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Crônica de Um Vendedor de Sangue

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Crônica de Um Vendedor de Sangue

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Autor: Yu Hua

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Romance

Traduzido por: Donaldson M. Garschagen

Páginas: 270

Ano de edição: 2011

Peso: 330 g

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Excelente
Marcio Mafra
28/10/2012 às 21:02
Brasília - DF


Se a história é boa, o livro é bom. Esta premissa só vale se o autor tiver talento. No caso de "Crônica de Um Vendedor de Sangue" e seu autor, o chinês YU Hua a premissa é verdadeira. Uma história simples de um casal de camponeses Xu Sanguan e sua mulher Xu Yulan. Eles tinham três filhos Xu Yle, Xu Erle e Xu Sanle. Xu Yle não era filho de Xu Sanguam, mas do primeiro namorado de Xu Yulan. A narrativa é bem chinesa. Os diálogos lembram a cultura chinesa que "folcloricamente" nós os leitores acidentais conhecemos. A narrativa tem um certo viés de crítica política. Durante o tempo do romance, acontecia a Revolução do Exercito Vermelho, de Mao Tsé-Tung. Os soldados de Mao, destruiam todas as plantações agrícolas, em todo o interior da China. Destruiam e proibiam os agricultores de voltar a plantar. Todas as terras passavam à propriedade do Estado. Os agricultores, como os membros da família de Xu Sanguam perderam as formas de seu sustento. Vender o sangue foi a única alternativa econômica que sobrou para sobreviver. Leitura boa, rápida, simples, despida de literatice. O final é muito bom. Livro excelente.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Xu Sanguan, casado com Xu Yulan e seus três filhos Xu Yle, Xu Erle e Xu Sanle. Xu Sanguan trabalhava numa fábrica de tecidos e vendia sangue para conseguir cobrir as despesas da família, durante a crise que aconteceu no setor agrícola da China. A crise foi o resultado da ação do Exército Vermelho de Mao Tsé-Tung, que desapropriou e destruiu todas as colônias agrícolas ao passá-las ao controle do Estado Comunista.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O ferreiro Fang foi à casa de Xu Sanguan e exigiu que ele levasse o dinheiro ao hospital sem delongas. "Se você não levar o dinheiro, não vão mais dar remédios a ele", disse.
Xu Sanguan disse ao ferreiro Fang: "Eu não sou pai de Yile.
Você bateu na porta errada. Deve procurar He Xiaoyong".
O ferreiro Fang perguntou: "Quando foi que você deixou de ser pai de Yile? Antes que ele machucasse meu filho? Ou logo depois?".
"É claro que foi antes", disse Xu Sanguan. "Pense bem. Faz nove anos que eu fui corneado. E, apesar disso, cuidei do filho dele nesses nove anos. Se, além de tudo, eu pagasse a conta do hospital de seu filho, eu seria mesmo o rei dos chifrudos."
O ferreiro Fang não pôde deixar de concordar com a argumentação de Xu Sanguan. Por isso, procurou He Xiaoyong e lhe disse. "Você pôs chifres na cabeça de Xu Sanguan há nove anos. Mas apesar disso ele criou seu filho durante todo esse tempo. Diz o ditado que se deve pagar uma gota d'água com uma enchente.
Em nome desses nove anos, você poderia ao menos pagar a conta do hospital do meu filho."
He Xiaoyong respondeu: "Por que você diz que Yile é meu filho? Só porque ele é parecido comigo? Isso não prova coisa nenhuma. Muitas pessoas se parecem".
Dito isso, entrou em casa, abriu um baú e tirou dali suas licenças oficiais de residência para mostrá-las ao ferreiro Fang.
"Olhe bem isto. Está vendo o nome de Yile em algum lugar aqui? Está vendo ou não? Quem tem de pagar a conta de hospital do seu filho é quem tiver o nome de Yile na sua licença de residência."
Como nem Xu Sanguan nem He Xiaoyong se dispunham a pagar a conta, o ferreiro Fang foi obrigado a procurar Xu Yulan. "Xu Sanguan diz que Yile não é filho dele, e He Xiaoyong diz a mesma coisa. Como nenhum dos dois admite que é o pai de Yile, só me resta pedir o dinheiro a você. Graças aos céus, Yile só tem uma mãe."
Depois de escutar o que o ferreiro Fang tinha a dizer, Xu Yulan cobriu o rosto com as mãos e rompeu em soluços.
O ferreiro Fang esperou com paciência, e quando pareceu que ela havia parado de chorar, acrescentou: "Se você não pagar, vou ter de trazer alguns homens, examinar suas coisas e levar o que valer algum dinheiro. E não duvide de que vou fazer isso. Não sou homem de bravatear e não cumprir".
Dois dias depois, o ferreiro Fang chegou com dois triciclos e seis homens para ajudar no trabalho. O grupo quase enchia a ruela.
Era por volta do meio-dia e Xu Sanguan estava prestes a voltar ao trabalho, quando viu o ferreiro Fang chegar. Entendeu que ele tinha ido ali para confiscar tudo o que havia em sua casa. Virou-se para Xu Yulan e disse: "Pegue sete xícaras e ferva água. Sobrou chá na lata? Temos convidados. Sete homens ao todo".


  • A Vida de Um Vendedor de Sangue

    Autor: Marcelo Lyra

    Veículo: Joirnal Valor Economico, 6 janeiro 2012

    Fonte: Internet

     


    Por Marcelo Lyra | De São Paulo

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    Yu Hua: a organização da sociedade chinesa maoista é vista como caótica e o conceito de igualdade do socialismo, posto em xeque

    Conhecido por seu estilo que alia humor corrosivo, dura crítica de costumes e um cuidadoso registro de época, o bem-sucedido escritor chinês Yu Hua tem outro romance traduzido no Brasil. A exemplo de seu livro mais conhecido, "Viver", este também é um épico que acompanha cerca de seis décadas da história da China, do pré-maoismo até os tempos recentes. É a história de Xu Sanguan, um trabalhador comum que, sempre que se encontra em dificuldades financeiras, procura o hospital para vender sangue. Em seu povoado esse tipo de venda não é um costume muito bem visto, mas rende quase tanto dinheiro quanto alguns meses de trabalho braçal.

    Nesse sentido, o banco de sangue do hospital é um microcosmo do funcionamento de todo o sistema burocrático chinês. Na época anterior à revolução de Mao Tsé-tung (1893-1976), só conseguia vender sangue quem pagava propinas (ou favores sexuais, se fosse mulher) ao chefe do hospital. Com a chegada do comunismo, o chefe passa a recusar presentes, já que está a serviço do povo, mas continua a favorecer pessoas com quem simpatiza. Anos mais adiante, na época do programa econômico maoista conhecido como Grande Salto para a Frente (1953-1958), que fez que mais de 50 milhões de pessoas morressem de fome, o chefe volta a aceitar favores, afinal precisa sobreviver. Com isso, Hua põe em xeque não só a austeridade, mas o conceito de igualdade do socialismo.

    Toda a organização da sociedade chinesa maoista é vista como caótica. A certa altura, por exemplo, o governo decide que ninguém mais pode cozinhar em casa, instituindo os restaurantes comunitários. Para garantir o cumprimento da lei, todos são obrigados a destruir seus fogões e as casas são inspecionadas uma a uma. Claro que a ideia, criada por algum burocrata de plantão e adotada por Mao, não dá certo. Os restaurantes superlotam, muita gente fica sem comer e assim as pessoas são autorizadas a voltar a cozinhar em casa. Só que, então, toda a parte de ferro dos fogões já foi usada para cumprir cotas de produção de aço das siderúrgicas. Mas, no pior momento, Xu Sanguan consegue sobreviver vendendo sangue.

    Também não deixa de ser curioso que, diante da falta de doadores de sangue, o governo mantivesse o pagamento, já que o normal, numa ditadura tão rígida quanto a chinesa, seria instituir logo a obrigatoriedade da doação.

    Há detalhes interessantes, como a constatação de que o salário por todas as tarefas dos chineses é baixíssimo desde sempre. Assim, muitos negócios são feitos na base da troca entre as pessoas por produtos como galinhas, ovos ou artesanato produzidos de forma doméstica, como na Idade Média. Os baixos salários e o excesso de trabalho explicam o avanço dos produtos chineses no mercado mundial, confirmando a velha tese de que o baixo custo de produção é que torna o preço dos produtos chineses imbatíveis.

    Yu Hua não é panfletário. Os desmandos do governo de Mao são inseridos de forma discreta, como pano de fundo para a trama, o que torna a crítica muito eficiente. A própria venda de sangue pode ser vista como uma metáfora do governo autoritário que suga o sangue da população. Seu estilo rápido e eficiente às vezes escorrega para o sentimentalismo, em especial na relação entre o pai e o filho mais velho, que ele descobre não ser legítimo. Mas isso não chega a comprometer este drama sensível e inteligente.

    "Crônica de um Vendedor de Sangue"
    Yu Hua. Trad.: Donaldson Garschagen Companhia das Letras 270 págs.

    AAA Excepcional / AA+ Alta qualidade / BBB Acima da média / BB+ Moderado / CCC Baixa qualidade / C Alto risco

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Em Janeiro de 2012 ao ler um artigo de Marcelo Lyra, no jornal Valor Economico, sobre o livro anotei o titulo "Crônica de Um Vendedor de Sangue "para comprá-lo, porque o autor do artigo atribuia o conceito AA+ ao livro.


 

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