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O Erro de Glover

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O Erro de Glover

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Autor: Nick Laird

Editora: Rocco

Assunto: Romance

Traduzido por: Maira Parulla

Páginas: 269

Ano de edição: 2012

Peso: 310 g

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Muito bom
Marcio Mafra
21/06/2012 às 21:59
Brasília - DF


O Erro de Glover é um livro de um escritor desconhecido no Brasil, o irlandês Nick Laird. Ele criou um romance que se passa nos dias atuais, na elegante Londres, e narra o relacionamento de Ruth, feminista e pintora de quadros com fama em ascensão. Coroa bonita e gostosa, independente, por volta de cinqüenta anos, Ruth acaba aceitando a paixão de um quase adolescente, de nome James Glover, estudante, sem profissão, que vive muito bem no meio social de Ruth e se apaixona perdidamente por ela. Tudo bem se Glover não fosse amigo de David, com quem dividia a moradia e as despesas de um apartamento. David, bem mais velho que Glover, experiente e maduro, pretendia conquistar o amor de Ruth, de quem era amigo há muitos anos. Rola muita festa, bebida, sexo e cocaína. Ciúme se instala entre os três, e a vida de todos vira um inferno. A trama é boa, moderna, instigante, bem contada. O final não é surpreendente, mas fica longe de ser patético. Repete-se aquela velha história: David bobeou, James ficou com a mulher.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de David, professor e estudante de arte, um tipo frustrado quase tímido nos relacionamentos amorosos, mas apaixonado por Ruth, artista plástica e feminista.  James Glover, jovem e bonito, era colega de quarto de David e também se apaixonou por Ruth, 30 anos mais velha que ele. 

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

De pé sob as peras luminosas, Larry cochichou:
- Mas o que foi isso?
- Na verdade - respondeu David -, acho que pode ter sido você, falando naquele bar de lésbicas.
- Nãããããão - disse Jess do sofá, as pálpebras caídas dos olhos batendo como as de uma boneca. - Achei que seria por isso, depois pensei que não poderia ser. Por que ele se importa? Ruth disse que ele sabe de tudo e levou numa boa. Meu Deus, ele deve me odiar.
- Ela saboreou a palavra e deslizou um anel gordo como uma conta de ábaco pelo indicador.
- Não, claro que não odeia.
- David passou para o lado dela e lhe afagou o ombro, sem jeito.
- Acho que talvez seja porque ele pensa que levou numa boa, mas quando surge o assunto, ele surta. Ele é muito novo.
- Olha, nós estamos aqui agora - disse Larry.
- Não tem sentido deixar que isso estrague a noite de todos. Vamos nos animar? Alguém quer uma carreirinha?
Jess olhou para David, que assentiu, fazendo uma cara de Por que não?, embora seu estômago enrijecesse. Aquilo era território não mapeado. Depois de pegar um prato na cozinha, Larry se sentou à mesa de jantar e sacou como mágica uma trouxinha de um bolso interno, que abriu com carinho e colocou na porcelana. David viu-a desdobrar-se como uma flor exótica ao anoitecer. Tinha deixado a carteira na mesa e Larry a pegou, retirando seu cartão Visa e habilidosamente batendo três carreiras de uns três centímetros. Depois pegou a única e derradeira cédula de dez que estava lá dentro, enrolou e ofereceu o prato a David.
Era nojento: uma substância viscosa deslizou pelo fundo da garganta. Mas a onda foi quase imediata. Ele sentiu, sim, alegria, embora talvez certa bobeira. Depois foi a vez dos outros dois. Ele se ouviu falando alto e muito acelerado. As pupilas de Jess se dilataram tanto a ponto de quase eclipsarem as íris, que David percebeu agora serem do mesmo azul intenso do Microsoft Word. Ela mordia o lábio inferior e tentava falar aos dois sobre alugar uma casa de verão na Toscana com Ginny, mas eles ficavam interrompendo. De repente David ficou feliz por ser David. Era uma sensação incomum. Ele estava feliz por Larry ser Larry e Jess ser Jess, mas principalmente estava feliz por ser David.
Ruth voltou um tempo depois trazendo champanhe, duas garrafas embaçadas da geladeira. Tinha reaplicado o perfume cítrico e colocou a bebida na mesa, com um "pronto" casual, como se só tivesse ficado alguns segundos ausente, e não vinte minutos.
Larry, motivado agora a arrumar a toalha de mesa, pegou a carteira de David e ela se abriu. Algo pulou lá de dentro e Jess pegou.
- Ruth, quem avacalhou com você? Você parece tão deprimida.
Era a foto da Time Out que David enfiara na carteira antes de ir à exposição "Us and the US" na Hayward. Ruth olhava para a foto sob as luzes da sala enquanto David tentava explicar que aquilo tinha séculos e ele guardara pretendendo mostrar a ela, mas Ruth estava muito mais preocupada com a foto em si.
- Eu pareço tão mais nova.
Larry retirou com facilidade o lacre da garrafa de champanhe e enrolou a cobertura metálica numa bola que deixou sobre a toalha. Disse em voz baixa:
- O passado costuma fazer isso.
David também ficou para baixo, e percebeu que aquele era seu primeiro declínio: uma queda hipnótica, desespero geral, tudo soava numa escala menor.
Glover apareceu, apresentando, aos olhos de David, o sorriso encabulado e vermelho de um homem que acabou de ter um orgasmo.
- Quem é essa? - disse, unindo-se a Ruth sob as luzes.
- Eu queria ter certeza de que reconheceria a Ruth antes daquela mostra na Hayward no ano passado. Saiu na Time Out.
Ruth tirou a foto da mão de Glover.
- A luz é muito impiedosa. Eu pareço uma puta.
- Uma puta no necrotério - ronronou Jess, afagando a nuca de David. Ele não sentia os dedos de outra pessoa em seu corpo há tanto tempo que gemeu involuntariamente e sua cabeça tombou um pouco para frente. Ruth se retirou para as profundezas do sofá e puxou as pernas para baixo do corpo.
- Deixei um pouco para vocês no quarto. Larry insistiu nos presentes.
- Devia mesmo ser dedutível nos impostos - observou Larry, colocando-se de pé.
- Eu levo você lá - disse Glover, que pareceu a David quase comicamente territorialista. O quarto ficava a uns oito metros. Ele não precisava de guia. Jess se levantou e se enrolou com a pashmina em dois gestos teatrais - um morcego arrumando as asas para dormir - e se sentou perto de Ruth. Logo elas começaram a falar do divórcio da irmã de Jess, de novo, e de uma maneira tão familiar que David se sentiu perdido. Ele seguiu pelo corredor atrás dos homens e se sentou meio desajeitado ao lado de Larry na cama, enquanto na mesa Glover batia umas carreiras. David nem acreditava no que via. Nunca soube de Glover enrolar um baseado que fosse, embora já tivesse fumado alguns. Mas com Ruth como sua Eva, ele evidentemente estava feliz em comer qualquer fruta que a Árvore do Conhecimento proporcionasse.
- Você nunca foi?
- Nunca. Estou louco para ir.
- Ah, vai ter um choque. O apartamento dela tem vista para o Hudson e para Nova Jersey. Eu invejo você, por ver tudo isso pela primeira vez.
Larry acelerou um pouco quando falou no Hudson, com medo, pensou David, de que pudesse lembrar a Glover da conversa no táxi.
- Quer dizer, vi pela TV, é claro, e nos filmes. Tenho uma ideia.
- Quando acha que deve ir? - perguntou David.
- No verão, provavelmente, e para sempre. Não há muito que nos prenda aqui.
- Tem os seus amigos. Tem eu.
- Apoiado. - Larry balançou um longo dedo branco, mas Glover não sorriu.
- Mas você fica indo e voltando, não é, Larry? Então vou ver você. E você, David, pode ficar com as fotografias. Vou deixar algumas com você para levar na carteira pelos próximos dez anos, talvez roube uma de nossas fotos de casamento.
Larry rapidamente cheirou sua carreira e foi ao banheiro, enquanto David, furioso, fingiu ler as lombadas dos livros empilhados na mesa de cabeceira de Ruth. Já explicara as circunstâncias das fotos. Não pediria desculpas. Glover se olhou no espelho da porta, torceu algumas mechas do cabelo com gel, parecendo aprovar, e virou-se para David.
- Desculpe, mas isso precisava ser dito.
Depois que Glover saiu, David se sentou numa cadeira à mesa e respirou, simplesmente respirou. Estava com muita raiva. Seu couro cabeludo parecia pequeno demais para o crânio e com as duas mãos ele o massageou, tentando acalmá-Io. James fez o máximo para que ele se sentisse o mais diminuído possível, e na frente de Larry. Vagamente, com a cara ardendo, deixou o olhar percorrer as prateleiras à sua frente, querendo que sua atenção se prendesse a um detalhe, um objeto, um fato, uma palavra. Ruth transferira as pilhas de livros e fotos da sala para ali. Havia uma torre inclinada de DVDs na prateleira de cima - Truffaut, Fellini, Hitchcock, alguns musicais dos anos 1940 - e ali estavam os álbuns de fotos: como os de uma criança, as capas em diferentes cores primárias, e todos com folhas roxas e grossas. E havia também algumas fotos soltas, e no alto delas a foto de Jess com a cabeleira escura, as mechas californianas. Era pequena e laminada.
Larry e Glover conversavam no corredor. David espiou pelo batente da porta. Larry estava numa postura defensiva, encostado na parede. Tinha os braços cruzados e virava-se de lado para Glover, que falava com ele com franqueza, embora baixo o bastante para que Jess e Ruth não ouvissem da sala.
- Eu não tenho problema nenhum com o passado dela. Larry, muito agoniado, meneava a cabeça sem parar.
- Não, claro que não.
- O passado dela é o passado. Eu sei disso. Ela me contou.
Todos temos alguns esqueletos no armário, não é? Não é?
Até você, pensou David, especialmente você.
- É claro - garantiu Larry, estendendo a mão para apertar o ombro de Glover. - Bom, fico feliz por termos resolvido isso.
Glover não deixaria passar. A coca tinha deixado sua mente desesperada para roer alguma coisa. Ocorreu a David que o colega de apartamento realmente não era muito inteligente.
- Quer dizer, é exatamente isso. Passado.
- Como você disse.
A estufada bolsa de couro de Ruth estava na mesa e ao lado dela o cartão de crédito do San Francisco Savings Bank. Exibia a ponte Golden Gate contra o céu e, pela borda superior, como se acumulasse cirros pairando sobre Bay Area, estava suja de cocaína. David pegou a foto de Jess e colocou-a em um dos bolsos internos da bolsa, entre o canhoto de um cartão de embarque e um cartão de fidelidade da Starbucks.
Quando David enfim chegou em casa naquela noite, sozinho, decidiu postar no blog um elogio sincero à retrospectiva de Ruth. Mesmo que ela o achasse no Google ao pesquisar sobre si, o que alegava não fazer, não havia nada no site que identificasse The Dampener e ela nunca o associaria a ele. Ele abriu uma nova seção, intitulada Crítica de Arte, e tentou ser o mais justo possível. Algumas peças, em particular as primeiras, tinham seus méritos, e um certo interesse contemporâneo. No entanto, havia muita fetichização. E o retrato acabado de Glover exemplificava isso. Era a visão de uma criança, uma visão egoísta e egocentrada do mundo. Eu quero. Eu quero. Eu quero. Da mesma forma, o tratamento do corpo feminino nas obras parecia a David postular uma visão muito gasta da sexualidade. As fotos de vaginas não estavam longe da pornografia, embora a pornografia apresentasse uma luz melhor, e as imagens dela não tivessem a graça de Mappplethorpe. Também havia uma espécie de lesbianismo triunfante na exposição que, pelo menos para este observador, fazia com que desejássemos as analogias mais brandas de Oppenheim. Ele concluiu observando que as obras recentes, com uma menção especial a O coração quase transparente, eram sentimentais, feias e mostravam uma triste reversão à dialética exaurida. Embora não dissesse isso, sua primeira reação ao conhecer quase todas as peças foi a de que ele mesmo podia ter feito aquilo, facilmente. O fato de não ter feito era inteiramente irrelevante.


  • A Amizade e Seu Avesso

    Autor: Bernardo Scartezin

    Veículo: Correio Braziliense

    Fonte: Correio Braziliense, 31 de março 2012

    A Amizade e seu Avesso
    Por Bernardo Scartezin – Especial para o Correio Brazilçiense, 31 março 2012
    Tu já deves ter ouvido uma estória assim. O camarada se encanta por uma mulher e, antes que reúna coragem e desprendimento suficientes para tomar uma iniciativa quanto a isso, chega um amigo dele e ... Então não há muito mais a ser feito ..

    Bem, talvez haja ainda algo a ser feito. Nick Laird escreveu todo um romance depois disso. Glover's Mistake fez dele um dos escritores sub-40 mais quentes da língua inglesa em 2009. Agora, o segundo romance do norte- irlandês Laird, 36 anos, ganha versão brasileira pela editora Rocco como O erro de Glover. E seria um erro tomá-lo como mais um livro lugar-comum por conta dessa premissa batida.
    Vamos lá ao bom e velho triângulo amoroso, segundo Nick Laird ...
    O inglês David Piter tem 30 e poucos anos. Sem saber direito que rumo embicar na vida, acabou se tornando professor universitário meio que por inércia. Ele talvez preferisse ser escritor. Já a tinha tentado ser artista plástico. Hoje e ocupa seu tempo livre, e de certa forma revisita sua abandonada ambição, a detonando o mundo das artes e espetáculos em um blog feroz que mantém sob pseudônimo.
    A norte-americana Ruth Mark tinha sido professora de David naquele par de meses em que ele tentou ser artista plástico. Ruth tem 40 e tantos anos. Hoje, é uma conceituada artista que divide, sua carreira e seus interesses entre os a Estados Unidos e a Inglaterra. Ela está em Londres, neste momento, para agitar uma mostra.
    David esteve na noite de abertura só para encontrar Ruth. Ela não se lembrava dele. Mas quis ser elegante e disse que lembrava. David nunca tinha se esquecido dela.
    Certeza que Ruth não se esquecerá mais de David quando, num desses enncontros cruzados, ela conhece James Gloover. David e Glover dividem um apartamento apertado. Glover tem 20 e poucos anos e trabalha à noite como barman.
    Antes mesmo de David tentar enntender o que diabos Glover tem que ele não tem - juventude? frescor? coragem e desprendimento? formação católica? - Ruth já se aproxima perigosamente ... Quando o rapaz pergunta a David se ele se incomodaria se algo mais rolasse, David é incapaz de dizer que sim.
    A coragem do autor
    David é o sujeito mais próximo, o amigo mais íntimo, a pessoa a quem o casal Glover & Ruth recorrerá nas mais diversas horas. Quando Glover precisar de um carro para passar um fim de semana com Ruth, será o carro de David. Quando a filha de Ruth entrar em crise por não aceitar um sujeito mais novo como namorado da mãe, é com David que Ruth se consolará.
    E o leitor que se meter a voyeur nesse triângulo deve estar ciente de que Nick Laird se colocará a examinar a questão sob o ponto de vista de David.
    Essa não deve ter sido uma escolha simples para Nick Laird. Talvez fosse mais fácil despertar a empatia e a cumplicidade do leitor se Laird asssumise um dos outros personagens. Ou se apresentasse um narrador onisciente a pairar sobre os acontecimentos. Ou ainda se ele desvendasse sua intriga num antagonismo preto e branco, deixando de lado os sentimentos conflitantes que são próprios da vida real. Mas qualquer uma dessas escolhas empobreceria o livro.
    Laird é corajoso e se mantém o tempo todo próximo ao vértice de David. E dali que vamos testemunhar a prática de um esporte não exatamente nobre.
    Ao manter tal perspectiva por todo o romance e ao fazer de David seu destacado protagonista, Laird transforma O Erro de Glover em um interessante estudo de caso, humaniza um bocado seus personagens, e distingue este livro de outros tantos que rodam por aí.
    Pois a primeira impressão que O Erro de Glover pode despertar numa leitura é a de que estamos mais uma vez numa Londres já conhecida, já esquadrinhada, habitada por pessoas cool e sarcásticas, por personagens muito familiares ao leitor de Nick Hornby, de Alta Fidelidade (1995). Gente que ouve Bob Dylan em casa, anda de iPod no metrô, frequenta o Institute of Contemporary Arts e faz troça disso tudo.
    Eis a literatura pop como ela vem sendo consumida nas últimas décadas: estórias pontuadas por referências ao mundo do entretenimento, com uma pegada urbana realista, girando em torno de novos-adultos trintões. Tudo isso escrito num estilo fluente e coloquial, com uma medida ou duas de humor irônico e uma confortável sensação de contemporaneidade. Uma piscadela do autor para o leitor atento que pega suas sacadas no ar e ouve as mesmas músicas que os personagens.
    Laird domina essa linguagem muito bem e, quando o leitor periga se enfastiar dela, ele ainda reserva uma surpresinha ou duas dali para o fim.
     

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Uma nota sobre o livro publicada no Correio Braziliense, que está “na mídia” me fez comprar o livro. O Erro de Glover. Comprei o livro no sebo Piazza, de São Paulo.
Dentro do livro foi esquecido um cartão, manuscrito: “06.01.2012. Jerônimo, tudo bem? Conseguimos antecipar exemplares de dois lançamentos importantes pra gente em janeiro: Mundos Roubados, do finalista do Boker Prize “Sr. Pip” de Lloyd Jones, e o “Erro de Glover”, primeiro do irlandês Nick Laird. Ambos autores concordam em dar entrevista. Qq coisa é só entrar em contato. Um abraço e obrigada, Cíntia Borges.”


 

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