacional. Bresser Pereira, porém, não via saída: "Hoje o Brasil é um país dividido e sem horizontes", escrevia aquele que, quase vinte anos depois, viria a ser ministro da Fazenda do país sem horizontes.
Essas leituras excitavam a imaginação dos jovens que amavam a Revolução e acreditavam que o capitalismo havia chegado a um impasse. Cesinha se lembra de que nos seus treze para catorze anos lia O capital e organizava seminários no Colégio de Aplicação, "com o natural primarismo que pode haver num estudo de Marx feito por garotos de catoze, quinze, dezoito anos".
Mesmo assim, ele, que dava aula de mais-valia e não chegou a terminar o ginásio, tem certeza de que esses estudos foram fundamentais para a construção de sua base cultural. "Nós nos tornamos marxistas lendo Marx."
 


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

No inicio do verão de 2013 estava em Salvador, na gostosa Bahia,  quando fui presenteado por Vera Lucia dos exemplares “1968 o Ano Que Não Terminou”  e “1968 o que fizemos de nós”, ambos da autoria do jornalista Zuenir Ventura. Feliz por recebê-los, eram livros que escaparam de minha estante de assuntos políticos, embora editados em 1989. Mais feliz fiquei por poder ler e apreciá-los com o distanciamento dos fatos, coisa que sempre proporciona não viver “o calor da hora”. 


 

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