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Jogos Vorazes

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Jogos Vorazes

Livro Ótimo - 6 opiniões

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    24

Autor: Suzanne Collins

Editora: Rocco

Assunto: Adolescente

Traduzido por: Alexandre D'elia

Páginas: 397

Ano de edição: 2012

Peso: 430 g

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Excelente
Jéssica Araújo de Oliveira
12/08/2017 às 05:29
Salvador - BA
Ótimo livro


Bom
Kassia raquel da silva
21/01/2016 às 13:53
Campo Grande - MS
Ainda não li mas espero ler um dia. Tenho certeza que irei amar a escrita da autora.
Afinal assisti o filme e amei.


Excelente
ADRIANA MATIAS DA SILVA
31/05/2015 às 16:27
Recanto das Emas - DF
As historias de Suzanne sao perfeitas


Ótimo
Georgeane Souza Braga
23/03/2015 às 01:17
Uberlândia - MG
Jogos Vorazes é uma trilogia inteligente, embora muitos leitores não entendam a essência da estória. Suzanne Collins tramou seu enredo de forma crítica a uma sociedade capitalista e ditadora onde o poder da Capital se torna cada vez mais avassalador aos distritos. Não muito diferente da nossa realidade, a visão de Suzanne é simples e real. É claro que existe um toque de romance na estória para atrair os jovens e estes, conseguirem assimilar o verdadeiro conceito que a autora quis passar.
Vai muito além de uma ficção. É algo que nos faz refletir principalmente como cidadãos e nossas atitudes, ou a falta delas...


Bom
ELANE FARIAS DA SILVA
23/01/2015 às 18:56
Rio Largo - AL
Adorei o livro. Simplesmente a história consegue prender a atenção... é como se fosse um encanto que só pode ser quebrado ao fim da última página. Acredito pelo fato da história ter de tudo, desde ação e suspense, a romance e angustia, uma ótima leitura para quer deseja se distrair e sair um pouco da realidade.

Ótimo
Marcio Mafra
30/05/2012 às 22:15
Brasília - DF


Jogos Vorazes é uma inteligente mistura de ficção científica, mitologia grega, trama policial e muita imaginação criativa. Suzane Collins ou talvez o seu editor, logo de saída, perceberam o cheiro de sucesso deste livro. Este deve ser o motivo principal para fazer o final do livro mais chocho que as historinhas de Pollyana. Agindo assim eles abriam caminho para editar os Jogos Vorazes II, III, IV, VI e VII, numa pretensiosa imitação de J.K. Rowling, com o genial Harry Potter. Tanto é que já estão a caminho das livrarias outros dois livros de Suzane Collins: Em Chamas e A Esperança. Final insípido é o único senão do livro. O resto é ótimo. Tanto a personagem principal Katniss Everdeen, como seus grandes amigos Gale e Peeta são heróis palatáveis, bem construídos, com destaque para suas habilidades, vaidades, belezas, angústias, medos e coragem. Os nomes de lugares, coisas, pessoas, profissões e fatos também são empolgantes; “garçom que não possui lingua” se chama “avox”; “jogadores” são chamados de “tributos”; “aerodeslizador” é a designação para uma mistura de avião, helicóptero, camburão e ambulância do SAMU, quase invisível e mais rápido que o raio. No mais é uma exposição de moral, violência, agressões e submissão onde matar ou morrer é coisa banal.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história da menina Katiniss e do garoto Peeta, que vivem em Panem, um país que surgiu após o desaparecimento dos EUA. Panem tem 12 Distritos, que são regiões, como os atuais Estados ou Municípios. A Capital de Panem é o lugar onde se realiza, anualmente, os Jogos Vorazes. Este é um jogo entre jovens escolhidos ou sorteados em cada um dos 12 Distritos. O local escolhido para a realização dos Jogos Vorazes é uma espécie de Coliseu da antiga Roma. Aqui também a luta é cruel. Quem consegue ficar vivo é proclamado vencedor. Os jogadores são chamados de Tributos. Nos Jogos Vorazes quem não mata, morre.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O impacto com a terra dura me deixa sem ar. Minha mochila pouco faz para aliviar o golpe. Por sorte, minha aljava ficou presa no cotovelo, poupando não só sua integridade como também meu ombro, e meu arco está firmemente seguro em minha mão. Ele ainda treme devido às explosões. Não consigo escutar o barulho. Não consigo escutar nada no momento. Mas a maçãs devem ter ativado uma quantidade suficiente de minas, fazendo com que os estilhaços, por sua vez, ativassem outras. Consigo proteger o rosto com os braços enquanto pedaços de várias coisas, alguns dos quais em chamas, chovem em cima de mim vindos de todas as direções. Uma fumaça ácida cobre o ar, o que não é o remédio ideal para alguém que está tentando recuperar a capacidade de respirar.
Depois de mais ou menos um minuto, o chão para de vibrar. Rolo para o lado e me permito um momento de satisfação diante da visão dos destroços fumegantes que há pouco tempo tinham a feição de uma pirâmide. Os Carreiristas dificilmente conseguirão salvar qualquer coisa do local.
É melhor sair logo daqui. Eles virão diretamente para cá.
Mas assim que me levanto, noto que escapar não deve ser uma tarefa tão simples. Estou tonta. Não aquele tipo de tonteira leve, mas o tipo que faz com que as árvores rodopiem à sua
volta e a terra se mova em ondas embaixo de seus pés. Dou alguns passos e acabo ficando de quatro. Paro alguns minutos para esperar a sensação passar, mas ela não passa.
Começo a entrar em pânico. Não posso ficar aqui. Fugir é essencial. Mas não consigo nem andar nem ouvir nada. Coloco uma das mãos no ouvido esquerdo, o que estava virado na direção da explosão, e, quando olho, ele está cheio de sangue. Será que fiquei surda devido à explosão? A ideia me assusta. Confio tanto em meus ouvidos quanto em meus olhos nas caçadas. Às vezes, sou obrigada a confiar até mais nos ouvidos. Mas não posso permitir que meu medo apareça. É líquido e certo que eu esteja agora ao vivo em todas as telas de televisão de Panem.
Sem rastros de sangue, digo para mim mesma, e cubro a cabeça com o capuz, amarrando a corda embaixo do queixo com dedos pouco dispostos a cooperar. Isso deve ajudar a secar o sangue. Não consigo andar, mas será que consigo rastejar? Faço um movimento para a frente, hesitante. Sim, se for bem lentamente, consigo rastejar, sim. As árvores daqui não oferecem muitas possibilidades de esconderijo. Minha única esperança é chegar ao bosque de Rue e me esconder na vegetação. Não posso ser pega aqui, de quatro, a céu aberto. Certamente teria de encarar não simplesmente a morte, mas uma morte longa e dolorosa nas mãos de Cato. A imagem de Prim sendo obrigada a assistir a tudo isso faz com que eu avance infatigavelmente, centímetro a centímetro, na direção do esconderijo.
Uma outra explosão me faz grudar o rosto no chão. Uma mina desgarrada, ativada por algum engradado em queda. Acontece por mais duas vezes. O som me faz lembrar dos últimos grãos de milho que explodem quando eu e Prim fazemos pipoca na lareira de casa.
Dizer que consigo escapar no último segundo só pode ser uma piada. Mal acabei de me arrastar, literalmente, até o emaranhado de arbustos na base das árvores quando avisto Cato, correndo em disparada, e logo seguido de seus companheiros. Sua raiva é tão extrema que poderia até ser cômica - quer dizer então que as pessoas realmente arrancam os cabelos e dão socos no chão -, se eu não soubesse que ela é endereçada a mim, ao que fiz com ele. Acrescente isso à minha proximidade, minha impossibilidade de correr ou de me defender e, na verdade, a coisa toda me deixa aterrorizada. Estou contente de meu esconderijo tornar impossível para as câmeras conseguirem dar um close em mim, porque estou roendo as unhas como se não houvesse amanhã. Arrancando os últimos resquícios de esmalte, tentando evitar que meus dentes trepidem.
O garoto do Distrito 3 joga pedras nas ruínas e deve ter declarado que todas as minas foram ativadas, porque os Carreiristas estão se aproximando dos destroços.
Cato encerrou a primeira fase de seu ataque e agora transfere sua raiva para os restos fumegantes, chutando vários contêineres. Os outros tributos estão remexendo a bagunça em busca de algo que possa ser salvo, mas não há nada. O garoto do Distrito 3 executou muito bem seu trabalho. Essa ideia também deve estar ocorrendo a Cato, porque ele se volta para o garoto e parece estar gritando com ele. O garoto do Distrito 3 só tem tempo de se virar e correr antes de Cato pegá-Io por trás com uma gravata. Consigo ver os músculos se retesando nos braços de Cato à medida que ele torce a cabeça do garoto para o lado com força e precisão.
Rápida assim. A morte do garoto do Distrito 3.
Os outros dois Carreiristas parecem estar tentando acalmar Cato. Dá para ver que ele quer voltar para a floresta, mas eles não param de apontar para o céu, o que me deixa confusa. Aí me dou conta: é claro. Eles pensam que quem quer que tenha ocasionado a explosão agora está morto. Eles não sabem nada sobre as flechas e as maçãs. Eles reconhecem que a armadilha era defeituosa, mas que o tributo que explodiu os suprimentos morreu no ato. Se houve um tiro de canhão, ele pode muito bem ter passado despercebido nas explosões subseqüentes Os restos esmigalhados do ladrão teriam sido removidos pelo aerodeslizador. Eles se retiram para a extremidade lateral do lago para permitir que os Idealizadores retirem o corpo do garoto do Distrito 3. E esperam.
Suponho ter ouvido um tiro de canhão. Um aerodeslizador aparece e leva o corpo do garoto morto. O sol se põe no horizonte. A noite cai. No céu, vejo a insígnia e sei que o hino deve ter começado. Um instante de escuridão. Eles mostram o garoto do Distrito 3. Eles mostram o garoto do Distrito 10, que deve ter morrido hoje de manhã. Então, a insígnia reaparece. Quer dizer que agora eles sabem. O detonado r da bomba sobreviveu. À luz da insígnia, consigo ver Cato e a garota do Distrito 2 colocarem seus óculos de visão noturna. O garoto do Distrito 1 acende um galho e usa como tocha, iluminando a sombria determinação em todos aqueles rostos. Os Carreiristas retomam à floresta para caçar.
A tonteira melhorou e, apesar de meu ouvido esquerdo ainda estar inoperante, consigo ouvir alguma coisa com o direito, o que parece ser um bom sinal. Todavia, sair do meu esconderijo está fora de questão. Aqui, no local de crime, estou mais segura do que em qualquer outro lugar. Provavelmente, estão pensando que o detonador está com duas ou três horas de vantagem sobre eles. Mas, mesmo assim, ainda vai demorar muito até que me arrisque a me mexer.
A primeira coisa que faço é colocar meus óculos, o que me relaxa um pouco, para ter pelo menos um dos meus sentidos funcionando. Bebo um pouco de água e lavo o sangue do ouvido. Temendo que o cheiro de carne atraia predadores indesejáveis - sangue fresco já é suficientemente ruim -, faço uma boa refeição com verduras, raízes e amoras que eu e Rue colhemos hoje.
Onde está minha pequena aliada? Será que conseguiu chegar ao local de encontro? Será que está preocupada comigo? Pelo menos o céu mostrou que ambas estamos vivas.
Conto com os dedos os tributos sobreviventes. O garoto do Distrito 1, os dois do 2, Cara de Raposa, os dois do 11 e do 12. Apenas oito de nós. As apostas devem estar fervendo na Capital. Devem estar fazendo reportagens especiais sobre cada um de nós. Provavelmente entrevistando nossos amigos e familiares. Faz um bom tempo desde a última vez que algum tributo do Distrito 12 conseguiu chegar entre os oito primeiros. E agora estamos os dois. Embora, se levarmos em conta as palavras de Cato, Peeta esteja nas últimas. Não que Cato represente a palavra final sobre o que quer que seja. Não foi ele próprio que acabou de perder todo o estoque de suprimentos?
Que a septuagésima quarta edição dos Jogos Vorazes comece, Cato. Que ela comece de fato.
Uma brisa fria começou a soprar. Procuro meu saco de dormir antes de me lembrar que o emprestei a Rue. Era para eu ter pego algum outro, mas com as minas e tudo o mais, acabei esquecendo. Começo a tremer. Tendo em vista que ficar empoleirada a noite toda em uma árvore não é muito sensato, cavo um buraco embaixo dos arbustos e me cubro com folhas e agulhas de pinheiro. Ainda estou com frio. Coloco minha folha de plástico sobre a parte superior do corpo e posiciono a mochila no sentido oposto ao do vento. Fica um pouco melhor assim. Começo a ficar um pouco mais solidária com a garota do Distrito 8 que acendeu a fogueira na primeira noite. Mas agora sou eu que preciso cerrar os dentes e aguentar firme até o amanhecer. Mais folhas, mais agulhas de pinheiro. Puxo os braços para dentro da jaqueta e encaixo os joelhos no peito. Não sei como, mas acabo adormecendo.
Quando abro os olhos, o mundo parece levemente fraturado, e levo um minuto para perceber que o sol já deve estar bem alto e os óculos estão fragmentando minha visão. Enquanto me sento e os removo, escuto um riso em algum lugar perto do lago e fico paralisada. O riso é distorcido, mas o fato de ter ao menos registrado sua presença significa que estou recuperando minha audição. Sim, meu ouvido direito está escutando novamente, embora ainda esteja ecoando. Quanto ao meu ouvido esquerdo, bem, pelo menos o sangramento parou.
Espio por entre os arbustos, com medo de os Carreiristas terem retomado, de terem me abandonado nessa armadilha por um tempo indefinido. Não, é Cara de Raposa quem está
em pé sobre os destroços da pirâmide e rindo. É mais esperta do que os Carreiristas. Na verdade, está encontrando alguns itens úteis em meio às cinzas. Um pote de metal. Uma lâmina de faca. Estou perplexa com seu bom humor até perceber que, após a eliminação das provisões dos Carreiristas, talvez ela efetivamente tenha alguma chance. Assim como o resto de nós.
Passa pela minha cabeça a ideia de revelar minha presença e alistá-Ia como uma segunda aliada contra o bando. Mas descarto a hipótese. Tem alguma coisa nesse riso astucioso que
me faz ter certeza de que fazer amizade com Cara de Raposa terminaria por me arranjar uma facada nas costas. Com isso em mente, talvez agora seja uma excelente oportunidade para acabar com ela. Mas ela ouviu alguma coisa. Não foi nenhum barulho do meu lado porque a cabeça dela virou para outra direção, para a direção do despenhadeiro, e ela corre para a floresta. Eu espero. Ninguém. Coisa alguma aparece. Mas ainda assim, se Cara de Raposa imaginou que fosse perigoso, talvez seja o momento de eu sair daqui também. E além do mais, estou ansiosa para contar a Rue a respeito da pirâmide.
Como não faço a menor ideia de onde estão os Carreiristas, voltar pelo riacho parece uma possibilidade tão boa quanto qualquer outra. Corro, arco e flecha preparado em uma das mãos, um pedaço de ganso silvestre frio na outra, porque agora estou morrendo de fome, e não é fome de folhas e amoras, mas de gordura e proteína da carne. A viagem até o riacho ocorre sem incidentes. Uma vez lá, reabasteço-me e me lavo, tomando um cuidado especial com meu ouvido machucado. Então, subo a montanha usando o riacho como guia. Em determinado ponto, encontro pegadas de botas na lama ao longo da margem. Os Carreiristas estiveram aqui, mas não por muito tempo. As pegadas são profundas porque foram feitas em lama macia, mas agora estão quase secas devido ao sol. Não fui suficientemente cuidadosa em relação ao meu próprio rastro, contando com as passadas leves e com as agulhas dos pinheiros para ocultar minhas pegadas. Agora retiro as botas e as meias e ando descalça no leito do riacho.
A água fria exerce um efeito revi garante em meu corpo, em meu humor. Pego dois peixes no riacho com muita facilidade e como um deles cru, mesmo tendo acabado de comer o ganso silvestre. Guardo o segundo para Rue. Gradualmente, sutilmente, o eco em meu ouvido direito  diminui de intensidade até que acaba inteiramente. Mexo periodicamente no ouvido, tentando retirar seja lá o que possa estar impossibilitando o órgão de coletar sons. Se há alguma melhoria, é impossível de ser detectada. Não consigo me ajustar à surdez. Fico com uma sensação de desequilíbrio e fragilidade do lado esquerdo. É como se fosse uma cegueira. Minha cabeça não para de se virar para o lado problemático enquanto meu ouvido direito tenta compensar o paredão vazio onde ontem mesmo havia um fluxo constante de informação. Quanto mais o tempo passa, menos esperança tenho de que o ferimento possa ser curado.
Quando alcanço o local de nosso primeiro encontro, tenho a nítida sensação de que está vazio. Não há nenhum sinal de Rue, nem no chão, nem nas árvores. O que é estranho. Ela já deveria ter voltado, já que é meio-dia. Sem dúvida, passou a noite em cima de uma árvore em algum lugar por aí. O que mais ela poderia fazer sem luz e com os Carreiristas com seus óculos de visão noturna trombeteando na floresta? E a terceira fogueira que deveria ter acendido - embora eu tenha esquecido de verificá-Ia ontem à noite - seria a mais distante de todas de nosso local. Provavelmente, estava apenas sendo cautelosa em relação à sua volta. Gostaria que se apressasse porque eu não quero ficar parada aqui por muito tempo. Quero passar a tarde viajando para um local mais alto, e caçar alguma coisa no caminho. Mas não há nada que eu realmente possa fazer a não ser esperar.
Removo com água o sangue da minha jaqueta e do cabelo e limpo minha lista cada vez maior de ferimentos. As queimaduras estão bem melhores, mas ponho um pouco de remédio assim mesmo. Minha principal preocupação agora é evitar alguma infecção. Faço um esforço e como o segundo peixe. Eles não vão durar muito nesse calor, mas não devo ter muita dificuldade para pegar mais alguns para Rue. Se ao menos ela aparecesse.
Sentindo-me bastante vulnerável no chão devido à minha audição desigual, resolvo escalar uma árvore e esperar. Se os Carreiristas aparecerem, aqui vai ser um excelente local para alvejá-los. O sol se move lentamente. Faço coisas para passar o tempo. Mastigo folhas e as aplico sobre as ferroadas que estão inchadas, mas ainda macias. Penteio os cabelos úmidos com os dedos e faço uma trança. Amarro o cadarço das botas. Verifico o arco e as nove flechas restantes. Testo repetidamente meu ouvido esquerdo esfregando uma folha perto dele, em busca de sinais de vida, mas sem resultado algum.
Apesar do ganso silvestre e do peixe, meu estômago está roncando, e sei que terei o que chamamos no Distrito 12 de um dia vazio. É o tipo de dia em que não importa o quanto você coloque de comida no estômago, nunca será suficiente. Não ter nada para fazer além de ficar sentada em uma árvore só piora a sensação, então, decido ceder. Afinal, perdi muito peso na arena. Sinto necessidade de algumas calorias extras. E dispor do arco e flecha me deixa mais confiante a respeito de minhas perspectivas futuras.
Lentamente, descasco e como um punhado de nozes. Meu último biscoito. O pescoço do ganso silvestre. Essa parte é boa porque demora a ficar limpa. Finalmente, uma asa de ganso e a ave vira história. Mas é um dia vazio, e, mesmo com tudo isso, começo a sonhar com comida. Especificamente, com os pratos indulgentes servidos na Capital. A galinha com molho cremoso de laranja. Os bolos e os pudins. Pão com manteiga. Macarrão ao molho verde. O carneiro e o cozido de ameixas secas. Sugo algumas folhas de menta e digo a mim mesma que é hora de parar com isso. Menta é bom porque sempre bebemos chá de menta após a ceia, então ela acaba enganando meu estômago, fazendo-o crer que a refeição está encerrada. Mais ou menos isso.
Balançando na árvore ao calor do sol, a boca cheia de menta, meu arco à mão ... esse é o momento mais relaxante que tive desde que entrei na arena. Se ao menos Rue aparecesse, poderíamos dar o fora daqui. À medida que as sombras crescem, cresce também minha inquietação. Ao final da tarde, já estou decidida a sair em sua busca. Posso pelo menos passar no local onde ela acendeu a terceira fogueira e ver se há alguma pista de seu paradeiro.
Antes de ir, espalho algumas folhas de menta em volta de nossa antiga fogueira. Como nós duas colhemos as folhas a uma boa distância daqui, Rue vai entender que estive aqui, ao passo que para os Carreiristas elas não terão nenhum significado.
Em menos de uma hora, estou no local onde combinamos de acender a terceira fogueira, e sei que alguma coisa está errada. A madeira foi cuidadosamente arrumada, habilidosamente intercalada com lenha, mas não foi acesa em momento algum. Rue preparou a fogueira, mas nunca retomou ao local. Ela se encrencou em algum momento entre a segunda coluna de fumaça que espionei antes de explodir os suprimentos e esse ponto aqui.
Tenho de me lembrar que ela ainda está viva. Ou será que não? Será que o tiro de canhão anunciando sua morte foi dado de manhã cedinho, quando até meu ouvido bom estava em péssimas condições para ouvi-Io? Será que ela vai aparecer no céu hoje à noite? Não, recuso-me a acreditar nisso. Centenas de outras explicações seriam cabíveis. Ela poderia ter se perdido. Corrido na direção de um bando de predadores ou de algum outro tributo, como Thresh, e ter sido obrigada a se esconder. Seja lá o que aconteceu, tenho quase certeza de que ela está presa em algum lugar, algum lugar entre a segunda fogueira e essa fogueira não acesa aqui aos meus pés. Alguma coisa a está mantendo em cima de uma árvore.  Acho que vou descobrir o que é.
É um alívio fazer algo depois de ficar a tarde toda sentada.
Esgueiro-me silenciosamente por entre as sombras, permitindo que elas me ocultem. Mas nada parece suspeito. Não há sinal de nenhum tipo de luta. Nenhuma folha arrebentada no chão. Depois de parar por um instante, ouço alguma coisa. Preciso empinar a cabeça para ter certeza, mas ouço novamente. A canção de quatro notas de Rue saindo da boca de um tordo. A que indica que ela está bem.
Sorrio e me movo na direção do pássaro. Um outro, apenas um pouco distante daqui, reproduz as notas. Rue cantou para eles, e não faz muito tempo. Porque senão estariam cantando outra canção. Meus olhos se dirigem para as árvores, em busca de algum sinal seu. Tento cantar de volta, na esperança de que ela compreenda que é seguro se juntar a mim. Um tordo repete a melodia para mim. E então ouço o grito.
Um grito de criança, o grito de uma garota jovem. Não há mais ninguém na arena capaz de reproduzir esse som a não ser Rue. E agora estou correndo, ciente de que isso pode ser uma armadilha, ciente de que os três Carreiristas podem estar prontos para me atacar, mas não consigo evitar. Ouço mais um grito agudo, dessa vez é meu nome.
- Katniss! Katniss!
- Rue! - grito de volta, para que ela saiba que estou próxima. Para que eles saibam que estou próxima. E que a sorte me ajude a fazer com que a garota que os atacou com as teleguiadas e tirou um onze que eles até agora não conseguem explicar seja o suficiente para desviar sua atenção de Rue.
Rue! Estou chegando!
Assim que entro na clareira, ela está no chão, desesperadamente emaranhada em uma rede. Ela só tem tempo de colocar a mão para fora da malha e dizer meu nome antes de a lança entrar em seu corpo. 


  • Jogos Vorazes

    Autor: Marcelo Gleiser

    Veículo: Folha de São Paulo, 8 abril 2012

    Fonte: Facebook: goo.gl/93dHI

    O Filme revela uma perspectiva triste da humanidade: moralmente, continuamos nas cavernas
    Marcelo Gleiiser

    Folha de São Paulo 8 abril 2012

    No fim de semana passado assisti ao filme "Jogos Vorazes", baseado na trilogia de Suzanne Collins. Confesso que fui meio a contragosto, se bem que meus dois filhos mais velhos me garantiram que eu iria gostar. E gostei mesmo.
    No gênero das distopias futuristicas, essa é uma ficção que traz o que a humanidade tem de melhor e de pior, ancorada nas lições do darwinismo. Mesmo com narrativa um tanto juvenil, o filme tem bela cinematografia e os atores são excelentes, misturando nomes famosos, como Donald Sutherland, com caras novas, como Jennifer Lawrence, que faz a heroína Katniss Everdeen.
    Num futuro distante, o poder foi centralizado. Alguns poucos vivem uma vida de extrema decadência e afluência no Capitólio, o coração de Panem, enquanto que a maioria sobrevive miseravelmente em 12 distritos adjacentes, cuja função prover bens para a classe dominante. A semelhança com o Império Romano não é mera coincidência.
    De fato, os tais jogos são uma reinvenção das terríveis batalhas travadas pelos gladiadores no Coliseu. A cada ano, um casal de jovens de cada distrito é selecionado para participar dos jogos. Para o deleite da população de Panem, os 24 batalham até o último sobrevivente, que pode retomar livre para o seu I distrito. Embora não tenha lido os livros, soube que são ainda mais violentos do que o filme. Quando perguntei aos meus filhos por que essa história não virou videogame, me informaram que "em video games é tabu matar criança". Esse tipo de moral jamais restringe a ficção.
    Armas de todos os tipos são fornecidas, se bem que chegar até elas pode ser fatal. Os jogos são um exercício de sobrevivência do melhor "adaptado", embora isso não signifique necessariamente ser o mais rápido ou o mais forte. (Uma combinação dos dois sem dúvida é útil, mas não decisiva.)
    Com o desenrolar da história, vemos alianças sendo formadas para derrotar um inimigo poderoso. O dilema, claro, é que essas alianças são temporárias, já que no final só um pode sobreviver. Você só pode confiar em si mesmo. A menos que alguém queira se sacrificar por você.
    Na teoria da evolução, autossacrificio faz sentido se ele beneficiar a sobrevivência do grupo. Mas qual o seu valor quando não existe um grupo e cada um deve lutar por si? Será esse tipo de sacrificio a maior expressão de amor?
    Até o amor pode ser uma boa estratégia, e podemos nos questionar se as poucas relações afetuosas eram genuinas ou apenas convenientes. Um teste só poderia ocorrer após os jogos, o que é impossível, já que apenas um pode sobreviver. A relação de Katniss e seu companheiro de distrito Peeta me pareceu bem unidirecional.
    Esse tipo de narrativa revela uma perspectiva triste da humanidade: embora possamos desenvolver tecnologias sofisticadas, moralmente continuamos nas cavernas.
    Uma louvável exceção é Steven Pinker, que em seu livro mais recente descreve como nossa espécie vem progredindo moralmente. Talvez, mas falta muito ainda.
    Espero que as pessoas que leiam o livro de Pinker ou assistam a "Jogos Vorazes" vejam a lição dessas obras: que só progrediremos moralmente como espécie quando tomarmos a proteção da vida um lema.

    MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em
    Hanover (EUA), e autor de "Criação Imperfeita". Facebook: goo.gl/93dHI

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Rodrigo Soares me disse que os livros da Suzane Collins estão bombando nas redes sociais. Livro que vende mais de 200 mil exemplares logo se saída desperta, no mínimo, a curiosidade de qualquer leitor. Jogos Vorazes está entre os primeiros lugares do ranking da revista Veja e nos Valor Economico, O Globo, Folha de São Paulo e Estadão. Livro de sucesso precisa ser comentado pela Livronautas, razão da compra da trilogia em abril 2012.


 

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