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Um Romance Russo

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Um Romance Russo

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Autor: Emmanuel Carrère  

Editora: Alfaguara

Assunto: Romance

Traduzido por: André Telles

Páginas: 247

Ano de edição: 2008

Peso: 430 g

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Bom
Marcio Mafra
09/09/2012 às 12:53
Brasília - DF


Um romance russo é quase um livro de contos, embora seja mais francês do que russo. São três contos que Emmanuel Carrère fez, com ar de autobiografia, tanto que o personagem principal é o proprio Emmanuel. No primeiro conto  ele vive um caso de amor com Sophie, que mais parece aquela coisa de francês de classe média-alta, desbocado e um tanto desatualizado. Desatualizado no sentido de que parece terem sido os franceses que descobriram o sexo. Já o segundo conto, versa sobre uma história russa, não muito coerente, em que Emmanuel faz uma longa viagem para filmar um documentário na cidadezinha de Kotelnicth. Este documentário lembra aquelas histórias complicadas de Franz Kafka. No último conto, ele resolve desvendar o passado moscovita de seu avô, que deve ter sido um colaborador dos nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial, com narrativas do tipo: "vim dar sepultura a um homem cuja morte nebulosa oprimiu a minha vida" O autor "força a barra" para as três histórias correrem em paralelo. As três historias têm em comum o desespero do "mal amado",  a arrogância do jornalista frustrado, e a falsa-mágoa política por seus ancestrais terem colaborado com nazistas durante a 2ª guerra. Livro mediano, tendendo para ruim.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história autobiográfica de Emmanuel Carrère, burgues, jornalista sofrendo por seus enganos, crises de auto-afirmação, crises amorosas e problemas familiares.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Isto também não deixa de ser um deslumbramento inesgotável: não apenas as mulheres estão nuas sob suas roupas, como todas têm essa coisa milagrosa entre as pernas, e o mais perturbador é que a têm o tempo todo, até mesmo quando não pensam nela. Por muito tempo me perguntei como faziam, eu achava que no lugar delas não teria parado nunca de me masturbar, em todo caso de pensar nisso. Uma das coisas que me agradaram imediatamente em você foi a impressão de que você pensava nisso mais que a média.

Um dia, alguém lhe disse que você tinha a xoxota na cara, você hesitou em como lidar com isso, grosseria insólita ou elogio, e finalmente a versão elogio prevaleceu. Concordo. Gosto de olhar para o rosto de uma mulher e imaginá-la gozando. Há algumas em que isso é quase impossível, não sentimos nenhuma entrega, mas você, vemos você se mexer, sorrir, falar de um assunto completamente diferente, adivinhamos instantaneamente que gosta de gozar, ficamos instantaneamente com vontade de conhecer você gozando, e, quando conhecemos, ora, ora, não ficamos decepcionados. Este não é em absoluto o tom deste texto, mas, paciência, permito-me uma observação sentimental: nunca gostei tanto de ver alguém gozar, e quando digo ver, claro, não é apenas ver. Imagino você lendo isto, seu sorriso, seu orgulho, orgulho de mulher bem comida que não tem igual a não ser o do homem que come uma mulher bem comida.

Agora pode enfiar seu pensamento na calcinha. Mas, espere, sem pressa. Faça como no caso do elefante cor-de-rosa. Não pense ainda no meu pau, nem na minha língua, nem nos meus dedos, nem nos seus, pense exclusivamente na sua xoxota, tal como está agora entre as suas pernas. O que lhe peço é terrivelmente difícil, mas a idéia seria que pensasse na xoxota como se não pensasse nela. As pessoas que fazem muita meditação dizem que o objetivo, e a iluminação vem de lambuja, é observar sua respiração, sem com isso modificá-la.

Estar presente como se não se estivesse presente. Tente imaginar sua xoxota, do interior, como se simplesmente estivesse entre as suas pernas e você pensasse em outra coisa, como se você estivesse trabalhando ou lendo um artigo sobre a expansão da Comunidade Européia. Tente permanecer neutra ao mesmo tempo em que detalha cada sensação. A maneira como o tecido da calcinha comprime os pêlos pubianos. Os grandes lábios. Os pequenos lábios. O contato das paredes uma contra a outra. Feche os olhos.

Ah! está molhada? Eu já desconfiava disso. Molhadinha? Reconheço que o exercício era difícil, mas, vejamos, ainda que esteja molhadinha, não está aberta: sentada num trem com uma calcinha e sem enfiar o dedo, não pode estar aberta. Então, atenção, agora vamos ver se é possível afastar um pouquinho os lábios a partir do interior, sem ajuda. Não sei. Não creio. Você tem uma excelente musculatura vaginal, mas não é a musculatura vaginal que determina a abertura dos lábios, o que pode fazer, em contrapartida, é contrair e relaxar, contrair e relaxar, o mais forte que puder, como se eu estivesse dentro.

Agora escorreguei um pouco, fui mais rápido do que planejava, mas seria desleal voltar atrás. Você então tem direito a pensar no meu pau. Mas sem se atirar em cima. Sem se afobar. Tenho certeza de que agora só pensa em enfiá-lo em todo o seu comprimento e se masturbar ao mesmo tempo, mas não, vai precisar de paciência, acompanhar meu ritmo, que, de modo genérico, consiste em sempre prorrogar, retardar, reter. Eu tinha ejaculação precoce na adolescência, é uma experiência pavorosa, e a partir dessa experiência pavorosa adquiri a convicção de que o melhor gozo consiste em estar o tempo todo à beira do gozo. É aí que gosto de estar, exatamente: à beira, e sempre empurrar essa beira, aguçar cada vez mais essa ponta.
No início, você achava isso um pouco perturbador, agora não.

Agora aprecia que antes de a lamber eu acaricie longa mente o seu clitóris apenas respirando bem perto, desfrutando do calor do bafejo, retardando a espera da primeira lambida. Aprecia que antes de enfiar profundamente eu fique um tempão com a glande na entrada dos seus lábios, gosta então de me dizer me olhando nos olhos que gosta do meu pau na sua boceta, gosta de repetir isso e é isso que você vai fazer agora. Aí, no trem. Vai dizer "quero seu pau na minha boceta", bem baixinho naturalmente, mas vai dizer assim mesmo, não apenas em pensamento, vai formar os sons com seus lábios. Vai pronunciar essas palavras tão alto quanto puder fazê-la sem que seus vizinhos a ouçam. Vai procurar esse limiar sonoro e dele se aproximar tão perto quanto puder sem transpô-la. Já viu alguém rezar um terço? Faça igual. O mantra básico sendo "quero seu pau na minha boceta", todas as variações são bem-vindas e, de fato, espero que dê livre curso à sua imaginação. Vá. Até Poitiers, que não deve estar muito longe, se meus cálculos estão corretos.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Estive em maio de 2012 na Livraria da Villa, São Paulo, para comprar os livros de lançamento dos coinvidados da FLIP 2012. Emmanuel Carrère não é convidado, mas seu livro Um Romance Russo me foi muito recomendado pelo livreiro.


 

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