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Eichmann Em Jerusalém

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Eichmann Em Jerusalém

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Autor: Hannah Arendt

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Processos Judiciais Historicos

Traduzido por: José Rubens Siqueira

Páginas: 336

Ano de edição: 2010

Peso: 425 g

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Ótimo
Marcio Mafra
30/11/2011 às 19:36
Brasília - DF


A autora, na condição de jornalista, fez a cobertura do julgamento de Eichmann, em Jerusalém, em 1961. Ela foi enviada especial da revista New Yorker. Suas reportagens resultaram neste livro, onde Hannah Arendt demonstra - baseando-se exclusivamente nos autos do processo do carrasco e burocrata Adolf Eichmann - que judeus ricos, principalmente os líderes políticos ou líderes empresariais da época, escaparam do holocausto. Escapar da morte ou fugir do holocausto seria ato absolutamente humano, razoável, bom, legítimo e desejável sob qualquer ponto de vista. Todavia ninguém fugia impunemente. A autora, ao longo de seu livro, evidencia que aqueles judeus “líderes” pagavam suas fugas com dinheiro e também através de efetiva colaboração com nazistas como Adolf Eichmann. A colaboração consistia na entrega, sempre discreta, de listas ou informações de pessoas (judeus, mesmo alemães) que eram enviadas aos campos de trabalho, de concentração ou mesmo campos de extermínio. É triste saber que líderes judeus contribuíram para o Holocausto, mas é uma verdade levantada por Hannah Arendt, estudiosa das reações humanas e quando sob grande opressão. O livro desagradou todo o governo, a imprensa, os partidos políticos, os cidadãos e os religiosos de Israel e dos Estados Unidos. É que verdade só não dói quando é elogiosa. Se a verdade reflete covardia...ninguém gosta. O tema do livro é fantástico, mas a sua leitura é cansativa, chata, monótona, repetitiva e sem graça, como é da natureza de qualquer julgamento, em qualquer tribunal, independentemente dos motivos pelo qual se reúna o tribunal. O livro é também, uma longa reflexão sobre a banalização da vida.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história do julgamento de Adolf Eichmann, de cujo relato, a autora deixa evidente os métodos e formas com que os judeus (ricos, políticos, gente importante) colaboravam com os nazistas durante a 2ª guerra, contribuindo diretamente para o “holocausto”.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Toda a operação na Hungria durou menos de dois meses e foi interrompida subitamente no começo de julho. Graças principalmente aos sionistas, ela foi melhor noticiada do que todas as outras fases da catástrofe judaica, e Horthy recebeu um dilúvio de protestos dos países neutros e do Vaticano. O núncio papal, porém, achou adequado explicar que o protesto do Vaticano não brotava de "um falso senso de compaixão" - frase que provavelmente se tornará um monumento duradouro àquilo que o trato contínuo e o desejo de tudo conceder aos homens que pregavam o evangelho da "dureza impiedosa" fez com a mentalidade dos altos dignitários da Igreja. A Suécia mais uma vez liderou a tomada de medidas práticas, distribuindo permissões de entrada, e Suíça, Espanha e Portugal seguiram seu exemplo, de forma que no final 33 mil judeus estavam vivendo em casas especiais em Budapeste sob proteção dos países neutros. Os Aliados receberam e publicaram uma lista de setenta homens que sabiam ser os principais culpados, e Roosevelt mandou um ultimato, ameaçando que "o destino da Hungria não será igual ao de nenhuma outra nação civilizada [ ... ] caso não parem as deportações". E deu a entender que falava a verdade com um bombardeio aéreo excepcionalmente pesado sobre Budapeste em 2 de julho. Assim pressionado de todos os lados, Horthy deu ordem de suspender as deportações, e uma das provas mais prejudiciais para Eichmann foi o fato bastante óbvio de que ele não obedeceu à ordem "daquele velho tolo"; em meados de julho, deportou mais 1500 judeus que estavam à mão num campo de concentração perto de Budapeste. Para impedir que os funcionários judeus informassem Horthy, ele reuniu os membros dos dois corpos representativos em seu escritório, onde o dr. Hunsche os deteve, sob vários pretextos, até saber que o trem havia deixado o território húngaro. Em Jerusalém, Eichmann não se lembrava desse episódio, e embora os juízes estivessem "convencidos de que o acusado se recorda muito bem de sua vitória sobre Horthy" isso é duvidoso, uma vez que para Eichmann Horthy não era um personagem tão importante.
Esse parece ter sido o último trem a deixar a Hungria para Auschwitz. Em agosto de 1944, o Exército Vermelho estava na Romênia. Eichmann foi mandado para lá em sua missão esdrúxula. Quando voltou, o regime de Horthy reunira coragem suficiente para pedir a retirada do comando de Eichmann, e o próprio Eichmann pediu a Berlim para voltar com seus homens, uma vez que "eram supérfluos". Mas Berlim não fez nada disso, e acertadamente, porque em meados de outubro a situação mais uma vez mudou abruptamente. Com os russos a 150 quilômetros de Budapeste, os nazistas conseguiram derrubar o governo de Horthy e apontar o líder da Cruz de Flecha, Ferenc Szaalasi, como chefe de Estado. Nenhum outro transporte pôde ser mandado para Auschwitz, porque as instalações de extermínio estavam para ser desmontadas, e ao mesmo tempo a falta de braços alemã era desesperadora. Agora era Veesenmayer, o plenipotenciário do Reich, que negociava com o Ministério do Interior húngaro a permissão de mandar 50 mil judeus - homens entre dezesseis e sessenta anos e mulheres com menos de quarenta - para o Reich; em seu relatório ele acrescentou que Eichmann pretendia mandar mais 50 mil. Como não existiam mais instalações ferroviárias, isso levou às marchas a pé em novembro de 1944, que só foram interrompidas com uma ordem de Himmler. Os judeus mandados nessas marchas haviam sido presos ao acaso pela polícia húngara, a despeito das exceções às quais muitos deles tinham agora direito, a despeito também dos limites de idade especificados nas diretivas originais. Os caminhantes eram escoltados por homens da Cruz de Flecha, que os roubavam e tratavam com a mais absoluta brutalidade. E esse foi o fim. Da população original de 800 mil, cerca de 160 mil devem ter continuado no gueto de Budapeste - o campo já estava judenrein -, e dezenas de milhares desses foram vítimas de pogroms espontâneos. Em 13 de fevereiro de 1945, o país se rendeu ao Exército Vermelho.
Os principais culpados húngaros pelo massacre foram levados a julgamento, condenados à morte e executados. Nenhum dos responsáveis alemães, exceto Eichmann, pagou com mais que alguns anos de prisão.
A Eslováquia, assim como a Croácia, foi uma invenção do Ministério das Relações Exteriores alemão. Os eslovacos foram a Berlim negociar sua "independência" antes mesmo de os alemães ocuparem a Tchecoslováquia, em março de 1939, e nessa época eles haviam prometido a Goring que seguiriam fielmente os alemães em sua condução da questão judaica. Mas isso foi no inverno de 1938-39, quando ninguém tinha ainda ouvido falar de algo como a Solução Final. O minúsculo país, com uma pobre população camponesa de cerca de 2 milhões e meio de pessoas, compreendendo 90 mil judeus, era primitivo, atrasado e profundamente católico. Era governado nessa época por um padre católico, Josef Tiso. Até mesmo seu movimento fascista, a Guarda Hlinka, tinha feições católicas, e o veemente anti-semitismo desses fascistas clericais ou clérigos fascistas era diferente tanto em estilo quanto em conteúdo do racismo ultramoderno de seus senhores alemães. Havia apenas um anti-semita moderno no governo eslovaco, e esse era o bom amigo de Eichmann Sano Mach, ministro do Interior. Todos os outros eram cristãos, ou achavam que eram, enquanto os nazistas eram, em princípio, tão anticristãos quanto eles eram antijudeus. O fato de os eslovacos serem cristãos significava não só que eles se sentiam obrigados a enfatizar o que os nazistas consideravam uma distinção "obsoleta" entre judeus batizados e não batizados, mas também que eles pensavam toda a questão em termos medievais. Para eles a "solução" consistia em expulsar os judeus e herdar suas propriedades, mas não no sistemático "extermínio", embora não se importassem com um assassinato ocasional. O maior "pecado" dos judeus não era pertencer a uma "raça" estranha, mas ter riqueza. Os judeus da Eslováquia não eram ricos para os padrões ocidentais, mas quando 52 mil deles tiveram de declarar suas posses porque possuíam bens com valor superior a duzentos dólares, e sua propriedade total somou 100 milhões de dólares, cada um deles deve ter parecido a encarnação de Creso para os eslovacos.
Durante seu primeiro ano e meio de "independência", os eslovacos estiveram ocupados resolvendo a questão judaica segundo suas próprias luzes. Eles transferiram as empresas judaicas maiores para não-judeus, encenaram certa legislação antijudaica que, segundo os alemães, tinha o "defeito básico" de isentar os judeus batizados convertidos antes de 1918, planejaram estabelecer guetos "seguindo o exemplo do Governo-Geral", e mobilizaram os judeus para trabalhos forçados. Muito cedo, em setembro de 1940, eles receberam um conselheiro judeu; o Hauptsturmführer Dieter Wissliceny, antes superior e amigo de Eichmann no Serviço Secreto, muito admirado por Eichmann (seu filho mais velho chamava-se Dieter), e agora seu igual em patente, foi anexado à legação alemã em Bratislava. Wisliceny não se casou e, portanto, não podia ser mais promovido, de forma que um ano depois foi superado por Eichmann e passou a ser seu subordinado. Eichmann achou que isso devia tê-lo indisposto, o que ajudaria a explicar porque Wisliceny havia dado provas tão danosas contra ele nos julgamentos de Nuremberg, chegando a se oferecer para descobrir onde Eichmann se escondia. Mas isso é duvidoso. Wisliceny provavelmente só estava interessado em salvar a própria pele, sendo radicalmente diferente de Eichmann. Ele pertencia ao estrato educado da SS, vivia entre livros e discos, fazia-se chamar de "barão" pelos judeus da Hungria e, no geral, estava muito mais interessado em dinheiro do que em sua carreira; conseqüentemente, foi um dos primeiros membros da ss a desenvolver tendências "moderadas".
Quase nada aconteceu na Eslováquia durante esses primeiros anos, até março de 1942, quando Eichmann apareceu em Bratislava para negociar a evacuação de 20 mil "judeus jovens e fortes para o trabalho". Quatro semanas depois, o próprio Heydrich veio ver o primeiro-ministro, Vojtek Tuka, e o convenceu a permitir que todos os judeus fossem reassentados no Leste, inclusive os judeus convertidos que até então estavam isentos. O governo, com um padre em sua chefia, não se importou nada em corrigir o "defeito básico" da distinção entre cristãos e judeus com base em religião, ao saber que "os alemães não reclamavam nenhuma parte da propriedade desses judeus, a não ser o pagamento de quinhentos Reichsmarks em troca de cada judeu recebido"; ao contrário, o governo pediu ao Ministério das Relações Exteriores alemão maiores garantias de que "os judeus removidos da Eslováquia e recebidos [pelos alemães] permaneceriam nas áreas orientais para sempre, e não teriam a oportunidade de voltar à Eslováquia". Com a finalidade de acompanhar essas negociações no nível mais alto, Eichmann fez uma segunda visita a Bratislava, que coincidiu com o assassinato de Heydrich, e em junho de 1942 52 mil judeus foram deportados pela polícia eslovaca para os centros de extermínio na Polônia.
Ainda restavam 35 mil judeus no país, e todos pertenciam às categorias originalmente isentas - judeus convertidos e seus parentes, membros de certas profissões, jovens dos batalhões de trabalhos forçados, alguns empresários. Foi nesse momento, quando a maioria dos judeus já havia sido "reassentada", que o Comitê Judeu de Assistência e Resgate de Bratislava, corpo irmão do grupo sionista húngaro, conseguiu subornar Wisliceny, que prometeu ajudar diminuindo o ritmo das deportações e que propôs também o chamado Plano Europa, que haveria de evocar de novo em Budapeste. É pouco provável que Wisliceny fizesse qualquer outra coisa além de ler livros e ouvir música, e, é claro, aceitar tudo o que pudesse receber. Mas foi justamente nesse momento que o Vaticano informou ao clero católico o verdadeiro sentido da palavra "reassentamento". Daí em diante, como relatou o embaixador alemão Hans Elard Ludin ao Ministério das Relações Exteriores em Berlim, as deportações ficaram muito impopulares, e o governo eslovaco começou a pressionar os alemães para conseguir permissão de visitar os centros de "reassentamento" - coisa que, evidentemente, nem Wisliiceny nem Eichmann podiam conceder, uma vez que os judeus "reassentados" não estavam mais entre os vivos. Em dezembro de 1943, o dr. Edmund Veesenmayer foi a Bratislava para ver o padre Tiso; ele foi enviado por Hitler e suas ordens diziam especificamente que devia dizer a Tiso "para descer à terra" (Fraktur mit ihm reden). Tiso prometeu internar entre 16 e 18 mil judeus em campos de concentração e abrir um campo especial para cerca de 10 mil judeus batizados, mas não concordou com as deportações. Em junho de 1944, Veesenmayer, agora plenipotenciário do Reich na Hungria, apareceu de novo e exigiu que os judeus restantes do país fossem incluídos nas operações húngaras. Tiso recusou de novo.
Em agosto de 1944, com a aproximação do Exército Vermelho, uma grande revolta eclodiu na Eslováquia, e os alemães ocuparam o país. Por essa época, Wisliceny estava na Hungria, e provavelmente já não merecia mais confiança. O RSHA mandou Alois Brunnner a Bratislava para prender e deportar os judeus restantes. Brunner primeiro prendeu e deportou os funcionários do Comitê de Assistência e Resgate, e depois, dessa vez com a ajuda de unidades da ss alemã, deportou mais 12 ou 14 mil pessoas. Em 4 de abril de 1945, quando os russos entraram em Bratislava, talvez 20 mil judeus tivessem sobrevivido à catástrofe.


  • O Que Significa "Banalidade do Mal"

    Autor: Cristovão Feil cfeil@uol.com.b

    Veículo: Internet

    Fonte: http://www.nao-til.com.br/nao-82/banal.htm

    http://www.nao-til.com.br/nao-82/banal.htm
    O QUE SIGNIFICA "BANALIDADE DO MAL"
    por Cristóvão Feil (sociólogo)
    cfeil@uol.com.br



    - Líderes judeus contribuíram para o Holocausto

    - O mito da dureza nazista caiu diante de holandeses e dinamarqueses

    Com essa polêmica ruidosa sobre grupos de pressão judeus, acusações de anti-semitismo para quem ousar criticar um só ato dos belicosos governos israelenses, (o que dirá referir os extermínios nos campos de refugiados palestinos na Faixa de Gaza), etc., vem à lembrança, quase naturalmente, a figura corajosa de uma frágil mulher judia chamada Hannah Arendt (1906-1975). Essa teórica política, durante toda a sua prolífica vida intelectual, foi provocadora de grandes polêmicas, sempre em torno dos seus estudos sobre a condição humana sob regimes de opressão e totalitarismo. Ao analisar as origens do totalitarismo no regime nazista, por exemplo, não se limitou a examinar somente o lado dos que foram sujeitos da opressão, mas também dos que foram objeto da mesma.

    "Eichmann em Jerusalém", publicado em capítulos na New Yorker entre fevereiro e março de 1963, é uma obra que procura entender esses dois agentes da relação opressiva. Ela narra o julgamento de um carrasco-burocrata do regime nazista alemão, Adolf Eichmann, ocorrido em Jerusalém, depois de ter sido seqüestrado num subúrbio de Buenos Aires por um comando israelense. O nazista é conduzido então à Jerusalém, para o maior julgamento de um carrasco alemão depois do tribunal de Nüremberg. Durante o julgamento, a figura discreta de Eichmann discrepava dos crimes de que estava sendo acusado, e pelos quais assumia relativa responsabilidade. Hannah Arendt, então, mostra toda a sua capacidade de extrair reflexões filosóficas do que ela denominou de "banalidade do mal" – a conjugação de fatores desumanizantes (totalitarismo, criminalidade como norma estatal, burocracia, etc.) combinados com a reação apática das vítimas (em especial dos judeus), num processo de normalização da desumanidade e da "calamidade dos sem-direitos". Arendt, evidentemente, foi muito criticada desde então pelas lideranças judaicas do mundo inteiro, pelo menos até a sua morte, em 1975.

    No livro "Eichmann em Jerusalém", um das tantas obras publicadas, Hannah Arendt não fica somente na constatação da apatia estóica das vítimas do regime hitlerista, mas, corajosamente, aponta também fatos documentados sobre atividades nada-estóicas de líderes de comunidades judaicas que colaboravam com os nazistas, com o objetivo de obterem vantagens materiais e poupar vidas apenas dos seus protegidos.

    "Onde quer que vivessem judeus – escreve Hannah Arendt – havia líderes judeus reconhecidos, e essa liderança, quase sem exceção, cooperou com os nazistas de uma forma ou de outra, por uma ou outra razão. A verdade integral era que, se o povo judeu estivesse desorganizado e sem líderes, teria havido caos e muita miséria, mas o número total de vítimas dificilmente teria ficado entre 4 milhões e meio e 6 milhões de pessoas. Pelos cálculos de Freudiger [Pinchas Freudiger, um "judeu ortodoxo de considerável dignidade", segundo Arendt], metade delas estaria salva se não tivesse seguido as instruções dos Conselhos Judeus".

    Um aspecto é muito exaltado por Arendt nessa obra, é a solidariedade e a capacidade de resistência à opressão – qualidades raramente encontradas naqueles tempos sombrios – mas quando elas aconteceram, os alemães recuaram.

    "Quando [os nazistas] encontraram resistência baseada em princípios, sua 'dureza' se derreteu como manteiga ao sol. [...] O ideal de 'dureza', exceto talvez para uns poucos brutos semi-loucos, não passava de um mito de auto-engano, escondendo um desejo feroz de conformidade a qualquer preço, e isso foi claramente revelado nos julgamentos de Nüremberg, onde os réus se acusavam e traíam mutuamente e juravam ao mundo que sempre 'haviam sido contra aquilo', ou diziam, como faria Eichmann, que seus superiores haviam feito mau uso de suas melhores qualidades. Em Jerusalém, ele acusou 'os poderosos' de ter feito mau uso de sua 'obediência'" – ironizou Arendt.

    A Holanda, lembra Arendt, foi o único país da Europa em que os estudantes entraram em greve quando professores judeus foram despedidos, e onde uma onda de greves operárias explodiu como reação à primeira deportação de judeus para os campos de concentração, principalmente de Sobibor. Na Dinamarca, quando os alemães abordaram altos funcionários governamentais para que fosse possível a identificação de judeus por um emblema amarelo no braço, eles simplesmente responderam que nesse caso o rei também usaria a identificação e que se os alemães insistissem haveria uma imediata renúncia generalizada. Segundo Arendt, os nazistas recuaram e foram tratar de criar outros meios para perpetrar seus crimes na região.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Da folha de rosto:
“Márcio, já vi muitas pessoas manifestarem receio pra te dar um livro:
“Um livro pro Márcio?! Mas ele já tem todos! E que diferença faz um pra quem tem mais de mil?”
Eu penso diferente.
A dúvida, a dificuldade é escolher um só( ou só dois, como agora)
Primeiro que eu creio que se alguém passou de 600 a 1.000 livros em cinco anos, certamente se alegraria em 2.000 ou 3.000, e veria com bons olhos as contribuições (desde que boas contribuições).
Em segundo lugar, entendo que mil livros é pouco perto de tudo que há para se ler.
Como no Cosmo, subjacente no nome Livronautas, o que são mil estrelas perto de todas que existem?
Por este motivo, trago para sua coleção este relato de Hannah Arendt, vergonhosa ausência na sua(s) estante(s).
Arendt usa todo seu arcabouço de cientista que já perscrutou o totalitarismo, as revoluções e a condição humana para testemunhar um julgamento com uma visão única.
Espero que com isso eu ajude a suprir uma lacuna na sua biblioteca. Agora só falta um milhão. Feliz dia dos pais. Rafa. 14/8/11.”

Naquele "dia dos pais" o Rafael estava inspirado. Ele presenteou-me, também (...a dificuldade é escolher um só...) com um livro de sociologia, Cidadania no Brasil, O Longo Caminho, de autoria de José Murilo de Carvalho - ja registrado na Livronautas, com o conceito de "livro excelente".

 

 

 

 

 


 

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