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A Vaca na Estrada

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A Vaca na Estrada

Livro Ótimo - 1 opinião

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Autor: Lucio Martins Rodrigues

Editora: Conteúdo

Assunto: Turismo

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 381

Ano de edição: 2010

Peso: 470 g

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Ótimo
Marcio Mafra
13/11/2012 às 22:36
Brasília - DF


Os livros do segmento Guia de Turismo, são como "meu querido diário". No dia tal, fiz isso....Dia tal, fiz aquilo.... No caso de "A Vaca na Estrada" não é isso não. O autor, faz um relato de sua viagem através da Turquia, Irã, Afeganistão, Paquistão, Índia e Nepal, indica hoteis, atrações turísticas, meios de transporte, hospedagem e alimentação. Mas faz isso tudo com muita graça, com muito charme e, inusitadamente, com muita opinião, muito comentário sobre cultura, religião, política, costumes e até sobre bizarrices. A leitura é leve, fácil e consegue transmitir para o leitor os encantos de cada lugar que o autor visitou. Livro mais que ótimo.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Uma viagem real pela Turquia, Irã, Afeganistão, Paquistão, Índia e Nepal. Relatos sobre mitos, castas, política, costumes, islamismo, budismo, hinduísmo incluindo as belezas, meios de hospedagem e transporte de cada local.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Papos em Jaipur

Algumas representações de divindades hindus podem parecer estranhas para o estrangeiro, como Ganesh, f1lho de Shíva e sua esposa Parvati, um deus com cabeça de elefante; ou a aterrorizante Kali, a Sangrenta, que usa um colar de crânios humanos em volta do pescoço. Comentei isso com meu amigo Ganga, que respondeu:

- Quando criança, viajei pela Europa com meus pais. Ao visitar uma igreja pela primeira vez, vi uma imagem horrível, que me deixou apavorado.

- Qual? - perguntei, curioso. Ele me olhou com ar maroto:

- Um homem seminu, morto, banhado em sangue, pregado em uma cruz, com espinhos fincados na cabeça.

Balancei a cabeça lentamente. O que ele dizia tinha sentido: a imagem de Cristo crucificado impressiona.
Mesmo assim, não resisti em lhe perguntar:

- Ganga, entre nós, sério mesmo, dá para acreditar em um deus com cabeça de elefante?

Olhou-me divertido:

- Tanto quanto acreditar ao pé da letra que Eva foi feita com a costela de Adão, que o casal foi enganado por uma cobra ou que a força de Sansão vinha de seus cabelos.

Para os verdadeiros sábios hindus, Deus se confunde com a própria criação e os vários aspectos da vida se misturam com o divino. Há um Hinduísmo da elite, dos brâmanes, dos pensadores. Talvez nenhuma outra religião apresente um fosso tão grande e marcante entre o popular e o elitista. Um lado da filosofia hinduísta me parece, porém, bem interessante. Apesar de a trindade hindu compreender Brahma, o que cria; Vishnu, o que conserva; e Shiva, o que transforma ou destrói, só os dois últimos são realmente cultuados. Brahma fez seu trabalho e saiu de cena. No equilíbrio cósmico, uma força - Vishnu - tentar conservar e outra - Shiva - busca transformar, destruindo, se for preciso. Isso, se pensarmos bem, vale para todos os aspectos da vida: o universo (uma força puxa, outra afasta), a política (revolução versus reação), o eu de cada um (paro, avanço ou recuo?), as relações amorosas (continuo ou mando tudo para o espaço?). É a dialética.

O mais curioso entre os hindus é que apesar de serem politeístas, falam em "Deus". O que acontece é que o "Deus" a que se referem é uma espécie de somatória de todas suas diferentes divindades.

Enfim, depois de muitas conversa, meu amigo hindu e eu nos colocamos de acordo pelo menos num ponto. Os hindus já nascem dentro dessa religião, mas nas demais, como Ganga levantou, isso também sempre acontece. As pessoas já chegam ao mundo dentro de uma fé, da mesma forma que vão se chamar João ou Maria, nomes não escolhido por elas. No Ocidente, é certo, existe mais "mobilidade religiosa": as pessoas podem se converter a determinada fé, embora as que o fazem sejam minoria. A prática é ninguém escolher nada. Você é católico, judeu, protestante, muçulmano ou budista porque nasceu numa família de uma determinada religião, sua fé não foi uma escolha, resultado de uma reflexão sobre os dogmas que o guiarão pelo resto de sua vida. Rezará frente a uma cruz, se for cristão; ficará se inclinando em movimentos regulares roçando a testa no Muro das Lamentações, se for judeu ortodoxo; ficará de joelhos, fazendo flexões, voltado para Meca, se for muçulmano. Vai acreditar e passar a seus descendentes que Maomé, Moisés ou Joseph Smith subiu a montanha, ou a montanha foi até ele, sempre sozinho, sem testemunhas oculares. E que Deus que, como sabemos, é ocupadíssimo, numa entrevista exclusiva, transmitiu-lhe um monte de ensinamentos compilados posteriormente por terceiros em livros sagrados, com as verdades nas quais todos devem acreditar.

O Hinduísmo é diferente, é uma religião sem profetas ou fundadores. Isso é estranho para os ocidentais. A realidade é que cada um acredita que sua religião ou sua crença, seja qual for, é a certa. Alguns, embora não confessem, no fundo acham que todas as demais são um amontoado de bobagens.

Bernard contou-me sobre um rapaz de família muçulmana que conheceu em Paris, marxista da linha chinesa - quase uma aberração cultural - que nunca pusera os pés em uma mesquita. Na parede da casa do rapaz, frases de Mao Tsé-Tung e o retrato do próprio, em lugar de honra, substituíam os habituais versos do Corão. Como seu ateísmo o impedia de acreditar em Alá, trocou Maomé por Mao.
 


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Tenho procurado livros sobre a India e sobre a China.  A Vaca na Estrada foi um titulo inusitado que me deparei alhures, sabendo tratar-se da India, então o comprei, sem consultar o tradicional sebo estante virtual, em outubro de 2012


 

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