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Heranças

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Heranças

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Autor: Silviano Santiago

Editora: Rocco

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 397

Ano de edição: 2008

Peso: 465 g

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Ótimo
Marcio Mafra
13/09/2012 às 15:16
Brasília - DF


Heranças é uma ficção, onde o narrador é o próprio personagem principal. Aparentemente banal, é técnica que só dá certo quando o escritor não é iniciante. Silviano Santiago é escritor de 40 e tantos livros. Ele sabe das coisas. 



Walter, o personagem central, típico representante de uma classe social brasileira que enriqueceu através de herança paterna, das especulações da bolsa de valores e também no ramo da construção civil. Empresário inescrupuloso, egoísta, egocêntrico, inculto, sem formação acadêmica, arrogante e prepotente. Empedernido mão-de-vaca, tanto nos negócios, como nos amores. Viveu explorando aos outros. Com empregados era um perfeito extrativista de mão-de-obra. Mas se achava o bom. Quando a velhice e a morte se avizinham, percebe que acumulou muito dinheiro, muitas mulheres, muitos prazeres, muita segurança, mas estava vazio de famíliares, descendentes, herdeiros ou amigos. Se pudesse continuaria vivendo seu comportamento sórdido, embora rodeado de áulicos, puxa-sacos e outros subservientes.



O leitor fica envolvido do começo ao final do livro, que embora não seja tão previsível, não é nada surpreendente ou espetaculoso. Por vezes a narrativa é rude, tosca, e divertida. Mas também tem passagens em que o personagem faz digressões sobre fatos existenciais, angústias e filosofias de vida, que tornam a leitura um pouco maçante. 



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

"Heranças" conta a história de Walter, empresário bem sucedido, nascido e criado em Belo Horizonte, que na velhice foi morar na Vieira Souto, a avenida mais famosa de Ipanema, Rio de Janeiro, num apartamento de frente para o mar.  Velho, enfermo e solitário, diante da  beleza, dos encantos e mistérios do mar, Walter revive seus amores, seus negócios escusos, sua incalculável e sórdida fortuna. Como não tem herdeiros, às vésperas da morte, ele se debate com o problema de como e para quem deixar sua fortuna e seus bens materiais.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

À diferença da maioria de meus conterrâneos de classe média, não tive professoras dedicadas e maternais na escola primária. Tampouco cursei boa escola secundária. Aprendi pouca matéria durante os três anos de fracasso nos cursinhos de vestibular. Quase nada. E foi só. Diante dos sucessivos fiascos no exame de entrada para a Faculdade de Direito, bati em retirada às portas da universidade. Bem cedo na vida, por detrás do balcão da loja, tive o numerário como mestre e conselheiro. Cresci e me tornei um jovem comerciante entregue ao deus-dará do capital e das idéias, herdados de Seu Nestor. Por ele e elas fui abençoado em diferentes e sucessivas ocasiões.
Apelidei meu santo protetor de Midas. Transforma tudo em ouro, até mesmo a água que bebe e a comida que alimenta. O rei e eu temos outro traço da personalidade em comum. Por ter demonstrado falta de gosto musical, Midas foi presenteado pelo deus Pã com orelhas de burro. Ele as quis esconder por debaixo dum turbante persa. Reza a lenda que um barbeiro as desencobriu, e o sibilado do vento se encarregou de difundir a nova:
Midas tem orelhas de burro, Midas tem orelhas de burro ... Do momento em que o capital inicial começou a se multiplicar, as artimanhas da libido se encarregaram de iluminar as crateras vulcânicas que detectava em minha medíocre e frustrante formação educacional. Orelhas de burro, cabeça de burro - coração de burro? Como é que o impetuoso e desastrado adolescente poderia chegar a ser o engenhoso fornicador milionário? As mocinhas casado iras enxergavam-me através das artes e malabarismos do exibicionismo, exercitados por mim quando diante de grupos seletos. Era de ajuda a experiência de balconista no comércio local.
Para esconder as orelhas de burro, não imitava o persa ou o hindu, ostentava reclame de legítimo rei Midas.
- Sou bom de cama, cheio da grana e me dou de graça. Sou burro, mas não escoiceio! Aproximem-se, meninas. Tirem uma lasquinha de meu ouro.
De passagem, informo que pouco ou nada me preocupava a indigência ética do reclame. A escada do dinheiro não finca os pés nos princípios rigorosos da filosofia clássica. Preocupava-me mais a indigência educacional do candidato ao coração das moças da boa sociedade belo-horizontina. Espírito de garanhão, moral de comerciante.


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Neste ano de 2012 não conseguirei comparecer a FLIP, em Paraty, RJ. Então, em maio dei um pulo na Livraria da Vila, em S.Paulo e comprei os livros dos autores convidados da Flip. Silviano Santiago é um deles, com seu Heranças.


 

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