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Diários do Vampiro Livro 4 - Reunião Sombria

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Diários do Vampiro Livro 4 - Reunião Sombria

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Autor: L J Smith

Editora: Galera Record

Assunto: Realismo Fantástico

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 252

Ano de edição: 1991

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Excelente
Ingrid C Delamura Faquim
21/11/2012 às 10:07
Mirassol - SP
Leiam esse livro. É assustador no começo e revoltante no fim. E muito, muito emocionante. Eu passei a AMAR Damon! Não que eu tenha traído meus sentimentos por Stefan, mas Damon é fundamental aqui.

Ingrid C Delamura Faquim
21/11/2012 às 10:01
Mirassol - SP

O quarto livro começa seis meses após a morte de Elena. Este livro é contado à partir do ponto de vista de Bonnie. Em uma festa de aniversário surpresa à Meredith, Bonnie e Caroline (juntamente com mais três amigas da escola) contatam Elena usando um tabuleiro de Ouija. Elena avisa-lhes que todos da cidade estão em perigo. Ela diz que elas precisam chamar alguém, mas é interrompida, presumivelmente pelo espírito malígno, antes de dizer-lhes o resto. Antes de todas as meninas conseguirem sair da casa, uma delas é jogada pela janela do segundo andar e morre. Outra das garotas se torna insana após esse acontecimento. Com a ajuda de Matt, Bonnie e Meredith executam um feitiço para chamar Stefan, e ele aparece à cidade com Damon. Os cinco trabalham para achar a origem do mal na cidade. A origem é Klaus, um vampiro muito antigo que transformou Katherine, a vampira que transformou Stefan e Damon. No final, depois da batalha que levou Stefan à beira da morte, Bonnie chama Elena para ajudar. O exército de espíritos é liderado por Elena, e ela é capaz de ajudar Stefan e Damon à derrotar Klaus. Então, Elena é trazida de volta dos mortos, mas ela é muito mais humana agora. Elena e Stefan se abraçam e tentam se conciliar com Damon, mas ele se transforma em corvo e voa longe.

Ingrid C Delamura Faquim
21/11/2012 às 10:01
Mirassol - SP

-E isso é tudo o que lembro – disse Bonnie quando ela e Meredith caminharam até a rua do Girassol entre as filas de altas casas vitorianas. -Mas, era definitivamente Elena? -Sim, e estava tentando me dizer algo. Mas essa é a parte que não estava clara, mas era importante, muito importante. O que você acha? -Sanduíches de rato e tumbas abertas? – Meredith arqueou elegantemente uma sobrancelha. – Acho que está conseguindo misturar Stephen King com Lewis Carroll. Bonnie achou que ela tinha razão. Mas o sonho ainda a incomodava; a tinha incomodado o dia todo, o bastante para ocupar sua mente desde cedo. Agora, quando ela e Meredith se aproximavam da casa de Caroline, as antigas lembranças voltavam com a vingança. “Realmente devia ter dito a Meredith sobre isto”, disse a si, enquanto lançava um olhar a garota mais alta. Simplesmente não devia permitir Meredith andar por aí desprevenida… Meredith procurava as janelas acendisas da Rainha Anne House com um suspiro. -Você realmente precisa desses brincos hoje a noite? -Sim, preciso deles; sim, absolutamente – agora era tarde demais. Podia ter feito tão bem isso. – Você vai amar quando os ver – acrescentou ela enquanto escutava a nota de esperança e o desespero em sua própria voz. Meredith fez uma pausa e seus olhos escuros perspicazes investigaram o rosto de Bonnie curiosamente. Então bate una porta. -Espero que Caroline não esteja em casa hoje a noite. Nós poderíamos terminar atracadas como lá. -Caroline fica em casa em um sábado a noite? Não seja ridícula – Bonnie estava segurando sua respiração por muito tempo; estava começando a se sentir tonta. Seu riso tiritante saiu quebrado e falso. – Isso é um conceito – continuou um pouco histérica quando Meredith disse: -Acho que não tem ninguém em casa – e girou os calcanhares. Possuída por um leve impulso louco, Bonnie emendou: -Ti peguei... *a palavra é fiddle, não está traduzido ao pé da letra, mas acho q ela disse isso Com a mão na maçaneta da porta, Meredith se deteve e virou para olhá-la. -Bonnie – disse quietamente – tem estado inalando ozônio? -Não – sem entusiasmo, Bonnie agarrou o braço de Meredith e buscou seus olhos urgentemente. A porta estaca se abrindo só. – Ah, Deus, Meredith, por favor não me mate... -Surpresa! – gritaram três vozes. -Sorria – Bonnie sussurrou, e empurrando o corpo repentinamente resistente de sua amiga através da porta até a sala iluminada cheia de ruídos e chuva de confetes. Disse ferozmente com os dentes apertados. – Me mate depois, eu mereço, mas agora sorria. Havia balões do tipo mais caro, Mylar, e uma montanha de presentes de frente para a mesa de café. Inclusive um arranjo de flores, que Bonnie notara que parecia com as orquídeas do lenço de pescoço de Caroline. Era um Hermes seda com o plano de videiras e folhas. “Aposto que acabará levando uma dessas orquídeas em seu cabelo”, pensou Bonnie. Os olhos azuis de Sue Carson estavam um pouco ansiosos, e seu sorriso vacilante. -Espero que você não tenha planos para esta noite, Meredith – disse. -Nada que não possa quebrar com um pé de cabra – respondeu Meredith. Mas ela sorriu e Bonnie estava relaxada. Sue tinha sido a Princesa do Regresso na corte de Elena, junto a Bonnie, Meredith e Caroline. Ela era a única garota na escola, além de Bonnie e Meredith que apoiaram Elena quando todos os outros tinha virado as costas a ela. No enterro de Elena, ela dissera que Elena sempre seria a única rainha de Robert E. Lee, e tinha cedido sua própria nomeação para Rainha da Neve em memória de Elena. Ninguém podia odiar Sue. “O pior já tinha acabado”, pensava Bonnie. -Quero uma foto nossa no sofá – disse Caroline enquanto se posicionava atrás do arranjo de flores. – Vickie, pegue, quer? Vickie Bennett tinha estado de pé e em silêncio, sem ser notada. Disse: -Ah, claro – e nervosamente ajeitou o cabelo castanho longo e leve para afastá-lo de seus olhos quando pegou a câmera. “Como se fosse uma amável servente”, pensou Bonnie, e então o flash a deslumbrou. Com a foto impressa Sue e Caroline riram e falaram sobre a cortesia seca de Meredith. Bonnie notou algo mais. Era uma foto boa; Caroline olhou atordoada seu cabelo castanho avermelhado e brilhante e o verde pálido das orquídeas diante dela. E Meredith, com um olhar resignado, irônico e obscuramente bonito, e uma cabeça mais abaixo que as outras, estava ela, com seus cachos vermelhos despenteados e uma expressão tímida no rosto. Mas a coisa estranha era a figura ao lado dela no sofá. Era Sue, claro que era Sue, mas por um momento o cabelo loiro e os olhos azuis pareciam pertencer a alguém mais. Olhando-a urgentemente, a ponto de dizer algo importante. Bonnie franziu o cenho para a fotografia enquanto pestanejava rapidamente. A imagem nadou na frente dela, e um calafrio inquietante percorreu suas costas. Não, só era Sue na foto. Ela deve ter ficado louca durante um minuto, ou algo aceitou o desejo de Caroline. -Todas juntas outra vez. -Eu vou tirar – disse ela enquanto saltava. – Senta, Vickie, se ajeite. Não, mais longe, longe... ali! – Todos os movimentos de Vickie eram rápidos e leves e nervosos. Quando o flash se foi, se comportou como um animal assustado pronto para fugir. Caroline deu uma olhada na foto, se levantou e se dirigiu até a cozinha. -Estamos fazendo um substituto de bolo – disse. – Estou fazendo minha própria versão de Morte por Chocolate. Venha, vocês tem que me ajudar a fungir o doce de chocolate. Sue a seguiu, e depois de uma pausa incerta, Vickie também. Os últimos rastros da expressão agradável de Meredith se evaporaram e ela se virou para Bonnie. -Devia ter me dito. -Eu sei – Bonnie abaixou sua cabeça docilmente por um minuto. Então sorriu abertamente. – Mas aí não teria vindo e nós não estaríamos tendo a Morte por Chocolate. -E isso faz que tudo vala a pena? -Bem, ajuda – disse Bonnie, com um ar razoável. – E realmente, não é ruim. Caroline está tentando ser agradável,e é bom para Vickie sair ao menos uma vez da casa... -Não parece lhe agradar nem que seja bom para ela – disse Meredith bruscamente. – Parece que vai ter um ataque cardíaco. -Bem, é provável que simplesmente esteja nervosa – na opinião de Bonnie, Vickie tinha razão para estar nervosa. Tinha passado quase todo o outono anterior catatônica, sem ser dona de sua vontade, já que sua mente era manejada por um poder que ela não entendia. Ninguém esperava que saísse do transe tão rápido. Meredith tinha o olhar frio. -Pelo menos – Bonnie disse consoladoramente -, não é seu verdadeiro aniversário. Meredith pegou a câmera e negou com a cabeça. Ainda com o olhar frio olhou para suas mãos e disse: -Mas é. -O que? – Bonnie a olhou fixamente e então perguntou estremecida.- O que disse? -Eu disse que é meu aniversário de verdade. A mãe de Caroline deve ter dito a ela; ela e minha mãe são amigas há muito tempo. -Meredith, do que está falando? Seu aniversário foi na semana passada, 30 de maio. -Não, não era. É hoje, 6 de junho. É verdade; está em minha carteira de motorista e tudo. Meus pais começaram comemorando uma semana antes porque 6 de junho também era perturbador para eles. Era o dia que meu avô foi atacado e ficou louco – como Bonnie abriu a boca, incapaz de falar, serenamente continuou. – Ele tentou matar minha avó, você sabe. Também tentou me matar – Meredith pôs a câmera cuidadosamente no centro exato da mesa de cadê. – Devemos entrar na cozinha – disse quietamente. – Sinto cheiro de chocolate. Bonnie ainda estava paralisada, mas sua mente estava começando a trabalhar de novo. Vagamente, lembrou que Meredith falava sobre isso antes, mas não lhe havia dito toda a verdade antes. E não tinha dito quando tudo tinha passado. -Atacar, quer dizer como Vickie foi atacada – Bonnie conseguiu dizer. Não podia dizer sobre o mundo dos vampiros, mas soube que Meredith a havia entendido. -Como atacaram Vickie – confirmou Meredith. – Venha – continuou, mas quietamente. – Elas estão esperando por nós. Não quis perturbar você. Meredith não quer que eu fique perturbada, então eu não vou ficar perturbada, pensou Bonnie, o doce de chocolate quente jogado em cima do bolo de chocolate e sorvete de chocolate. Mesmo tendo sido amigas desde pequenas e ela nunca me disse esse segredo antes. Por um momento sua pele se esfriou e as palavras vieram flutuando fora das escuras esquinas de sua mente. Ninguém é o que parece. Tinha sido advertida ano passado pela voz de Honoria Fell que falava através dela, e a profecia acabara sendo o Outro Poder e uma experiência horrível. O que não tinha acabado ainda? Então Bonnie agitou sua cabeça de forma determinada. Não podia pensar naquilo agora; tinha que pensar sobre a festa. E me assegurarei que será uma boa festa e que todas nós fiquemos bem de algum modo, pensou. Era estranho, mas não difícil. Meredith e Vickie não falavam muito no começo, mas Bonnie foi gentil com Vickie, e Meredith não pôde resistir ao monte de presentes brilhantemente embalados na mesa. Quando abriu o último todas falavam e riam. O humor de trégua e tolerância continuou quando passaram para o quarto de Caroline para examinar as roupas e CDs e álbuns de fotografias. Perto da meia-noite se deitaram para dormir nas bolsas, e ainda conversavam. -O que está acontecendo com Alaric esses dias? – Sue perguntou a Meredith. Alaric Saltzman era namorado de Meredith. Um estudante graduado da Universidade Duke que se especializou na parapsicologia e o tinham levado a Fell’s Church ano passado quando os ataques de vampiro começaram. Mesmo tendo iniciado como inimigo, terminou como um aliado e amigo. -Ele está na Rússia – disse Meredith. – A Perestróica, sabe? Está lá investigando o que estavam acontecendo com os psíquicos durante a Guerra Fria. -Quando volta? – perguntou Caroline. Era uma pergunta que Bonnie teria gostado de perguntar para Meredith. Porque Alaric tinha quase quatro anos a mais, Meredith tinha lhe dito que esperariam até depois da graduação para falar sobre seu futuro. Mas agora Meredith fazia dezoito anos, lembrou-se Bonnie, e a graduação será em duas semanas. O que irá acontecer depois disso? -Não decidi – disse Meredith. – Alaric quer que eu vá para Duke e eu fui aceita lá, mas não estou certa. Tenho que pensar. Bonnie estava feliz. Queria que Meredith fosse para a Universidade Boone Junior com ela, e não que fosse se casar ou mesmo se comprometer. Era bobo decidir isso sendo tão jovem. A própria Bonnie estava contente nesse campo de conhecimento com um garoto ou outro. Conseguiu relacionamentos sem dificuldades e os superou facilmente. -Até agora nunca vi um que permanecesse fiel – disse ela agora. Todas a olhamos rapidamente. O queixo de Sue estava descansando em seus pulsos quando perguntou: -Nem mesmo Stefan? Bonnie devia ter sabido. Com a única luz da lâmpada do lado da cama escura e o único ruído era o sussurro des novas folhas nos salgueiros chorões que estavam do lado de fora, era inevitável que a conversa não se voltasse a Stefan... e a Elena. Stefan Salvatore e Elena Gilbert já eram um tipo de lenda na cidade, como Romeu e Julieta. Quando Stefan tinha vindo para Fell’s Church, cada garota o queria. E Elena, a garota mais bonita, mais popular, mais inacessível da escola, o queria também. Só depois de que o tinha conseguido, compreendeu o perigo. Stefan não era o que parecia, ele tinha um segredo mais sombrio que se podia supor. E tinha um irmão, Damon, ainda mais misterioso e perigoso que ele. Elena tinha se envolvido com os dois irmãos enquanto amava Stefan se sentia irresistivelmente atraída pela rusticidade de Damon. No fim morreu para salva-los, e para redimir seu amor. -Talvez Stefan... se você é Elena – murmurou Bonnie enquanto fazia o ponto. A atmosfera tinha mudado. Foi quieta no momento, um pouco triste, simplesmente correto para confidencias tarde da noite. -Ainda não posso acreditar que ela se foi – disse Sue quietamente enquanto agitava sua cabeça e fechava seus olhos. – Tinha mais vida que as outras pessoas. -Sua chama era a mais luminosa – disse Meredith enquanto olhava fixamente as figuras no teto emitidas pela lâmpada cor-de-rosa e dourado. Sua voz era suave, mas intensa e pareceu a Bonnie que essas palavras descreveram bem Elena, algo que ela vida escutou. -Houve tempos que eu a odiei, mas nunca pôde ignorá-la – disse Caroline, seus olhos verdes se estreitaram ante a memória. – Não era alguém que se podia ignorar. -Uma coisa que aprendi com sua morte – disse Sue – é que pode acontecer com qualquer uma de nós. Não podemos perder tempo na vida porque nunca sabemos quanto tempo temos. -Podia ser sessenta anos ou sessenta minutos – Vickie concordou em voz baixa. – Qualquer uma de nós podia ter morrido naquela noite. Bonnie se remexeu perturbada. Mas antes de que pudesse dizer algo, Sue repetiu: -Ainda não posso acreditar que ela realmente se foi. As vezes sinto que está em algum lugar por perto. -Ah, também sinto isso – disse Bonnie, distraída. Uma imagem de Warm Springs lhe veio a mente, e por um momento parecia mais vívido que o quarto escuro de Caroline. -Ontem a noite sonhei com ela, e realmente tinha a sensação de que era ela e que estava tentando me dizer algo. Ainda tenho essa sensação – disse a Meredith. As outras a olharam fixamente e em silêncio. Há algum tempo, todas teriam rido se Bonnie falasse sobre algo sobrenatural relacionado a qualquer coisa, mas não agora. Seus poderes psíquicos eram indiscutíveis, imponentes, e um pouco assustadores. -É verdade? – perguntou Vickie. -Você acha que ela estava tentando dizer algo? – perguntou Sue. -Não sei. No fim estava tentando manter contato comigo, mas era difícil, e não pôde. Houve outro silêncio. Por fim Sue disse vacilantemente, com a voz mais fraca: -Acha... acha que pode vê-la? Era o que todas elas estavam se perguntando. Bonnie olhou para Meredith. Antes, Meredith tinha se desfazido do sonho, mas agora encontrou os olhos sérios de Bonnie. -Não sei – disse Bonnie pausadamente. – As visões do pesadelo continuaram rodopiando ao redor dela. – Por segurança, não quero entrar em uma catalepsia e me abrir ao resto ou a qualquer coisa que possa estar aí fora. -Essa é a única maneira de se comunicar com as pessoas mortas? O que acha sobre uma tábua Ouija ou algo assim? – perguntou Sue. -Meus pais tem uma tábua Ouija – disse Caroline entusiasmada. De repente se quebrou o silêncio e o humor discreto enquanto uma tensão indefinível encheu o ar. Todas se sentaram mais retas e se olharam, especulando. Inclusive Vickie parecia intrigada em cima de sua bolsa de dormir. -Funcionaria? – Meredith perguntou a Bonnie. -Deveríamos? – perguntou Sue em voz alta. -Nos atreveríamos? É a pergunta certa – disse Meredith. Mais uma vez Bonnie viu que todas a olhavam. Duvidou um momento e, no fim, se encolheu de ombros. A excitação estava revirando seu estômago. -Por que não? – disse ela. – O que vamos perder? Caroline olhou para Vickie. -Vickie, tem um armário no fundo das escadas. A tábua Ouija deve estar lá, em cima da estante com um tabuleiro de outros jogos. Ela nem sequer disse não. -Por favor, pode pega-lo? – Bonnie franziu o cenho e notou a voz oca, mas Vickie já estava porta a fora. -Poderia ser um pouco mais educada – Bonnie disse a Caroline. – Isso dá a impressão de madrasta da Cinderela. -Ah, vamos, Bonnie – disse Caroline com impaciência. – Ela tem sorte de ser sido convidada. E você sabe. -E pensei que ela simplesmente tinha superado por nosso esplendor – disse Meredith secamente. -E além do mais... – Bonnie começou quando foi interrompida. O ruído era fraco e barulhento e caiu fracamente no final, mas não tinha nenhum erro. Era um grito. Se seguiu o silêncio e então subitamente o estrondo de gritos penetrantes. Em um instante as garotas se puseram de pé e saíram do quarto. Então foram para o vestíbulo e desceram as escadas. -Vickie! – com suas pernas longas, Meredith foi a primeira a alcançar o fundo. Vickie estava de pé diante do armário com os braços estendidos como se protegesse seu rosto. Agarrou Meredith enquanto ainda continuava gritando. -Vickie, o que aconteceu? – exigiu Caroline parecendo mais chateada que assustada. -As caixas estavam espalhadas pelo chão e marcadores de Monopólio e cartões de Trivials Pursuit estavam por todos os lados. -O que foi o grito? -Me agarrou! Eu estava alcançando acima da estante e algo me agarrou pela cintura! -Pelas costas? -Não! Dentro do armário. Sobressaltada, Bonnie olhava dentro do armário aberto. Os casacos invernais se mantinham em seu lugar, a capa impermeável e alguns casacos estavam no chão. Se desfazendo suavemente de Vickie, Meredith pegou o guarda-chuvas e começou a mexer nos casacos. -Ah, não faça isso... – disse Bonnie involuntariamente, mas o guarda-chuva só encontrou a resistência da tela. Meredith o usou para empurrar os casacos para o lado e revelar a parede do armário. -Viu? Não há ninguém aí – disse rapidamente. – O que tem são estas mangas de casacos. Se você se aproximar demais, aposto que pode sentir como se alguém passasse os braços ao seu redor. Vickie caminhou para frente fazendo balançar no ar uma manga de casaco da estante. Pôs o rosto entre suas mãos, o cabelo de seda longo o cobriu. Por um horrível momento, Bonnie pensou que estava chorando, mas então ouviu risadinhas. -Ah, Deus! Eu realmente pensei... ah, sou tão boba! Eu o limparei – disse Vickie. -Depois – disse Meredith firmemente. – Vamos para a sala. Bonnie deu uma última olhada para o armário quando elas saíram. Quando todas se reuniram ao redor da mesa do café com várias luzes apagadas, para o efeito, Bonnie pôs seus dedos levemente no indicador pequeno de plástico. Ela nunca tinha usado Ouija, mas soube como fazer. O indicador se moveu apontando para letras e expressando uma mensagem; se os espíritos quisessem falar, assim seria. -Todas nós temos que estar tocando – disse ela, e então viu como as garotas obedeciam. Os dedos de Meredith eram longos e finos, Sue com unhas finas e ovaladas. As unhas de Caroline estavam pintadas na cor cobre brilhante. A de Vickie estava roída. -Agora fechamos nossos olhos e nos concentremos – disse Bonnie suavemente. Havia assobios de antecipação e as garotas obedeciam; a atmosfera era a certa. -Pensem em Elena. A imaginem. Se ela estiver aí fora, nós queremos desenhá-la aqui. A sala estava em silêncio. No fundo escuro, com os olhos fechados, Bonnie viu o ouro pálido dos cabelos e os olhos azuis lápis-lazúli. -Vamos, Elena – sussurrou. – Fale comigo. O indicador começou a se mover. Nenhuma delas podia estar movendo-o; todas aplicavam uma pressão de diferentes pontos. Mas o triangulo pequeno de plástico estava deslizando facilmente, confiadoramente. Bonnie manteve os olhos fechados até quando se deteve e então olhou. O indicador apontava a palavra “sim”. Vickie fez algo como um soluço suave. Bonnie olhava para as outras. Caroline tinha olhos rápidos, verdes e respirava pausadamente. Sue, era única entre elas que ainda tinha seus olhos totalmente fechados. Meredith parecia pálida. Esperaram que ela soubesse o que fazer. -Continuem com a concentração – disse Bonnie a elas. Se sentia irreal e um pouco tonta ao se dirigir diretamente ao vazio. Mas ela era a expert; tinha que fazer alguma coisa. -É Elena? – perguntou. O indicador fez um leve circulo e voltou ao “sim”. De repente o coração de Bonnie começava a bater e teve medo de mexer os dedos. O plástico debaixo das pontas dos dedos estava diferente, quase eletrocutado, como se alguma energia sobre natural estivesse fluindo através dele. Já não se sentia tonta. As lágrimas vieram aos seus olhos e podia ver os olhos de Meredith que também estavam brilhando. Meredith acenou com a cabeça. -Como podemos ter certeza? – disse Caroline, ruidosamente e supeitosamente. “Caroline não sente”, compreendeu Bonnie; não se dá conta de nada que faço. Psiquicamente falando, ela não tem energia. O indicador estava se movendo de novo, as letras agora, tão rapidamente que Meredith tinha apenas tempo para digitar a mensagem. Até mesmo a pontuação estava correta. CAROLINE NÃO SEJA TÃO IDIOTA, disse. VOCÊS TEM SORTE DE ESTAREM FALANDO COMIGO. -Essa é Elena, tudo bem – disse Meredith secamente. -Isso se parece com ela, mas... -Ah, silêncio, Caroline – disse Bonnie. – Elena, eu estou tão feliz... – sua garganta se fechou como com chave e tentou de novo. BONNIE NÃO HÁ TEMPO DE CHORAMINGOS E VAMOS LOGO AO QUE INTERESSA. E isso também era Elena. Bonnie respirou e continuou. -Eu tive um sonho com você esta noite. CHÁ -Sim – o coração de Bonnie estava fazendo o ruído mais surdo e rápido que em toda a sua vida. – Eu quis falar com você, mas as coisas ficaram estranhas e então nós perdemos o contato. BONNIE, NÃO ENTRE EM TRANSE, NÃO ENTRE EM TRANSE, NÃO ENTRE EM TRANSE. -Tudo bem – isso respondeu sua pergunta, e ela a relevou para ouvir. INFLUENCIAS CORRUPTORAS DISTORCEM NOSSA COMUNICAÇÃO HÁ COISAS RUINS MUITO RUINS VINDO POR AÍ -Como o que? – Bonnie se colocou mais próxima da tábua. – Como o que? NÃO HÁ TEMPO! Os indicadores pareciam acrescentar o ponto de exclamação. Estava dando voltas violentas de letra a letra como se Elena mal pudesse conter sua impaciência. ELES ESTÃO OCUPADOS ENTÃO EU POSSO FALAR AGORA MAS NÃO HÁ MUITO TEMPO ESCUTEM QUANDO NÓS PARARMOS VÃO PARA FORA DA CASA RÁPIDO VOCÊS ESTÃO CORRENDO PERIGO -Perigo? – repetiu Vickie parecendo como se fosse salta da cadeira e correr. ESPEREM ESCUTEM PRIMEIRO A CIDADE TODA ESTÁ EM PERIGO -O que fazemos – disse Meredith no instante. VOCÊS PRECISAM AJUDÁ-LOS FORA DE SUA LIGA INACREDITAVELMENTE FORTE AGORA ESCUTEM E SIGAM AS INSTRUÇÕES VOCÊS TEM QUE FAZER UM FEITIÇO E O PRIMEIRO INGREDIENTE É H... Sem notar, o indicador deu outras voltas das letras e voaram ao redor da borda ferozmente. Apontou o quadro estilizado da lua então para o sol então para Parkers Brothers, Inc. -Elena. O indicador mexeu atrás das letras. OUTRO RATO OUTRO RATO OUTRO RATO -O que está acontecendo – Sue choramingou, olhando extensamente agora. Bonnie estava assustada. O indicador estava pulsando com a energia, uma escuridão e feia energia como se fervesse alcatrão negro em seus dedos. Mas ela também podia sentir o fio de prata tremeluzente que era a presença de Elena lutando. -Não a deixem ir! – ela chorou desesperadamente. – Não a soltem! RATOPODEMATARVOCE, a tábua divagou para fora. SANGUE SANGUE SANGUE. E então... BONNIE FORA DAÍ CORRA CORRA CORRA CORRA CORRA. O indicador deu voltas furiosas, formigando abaixo dos dedos de Bonnie e mais além de seu alcance, voou pela tábua e através do ar como se alguém o tivesse tirado. Vickie gritou. Meredith já estava de pé. E então todas as luzes se apagaram enquanto a casa se mergulhou na escuridão.


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