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Liberdade

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Liberdade

Livro Ruim - 1 comentário

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Autor: Jonathan Franzen

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Romance

Traduzido por: Sergio Flaksman

Páginas: 605

Ano de edição: 2011

Peso: 925 g

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Ruim
Marcio Mafra
25/10/2012 às 14:42
Brasília - DF


 



Liberdade, um romance do festejadíssimo autor norte-americano Jonathan Franzen é mais um "conto do livro". O "conto do livro" é semelhante ao conto do "vigário", do "paco" e do "bilhete premiado", urdido para tomar dinheiro de leitores trouxas. Jonathan Franzem fez um sucesso mundial com seu livro "As Correções" publicado em 2002. Devido a este reconhecido sucesso, a editora manda ver este "Liberdade" que é de uma chatice atroz. O livro lembra também a doença LEM - Livro de Estrangeiro Metido, são livros escritos por estrangeiros, que segundo Milôr Fernandes assim se definem " Os estrangeiros, porém, escrevem best-sellers que vendem bastante e fracassos totais que vendem muito mais." Os personagens Joey e Jessica Berglund, são irmãos adolescentes que cursavam a universidade de Minessota, e são amigos inseparáveis de Richard Katz, um roqueiro quase libertino. A narrativa, embora às vezes dinâmica, se arrasta por 605 páginas com diálogos idiotas, tendo como pano de fundo os conflitos de gerações, quer sejam de religião, cultura, sexo, fama, musica, maconha, paixão, lealdades e traições. Muitas passagens mais se parecem com aquele falso moralismo americano. O editor tem a cara de pau de colar um selo na capa "O livro do ano e do século". Cruel.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história (longa) de Walter e Patty Berglund e seus filhos adolescentes Joey e Jessica. Joey e Jessica tem Richard Katz como amigo comum. A partir do tempo em que cursaram a universidade suas vidas se entrelaçaram, numa relação conflituosa, mas com liberdade, onde vivenciam  paixão, lealdade e traições.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Remoção do topo da montanha
Quando se tornou inevitável que Richard Katz voltasse ao estúdio com seus jovens e ansiosos companheiros de banda e começasse a gravar um segundo disco do Walnut Surprise - depois que ele esgotou todas as formas de procrastinação e fuga, primeiro tocando em qualquer cidade americana que o recebesse e depois fazendo turnês por países estrangeiros cada vez mais remotos, até seus companheiros de banda se revoltarem contra o acréscimo de Chipre à viagem pela Turquia, e depois de fraturar o indicador esquerdo aparando um exemplar do estudo seminal sobre o genocídio escrito por Samantha Power, atirando contra pelo baterista da banda, Tim, num quarto de hotel em Ankara, e depois partindo sozinho para uma cabana nos montes Adirondacks para fazer a trilha sonora de um filme de arte dinamarquês, absolutamente entediado com o projeto, procurando um traficante de pó em Pittsburgh e cheirando cinco mil euros do financiamento para as artes do governo dinamarquês, desaparecendo em seguida por um período de dispendiosa dissipação em Nova York e na Flórida que só foi acabar quando ele foi preso em Miami por dirigir drogado e portar drogas, internando-se depois na Clínica Gubser de Tallahassee para seis semanas de desintoxicação e resistência tenaz ao evangelho do recomeço, recuperando-se em seguida do herpes-zoster que não tomara o devido cuidado de evitar durante uma epidemia de catapora em Gubser, e depois cumprindo duzentas e cinquenta horas de trabalho comunitário agradavelmente braçal num parque do condado de Dade, e depois simplesmente se recusando a atender o telefone ou checar os e-mails enquanto lia um livro atrás do outro em seu apartamento a pretexto de mobilizar suas defesas contra as mulheres e as drogas que seus companheiros de banda pareciam capazes de consumir sem nenhum exagero mais sério, enviou um cartão-postal a Tim e pediu-lhe que dissesse aos demais que estava sem um tostão e que ia recomeçar a construir deques de cobertura em tempo integral, e os demais integrantes do Walnut Surprise se sentiram verdadeiros idiotas por terem ficado à sua espera.
Não que isso fizesse diferença, mas Katz estava de fato sem dinheiro. A receita e as despesas tinham se equilibrado mais ou menos durante o ano e meio que a banda passara em turnê; sempre que havia o risco de um lucro excedente, ele procurava hotéis mais caros e pagava a bebida para todos os presentes em bares cheios de fãs e desconhecidos. Embora Lago Sem Nome e o renovado interesse dos consumidores pelos antigos discos dos Traumatics lhe tenham trazido mais dinheiro que todos os vinte anos anteriores somados, ele conseguira dissipar até o último centavo em sua busca de relocalizar a identidade que tinha perdido. Os acontecimentos mais traumáticos que já ocorreram ao solista de tantos anos dos Traumatics foram (1) ser indicado para um Grammy, (2) ouvir suas canções tocando na National Public Radio e (3) deduzir, a partir dos números das vendas de dezembro, que Lago Sem Nome tinha se tornado o presente de Natal perfeito para ser deixado ao pé de elegantes árvores de Natal decoradas com gosto nas casas de várias centenas de milhares de famílias ouvintes da NPR. E a indicação ao Grammy foi um constrangimento especialmente desorientador.
Katz vinha lendo muito sobre sociobiologia popular, e sua visão da personalidade do tipo depressivo e de sua persistência aparentemente perversa na herança genética humana era de que se tratava de uma adaptação bem-sucedida a nossas dores e provações constantes. O pessimismo, a sensação de não valer nada e de não ter direito a nada, a incapacidade de extrair satisfação do prazer, uma consciência torturante da merda generalizada do mundo: para os antepassados judeus paternos de Katz, empurrados de shtetl para shtetl por antissemitas implacáveis, assim como para os antigos anglos e saxões do lado de sua mãe, que se esforçavam para cultivar cevada e centeio nos solos pobres e nos verões curtos do norte da Europa, sentir-se mal o tempo todo e sempre esperar pelo pior tinha sido uma forma natural de equilibrar-se diante da merda em que viviam. Poucas coisas agradam mais um depressivo, afinal de contas, que uma péssima notícia. Obviamente, não é a melhor maneira de se viver, mas tem lá suas vantagens do ponto de vista evolutivo. Em situações difíceis, os depressivos passavam seus genes adiante, enquanto os que procuravam melhorar se convertiam ao cristianismo ou emigravam para locais mais ensolarados. Situações difíceis eram o nicho de Katz, assim como águas lodosas são o hábitat da carpa. Seus melhores anos com os Traumatics coincidiram com Reagan I, Reagan II e Bush I; Bill Clinton (pelo menos pré-Lewinsky) foi mais duro para ele. E agora vinha Bush II, o pior regime de todos, e ele bem que podia ter recomeçado a compor, não fosse pelo acidente do sucesso. Ele rabeava na lama, como uma carpa pesada, suas guelras psíquicas se esforçando em vão para extrair o sustento sombrio de uma atmosfera de aprovação e plenitude. Ao mesmo tempo se sentia mais livre do que nunca desde a puberdade e mais próximo do que nunca do suicídio. Nos últimos dias de 2003, voltou ao trabalho de construção de deques.
Teve sorte com os primeiros dois clientes, dois rapazes do ramo de investimentos privados que curtiam os Chili Peppers e não sabiam a diferença entre Richard Katz e Ludwig van Beethoven. Ele serrava e enfiava pregos à máquina em suas coberturas numa relativa paz. Só em seu terceiro serviço, começado em fevereiro, ele foi ter a infelicidade de trabalhar para pessoas que sabiam quem ele era. O edifício ficava na White Street, entre Church e Broadway, e o cliente, um rico e independente editor de livros de arte, possuía toda a obra dos Traumatics em vinil e ficou aparentemente magoado quando Richard não se lembrou de tê-lo visto nas platéias esparsas do Maxwell's, em Hoboken, por vários anos.
"É tanta gente", disse Katz. "Sou péssimo fisionomista."
"Na noite em que Molly caiu do palco, fomos todos beber juntos depois do show. Guardei o guardanapo ensanguentado, deve estar em algum lugar. Você não se lembra?"
"Nada. Desculpe."
"Bom, de qualquer maneira, é ótimo ver você conseguindo parte da fama que sempre mereceu."
"Prefiro não conversar sobre isso", disse Katz. "Vamos falar da sua cobertura."


  • Liberdade, Jonathan Franzen

    Autor:

    Veículo: Blog Terapia Zero

    Fonte: http://terapiazero.blogspot.com.br/2011/09/liberdade-de-jonathan-franzen.html

    Poucas vezes a frase "Don't believe the hype" me pareceu tão acurada. Eu deveria ter desconfiado quando vi, na capa, o selo dizendo "O livro do ano, e do século - The Guardian". Uma afirmação com esse grau de presunção deveria ter disparado alguns alarmes. Além disso, quando Liberdade saiu nos EUA, em 2010, o autor saiu na capa da revista Time, com o título "Great American Novelist". Hmm. Nos EUA o livro é um bestseller, recomendado até pela Oprah*. A crítica compara Franzen a Tolstói em sua capacidade de retratar a vida americana nesses tempos que correm. Estava armado o circo do hype literário.

    Mas não fui uma simples vítima desse hype. O fato é que li e adorei seu livro anterior, As Correções, de 2001.  Assim como aconteceu com Milton Hatoum e Miguel Sousa Tavares, minha empolgação com um livro (Dois Irmãos do Hatoum, Equador do MST, As Correções do Franzen) me fez comprar o lançamento seguinte sem pestanejar -- apenas para amargar uma decepção daquelas.

    E é em respeito a As Correções que eu não escrevo aqui que Liberdade é simplesmente uma bosta (e também porque não é muito fino escrever uma coisa dessas). Então vamos dizer apenas que é um livro ruim. Ou melhor ainda: que é um livro de que eu não gostei. Vamos ser ainda mais camaradas e dizer que tenho andado numa maré de falta de sorte com a ficção literária, já que também não gostei de 2666 do Roberto Bolaño. E pronto, chegamos àquele adorável clichê de final de namoro: o problema é comigo, não com o livro!

    Ah, porra nenhuma. É uma porcaria mesmo. E vou explicar por quê.

    Liberdade gira em torno da família Berglund (o casal Patty e Walter, e seus filhos Jessica e Joey), e tem outro personagem importante, Richard Katz, amigo de Walter e depois de Patty desde os tempos da faculdade. O início do livro não é tão ruim. É uma narrativa que parte das observações dos vizinhos sobre os Berglunds, e assim, com as esperadas doses de maledicência e fofocada que permeiam qualquer relação de vizinhança, ficamos sabendo dos podres da família, a partir desse olhar externo. Mas mesmo nesse começo eu já comecei a me aborrecer com um excesso de oh-como-sou-observador-astuto-da-contemporaneidade.
    Havia também questões mais contemporâneas, como, era mesmo o caso de usar fraldas de pano? O trabalho valia a pena? (...) Os escoteiros eram aceitáveis do ponto de visto politico? O trigo sarraceno era mesmo necessário? Onde reciclar pilhas? (...) O seu Volvo 240 às vezes não deixa de entrar em overdrive quando você aperta o botão de overdrive? (...) E o botão com a etiqueta enigmática no painel, que produzia uma clique sueco perfeito, mas dava a impressão de não estar ligado a nada: que diabo era aquilo? (p. 12-13)

    Pois, é o que eu pergunto: que diabo é isso? Devo dar um riso constrangido com o canto da boca com essas questões? Era esse o objetivo? Porque se era, falhou espetacularmente, pois elas não me comunicam absolutamente nada. Noves fora eu não ter ideia do que seja um Volvo 240, o que não faz diferença, não acho em nada relevante para a contextualização da narrativa esse trecho, que é muito mais longo do que o citado acima.

     

    Mas vá lá, seguimos na leitura, e essa parte inicial termina na página 36. Aí começa o declínio absoluto do livro, quando ele se torna impossível de salvar: A "Autobiografia de Patty Berglund", intitulada "Todo mundo erra", e escrita "(por sugestão de seu terapeuta)". São intermináveis 166 páginas em que ficamos conhecendo a infância de Patty, seu relacionamento distante com a mãe, o pai, e as irmãs, o infeliz início de sua vida sexual, sua carreira de atleta (jogadora de basquete), a estranha amizade com uma espécie de amiga sanguessuga (parte inverossímil, a bem da verdade, pois Patty podia ser ingênua, mas não era idiota), a aproximação de Richard e Walter, e as escolhas péssimas que ela vai fazendo ao longo da vida. Durante a Autobiografia, Patty se refere a si própria tanto como "Patty" como quanto "a autobiógrafa", mas o mais grave é que a voz do narrador (ou seja, de Patty) não difere significativamente nem do trecho que veio antes, nem do trecho que vem depois. É como se Patty e o narrador onisciente do resto do livro fossem a mesma coisa. Incompreensível.

    E é chato, minha gente. É maçante. Veja, personagens desinteressantes, simplórios ou patéticos não são necessariamente tediosos. Mas aqui, sim. Nada me convence. A tensão sexual latente entre Patty e Richard, problematizada pelo fato de que ambos amam Walter, é banal. Quando consumada, as cenas são tediosas. E chovem os trechos "vou-fazer-frases-de-efeito". Como esse parágrafo:
    Cortou as batatas em ângulos muito estranhos. Lembravam um quebra-cabeça geométrico. (p. 178)
    Ai, caramba, quero meu dinheiro de volta! Este foi um parágrafo de 2 frases, mas no mais das vezes abundam os parágrafos de 50 linhas, os apostos entre colchetes que são uma frase só de 30 linhas. E, bem, esse tipo de coisa só presta se você for mesmo um gênio. Caso contrário, nem tente.

    Walter é um personagem santo durante a maior parte do livro. Passivo, cordato, se contenta com as migalhas que Patty lhe reserva, parecendo sempre feliz por ter conseguido, ele, um nerd, casar com aquele mulherão. E quando Walter finalmente começa a dar uma virada, ela se inicia através de uma história de reservas florestais para salvar mariquitas azuis ameaçadas de extinção mas que na verdade não passava de um golpe para aquisição de áreas ricas em carvão porque as políticas de extração estavam prestes a mudar no Congresso, tudo decidido entre os figurões de Washington amigos de Dick Cheney e por aí vai. Mas meu Deus, ele se senta com Richard para explicar essa história e passa 25 páginas discorrendo sobre os detalhes! Aaah! 25 páginas de texto sobre essa merda! E não pense que o estilo é de thriller político-corporativo-jurídico-Crichton-Turow-Grisham. Quem dera, porque esses caras ao menos criam ganchos entre seus capítulos curtos, benditos sejam. Não. É tudo chato, porque o Walter é um cara super certinho e careta, portanto ele é chatinho também, é quase como se a gente lesse por pena.

    E o Richard é um personagem que não fede nem cheira, um roqueiro que faz sucesso quando menos espera e quando já não deseja o sucesso, um comedor de mulheres como qualquer roqueiro estereotipado que se preze, que não tem remorsos (exceto quando se trata de Walter) e quer que tudo se foda mesmo. Mas é aquela coisa: de onde menos se espera, é dali que não sai nada mesmo. Não é Richard que salva o livro.

    Dizem que tem uma parte sobre Joey que é das melhores, que ele é um dos personagens principais também. Acho que jamais saberei. Quando cheguei a um final de capítulo na página 251 e vi que ainda não estava nem na metade, desisti. Já estava mesmo pulando grandes trechos, já tinha dado gritos de impaciência com o livro, enfim, já deu o que tinha pra dar.

    Mais que tudo, Liberdade me pareceu um livro sem ritmo. A narrativa é tão estanque, tão truncada, que me senti travada enquanto lia. Bons livros podem ser lentos ou velozes. Mas a ausência de qualquer ritmo, a falta de uma cadência, são fatais.

    PS sobre a lamentável edição brasileira

    Assim como As Correções, Liberdade saiu aqui pela Companhia das Letras, editora que costuma primar pela excelência no tratamento do texto -- ótimos tradutores, preparadores de texto, revisores. Mas neste caso, por um engano, foi para as lojas uma primeira tiragem com um sem-número de erros bisonhos de tradução. São palavras faltando, erros de concordância e coisas estapafúrdias como "comessasse" ou "sobiu". Mas não só isso. Questões estúpidas de tradução, que me incomodam sobremaneira, porque mostram a falta de um mínimo esforço para adaptar ao falar brasileiro, um desprezo total ao leitor brasileiro. Como na página 198. Uma conversa telefônica entre Patty e Richard, que chega a um beco-sem-saída, aquele momento em que você já não tem mais o que dizer num diálogo que está, desde o início, sendo constrangedor para todas as partes. Todo mundo já passou por isso, todo mundo identifica a situação.
    "O que foi isso?", perguntou Richard.
    "Nada. Desculpe."
    "Então, de qualquer maneira."
    "De qualquer maneira."
    "Resolvi que não ia."
    "Certo. Entendi. É claro."
    "Certo, então."
    Péra aí, pára tudo. "Então, de qualquer maneira." "De qualquer maneira." ??? Alguém consegue imaginar uma pessoa falando assim ao telefone? Não sei como é o texto original em inglês, mas aposto 20 mariolas como é: "So, anyway." "Anyway." É o clássico termo para não-sei-mais-o-que-dizer. E não é difícil lembrar como se diz isso no Brasil: "Mas enfim." "Enfim." É claro que, literalmente, Anyway = de qualquer maneira. E em muitas situações essa equivalência vale. Mas nunca num caso como este.

    Pesquisando na internet, vi que outros leitores estavam tão estupefatos quanto eu com os erros de revisão, e um deles, comentando no blog da própria editora, disse exatamente o que eu penso: a vontade é jogar a edição brasileira no lixo e ler o original em inglês. Gostei tanto desse comentário, que comentei também, e até citei alguns dos erros que achei ao longo do livro. Alguém anônimo da editora respondeu apenas que infelizmente a primeira edição tinha saído com erros, mas que já tinham sido corrigidos numa nova edição.

    Ora, se alguém na área de atendimento ao leitor da editora em que eu trabalho responde desta forma a um leitor com esse tipo de reclamação, vai para o olho da rua. Caramba, a editora botou no mercado um produto com defeito, e eu comprei!, e escrevi para dizer que estava insatisfeita com meu produto defeituoso. O mínimo a fazer é oferecer a troca por um produto sem defeito! Mas não, nada do tipo. Claro, eu é que não escrevi mais para lá dizendo isso, porque não serei eu a dizer à concorrência como proceder, e porque não quero nem um exemplar deste livro, muito menos dois. Mas a arrogância é de dar dó. Numa era em que o consumidor é cada vez mais difícil de alcançar, em que você, enquanto editora, precisa suar para fidelizar esses clientes, principalmente esses que estão te dizendo: eu posso ler em inglês e não vou mais comprar seus livros, seus idiotas!, responder assim é um suicídio para a imagem.

    Porque na verdade é isso mesmo. Leitores como eu, mais apegados ao conteúdo do que ao produto físico livro, possuidores de um Kindle e uma conta na Amazon, e fluentes em inglês, simplesmente não precisam mais das editoras brasileiras para ler literatura estrangeira. Da própria Companhia das Letras, eu quero ler O décimo primeiro mandamento do Abraham Verghese (632 páginas, R$54), e O Homem de Beijing do Henning Mankell (512 páginas, R$46). Mas com um clique posso comprar Cutting from Stone (947 KB, US$9,57) e The Man from Beijing (616 KB, US$10,58). É mais barato, mais rápido, e até mais ecológico. E se eu não gostar, não preciso me preocupar em me livrar do exemplar.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Em 2012 não vou comparecer à FLIP, em Paraty, RJ. Então, em maio 2012 visitei a Livraria da Vila, em São Paulo - que sempre comercializa os livros dos convidados FLIP - para comprar os lançamentos. Trouxe Liberdade do Jonathan Franzen, entre tantos outros.


 

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