carregando

Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns segundos...

 

A Viagem Vertical

Para usar as funcionalidades você precisa estar logado(a). Clique aqui para logar
Erro ao processar sua requisição, tente novamente em alguns minutos.
A Viagem Vertical

Livro Ótimo - 1 comentário

  • Leram
    0
  • Vão ler
    0
  • Abandonaram
    0
  • Recomendam
    0

Autor: Enrique Vila-Matas

Editora: Cosac Naify

Assunto: Romance

Traduzido por: Laura Janina Hosiasson

Páginas: 252

Ano de edição: 2010

Peso: 390 g

Avalie e comente
  • lido
  • lendo
  • re-lendo
  • recomendar

 

Ótimo
Marcio Mafra
07/08/2012 às 22:16
Brasília - DF


"A viagem vertical" é um romance que conta a história de Federico Mayol, um velhote com 77 anos de idade,  bem sucedido na vida de empresário, três filhos, casado com Julia. Ele leva um chute da mulher, no dia seguinte em que haviam feito uma festa para comemorar 50 anos de casamento.Então o seu mundo desaba. Eles moravam em Barcelona. Então Mayol resolve se mudar de lá e começa uma viagem para tentar reequilibrar e ranascer, para não ser obrigado a "sumir desta vida o mais cedo possível." Seus filhos são hilários: a filha é adultera. Um filho é infeliz nos negócios e seu filho mais novo, um artista presunçoso. O final é legal, mas não é surpreendente. Viagem vertical, além de uma leitura facil, gostosa, com tiradas de humor e graça, na verdade é uma triste ( e muito boa) reflexão sobre a velhice.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A historia do espanhol da Catalunha, Federico Mayol, quase 80 anos, empresário bem sucedido do ramo de seguros, que um dia antes tinha festejado Bodas de Ouro de seu casamento com Julia, quando esta o coloca na rua de casa e acaba seu casamento:"...gostaria que me deixasse, que fosse embora desta casa para sempre e me deixasse sozinha. ....Vá embora Federico..."

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Não é nenhum drama se exilar, pensou, e, além do mais, sempre posso voltar a Barcelona se algo de mal acontecer, mas o que está claro é que preciso de uma viagem que expresse um gesto exemplar e espetacular. Embora acredite que o ideal seria não ter que voltar, enfrentar a viagem como uma fuga radical e não esquecer nunca que ir embora não é uma desgraça, mas exatamente o contrário. No fundo, sempre o desejei. Todo mundo quis fazê-lo alguma vez. Todos abominamos o lar confortável, esse domicílio fixo que leva escrito o nome da morte na perfeita tristeza de nossos móveis, na bondade da cama de cada dia, em nossa vida cinzenta de perfeita ordem infeliz. Irei embora para o Porto, querida, e ouvirá as pessoas dizerem com inveja que fui embora, que me mandei sem mais nem menos, que larguei tudo e a deixei plantada nesta pobre casa com seus vasos de bom gosto e suas drogas de livros e a televisão desta sua porcaria de vida tão aterrorizantemente perfeita. Irei embora de um dia para o outro e mudarei de vida sem que me importe nada do que aconteceu antes, nem sequer tentarei começar de novo. Irei embora, por que não, em direção ao nada.
Ou melhor - retificou de imediato ao lembrar de sua fé católica -, irei em direção à incerteza, pois a verdade é que, mesmo sendo crente, não sei muito bem o que me espera.
Mandou o Nada passear. E voltou a lembrar que, se algo não funcionasse bem, sempre poderia voltar a Barcelona ou ir a Paris é cidade projetada para que um homem rico como ele não se chateasse nunca - ou dar a volta ao mundo em oitenta dias. Não era necessário viajar para o Porto e viver ali. Essa cidade poderia ser simplesmente o primeiro porto de sua fuga sem fim, ou talvez o primeiro porto de uma viagem que o devolveria algum dia a Barcelona. O que ficava claro era que, se continuasse atrasando sua marcha, em Barcelona ficaria transformado num homem perdido, num pobre vagabundo, num escândalo social à vista de seus familiares e conhecidos. Se o destino o levava a transformar-se num ser errante, o melhor seria transportar sua condição de fantasma para o estrangeiro e demonstrar a si mesmo, embora já fosse um ancião, que não se deixava abater pelas circunstâncias adversas, demonstrar um ponto alto de integridade e de dignidade no final de seus dias. E quem podia dizer que não tornaria a se encontrar com a dama de luto do bairro da Ribera? Talvez voltasse a cruzar com ela em algum canto mágico do mundo. Pensar na mulher de negro o levou a se lembrar de Kim Novak, e isso o fez lembrar de Julián e do imenso ódio que sentia por aquele filho culto. Por pouco não perdera a vida ao pensar no filho, pois o sangue subiu-lhe violentamente ao cérebro. Afastou como pôde a imagem de Julián e de Kim Novak, dizendo a si mesmo que com certeza não podia ficar amargurado em Barcelona, devia se arriscar. O que no início lhe parecera uma imensa contrariedade era na verdade a única coisa interessante em toda a sua vida.
A meu ver, sem estar completamente consciente, Mayol encontrava-se diante de um dilema tão velho quanto o mundo, tão antigo quanto a existência dos homens. Desde sempre os homens têm ouvido vozes que os impelem a partir, dizendo-lhes que será por pouco tempo ou talvez para não voltar jamais. Desde sempre existiram vozes expulsando-os do conforto, sem saberem nunca muito bem que carta escolher, ou seja, se poderiam deixar de escutar, sem risco, o chamado das vozes ou se na viagem os aguardaria o mesmo silêncio trágico das noites intermináveis de seus lares.
Mayol, em todo caso, estava absolutamente consciente de que, a partir de então, a única saída para sua vida era praticar tanto a arte da solidão quanto a de caminhar.
Agora, pensou Mayol, o que devo fazer é me preparar para aprender o que a vida realmente é quando ela se apaga e chega a hora da descida definitiva. E que os confins deste meu maldito corpo, desta cama que chateia, desta estúpida casa sem espírito desapareçam para sempre, assim que eu estiver longe daqui.
Ouviu sua mulher fritar alguma coisa na cozinha.
Ao final de minha vida, pensou Mayol, será melhor sentir a poeira do caminho, a incerteza. E, quando a morte me visitar, que me encontre sem família e eu sinta somente fadiga e uma sensação de perda e um alegre desconsolo. Afinal, é como sempre estive. Só.


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Nesta ano não poderei comparecer a FLIP. Então em maio de 2012 estive em São Paulo, na Livraria da Villa para tentar comprar os titulos de convidados da FLIP. A Viagem Vertical, do conhecido Vila-Matas foi um dos que trouxe comigo.


 

Para baixar ou visualizar o E-BOOK é necessário logar no site.
Clique aqui! para efetutar seu login.

 

Não tem uma conta?
Clique aqui e crie a sua agora!

 

 

 

Receber nossos informativos

Siga-nos:

Baixe nosso aplicativo

Livronautas
Copyright © 2011-2019
Todos os direitos reservados.