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Os Informantes

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Os Informantes

Livro Péssimo - 1 opinião

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Autor: Juan Gabriel Vásquez

Editora: L&pm

Assunto: Romance

Traduzido por: Heloisa Jahn

Páginas: 287

Ano de edição: 2010

Peso: 400 g

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Péssimo
Marcio Mafra
24/10/2012 às 11:59
Brasília - DF


Mais um livro de conflito. Conflito entre pais e filhos, numa relação paralela ao conflito mundial, que foi a 2ª Guerra, no final dos anos 40. Em "Os Informantes" o colombiano Juan Gabriel Vasquéz, convidado muito festejado pela FLIP de 2012, é um escritor novo, mas muito bem premiado, fato que predispõe o leitor a uma boa leitura. Ledo engano. A leitura é chata, densa e angustiante, muito embora a trama seja atraente. Atraente, porém já foi utilizada por escritores do mundo inteiro.  A narrativa é estruturada em duas direções ou eixos: (1) a Colômbia dos anos 80 e 90, onde os cidadãos viviam sob o tacão dos cartéis das drogas, e (2) a Colômbia dos anos 30 e 40, onde imigrantes europeus alemães vivia, sob perseguição política, notadamente quando as forças aliadas tendiam a ganhar a guerra. Os personagens principais, tanto o filho como o pai, chamam-se Gabriel Santoro. O filho escreveu um livro sobre uma imigrante alemã, que era judia, e o pai, um sujeito bem posicionado na sociedade local, desce o sarrafo na história, causando um conflito que se arrasta até o final do livro. Os capítulos são enfadonhos, de tão compridos. No final tem um "post scriptum" que explica a tentativa de um dos personagens justificar os segredos dos informantes, as passagens de traições, decepções e o cometimento de erros. Autor ótimo. Tema ruim. História mediana.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Gabriel Santoro e seu filho  que se encontram em Bogotá, Colombia, na ocasião em que o pai passava por uma cirurgia. Pai e filho tinham o mesmo nome. O filho, escritor e jornalista, escreveu um livro sobre o qual o pai "desce o sarrafo". O livro narra passagens da vida de Gabriel Santoro - pai e filho - destacando traições e decepções havidas durante a segunda guerra, por volta dos anos 40, quando o governo colombiano era claramente contra os judeus. Mas os alemães e seus dependentes diretos, que já residiam na Colômbia, também passaram por problemas, devido a pressão que os americanos faziam em todos os governos da América latina. 

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

E aconteceu o impensável: meu pai cometeu um erro. O homem que falava em parágrafos revistos, que se comunicava ao longo de um dia normal em laudas prontas para publicação, misturou os papéis, confundiu os objetivos, esqueceu a fala e não havia ponto para ajudá-lo. O homem que vaticinou o esquecimento de meu livro perdeu o controle e acabou fazendo todo o possível para que meu livro fosse lembrado. Por seus próprios méritos, Uma vida no exílio conseguira passar despercebido; meu pai - ou melhor, sua reação desproporcional, impetuosa, irrefletida - se encarregou de pôr o livro no centro da cena e de atrair todos os refletores para ele. "Ele vai publicar uma resenha", me avisou Sara. "Por favor, diga a ele que não faça isso, diga que não está certo agir assim." Respondi: "Não vou dizer nada. Ele que faça o que achar melhor." "Mas ele está louco. Ficou louco, juro. A resenha é terrível." "Tudo bem." "Você precisa convencê-lo, vai machucar você. Diga que o livro é um acidente. Faça com que ele caia em si. Diga que publicar a resenha vai contra os interesses dele. Que, se ele publicar, vai chamar a atenção das pessoas. Explique isso a ele. Ele não se deu conta. Ainda dá para evitar." Perguntei-lhe então por que estava tão preocupada. "Porque vocês dois vão sair dessa machucados, Gabriel. Não gosto que vocês se machuquem, amo vocês dois." Achei a explicação curiosa; ou melhor, achei-a supérflua, e por isso incompleta. "Você acha melhor que ninguém fale do livro", eu disse a Sara. "Não é verdade. Prefiro que ele não fale do livro. Prefiro que não fale assim do livro. Vai contra os interesses dele, mas não é isso. É que toda essa história é contrária às próprias intenções dele, você percebe?" "Claro que percebo. E daí?" "Daí que eu nunca tinha visto seu pai ter uma reação tão patológica. Quem sabe o que virá depois. Gabriel, não é isso." "Me diga uma coisa, Sara. Você sabia?" "Sabia o quê?" "Não se faça de boba. Você sabia? E se sabia, por que não está no livro? Por que não me contou durante as entrevistas?" É uma velha estratégia de debate cujo nome me escapa: quando seu adversário exige alguma coisa, responda com exigências mais agressivas. "Por que vocês me esconderam tudo? Por que você me deu informações incompletas?"
Para tema de seu primeiro livro, o jornalista Gabriel Santoro escolheu um dos mais difíceis e, ao mesmo tempo, um dos mais batidos. A emigração dos judeus nos anos 30 foi, durante várias décadas, o pasto predileto de todos os redatores que já passaram por um curso de redação. Santoro quis, sem dúvida, parecer ousado; terá ouvido dizer que a ousadia é uma das virtudes do jornalista. Mas escrever um livro sobre o Holocausto, nos tempos que correm, é tão ousado quanto dar um tiro num pato adormecido.
O autor de Uma vida no exílio considerou que o mero fato de anunciar seu tema - uma mulher que foge de Hitler quando menina e acaba permanecendo em nosso país - era suficiente para gerar terror e/ou piedade. Julgou, ainda, que um estilo enjoativo e monótono poderia passar por direto e econômico. Em poucas palavras: contou com a pouca atenção do leitor. Às vezes Santoro peca pelo sentimentalismo: a protagonista é uma mulher "feita de medos e silêncios deliberados". Às vezes peca por ser palavroso: na Colômbia, o pai se sente "distante e bem-vindo, aceito e estranho". Qualquer um percebe que a metáfora e o quiasma pretendiam reforçar as ideias; qualquer um perceberá que só conseguem enfraquecê-las. E essas não são as únicas ocasiões em que isso acontece.
É óbvio que tudo funcionaria melhor se a intenção, de um modo geral, não se mostrasse tão nitidamente oportunista. Mas o autor nos conta que emigrar é ruim, que o exílio é cruel, que um homem no desterro (ou, no caso, uma mulher) nunca mais será o mesmo. Os lugares-comuns da sociologia constroem as páginas do livro, e por outro lado as verdades mais sugestivas, a capacidade que têm os homens de reinventar-se, de reconstruir seu destino, não chegam a revelar-se. O autor não se interessou por elas; talvez seja por isso que o livro não nos interessa.
No fim, Uma vida no exílio é pouco mais que um exercício: um exercício meritório, dirão alguns (embora eu ignore quais possam ser as razões disso), mas exercício, mesmo assim. Não afirmarei que os tropos são baratos, que o ethos é questionável, que as emoções são de segunda mão. Direi, em compensação, que o conjunto é um fracasso. A sentença é mais clara e mais direta que o melhor inventário de falências, cuja redação, ao fim e ao cabo, seria tão fútil quanto esgotante.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Juan Gabriel Vasquéz foi convidado para a FLIP de 2012, em Parati RJ. Como nesse ano eu não poderia comparecer, me antecipei a visitei a Livraria da Vila, em São Paulo no dia 24 de maio e adquiri Os Informantes.

 


 

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