carregando

Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns segundos...

 

Pawana

Para usar as funcionalidades você precisa estar logado(a). Clique aqui para logar
Erro ao processar sua requisição, tente novamente em alguns minutos.
Pawana

Livro Excelente - 1 comentário

  • Leram
    1
  • Vão ler
    1
  • Abandonaram
    0
  • Recomendam
    0

Autor: J M G Le Clézio

Editora: Cosac Naify

Assunto: Romance

Traduzido por: Leonardo Fróes

Páginas: 55

Ano de edição: 2009

Peso: 250 g

Avalie e comente
  • lido
  • lendo
  • re-lendo
  • recomendar

 

Excelente
Marcio Mafra
28/08/2012 às 20:14
Brasília - DF


Leitor que tenha lido Moby Dick, de Herman Melville,  haverá de se lembrar daquele romance ao ler o extraordinário Pawana. Mas Pawama é uma historia muito mais genial que Moby Dick, muito mais encantadora e emocionará a qualquer leitor não iniciado. Leitor não iniciado (neste caso) é aquele que não curte pescaria, não leu Moby Dick, não sabe nada sobre baleia, tubarão, golfinho, boto e que não é ligado nas frases politicamente corretas tipo "salvem as baleias", "salvem a natureza", "salvem os golfinhos". Já os leitores que curtem o mar, o "salvem isso" e "salvem aquilo" vão chorar durante e após a leitura de Pawana. O autor, prêmio nobel de literatura de 2008, J.M. Le Clézio, criou um drama lindo, com uma perspectiva histórica, coisa que minimiza o lado "politicamente correto" tão utilizado pelos eco-chatos. Dois são personagens principais: um, o comandante Charles Scammon, caçador de baleias, descobre o paraiso delas,  “um lugar secreto aonde as baleias vão parir seus filhotes, aonde as fêmeas velhas voltam para morrer”. Dois, o "marinheiro de ocasião" John, da cidade de Nantucket é um jovem, puro, inocente que amava o mar, e principalmente Araceli - que entra na história para dar força ao amor. Pawana, leitura breve, rápida, gostosa, também serve para reflexão. É uma comovente história sobre a agressiva caça de baleias e, de certo angulo de visão, é uma agressão à natureza, embora encantadora. Imperdivel. Excelente.



 



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A historia do Capitão Scammon, que navegando com o Léonore, descobre o paraiso das baleias, fato do qual foi testemunha o garoto John, de Nantucket que amava a misteriosa Araceli.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Eu, Charles Melville Scammon, neste ano de 1911, quando já me aproximo do final de minha vida, ainda me lembro daquele 1 Q de janeiro de 1856, quando o Léonore saiu de Punta Bunda, em direção ao sul. Não quis dar nenhuma explicação à tripulação, mas Thomas, meu contramestre, me surpreendeu conversando com o imediato, o senhor Roys, na sala das cartas náuticas. Falávamos dessa passagem secreta, do refúgio das baleias-cinzentas, lá onde as fêmeas iam parir seus filhotes. Roys não acreditava na existência de tal refúgio, que segundo ele só podia ter surgido na imaginação dos que acreditavam também nos cemitérios de elefantes ou no país das amazonas.
Foi assim que o boato se propagou, e uma espécie de febre se apossou de toda a tripulação. Íamos para o sul, então, à procura disso, desse refúgio secreto, desse fabuloso esconderijo onde todas as baleias do polo se juntavam. Depois de vários dias, o Léonore seguia pela costa da Califórnia mexicana e navegava tão perto que se via o mar branqueando nos recifes. Nessas paragens não havia mais baleias, e os homens da tripulação já diziam que não deveríamos ter abandonado as águas da Ensenada, que corríamos o risco de perder a temporada de caça. De vez em quando o vigia assinalava um peixe-diabo à vista, mas o Léonore  continuava sua rota para o sul, sem se desviar.
O vento leste baixou de madrugada, no domingo.
Eu estava no tombadilho, porque dentro do navio fazia muito calor. E cansado, porque não tinha dormido à noite. Com o mar calmo, as velas eram sopradas por uma brisa quase imperceptível. Eu, debruçado na amurada, observava a linha da costa com uma pequena luneta. Os grumetes já estavam trabalhando. Raspavam o tombadilho com escovas, lavando-o com sabão preto. Um deles, um menino ainda, parado, olhava para o mar. Mas não lhe dei muita atenção. Eu estava perdido num devaneio, ou melhor, tomado por aquela ideia que me distraía do resto.
Contra a claridade do céu, a costa ainda estava escura, irreal.
O mar, pesado, opaco.  Até o bando de gaivotas que seguiu o Léonore desde a nossa partida de Punta Bunda parecia ter se dispersado. O navio avançava a custo, com suas máquinas rangendo, por aquele mar espesso e lento.
E eu esquadrinhava incessantemente a costa, seguindo os contornos da margem. Mas via apenas uma faixa escura e a linha recortada das montanhas do deserto de Vizcaino. Quando o Sol apareceu, o relevo se tornou mais mineral, a nudez das montanhas ainda mais hostil.
A meu lado, o rapaz olhava para o mar.
- Como é seu nome?
Ele disse. Para os simples marinheiros, o sobrenome não tinha a menor importância. Bastavam o nome e o lugar de origem.
- John, de Nantucket.
- Você é da ilha de Nantucketr
Olhei -o com mais atenção. Depois, olhei de novo para a costa. "As cartas não indicam nada. Mas eu sei que a passagem já não deve estar longe. Deve ser por ali." Ele mostrou o maciço montanhoso, a sudeste. O Sol já iluminava os cumes, cujas arestas brilhavam de um branco de geada. O rapaz olhava extasiado. "São as minas de sal", eu expliquei, como se ele tivesse perguntado.
- É o Vizcaino. Nós estamos muito longe para ver qualquer coisa. Mas você então é da ilha?
- Sou, sim, senhor.
- É bem longe daqui. Esta é a sua primeira vez como embarcado?
- É, senhor. Assinei um contrato com a Companhia Nantucket.
- E como foi que veio parar aqui?
- Eu soube que a Companhia estava contratando para o Pacífico.
O rapaz tinha ares de que pensava. Eu, não sei por quê, disse:
- Pois eu vim em busca do ouro. Como não encontrei, fretei este navio para caçar baleias. Você sabe que ficaremos imensamente ricos se acharmos o refúgio das cinzentas?
O olhar do garoto brilhava estranhamente. Mas eu me enganei sobre o que ele exprimia.
- Imensamente ricos.
Se você perceber uma abertura, um canal, venha logo me dizer. Quem achar primeiro a passagem vai ganhar uma recompensa.
Voltei à prancha da popa, para observar melhor a costa.
Toda a tripulação agora estava no tombadilho. Todos já sabiam por que razão tínhamos saído de Punta Bunda, por que fomos para o sul, ao longo daquela costa deserta. Seríamos os primeiros a descobrir o velho segredo dos peixes-diabos, o lugar onde as fêmeas se juntam para parir seus filhotes. Íamos voltar imensamente ricos, essa devia ser nossa última aventura. No entanto, ninguém tocava no assunto. Era como um mistério sobre o qual nada convinha dizer, sob pena de entravar a marcha para a riqueza.
Dia 9 de janeiro, ao largo da montanha do Vizcaino. No final da tarde, o Léonore se aproximou da costa.


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Em maio, estive na Livraria da Vila para dquirir os livros de autores convidados da FLIP 2012. J M G Le Clézio, foi um deles. Trouxe então o Pawamana e o Peixe Dourado.


 

Receber nossos informativos

Siga-nos:

Baixe nosso aplicativo

Livronautas
Copyright © 2011-2019
Todos os direitos reservados.