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A Gangue do Pensamento

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A Gangue do Pensamento

Livro Excelente - 1 comentário

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Autor: Tibor Fischer

Editora: Rocco

Assunto: Romance

Traduzido por: Roberto Grey

Páginas: 326

Ano de edição: 1999

Peso: 290 g

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Excelente
Marcio Mafra
31/03/2012 às 23:23
Brasília - DF

Tem razão o Careca ao dizer em seu blog que Tibor Fischer é um autor brilhante, emérito pescador de leitores, que fisga você na primeira frase. Depois continua inteligente e termina o livro de jeito igualmente inteligente. O personagem principal Eddie Caixão, um bom professor de filosofia da Universidade de Cambridge, se associa com Hube, simplório e desclassificado bandido, fugitivo da cadeia onde cumpria pena por assaltos à mão armada. Formada a quadrilha denominada “Gangue do Pensamento” passam a roubar bancos, enquanto filosofam sobre o sentido da vida, do amor, do poder dos governantes e das autoridades e, claro, sobre os destinos da humanidade. Hilariante, divertido, inteligente, maluco, leve, descomprometido, experimentalismo do nada, literatura de vanguarda ou de retaguarda. Não importa. É livro excelente. Todavia, como todo livro “cabeça” o leitor corre o risco de ficar encantado (como as fadas e os gnomos) por uma frase, uma figura, um capítulo ou um gesto qualquer. Se isso acontecer, faça como o mais sábio dos leitores: se entregue com tranquilidade, não resista e não tente se soltar, apenas leia.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história do delinquente e alcoólatra Eddie Caixão, professor de filosofia na Universidade de Cambridge, que forma uma quadrilha liderada por ele e Hube, bandido desclassificado e assaltante à mão armada. O bando se autodenomina Gangue do Pensamento e passa a roubar bancos, enquanto filosofa sobre o sentido da vida, o poder das autoridades e os destinos da humanidade.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

De acordo, apreensões sobre a exatidão da filosofia mal contam como a mais terrível das provações, não se comparam às maiores agonias. Tive meu quinhão de calamidades, mas nunca um dos grandes vagalhões; assistir a minha família morrer queimada, ser obrigado a devorar meus melhores amigos. Talvez o meu maior infortúnio é que nunca tive um verdadeiro infortúnio.
Assim, na medida em que eu encarava a rue des Lauriers Roses, meu coração emitiu um ligeiro esguicho, um pedido para ser jovem e fazer outra tentativa; porém percebi que o que queria não era a juventude, e sim a plenitude, realização, e não a oportunidade de realização. A juventude seria muito parecida com o trabalho. Nada de posar de novo. Eu acabaria apenas novamente na cama com o hipopótamo.
Uma inesperada vitória contra uma das mais temíveis dores que o coração acaba enfrentando, o pedido por mais uma dose de juventude. Já basta ter 'Edificado' uma vez.
Sim, além das redes de duas forças policiais a girar sobre minha cabeça, e uma variedade de órgãos estreitamente associados à manutenção da consciência ficando kaput, eu não estava indo mal. Tinha companhia. A amizade fica cada vez mais difícil, mais difícil à medida que você envelhece, envelhece; as pessoas de sua própria idade com quem teria mais coisas em comum estão presas a suas próprias engenhocas. E a amizade pede tempo, só que em sua idade, os anos não são anos. Tarde demais também para dominar a zampogna.
Mais ou menos a única coisa da qual sentirei falta, aquilo que levei uma vida inteira para juntar: as pessoas com quem me dou. É a única coisa que mais temo da morte, perdê-Ias.
Estava fadado a ser surpreendido mais uma vez.
Ao caminhar até o velho porto, atravessei a rua principal, uma zona importante de descarga de monóxido de carbono, e eu podia perceber Hubert com uma valise a seus pés, aparentemente em meio a molestar os passantes. Resolvi juntar-me a ele, no pressuposto de que dois podem ser presos tão depressa quanto um.
Estava a meio caminho de atravessar a rua, vazia de carros até onde podia avistar os olhos (com os sinais a meu favor), quando quase fui derrubado por um carro que saiu cantando os pneus de uma rua lateral, largando borracha a uma velocidade que só pode ser caracterizada como fatalmente inamistosa para com os filósofos.
Errou-me por muito menos que a largura de minhas obras completas. Se tivesse outra demão de tinta, uma gloriosa carreira de assaltante de bancos teria sido podada.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Meados de 2011. Eu garimpava a internet procurando o livro “Pescar Truta na America”, quando me deparei com um comentário maravilhoso, poético, inteligente e espetacular, de outubro de 2007, no blog “Caminho do Careca”. Eu jamais tinha ouvido falar de Tibor Fischer, ou de seu livro A Gangue do Pensamento. Jamais compraria um livro com esse titulo. Mas diante do comentário do careca, resolvi arriscar.


”http://caminhodocareca.blogspot.com.br ”Pescar truta na América. Uma vez eu estava relendo O Mundo Segundo Garp, um excelente livro do John Irving que virou um filme médio com o Robbin Williams no papel principal. Não foi nem culpa dele, Robbin, que na época era um excelente comediante. É que o livro é bom demais, cheio de histórias paralelas, difícil de transpor para o cinema. Pois no livro, de repente o escritor iniciante Garp conta o que o faz escolher um livro entre milhares de outros na livraria. A magia está relacionada à primeira página, às frases, às primeiras palavras escritas no compêndio. Garp, fã do Grande Gastby de F.S.Fitzgerald, que reli por causa dele, decidia levar um livro se sentisse a fisgada do primeiro parágrafo. Em resumo, são os livros que nos pescam. Somos todos peixes para os escritores. Mas muito deles não sabem disso. Richard Brautigan sabia. Em 1967 ele escreveu um livro genial, Pescar truta na América. Vendeu dois milhões de exemplares. O livro saiu no Brasil, pela editora Marco Zero, com tradução de José J. Veiga. Na orelha do livro, o escritor goiano diz que é fã de Brautigan desde a década de 70, quando leu outros livros dele, Watermelon Sugar e All Watched Over. Mas os fãs e os elogios recebidos somente no início da carreira não adiantaram para o Brautigan. Ele caiu dos píncaros da glória para o ostracismo depois que o LSD perdeu o lugar para coisas da Bolívia e as anfetaminas subiram de preço. Mas de vez em quando, eu ainda volto a ser pescado por Pescar Truta...Para mim, um dos melhores livros pescadores do mundo é A Gangue do Pensamento, do Tibor Fischer. O sujeito consegue arquitetar, com brilhantismo, uma gaiola de embromações literárias que hão de enrolar você e suas companheiras de cama por um longo período. Ele parece inteligente a partir da primeira frase. Depois continua inteligente, e termina de um jeito inteligente. No final, você nem percebeu, mas tinha sido fisgado e estará procurando outro livro pescador do mesmo autor. Outro que sabia era o Guimarães Rosa. Nonada, a primeira e também a última palavra de Grandes Sertões, diz tudo. O cara sabia que ia prender você, leitor, pelo beiço. E não adianta sacudir a cabeça, dizer que achou que podia ser mais curto. Se você for um peixe honesto, vai admitir que o livro do G.R. é capaz de pescar qualquer um, do bagre ao atum. Ou seja, a coisa depende da armadilha do início, do garrote invisível acobertado no final do primeiro parágrafo. É ali, debaixo daquela isca de nada, imperceptível, que se esconde a ponta de aço de um anzol que irá ferroar a sua alma, irá aguilhoar o coração empedernido que bombeia o sangue nos seus pulmões. E uma vez fisgado, faça como achar melhor. Existem peixes que só faltam gritar, se debatendo desesperados para ir até o fim, voltar, reler algumas partes, contar para os amigos e só depois se soltar. Outros fogem e voltam, tentam esticar uma linha que terá sempre o mesmo alcance ou se romperá. Poucos são os sábios que se entregam com tranqüilidade no primeiro momento, para depois, de leve, bem de leve, conseguirem aos poucos se soltar. Eu não sou desses últimos, por sinal. Sou dos primeiros, que engolem a isca inteira e se vêem presos pelo esôfago. Me engasgo, me emociono, pareço virar do avesso. Só depois de muito cansado é que descanso de um livro pescador. E durante a minha vida tive a sorte de encontrar uma porção deles.”


 

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