carregando

Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns segundos...

 

O Livro dos Lobos

Para usar as funcionalidades você precisa estar logado(a). Clique aqui para logar
Erro ao processar sua requisição, tente novamente em alguns minutos.
O Livro dos Lobos

Livro Bom - 1 opinião

  • Leram
    0
  • Vão ler
    4
  • Abandonaram
    0
  • Recomendam
    0

Autor: Rubens Figueiredo

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Contos

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 153

Ano de edição: 2009

Peso: 240 g

Avalie e comente
  • lido
  • lendo
  • re-lendo
  • recomendar

 

Bom
Marcio Mafra
23/10/2012 às 15:39
Brasília - DF


Rubens Figueiredo intitulou seu livro de contos com muita propriedade, chamando-o "O Livro dos Lobos". São seis histórias tipo "agressivas como lobo". Existe um outro livro com titulo parecido, de autoria de May Black e Joyce Mulder, com o titulo de "Livro dos Lobos", mas os dois não guardam semelhanças entre si. Desde o seculo 17, quando foi publicada na França a história do Chapeuzinho Vermelho, o lobo é retratado como um personagem mau e quase sempre um pouco assustador.  Rubens Figueiredo é um conhecido professor de literatura, além de tradutor e escritor. Ponto pra ele. Talvez, por isso, o livro não guarde aquela pobreza literária da maioria dos contistas: um fio condutor, uma linha paralela que no conto final ajunta personagens, ou histórias, um fato ou um vicio comum à todos as histórias. Neste livro Figueiredo faz a narrativa onde os personagens principais sofrem e fazem os outros sofrerem no confronto diário com perguntas e enigmas dos quais são o objeto. São personagens quase esdrúxulos, quase maus, como Diana do "o caminho do Poço Verde" ou Cabral do "a terceira vez que a viuva chorou". Aliás, este ultimo é o melhor conto do livro. Embora a excelente qualidade do autor, o livro não é lá essas coisas. O leitor não fica com os olhos pregados, sem largar o livro. Nenhuma das seis histórias emocionam.  



 



 



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O livro dos Lobos são sete contos do festejado autor Rubens Figueiredo: (1) os biógrafos de Albernaz; (2) alguem dorme nas cavernas; (3) a terceira vez que a viuva chrou; (4) um certo tom de preto; (5) o caminho de Poço Verde; (6) os anéis da serpente; e (7) a escola da noite. São contos onde os personagens são pessoas que sofrem e fazem sofrer os outros personagens - familiares e não familiares - que estão à sua volta .

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A terceira vez que a viúva chorou.

A certa altura, o hospital começou a dividir sua vida em capítulos, que os médicos pensavam abrir com os bisturis e fechar com as ataduras. Mas nunca era só isso, não eram os médicos que comandavam. Daquela vez, Cabral não chegou a se aborrecer quando o médico disse que era melhor se internar para operar a hérnia. De fato ela o incomodava e ele não tinha medo de pequenas cirurgias. Hérnia poderia ser o nome desse novo capítulo. Mas Cabral logo ia perceber que isso seria uma injustiça com um homem chamado Antônio.
Já na primeira manhã que passou na enfermaria, Cabral foi atraído pela presença de Antônio. Mais do que a agitação e a ânsia ele sacudir o marasmo do dia a dia, ele percebeu em Antônio um ímpeto, quase uma sede de desastre. Aos olhos de Cabral, havia naquele português ele cinquenta e cinco anos o fascínio elas pessoas que se divertem em desafiar a sorte. Cabral era quase vinte anos mais velho elo que o seu colega de enfermaria e acreditava agir ele modo bem diferente.
Antônio foi internado por causa ele um mal-estar de diagnóstico ainda impreciso. Podia ser próstata, podia ser rim, podia ser muita coisa. Embora ele se queixasse da incerteza, Cabral logo entendeu que a dúvida dos médicos fazia Antônio vibrar por dentro. Aquilo de algum modo multiplicava suas possibilidades. 
Lá de vez em quando um dos quatro filhos de Antônio o visitava na enfermaria. Trazia peras e revistas de palavras cruzadas. Antônio não vivia mais com os filhos e a esposa. Deixou para eles uma espécie de armazém, uma casa para morar e partiu sozinho para tentar outra vida. Depois sentiu-se solitário, conforme explicava aos companheiros de enfermaria, num tom de voz que forçava um pouco o desânimo. Mas, ao ouvir aquelas palavras, Cabral pressentia um temperamento indócil, incapaz de ficar parado.
O fato é que Antônio sentiu-se tão solitário que pôs um anúncio nos classificados do jornal. Comerciante português, maduro, sozinho, bem estabelecido na vida etc. Assim conheceu uma mulher com quem passou a sair. Mas depois que Antônio se internou, ela o visitou poucas vezes. Sempre pedia dinheiro. Já no segundo dia que Cabral passou no hospital, Antônio se abriu com ele: desconfiava da fidelidade da mulher.
Com a satisfação de quem sabe admirar a lógica das coisas, Cabral entendeu que aquela desconfiança era inevitável. Era uma parte do mesmo impulso que fazia Antônio olhar meio na diagonal para as pernas das moças que passavam desinfetante no chão da enfermaria. Ou para a viúva que todo dia vinha cuidar do enteado paralítico, na enfermaria em frente. Mas aquela viúva se achava mais distante, numa esfera mais elevada, suspensa numa espécie de abstração.
Antônio só podia ver a viúva nos intervalos em que a porta de vaivém da enfermaria em frente abria, para logo depois fechar de novo. A silhueta firme, sempre ao lado da cama do enteado.
 


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Neste ano de 2012 não consegui ir até a FLIP, em julho, de Parati. Mas numa viagem a São Paulo, comprei os livros dos autores que foram convidados para a Festa Literária. Comprei dois ou tres do Rubens Figueiredo, inclusive este de contos com o título O Livro dos Lobos.


 

Receber nossos informativos

Siga-nos:

Baixe nosso aplicativo

Livronautas
Copyright © 2011-2018
Todos os direitos reservados.