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O Quarteto de Alexandria - Justine

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O Quarteto de Alexandria - Justine

Livro Muito Bom - 1 opinião

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Autor: Lawrence Durrell

Editora: Ediouro

Assunto: Romance

Traduzido por: Daniel Pellizzari

Páginas: 239

Ano de edição: 2006

Peso: 420 g

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Muito bom
Marcio Mafra
13/01/2013 às 15:41
Brasília - DF
Romances sobre temas da paixão e do amor, quase sempre são maçantes porque as histórias adquirem a consistência do açúcar, e como tal, podem causar enjôos pelo excesso de doçura. No entanto, Justine, o primeiro volume dos que compõem o Quarteto de Alexandria, parece contrariar esta afirmativa. (Os outros três volumes são: Balthazar, Mountolive e Clea.) Durrell criou a personagem Justine como uma verdadeira egípcia de Alexandria dos anos 1930/1940: rica, bonita, sensual, misteriosa, judia e muito feminina. Nessim, seu marido, outro personagem marcante, nada possessivo e apaixonado, que sabia conviver, como um verdadeiro egípcio, com sua linda mulher, de comportamento, digamos, multi- amoroso. Leitura diferente até pela estrutura do romance. Não parece que a história de Justine vá continuar pelos outros três volumes. Livro bom.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Justine, casada com Nessim, se passa entre os anos de 1930 e 1940, e conta a vida de uma mulher rica, talvez da classe econômica média-alta, da influente sociedade egípcia na cidade de Alexandria. A paixão dá o tom do primeiro romance do Quarteto de Alexandria.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Depois do sucesso da festa, um convite de Nessim para jantar inspirou no diplomata arroubos de satisfação que nada tinham de fingidos. Todos sabiam que o rei era um convidado freqüente à mesa de Nessim, e o velho já começava a redigir mentalmente um relatório que começava com as seguintes palavras:
“Na última semana, jantando com o rei, coloquei em pauta o assunto... Então o rei disse...  Ao que respondi..," Seus lábios começaram a mover-se, seus olhos a perder o foco. Entrava num de seus notórios transes públicos, dos quais despertava de repente, com um sorriso constrangido, para espanto de seus interlocutores.

De minha parte, achei estranho voltar ao minúsculo apartamento onde passara quase dois anos de minha vida; lembrar que tinha sido ali, naquela mesma sala, que conhecera Melissa. O apartamento sofrera uma grande transformação nas mãos da última amante de Pombal. Sua insistência resultou em painéis de madeira de um branco quase cinzento e frisos marrons. As velhas poltronas, cujo estofamento costumava escapar do tecido rasgado, haviam sido reformadas com um material grosso, lustroso e decorado com um padrão de flor-de-lis. Os três sofás antigos haviam desaparecido, para aumentar o espaço.
Sem dúvida tinham sido vendidos ou destruídos. "Em algum lugar", pensei, citando um poema do velho poeta, "em algum lugar seguem vivendo aquelas velharias”.  Como a memória é rancorosa, como se agarra de forma amarga à matéria-prima de seu trabalho cotidiano.
Outrora espartano, o quarto de dormir de Pombal tornara-se vagamente fin de siécle e brilhava de tão limpo. Oscar Wilde seria capaz de escolhê-lo como cenário para o primeiro ato de alguma de suas peças. Meu quartinho voltara a ser um pequeno depósito, mas a cama continuava no mesmo lugar, encostada na parede ao lado da pia de ferro. Naturalmente, a cortina amarela desaparecera e fora substituída por um tecido branco e sem graça. Coloquei a mão na cabeceira enferrujada de minha velha cama e senti uma pontada no coração ao lembrar dos olhos cândidos de Melissa encarando-me na meia-luz daquele cubículo. Fiquei envergonhado e surpreso com meu pesar. E quando, às minhas costas, Justine entrou no quarto, fechei a porta com um pontapé e na mesma hora comecei a beijar seus lábios, seus cabelos e sua fronte, apertando-a em meus braços até quase roubar-lhe o fôlego, para que não percebesse as lágrimas em meus olhos. Já era tarde demais, contudo, e, retribuindo meus beijos com o maravilhoso ardor que somente a amizade pode emprestar às nossas ações, murmurou:
- Eu sei. Eu sei.
Então, libertando-se de mim com doçura, levou-me para fora do quarto e fechou a porta.
- Preciso falar-lhe de Nessim - disse em voz baixa. - Escute. Na quarta-feira, um dia antes de deixar o Palácio de Verão, cavalguei sozinha até o mar.
Havia um bando de gaivotas perto da praia. De repente, enxerguei ao longe o carro atravessando as dunas, com Selim no volante. Não consegui entender o que estavam fazendo. Nessim estava no banco traseiro. Achei que acabariam atolados na areia, mas não: seguiram sem problemas até a beira do mar, onde a areia era firme, e começaram a avançar na minha direção. Eu não estava na praia, mas numa depressão a uns cinqüenta metros do mar. Quando passaram por mim à toda velocidade, fazendo as gaivotas levantarem vôo, vi que Nessim trazia nas mãos sua velha carabina. Ergueu-a e atirou por vezes sem conta nas gaivotas, até ficar sem munição. Três ou quatro das gaivotas desabaram no mar, mas o carro não parou. Deixaram-me para trás, quase voando. Creio que havia um caminho levando da beira da praia até o arenito e de lá à estrada principal, pois quando cheguei em casa, meia hora depois, o carro já estava lá. Nessim estava no observatório, com a porta trancada. Disse estar ocupado. Quando perguntei a Selim o que significara tudo aquilo, ele simplesmente encolheu os ombros e apontou para a porta do observatório. "Ordens dele", disse, sem mais.
Querido, se você tivesse visto o rosto de Nessim quando ergueu a arma ... - E, ao pensar nisso, Justine ergueu sem querer seus dedos compridos até o rosto, como se quisesse ajustar sua expressão. - Parecia um louco.
Na outra sala, todos conversavam polidamente sobre a política mundial e a situação na Alemanha. Nessim encarapitara-se graciosamente na poltrona de Pordre. Pombal engolia bocejos que, incômodos, insistiam em retomar sob forma de arrotos. Minha mente continuava prisioneira de Melissa. Naquela mesma tarde enviara-lhe algum dinheiro, e pensar que ela o gastaria comprando belas roupas - ou mesmo outra tolice qualquer - era uma idéia reconfortante. "Dinheiro" comentava Pombal, com um ar divertido, com uma senhora idosa que parecia um camelo aflito. "É importante garantir uma fonte de renda, pois somente o dinheiro pode gerar mais dinheiro. Naturalmente, a madame deve conhecer o provérbio árabe que reza: 'Riqueza compra riqueza, mas a pobreza mal é suficiente para comprar o beijo de um leproso''.
- Precisamos ir - declarou Justine, e, encarando o calor de seus olhos escuros enquanto me despedia, percebi que ela adivinhava que minha mente estava dominada por Melissa naquele momento; isso emprestou ao seu aperto de mão mais calor e simpatia.
Acho que foi naquela noite, enquanto ela vestia-se para o jantar, que Nessim entrou em seu quarto e dirigiu-se ao seu reflexo no espelho.
- Justine - disse, com a voz firme. - Não pense que estou ficando louco ou algo do tipo, mas diga-me, por acaso Balthazar já foi mais que um amigo para você? - Justine pendurava uma cigarra de ouro no lóbulo de sua orelha esquerda; encarou Nessim por um longo segundo antes de responder, exatamente no mesmo tom:
- Não, querido.
- Obrigado.
Nessim encarou seu próprio reflexo por um bom tempo, impassível, atento. Então deu um único suspiro e retirou do bolso do colete de seu traje uma pequena chave de ouro, em forma de ankh.
- Não faço idéia de como isso veio parar em minhas mãos - disse, corando visivelmente e mostrando a chave para Justine. Era a chavezinha do relógio, cujo sumiço tanto preocupara Balthazar. Justine fitou a chave, e então o marido, com um ar ressabiado.
- Onde estava? - perguntou.
- No meu estojo de abotoaduras.
Justine continuou a vestir-se, agora mais lenta, olhando curiosa para o marido, que, por sua vez, continuou analisando suas próprias feições com o mesmo ar deliberado e racional.
- Preciso encontrar um modo de devolvê-Ia. Talvez ele tenha deixado cair durante algum de nossos encontros. Mas o estranho é que ... - Suspirou novamente. - Não lembro. - Estava claro para ambos que Nessim roubara aquela chave. Dando as costas a Justine, anunciou: - Espero por você lá embaixo
- Enquanto a porta se fechava sem ruído, Justine examinou com curiosidade a pequena chave.
 


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Desde abril de 2008 Quarteto de Alexandria, de Lawrence Durrell, com seus quatro livros: Justine, Balthazar, Mountolive e Clea, aguardam oportunidade de leitura. Aguardam porque não é necessária pressa para a leitura de clássicos.  


 

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