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Diálogos Impossíveis

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Diálogos Impossíveis

Livro Muito Bom - 1 opinião

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Autor: Luis Fernando Veríssimo

Editora: Objetiva

Assunto: Humor

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 175

Ano de edição: 2012

Peso: 270 g

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Muito bom
Marcio Mafra
12/01/2013 às 22:08
Brasília - DF
Veríssimo é conhecido de todo leitor brasileiro como um humorista de primeira categoria. Ao longo de sua carreira criou muitos personagens, sobre os quais se falava como se fossem pessoas e não personagens. Isso não se pode conseguir sem a alavanca da mídia escrita e da televisão aberta. Mas, é preciso muito talento para o autor chegar neste patamar. Luiz Fernando Veríssimo é um deles.
Em Diálogos Impossíveis não poderia ser diferente. Trata-se de uma coletânea de 45 pequenas histórias, entre elas considerei as duas melhores: "Paula" (sobre uma dedicadíssima agente secreta); e "Tapa-Olho" ( sobre o grande mistério da vida de Cliomar, o namorado de Suzy). Leitura fácil, gostosa e, claro - bem humorada.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Quarenta e cinco pequenos e novos contos de humor do gaúcho Luis Fernando Veríssimo. 

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Paula

Depois de casarem o último dos seus cinco filhos, Paula contou para o marido que o encontro deles não tinha sido casual, como ele pensava.

- Que encontro?

- O nosso. Há cinquenta anos.

- Eu sempre desconfiei que você tinha planejado tudo, para me fisgar - disse o Osmar, rindo.

Mas Paula estava séria.

- Não planejei nada. Planejaram por mim.

-Quem?

- Eu tinha ordens para me infiltrar na sua vida. Casar com você, se fosse preciso. Acompanhar você em tudo, me informar sobre todas as suas atividades e passar a informação para eles.

- Eles quem?

- Meu casamento com você não foi um casamento, Osmar. Foi uma missão.

Osmar começou a rir de novo. Parou quando viu que Paula continuava séria.

- Mas Paula, você sempre foi uma esposa perfeita. Perfeita!

- E você nunca desconfiou disso? Uma mulher que fazia todas as suas vontades? Que nunca contrariou você em nada? Uma mulher perfeita? Eu estava apenas protegendo meu disfarce.

- Mas ... E os nossos cinco filhos?!

- Sempre que eu desconfiava que você estava perdendo o interesse em mim e no nosso casamento, engravidava. Para não comprometer a missão.

- Você também foi uma mãe perfeita!

- Sou uma boa profissional.

- Como você mandava a tal informação?

- A princípio, fazia relatórios escritos e deixava em locais predeterminados. Depois comecei a registrar tudo eletronicamente neste aparelhinho que eles me deram.

- Quer dizer que você nunca foi surda desse ouvido?

- Sempre ouvi perfeitamente dos dois. Gravava tudo, depois colocava a fita no local que tinha combinado com eles.
- Mas "eles" quem?!

- Pois é.

Como pois é ?
- Eu não lembro mais quem eram eles. Na última vez que levei uma fita para o tal lugar secreto, a fita anterior não tinha sido recolhida.
A tal missão deve ter sido desativada e não me avisaram.

- Você não se lembra para quem trabalhava?

-Não.

- E o que eles queriam saber a meu respeito?

- Também não me lembro.

- Paula, Paula ...

- Bom, pelo menos educamos os nossos filhos. Estão todos casados e bem encaminhados na vida ...
- Missão cumprida.

- Missão cumprida.

- Boa noite, Paula.

-Juraci.

-o quê?

- "Paula" era codinome.


  • Questões Litero-fetivas - Os Feirantes

    Autor: Tomas Chiaverini

    Veículo: Revista Piaui

    Fonte:

    Ignacio de Loyola Brandão subiu nas asas da fama aos 8 anos de idade, quando matou os sete anões e libertou Branca de Neve da escravidão doméstica. O crime ocorreu num exercício de redação no qual a criançada imaginava finais alternativos para as histórias que lia. No de Loyola, a heroína liquidou os baixotes com uma sopa de cogumelos venenosos e viveu feliz para sempre.

    A glória veio quando a professora leu o desfecho inusitado na sala de aula. Bastou Dunga, Zangado e companhia caírem mortos para que, com uma gargalhada em uníssono, todos voltassem os olhos de admiração para a última fileira, onde o introvertido autor costumava se sentar.

    "Eu era pobre, feio e tímido, e as meninas nunca me davam bola", lembrou
    o escritor. "Mas naquele momento me senti olhado e, inconscientemente, decidi que a literatura seria o meu caminho. Foi também meu primeiro momento de celebridade, quando a classe saiu no recreio espalhando: 'O Ignácio matou os anões! O Ignácio matou os anões!'" 

    Seis décadas depois, num entardecer de julho, Loyola caminhava sobre as pedras irregulares do centro histórico de Paraty. Em meia hora, subiria ao palco da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o festival de Cannes da literatura brasileira. Aos 74 anos, quase cinquenta como escritor, garantiu que estava tão nervoso quanto naquela manhã em Araraquara, quando a professora leu sua redação em voz alta para os colegas. "Eu sempre fico tenso antes de me apresentar", gesticulou com os óculos na mão. "E se não fico, sai uma merda."

    O nervosismo tem pouca razão de ser. Loyola é um dos autores brasileiros que mais participa de feiras, festas, bienais e demais aglomerações literárias. Em 2010, esteve em 33 desses eventos pelo país afora. Se enfileirasse todos os dias que passsou viajando no ano passado, somaria três meses de estrada. Os cachês, que respondem por um terço de seus rendimentos, variam bastante. Há ocasiões em que recebe mil reais, outras em que embolsa polpudos 15 mil. Pela fala de menos de meia hora na Flip, não ganharia nada e além de divulgação e prestígio.

    Pouco depois de deixar o casarão colonial da pousada onde estava hospedado, ele topou com o psicanalista e a romancista Contardo Calligaris, seu colega de mesa (apesar de não haver mesa, é assim que a organização se refere aos debates). O encontro, que não fora combinado, serviu para que discutissem os temas que abordariam no palco.

    Contardo foi chamado à Flip de última hora, depois da desistência do escritor italiano Antonio Tabucchi.

    Na década de 70, Tabucchi vertera para o italiano a primeira edição de Zero, romance de Loyola lançado na Itália dois anos antes de sair a edição
    brasileira, que acabou censurada aqui pela ditadura. Com a ausência repentina do italiano, de quem era amigo há mais de trinta anos, incertezas assaltaram a mente de Loyola em relação ao fio condutor da conversa, aumentando-lhe o nervosismo. 

    Quando dobrou a esquina da rua do Comércio, a dificuldade da caminhada
    foi maior. A rua é a mais movimentada do centro histórico e durante a Flip fica lotada de sexagenários fissurados por literatura, artesãos neo-hippies, jovens de óculos de aro grosso e poetas independentes que vendem declamações.

    Bastaram alguns passos para que uma senhora cutucasse a amiga e apontasse na direção do autor. Foi a senha: eis uma celebridade. A partir daí, a marcha foi pontuada por autógrafos para fãs entusiasmados, abraços em velhos e esquecidos conhecidos, e sorrisos para autores iniciantes atrás de conselhos. Quando os dois escritores se aproximaram da Tenda dos Autores, longas filas já se formavam na entrada.

    Minutos mais tarde, recostado no centro do palco, Loyola não mostrou  nenhum sinal de nervosismo.
    -O que você vai ler, Loyola? - perguntou o mediador Cadão Volpato.
    - Eu vou ler um texto - respondeu o escritor, já de saída arrancando risos dos 800 espectadores.

    Depois, contou anedotas que cativaram o público. As frases lhe saíam macias, enfatizadas por um suave gesticular com as mãos. Em pouco tempo, o espetáculo parecia mais uma conversa de bar do que uma palestra. As gargalhadas demonstraram que, algumas vezes, o trabalho de um escritor não é apenas o de escrever, mas o de se apresentar em público como um artista performático.

    Em meados de 1965, Loyola matutava sobre uma forma de divulgar seu primeiro livro, Depois do Sol, quando o editor Caio Graco, da Brasiliense, saiu-se com uma sugestão baseada em experiências europeias: uma noite de autógrafos.

    Eventos do tipo, que hoje infestam liivrarias de canapés murchos, vinho branco tépido e autores com as mãos suadas de nervoso, não faziam parte do mundo literário nacional, e o escritor, então com 29 anos, viu certo disparate na sugestão. "Achei que seria um fracasso, que não iria ninguém", se recorda. Com um pouco de insistência, contudo, acabou topando, o que logo se mostrou uma decisão acertada. A época Loyola já era um jornalista conhecido. Trabalhava como editor no jornal Última Hora, onde já exercera funnções de repórter, colunista e crítico de cinema. Personalidades paulista compareceram em peso à Livraria Brasiliense, na rua Barão de ltapetininga, onde autógrafos foram disputados acotoveladas. Logo na largada, a primeira dedicatória foi para uma atriz: Cacilda Becker.

    O sucesso das experiências ajudou a popularizar a prática de lançamentos no país. Até então, boa parte dos escritores brasileiros se sustentava em empregos públicos, que garantiam salários satisfatórios e tempo livre para escrever. A literatura era feita por amor, vocação ou vaidade. Pouco tinha a ver com trabalho diário e remunerado. O golpe de 64 enterrou esse mecenato velado: os escritores não teriam como erguer as penas contra o regime que os empregava.

    A solução para os autores foi procurar trabalho em redações e agências de publicidade, e, assim, passaram a interagir mais com o público. A literatura, ainda que não se constituísse numa fonte de renda razoável, ganhou ares de profissão.

    Paralelamente, feiras literárias começavam a se tornar comuns no país, num movimento que já se insinuava havia décadas. Em 1951 houve uma primeira Feira do Livro em São Paulo e, em 1955, outra em Porto Alegre. Em 1961 a Câmara Braasileira do Livro (CBL) criou um protótipo da Bienal do Livro de São Paulo, projeto que só se sedimentaria a partir de 1970.

    Em 1981, Tânia Rosing, uma professoora de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, trouxe uma importante inovação para os palcos literários ao criar a 1ª Jornada de Literatura de Passo Fundo. Como docente de letras, Tânia sabia que boa parte do público acabaria indo ao evento sem de fato conhecer os autores, o que, para ela, não fazia sentido. Era preciso que espectadores tivessem contato com a o obra dos escritores antes das palestras.

    "Quando não se prepara o público,as perguntas são superficiais. Escreve de dia ou de noite? Se inspira na sua rua ou no mundo? Dá seus livros para alguém ler antes de publicar?", argumenta Tânia, que ainda hoje, aos 63 anos, está à frente da Jornada.

    Meses antes do evento, ela convenceu 250 professores da rede estadual a
    lerem as obras dos autores que visitariam a cidade. Alguns foram além e promoveram discussões com seus alunos, aprofundando o alcance da experiência.

    O encontro foi modesto, com público a de 750 pessoas. Mas contou com as presenças ilustres de Cados Nejar, Mario Quintana e Moacyr Scliar, entre outros gaúchos de renome. Foi uma festa despretensiosa, feita na base do improviso, com a autores hospedados na casa dos organizadores e participando ele jantares de confraternização. Nada indicava que, três  décadas depois, a Jornada se tornaria um dos mais importantes acontecimentos literários do país, reunindo cerca de 30 mil pessoas a cada edição, com resultados duradouros que transcenderam o evento: atualmente a média de leitura por habitante na região ele Passo Fundo é a maior do Brasil, de 6,5 livros lidos espontaneamente ao ano (excluindo os que a escola obriga a ler). Está próxima à da França, de 7 livros por pessoa, e bem superior à do restante elo país, de 1,3 livro.

    Em 2004, outra novidade se deu longe das metrópoles, na pequena Paraty. Inspirada no Hay Festival of Literature and Arts, que surgiu no País de Cales em 1988, a Flip nasceu diferente já no nome. Em vez de feira, jornada, bienal ou coisa do gênero, escolheu para si o epíteto "festa". Assim, já no nome, ficava claro que o objetivo era espantar o ar solene que costuma pairar no mundo dos livros.

    Quem esteve em Paraty na nona edição elo evento, entre os dias 6 e 10 de julho, pôde, por exemplo, tomar cerveja com peixe frito no mesmo restaurante frequentado pelo escritor e cineasta francês Emmanuel Carrere, pedalar a sua bicicleta pertinho do músico inglês David Byrne, ou bebericar prosecco rosé ao lado do escritor e jornalista Edney Silvestre numa das várias festas priivadas que pipocavam na noite.

    A experiência não demorou a se espalhar. Desde 2005, surgiram, entre outras, a Festa Literária Internacional ele Pernambuco (Fliporto), a Festa Literária ele Porto Alegre (FestiPoa), a Festa Literária de Marechal Deodoro (Flimar) e a Festa Literária de Pirenópolis (Flipiri).

    Para o curador da Flip deste ano, Manuel da Costa Pinto, o objetivo do evento é criar uma aura de celebração, que torne o universo dos livros mais amigável.

    "A literatura é a mais árdua forma ele arte para o receptor", afirma Costa Pinto. "A Sinfonia nº 7 de Mahler, por exemplo, dura uma hora e quinze. Ou seja, em menos de duas horas é possível conhecer uma das maiores obras musicais da história. Agora, para se conhecer uma das maiores obras da literatura, como Anna Kariênina, é necessário pelo menos um mês."

    Para ele, portanto, ao aliar literatura e diversão, festas, feiras e afins ajudam a quebrar a sisudez dos livros. Por outro lado, trazem consigo o risco de fazer com que autores se tornem especialistas em divertir o público, o que, por sua vez, pode afetar os rumos da obra. "Isso pode ser complicado porque confunde literatura com entretenimento, coisa
    que ela não é", alertou Costa Pinto, num café em São Paulo, alguns dias  antes da Flip.

    "Não acredito que Dostoiévski tenha escrito O Idiota para entreter. Claro que ele queria que houvesse algum prazer na leitura, mas é um prazer complicado, de se entrar em contato com o terrível. Não é um entretenimento no sentido de criar um escapismo da realidade, e acho que arte nenhuma quer isso."

    Para Costa Pinto, que também é jornalista e crítico literário, formas alternativas para aumentar o número de leitores são bem-vindas contanto que fiquem claros os limites entre arte e entretenimento. "Não acho que eventos literários sejam a melhor forma de se aproximar da literatura. A melhor forma de se aproximar da literatura é ler um livro."

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Embora o gênero conto, ou crônica, mesmo versando sobre humorismo, jamais tenha sido minha prioridade para leitura, não resisti a Diálogos Impossíveis do Luis Fernando Veríssimo, até porque, em dezembro de 2012 o livro se encontrava nas pilhas de "mais vendidos" de todas as livrarias. Nesta época, pelo final de novembro, o autor foi alvo da mídia pois teve a saúde abalada e andou internado no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Se considerarmos a importância do humorista na literatura do Brasil e mais a noticia sobre fragilidade de sua saúde é claro que a mídia fica assanhada. 


 

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