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O Todo Cotidiano

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Livro Ruim - 1 comentário

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Autor: Zoé Valdés

Editora: Benvirá

Assunto: Romance

Traduzido por: Ari Roitman e Paulina Wacht

Páginas: 315

Ano de edição: 2011

Peso: 455 g

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Ruim
Marcio Mafra
17/09/2012 às 11:51
Brasília - DF


Zoé Valdez, embora escritora que conseguiu sair de Cuba e viver outras culturas, como todo cubano, adora Cuba, embora deteste o governo dos irmãos Castro. 

O livro desta cubana, divide-se em duas parte bem distintas.



Na primeira, a autora narra a vida em Cuba, da personagem de nome Pátria. Seus pais adotaram este nome, porque "Che Guevara", então Ministro da Economia, teria colocado uma bandeira cubana, sobre a barriga de sua mãe, durante um desfile cívico em que se comemorava o dia da Vitoria da Revolução. Pátria nasceu, praticamente, enrolada na bandeira de seu país. Nem por isso amava o governo dos irmãos Castro. Quando se tornou adolescente ela trocou o nome de Patria, por Yocondra, para tristeza de seus pais. Nesta etapa do livro o Cotidiano conta todas as agruras da vida miserável dos cubanos, seus amores, seus desencantos, suas tramóias e seus negocinhos escusos que, de resto, todos os cubanos fazem, para conseguir sobreviver. Corrupção dos costumes, da moral e da cidadania não é coisa séria para nenhum cubano.



Depois vem a etapa da fuga para Miami e da residencia em Paris, como exilada. Nenhum dos personagens consegue cortar seu cordão umbilical com Cuba, nem com os cubanos e nem com o a ditadura de Castro. A leitura é enfadonha porque não traz nada de novo, nem de surpreendente. Uma miríade de personagens -  Paulo Mihanovitch, Migdalia, Láynez, Marcela, Samuel, Funchal, Hinojosa, Benny Moré, Holmes, Jessica, Memé, Petro e mais uns outros vinte - não se sabe se fictícios ou se reais - com seus amores, desamores, traições,conquistas, mentiras, manias, vícios e misérias torna a leitura uma chatice. Leitor nenhum aguenta tanto personagem. O nada cotidiano e o todo cotidiano resultam em quase nada. Mesmo.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Uma história cubana contada em duas etapas. Na primeira etapa a menina de nome Patria, nascida em 1959, mesmo ano da vitoria de Fidel Castro sobre o governo de Fulgêncio Batista narra a sua vida na ilha que era para ser o paraíso, mas na verdade, era o inferno. Até hoje ainda é. Quando Patria se torna adolescente, troca o ridiculo nome de Patria para Yocondra, o mesmo nome do personagem de um livro que seu amigo e amante escreveu. Na segunda etapa do livro, Yocondra narra a  vida que começa com sua fuga para Miami. Depois ela descobre que os cubanos de Miami são arrogantes e preconceituosos e prefer ir morar em Paris. 

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Acordo com a campainha, que tocaram com insistência. Parece que dormimos muitas horas, mas o relógio denuncia que só se passaram trinta minutos. A pele do Niilista ainda vibra. Nos vestimos correndo, assustados.

Nunca aparece ninguém. Não esperávamos visita. Controlo bem os dias do Traidor e os que dedico ao Niilista. Sou eu quem abre a porta. Claro, só podia ser o Traidor! Beija minhas bochechas, para evitar qualquer equívoco com o Niilista. Porque o Traidor está a par de minha história com o jovem, e a aceita. Ele sabe que é pura vendetta. Por seu lado, o Niilista não ignora meus encontros com o Traidor, mas pensa que continuo tendo um relacionamento amistoso com meu primeiro marido psiquiátrico. Assim alterno as mentiras, explicando que as duas noites por semana em que proibi sua vinda são utilizadas para estudar francês com Madame Lénormand, uma professora particular que mora fora de Havana, no cu do mundo. Invento que sou exageradamente disciplinada porque não quero perder a pronúncia nem o vocabulário. Vou me virando, e os dois acreditam em mim, ou fazem de conta. O Traidor me beija, comedido.

- Você está quente, é febre? - pergunta, indiscreto.

- Não. Acabamos de trepar - respondo, cínica.

- Ah, ah ... ainda bem que não interrompi ... Olha, Yocandra, lamento muitíssimo, mas me emprestaram este livrinho do Jean-François Lyotard, o filósofo francês do pós-modernismo, e preciso terminar porque tenho de devolvê-l amanhã cedo ... Lá em casa cortaram a luz, e não tenho nem um toquinho de vela ...

- Entre, entre e fique aí no terraço. Olha, este aqui é ... o Niilista. `Foi então que ele percebeu que eu o tinha rebatizado. Mesmo surpreso, dá para ver que gosta, está adorando ser chamado assim.

- E você deve ser o Traidor - solta, sem me dar tempo de avisar com uma piscadela auxiliar que não pronuncie essa palavra.

- Ah, é? Pois só agora estou sabendo que a Yocandrita me chama assim. Porque aposto minha cabeça que a ideia é sua, não é, Yocandrita? - pergunta à beira da cólera, mas fingindo passividade, indiferença. Que cabeça ele estava apostando, a de cima ou a de baixo?

- Não me chame de Yocandrita, você sabe melhor do que ninguém que não gosto de diminutivos no meu nome. Sim, foi ideia minha, e daí? Não foi sua a ideia, em outra situação, de caçoar do meu nome verdadeiro? - Eu, caçoar de você? Sempre fui, sou e vou continuar sendo hiper- respeitoso.

- Está bem, está bem, cala a boca ... - E, quase fritando um ovo na saliva, deixo os dois na sala estudando-se mutuamente, ciumentos um do outro. Vou ao banheiro, sento no vaso e vou às nuvens com o êxtase de esvaziar a bexiga. Escuto a conversa dos dois, apesar da força da minha mijada, através da janela que dá para a coluna de ar.

- Que desprezo, que calúnia! Traidor, me chamar de traidor! E por quê? Em que eu traí essa garota?

O Niilista encolhe os ombros e, fingindo ignorância, levanta-se e vai até a cozinha preparar um chá de jasmim, marca Lipton, presente de um amigo mexicano. Aproveita o ruído da fervura da água para ficar surdo aos insultos do Traidor, mas este o persegue com o mesmo discurso incoerente. Eu os espio através da linha das janelas, uma que dá para a sala e outra para a cozinha. Todo narrado r, além do mais, é ubíquo.

- Não mereço esse apelido, não o mereço ... Olha, com certeza você sabe quem sou eu. Fui o primeiro marido dela, o sujeito que ensinou tudo o que ela conhece deste mundo ...

- Homem, não exagere, nem tudo ... - interrompeu o Niilista. - Alguns outros também lhe deram alguma coisa, e ela também aprendeu por si ... É inteligente ... Nós também lhe devemos muito ...

- Eu não lhe devo nada. Nada. Sempre fui brilhante. Ela contou o que eu faço na vida? - pergunta, chateado, o Traidor. O Niilista assente com a cabeça.

- Contou, já sei que é filósofo.

- E romancista - acrescenta o Traidor. - Mas diga, você não se incomoda de que ela te chame de Niilista?

- Bom ... mais ou menos, soa bonito, poético, meio bicha. Não sei se mereço esse nome, talvez ela tenha me apelidado assim para não me chamar de Come-Merda.

O Traidor se dobra de rir. Tosse. Perde a voz, um silvo doentio sai de seu peito. Procura alguma coisa nos bolsos, ainda morrendo de rir, e extrai um maço de cigarros Populares de logo tipo verde. Quer dizer, os que são destinados pelo cartão de racionamento às pessoas com mais de trinta e cinco anos. Acende um cigarro e logo se forma uma cortininha de fumaça entre ele e o rapaz. Eu termino de urinar não sei quantos litros, aperto a descarga, apareço com cara de distraída.

- Você não tinha de ler? - digo a toda a velocidade para o Traidor.

- É, mas ... estava esperando o chá e conversando com ... o Niilista sublinha, e ri, frenético. Num instante fica sério, amedrontado diante de minha careta de nojo. - Estávamos intrigados com a origem de nossos novos nomes.

Bebemos o chá fervendo. Eu me reclino no sofá, com as pernas descansando sobre um almofadão. Tenho os olhos baixos. Minhas amargas experiências maritais não me fizeram perder o pudor. Explicar ao Traidor o porquê da escolha desse adjetivo para designá-lo seria remexer na merda, fazer reluzir excrescências patéticas, como beliscar a verruga cancerígena. Seria opinar sobre ele como eu nunca tinha feito, nem comigo mesma diante do espelho. No entanto, meus lábios se mexem, mecânicos.

- Não pense que eu guardo rancor pelos chifres que você me botou, isso já não tem importância para ninguém. Não pense que tenho alguma ideia fixa em voce, ou que faço isso e aquilo para que fique me devendo qualquer coisa.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Em maio de 2012 estive em São Paulo, na Livraria da Vila, para comprar os livros que serão lançados na FLIP 2012. O todo cotidiano da Zoé Valdes, uma dissidente do regisme Castrista, foi um deles.


 

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