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Mãe Menininha do Gantois

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Mãe Menininha do Gantois

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Autor: Cida Nóbrega e Regina Echeverria

Editora: Ediouro

Assunto: Biografia

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 318

Ano de edição: 2006

Peso: 505 g

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Bom
Marcio Mafra
20/12/2011 às 22:03
Brasília - DF

Eis um livro feito por quatro mãos de boas profissionais e mesmo assim parece livro de amador. Daqueles amadores que se encantam com o carisma do biografado. Neste caso, fica a impressão que as autoras, na época em que escreveram o livro, estavam mergulhadas, elas próprias, nos encantos do candomblé. Nada contra, nem a favor do rito, mas não é de bom juízo misturar as estações. E o fazendo resta um livro ruim, cheirando a misticismo, com excesso de incenso sobre a personagem biografada. Se precisar de uma simples idiossincrasia da biografada, ou uma simples escorregadela social, neste livro não se acha. Ainda assim a vida de Menininha do Gantois ressuscitou, preservou e divulgou o culto e a fama do Candomblé no Brasil, mercê de sua simplicidade, modéstia e pureza. Desde que nasceu Maria Escolástica da Conceição Nazareth se dedicou à causa, granjeando respeito das autoridades civis e eclesiásticas, e por parte da mídia, uma verdadeira consagração, talvez porque celebridades da música, das artes e do show business também seguiam na prática do Candomblé. Mãe Menininha tinha o dom da visão, da premonição e da cura, talentos desejados por 10 entre 10 líderes espirituais de qualquer religião, culto ou credo. As autoras narram com excesso de minúcias os depoimentos e testemunhos dos feitos da mãe de santo e procuram destacar a importância cultural do candomblé, trazido da África, durante o tempo da maldita escravidão. A leitura é maçante pelo excesso de detalhes sem importância e o conteúdo do livro mais parece um poema de louvação.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A biografia de Maria Escolástica da Conceição Nazareth, ou Mãe Menininha de Gantois, a mais famosa mãe de santo do Brasil e autoridade absoluta do Candomblé.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A sacerdotisa.
Silenciosa discrição. Valendo-se dela, Menininha garantiu a distância que se fazia necessária quanto à curiosidade sobre os dons de vidência que lhe atribuíam.

Dizia nunca ter aceitado qualquer pedido para que usasse seus dons em detrimento de alguém. Prejudicar uma pessoa com a ajuda do candomblé? Jamais! Ela costumava afirmar em alto e bom som, para que não houvesse qualquer dúvida:

"Não poderia fazer isso porque não sei - mas não sei mesmo - os segredos dessas coisas".

A pesquisadora americana Ruth Landes, em seu livro A Cidade das Mulheres, relata que ouviu de uma Menininha indignada, a história de que certa vez um homem a havia procurado para pedir um despacho contra o amante de uma moça que ele próprio desejava. Ofereceu-lhe uma boa quantia. Mas ela recusou, advertindo-o severamente:

Saiba o senhor que eu sou mãe de culto africano e, portanto, uma amiga dos outros, e não uma feiticeira perversa. Eu mantenho boas relações com os deuses, não com o diabo. Com certeza, o senhor compreende. Posso curar uma doença sua e tentar alcançar a sua felicidade por todos os meios indicados pelos deuses, mas não posso trabalhar para o diabo.

A filha Carmen relembra o episódio em que um senhor procurou sua mãe para que lhe jogasse os búzios. Descontrolado, fora de si, pois soubera que a mulher o traía, estava decidido a matá-la. Num último gesto de lucidez, pedia ajuda para confirmar o adultério, já que não queria cometer uma injustiça. Mãe Menininha ouviu e começou a preparar o jogo com muita calma, enquanto conversava com o homem. Lançou os búzios e lhe disse que voltasse tranqüilo para a mulher e os filhos, porque não havia razão para ele praticar um ato tão drástico. Aliviado, o homem agradeceu comovido, despediu-se e foi-se embora. As pessoas que estavam com ela lhe perguntaram como se arriscara daquela maneira, pois todo mundo já comentava pelas ruas a traição da mulher. Menininha respondeu ponderada:

Se ele descobre, o máximo que poderá falar é que sou uma velha mentirosa. Já vai ter esfriado a cabeça, e eu não vou ser responsável por deixar os filhos sem mãe nem pai, porque, se ele fizesse o que pretendia, ia parar na cadeia.

O que Menininha viu naquele jogo ninguém soube e jamais saberá. Mas ela deve ter intuído que, naquele momento, o importante era o apoio psicológico a alguém que sofria. A verdade, no caso, não era o mais importante. Usou a sensibilidade e a solidariedade para tentar tirar o homem de um momento de desespero.

Menininha herdou a ortodoxia da bisavó, Maria Júlia, e da tia avó, Pulquéria. Era severa na obediência aos ritos e na execução de todas as obrigações, por mais simples que fossem. Nas grandes cerimônias ou nas mais complexas, não havia cansaço ou doença, mesmo quando já estava mais velha, que a fizesse aliviar ou deixar que os ritos fossem cumpridos de uma maneira mais simples. No Gantois, o jeitinho tão brasileiro não tinha vez. O certo era o que ela aprendera com seus mais velhos.

Nos cânticos ou nas danças, não admitia que o ritmo andasse mais apressado ou mais lento, que uma nota soasse falsa ou uma palavra fosse mal pronunciada. Por isso ensaiava exaustivamente, acompanhada dos músicos, sobretudo com as abiãs que se preparavam para a iniciação. Elas deviam aprender de forma correta os fundamentos da tradição de seu orixá. Menininha focava sua atenção no ensino das obrigações. As palavras em ioruba eram traduzidas e, se algo saísse errado, ouvia-se sua voz alta e marcante a dizer:

"Pára! Tá errado! Vamos recomeçar!"

Isso podia acontecer, inclusive, durante as celebrações de uma festa. O neto Zeno Eduardo ainda se recorda do episódio:

Numa cerimônia pública, o salão estava cheio e os atabaques tocavam. De repente, ela mandou parar os atabaques e chamou uma filha-de-santo, uma senhora importante na casa. Minha avó tocava uma ramunha, dança que tem movimentos muito diferentes. Ela explicou para todo mundo, principalmente para a senhora, cada detalhe daquela dança. Eu achei aquilo um gesto impressionante, uma demonstração de conhecimento ímpar. Depois, ela continuou cantando e as pessoas a aplaudiram, tamanha a força didática com que ela fez aquela intervenção.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Comprei o livro no início de 2008 para conhecer um pouco do Camdomblé.


 

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