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José Bonifácio de Andrada e Silva

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José Bonifácio de Andrada e Silva

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Autor: Jorge Caldeira

Editora: Editora 34

Assunto: História

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 265

Ano de edição: 2002

Peso: 440 g

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Marcio Mafra
17/12/2011 às 23:27
Brasília - DF

Jorge Caldeira é um craque em biografias históricas. Ele conta a história de José Bonifácio de Andrada e Silva, com o mesmo estilo que utilizou na biografia de Diogo Feijó. Mas a transcrição de quase uma centena de documentos, declarações, discursos, portarias e leis, torna a leitura monótona e excessivamente rococó. Mesmo assim, a história do homem de confiança de Dom Pedro que organizou o primeiro ministério do Brasil é muito curiosa, rica, culta e com certeza muito decisiva para a fundação da nação brasileira. Bonifácio de Andrada falava e lia em 6 idiomas diferentes e lia em 11 outros, liderou a campanha pela separação do Brasil de Portugal, tanto nos bastidores do poder, como à frente do governo imperial em março de 1822.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história – quase biográfica – de José Bonifácio de Andrada e Silva, talvez o mais influente brasileiro que trabalhou na corte de D.Pedro I. Desde a chegada da família real, em 1808 ele exerceu cargos e funções destacadas, sendo nomeado tutor dos príncipes, todos menores de idade, que ficaram no Brasil quando, em 1931, D.Pedro I abdicou para tentar assumir o trono em Portugal. Ele foi chamado de Patriarca da Independência, por ter sido o personagem que mais influenciou D.Pedro I a tornar o Brasil independente de Portugal.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

REPRESENTAÇÃO AO PRÍNCIPE

A vossa alteza real se hão de apresentar com esta o conselheiro José Bonifácio de Andrada e Silva, vice-presidente deste governo; e o membro do mesmo, o coronel Antônio Leite Pereira da Gama Lobo, os quais já anunciamos a v. a. r., que ficavam a sair para essa Corte, como deputados do governo, a pedirem a v. a. r. se demore, e não deixe a este Reino em mísera orfandade; até que as Cortes Gerais e Constituintes da nação, mais bem acordadas dos interesses gerais da mesma nação, e depois de terem no seu grêmio todos, ou a maior parte dos deputados deste Reino, resolvam, com pleno conhecimento de causa, e despidos de toda a prevenção, o que convier à utilidade geral do Reino Unido: o governo pede novamente a v. a. r. atenda aos seus deputados, como esta província tem direito a esperar pelos longos e notórios serviços que ela tem feito ao Estado; e sobretudo, pela sua fidelidade e aderência à sereníssima real Casa de Bragança.

Se for indubitável que a nação portuguesa, por seus feitos imortais, tem sido em todas as épocas considerada como uma nação de heróis; se for certo que nenhum povo da terra lhe pode disputar virtudes sublimes, que tanto a enobrecem, tais como a adesão e fidelidade a seus reis, entusiasmo pela glória e patriotismo exaltado; também é incontestável que ela é sempre a mesma; que os mesmos sentimentos a animam, quer habite um ou outro hemisfério. A história do Brasil atesta esta verdade. As heróicas proezas dos pernambucanos, por espaço de sete anos, contra seus tiranos invasores, os holandeses; os gloriosos e felizes esforços dos baianos, fluminenses e outros povos, repelindo por vezes agressões estrangeiras, são exemplos que assaz evidenciam quanto os portugueses nascidos no Brasil prezaram sempre a sua independência, ainda quando agrilhoados pelo bárbaro despotismo. Era impossível pois, real senhor, que os brasileiros de hoje, herdeiros dos nobres sentimentos e valor de seus antepassados, e ilustrados pelas luzes do século, não vivessem possuídos do amor da glória, e cada vez mais inflamados no desejo de ver livre e independente o seu país natal; era impossível que, depois de tão lisonjeiras esperanças de uma melhor sorte, eles não tremessem agora de horror, indignação, prevendo desde já o medonho futuro que os ameaça, se realizarem os planos de escravidão que lhe preparam os portugueses da Europa. Com efeito, o generoso Brasil, que tão francamente se prestou a fazer causa comum com Portugal, vendo iludida a sua boa-fé e ultrajado o seu decoro nacional, reconhece hoje o seu erro, e à vista de procedimentos nunca esperados, parece jazer amadornado, podendo apenas acreditar tão absurdas disposições a seu respeito. Os paulistas porém, não podendo por mais tempo disfarçar seu justíssimo ressentimento, são os primeiros que ousam levantar sua voz e protestar contra atos inconstitucionais, com que se pretende iludir e escravizar um povo livre, cujo crime é haver dado demasiado crédito a vãs promessas e doces palavras. Desnecessário seria narrar aqui por extenso todas as causas de nosso descontentamento; v. a. r. bem as conhece. Sim, real senhor, parece que um destino fatal pugna por arrastar às bordas do precipício a esses mesmos portugueses, que, na sua regeneração política, atraíram sobre si a admiração do mundo. Depois de haverem conseguido o principal objeto do seu plano, o arrancar do Brasil o precioso depósito que o Céu lhe confiara em 1808; depois de haverem recebido do brasileiro as mais decisivas provas de uma confraternidade sem igual, mudaram inteiramente de tom a respeito destes mesmos sinceros brasileiros, a cuja indiscreta cooperação devem com grande parte o feliz resultado de sua perigosíssima empresa. Os representantes de Portugal, sem esperarem pelos do Brasil, começaram a discutir um projeto de Constituição, que devia ser comum a ambos os Reinos; projeto em que, a cada página, se descobre o maquiavelismo com que, com douradas cadeias, se intenta escravizar este riquíssimo país, e reduzi-lo a mera colônia. Os representantes de Portugal, depois de haverem, pelo artigo 21 das Bases, reconhecido o direito, que só competia aos representantes do Brasil, de fazer a lei para o seu país, repentinamente se arrogaram esse mesmo direito, e começaram a legislar sobre os mais sagrados interesses de todo o Brasil; eles lhe prescreveram governos provinciais, organizados de tal maneira que só parecem destinados de propósito para enfraquecer-nos, dividir-nos em partidos e desligar as províncias; a fim de melhor imperarem sobre cada uma. Eles nos têm enviado tropas, sob pretextos especiosos, sem que houvesse inimigos externos a combater, ou dissensões intestinas a sufocar. Mas, que homem há tão estúpido, que não penetre o verdadeiro fim de tais expedições? Os brasileiros, real senhor, estão persuadidos de que é por meio de baionetas que se pretende dar a lei a este Reino; muito se enganam decerto os seus inimigos, que intentam pôr em prática tão errada política; o Brasil conhece perfeitamente toda a extensão de seus recursos. A notícia da extinção dos tribunais do Rio de Janeiro, a da retirada dos vasos de guerra e os decretos de 29 de setembro vieram pôr o cúmulo à nossa desesperação. Ordenam que v. a. r. vá quanto antes para Portugal deixando o Reino do Brasil sem centro comum de governo e união, e tornando-o dependente de Lisboa em todas as suas relações e negócios; qual vil colônia sem contemplação. Esta medida, a mais impolítica que o espírito humano podia ditar, tomada sem se consultar os representantes do Brasil, é o maior insulto que se podia fazer a seus habitantes; e sua execução, nós o ousamos dizer, será o primeiro sinal da desunião e da discórdia, será o princípio das desgraças incalculáveis que têm de arruinar a ambos os Reinos. A ameaçadora perspectiva de tantos males convenceu os habitantes desta capital da necessidade de se reunirem, para obrarem de comum acordo, e tratarem das medidas que as constâncias exigem a bem da pátria. A Câmara e os cidadãos abaixo assinados, persuadidos de que da resolução de v. a. r. dependem os destinos deste Reino, resolveram enviar à augusta presença de v. a. r. uma deputação composta de três cidadãos, o conselheiro José Bonifácio de Andrada e Silva, o coronel Antônio Leite Pereira da Gama Lobo e o marechal José Arouche de Toledo Rondon, cujo objeto é representar a v. a. r. as terríveis conseqüências que necessariamente se devem seguir de sua ausência, e rogar-lhe haja de diferir o seu embarque até nova resolução do Congresso Nacional; pois é de esperar que ele, melhor ilustrado sobre os recíprocos e verdadeiros interesses dos dois Reinos, decrete outro sistema de união, fundado sobre bases mais justas e razoáveis; a principal das quais será certamente a conservação de v. a. r. neste Reino, sem a qual jamais os brasileiros consentirão em uma união efêmera. A deputação terá a honra de expressar a v. a. r. os puros sentimentos de seus paulistas, e a firme resolução em que se acham de preferirem a morte à escravidão, de não pouparem sacrifícios até esgotarem a última pinga de seu sangue, para sustentarem seus direitos. Praza aos Céus que v. a. r., cheio de prudência e sabedoria, anua a nossos votos, pois de outra sorte, rios de sangue têm de inundar este belo país, que decerto não merece a sorte que lhe pretendem destinar.

A augusta pessoa de v. a. r. guarde Deus muitos anos, como havemos mister.

São Paulo, em Vereação de 31 de dezembro de 1821.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Em fevereiro de 2008 comprei dois livros indispensáveis para melhor entender a história do Brasil nação: José Bonifácio de Andrada e Silva e Diogo Antônio Feijó. Ambos assinados pelo ótimo escritor Jorge Caldeira.


 

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