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Pais e Filhos - Ivan Turguêniev

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Pais e Filhos - Ivan Turguêniev

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: Ivan Turguêniev

Editora: Cosac Naify

Assunto: Romance

Traduzido por: Rubens Figueiredo

Páginas: 368

Ano de edição: 2011

Peso: 555 g

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Ótimo
Marcio Mafra
30/08/2012 às 19:37
Brasília - DF


Pais e Filhos é considerada a obra-prima de Ivan Turgenyev, publicada em 1862. Na Rússia, seu país de origem, era tempo de grande convulsão social, política e econômica. O livro é considerado um clássico porque Turguêniev era um de familia rica, quase fidalgo, e escreveu seu romance num momento histórico e político que a Russia atravessava, inclusive com a abolição dos escravos, chamados mujiques. Por isso, também, o livro tem muita contestação política. A história começa quando Arkádi Kirsánov chega à casa de seus pais, para passar férias escolares, vindo de São Petersburgo, acompanhado de seu inseparável amigo de escola Bazaróv. Eles são os dois personagens principais do livro e transitam como herois - na condição de filhos - por toda a narração. Vassíli Ivánovicth e sua mulher Arina Vlássiêvna, são outros dois personagens importantes que também transitam como herois - na condição de pais - e muito sofrem pelas atitudes do filho Ievguêni Bazárov. Bazarov era um rebelde sem causa, estudante de medicina, nihilista convicto, contestava tudo: o amor, a vida, a arte, as tradições nobiliárquicas e até a religião.  Arkádi Kirsánov era "corda e caçamba" de Bazaróv mas encontra seu próprio caminho, embora também fosse contestador. Outra personagem forte do romance é Ana Serguêievna Odíntsova, por quem Bazárov se apaixonou, mas ela também era metida a materialista e os dois quase não se acertam em seus amores.  A leitura não pode ter aquela velocidade de romance brasileiro, até pela dificuldade de se entender muitos nomes traduzidos do idioma russo. A profusão dos personagens também requer uma certa atenção. Claro que para os leitores que já visitaram Moscou ou São Petersburgo fica mais fácil e mais agradável a leitura. É um romance muito bom, embora escrito em 1862 e situado na mesma época. 



 



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Pais e Filhos é uma história escrita em 1862 e ambientada na mesma época, precisamente em 1859. Arkadi Kirsánov chega de São Petersburgo para passar as férias na casa de seus pais, acompanhado de seu inseparável amigo de juventudade Bazaóv, contestador, estudante de medicina, intelectual, materialista e - sobretudo - nihilista. Ele  era contra tudo o que não fosse cientificamente comprovado, além de negar a existencia do amor, garantir a inutilidade da arte, da religião e das tradições.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A pequena casa de fidalgo, ao estilo moscovita, onde morava Avdótia Nikítichna ou Evdóksia Kúkchina situava-se em uma das ruas que, pouco antes, tinham sido destruídas por um incêndio na cidade de ***; como se sabe, nossas cidades de província pegam fogo de cinco em cinco anos. Na porta, sobre um cartão de visita pregado em posição oblíqua, via-se o puxador de uma sineta e, na antessala, os visitantes eram recebidos por uma mulher de touca que não parecia uma criada, nem uma dama de companhia - claros indícios de uma proprietária de tendências progressistas. Sítnikov perguntou se Avdótia Nikítichna estava em casa.
- É o senhor, Victor? - ouviu-se uma voz aguda, no cômodo vizinho. - Entre.
A mulher de touca imediatamente desapareceu.
- Não estou sozinho - declarou Sítnikov, despindo com Um gesto atrevido o seu casaco húngaro, sob o qual havia algo semelhante a um paletó-saco, e lançou um olhar expressivo para Arkádi e Bazárov.
- Não faz mal - respondeu a voz. - Entrez.
Os jovens entraram. O cômodo em que então se encontraram mais parecia um escritório de trabalho do que uma sala de estar. Papéis, cartas, grossos exemplares de revistas russas, na maior parte ainda intocadas, espalhavam-se pelas mesas poeirentas; por toda parte, viam-se pontas brancas de cigarro jogadas no chão. Num sofá de couro, estava semirreclinada uma senhora ainda jovem, loura, um pouco despenteada, com um vestido de seda não muito limpo, braceletes volumosos nos braços curtinhos e um lenço de renda na cabeça. Ela se levantou do sofá e, num gesto negligente, puxando sobre os ombros um manto de veludo forrado com pele de arminho amarelecida, declarou com voz lânguida:
- Bom dia, Victor - e apertou a mão de Sítnikov.
- Bazárov, Kirsánov - disse ele, com voz entrecortada, num arremedo da voz de Bazárov.
- Sejam bem-vindos - respondeu Kúkchina e, cravando em Bazárov os olhos redondos, entre os quais, como um órfão, se destacava o narizinho miúdo, arrebitado e vermelho, acrescentou:
- Conheço o senhor - e apertou a mão dele também.
Bazárov franziu a testa. Na figura pequenina e sem beleza da mulher emancipada, nada havia de repulsivo; mas a expressão de seu rosto produzia um efeito desagradável em quem o olhasse. Involuntariamente, sentia-se um impulso de perguntar: "O que tem você, está com fome? Entediada? Acanhada? O que quer esconder?". E, assim como em Sítnikov, havia uma aflição constante em sua alma. Ela falava e se movia com muita desenvoltura e, ao mesmo tempo, com um certo desconforto: era evidente que se considerava uma criatura bondosa e simples mas, não importava o que fizesse, tinha-se a constante impressão de que fazia exatamente aquilo que não queria fazer; tudo nela, como dizem as crianças, era por querer, ou seja, sem simplicidade, sem naturalidade.
- Sim, sim, conheço o senhor, Bazárov - repetiu ela. Seguia o costume, peculiar a muitas senhoras da província e também de Moscou, de tratar um homem pelo sobrenome de família desde o primeiro dia em que eram apresentados. - Quer um charuto?
- Um charutinho não iria mal- respondeu Sítnikov, que já tratara de se esparramar numa poltrona e pôr uma perna para o alto. - E sirva-nos também o almoço, estamos terrivelmente esfomeados; e mande trazer uma garrafinha de champanhe.
- Sibarita - disse Evdóksia, e riu. Quando ria, a gengiva superior se punha à mostra acima dos dentes. - Não é verdade, Bazárov, que ele é um sibarita?
- Amo os prazeres da vida - declarou Sítnikov, com ar solene. - Isso não me impede de ser um liberal.
- Impede, impede sim! - exclamou Evdóksia e, no entanto, mandou sua criada tomar as providências relativas ao almoço e ao champanhe. - O que pensa o senhor a respeito disso? - acrescentou, dirigindo-se a Bazárov. - Estou segura de que o senhor compartilha a minha opinião.
- Na verdade, não - retrucou Bazárov. - Um pedaço de carne é melhor do que um pedaço de pão, mesmo do ponto de vista da química.
- O senhor se interessa por química? É a minha paixão. Eu mesma inventei uma cera.
- Uma cera? A senhora?
- Eu mesma. E sabe com que finalidade? Fazer cabecinhas de bonecas que não quebrem. Pois também sou uma pessoa prática. Mas nem tudo está pronto. Ainda preciso ler Liebig. Aliás, o senhor leu o artigo de Kisliákov sobre o trabalho feminino publicado em Notícias de Moscou? Leia com atenção, por favor. Pois o senhor certamente se interessa pela questão feminina, não é mesmo? Pela questão das escolas também? Do que se ocupa o seu colega? Como se chama?
A sra. Kúkchina disparava suas perguntas ora para um, ora para outro, com uma requintada displicência, sem esperar resposta; crianças mimadas falam assim com suas babás.
- Meu nome é Arkádi Nikolaitch Kirsánov - respondeu. °E não me ocupo de coisa nenhuma.
Evdóksia deu uma gargalhada.
- Essa é boa! E então, o senhor não fuma? Victor, francamente, estou zangada com o senhor.
- E por quê?
- Dizem que o senhor voltou a elogiar George Sand. Não passa de uma mulher atrasada! Como é possível compará-la a Emerson? Ela não tem idéia nenhuma sobre educação, sobre fisiologia, sobre nada. Estou convencida de que nunca ouviu falar de embriologia e, em nossa época, como se pode passar sem isso?
- Evdóksia até abriu os braços. - Ah, que artigo extraordinário escreveu Elíssievitch a esse respeito! É um cavalheiro genial!
Evdóksia empregava constantemente a palavra "cavalheiro" em lugar de "homem". - Bazárov, sente-se ao meu lado no sofá. O senhor talvez não saiba, mas tenho um medo terrível do senhor.

- E por quê? Permita que lhe pergunte.

- O senhor é um cavalheiro perigoso; é demasiado crítico.

Ah, meu Deus! Como sou ridícula, falo como uma proprietária de terras na estepe. Pensando bem, sou mesmo uma proprietária. Administro eu mesma a minha propriedade e, imagine o senhor, tenho lá um estaroste chamado Erofei, um tipo admirável, exatamente como o Pathfinder de Cooper: há nele algo de tão espontâneo.
 


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Neste ano não poderei comparecer a Flip 2012. Por isso, me antecipei e em maio, fui à S.Paulo na Livraria da Villa para comprar os lançamentos da FLIP. Ivan Turguêniev com Pais e Filhos foi incluido na lista de compras, por se tratar de um clássico da literatura russa. Seu autor não era convidado da FLIP, até porque ele morreu em 1883.


 

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