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Os Desafios do Crescimento

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Os Desafios do Crescimento

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Autor: Celso Pinto

Editora: Publifolha

Assunto: Jornalismo

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 385

Ano de edição: 2007

Peso: 465 g

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Bom
Marcio Mafra
23/11/2011 às 18:09
Brasília - DF

Celso Pinto, no ano de 2009, levou uma traulitada do coração e foi afastado de suas atividades profissionais. São as injustiças do destino que por vezes acometem os grandes profissionais, geralmente líderes em seus setores. Daí seus amigos, colegas e familiares puseram-se a selecionar textos do Celso e editaram “Os Desafios do Crescimento” juntamente com uma ampla divulgação, que permitiu uma vendagem significativa do livro. Nessas ocasiões um faturamento extra é sempre muito bem-vindo. O autor dos textos é brilhante, como jornalista e analista. Faz excelentes estudos pormenorizados que ajudam o leitor a entender a insensatez dos juros praticados no Brasil e a escandalosa expansão dos gastos públicos, bem como a vulnerabilidade da economia, altamente dependente do capital externo, ao longo de 20/25 anos após o fim da ditadura militar. Foi o tempo de pagar – com sangue e suor - os petrodólares que tinham sido trazidos pelos militares, após os dois grandes choques do petróleo, dos malditos anos de 1973 e 1980. A tormenta só amainou depois de 2003. Para se conhecer a história econômica, a coletânea assinada pelo Celso Pinto é interessante, mas, como leitura para não iniciados é uma chatice atroz, carregada de linguajar tecnicista, repetitivo e irritante.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Análises de momentos da politica econômica do Brasil, abrangendo o período que vai dos estertores da ditadura militar (1985) até o inicio do governo Lula (2003) consubstanciado em 90 artigos do autor, publicados nos jornais folha de São Paulo, Gazeta Mercantil e Valor Econômico.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Melhora o clima para negociar (Gazeta Mercantil, 29 setembro de 1987)

A proposta brasileira de negociação da dívida externa parece ter superado o primeiro teste: ser considerada um razoável ponto de partida para conversas. As diferenças de posição continuam enormes entre o Brasil e os credores, mas existe um nítido esforço para criar um ambiente menos tenso.

"Nós indicamos que a proposta brasileira merece consideração", disse ontem o secretário do Tesouro norte-americano, James Baker III, logo após um encontro de mais de uma hora com o ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser Pereira. "Foi um bom encontro", definiu Baker. Ele reafirmou que considera a discussão de um acordo do Brasil com os bancos e com o FMI como "questões separadas".

Dessa vez, os dois lados cuidaram para que as declarações à imprensa seguissem uma mesma direção. "Ele (Baker) disse que nossa proposta era uma boa base para negociação", explicou Bresser, "o que não quer dizer, é claro, que ele concorde".

Na verdade, nem Baker nem os bancos concordam com algumas idéias brasileiras. Os bancos acham o pedido brasileiro excessivo e querem mais participação dos bancos oficiais e agências multilaterais no pacote, o que é uma maneira indireta de pedir a garantia de um acordo formal com o FMI. Outra questão importante, segundo um assessor do ministro, é um pagamento simbólico de juros pelo Brasil, o chamado token payment, que funcionasse como gesto de boa vontade e agastasse de vez a ameaça de reclassificação dos empréstimos ao país, pelas autoridades bancárias norte-americanas, no próximo dia 26 de outubro [de 1987].

Bresser manteve contatos com vários ministros de países desenvolvidos e ficou animado. Pelo seu relato, alguns desses ministros (ele citou o inglês, Nigel Lawson, e o alemão, Gerhard Stoltenberg) concordaram em manter-se "neutros" frente a seus bancos, isto é, não recomendar que eles evitem qualquer acordo antes que o Brasil faça um acerto com o FMI. De outro lado, contudo, todos os ministros enfatizaram a importância de um acordo com o FMI para a renegociação das dívidas oficiais no Clube de Paris.

O ministro das Finanças da França, Edouard Balladur, disse a este jornal que a proposta brasileira "é engenhosa". Mas ressaltou que o primeiro passo deveria ser "convencional": ir ao FMI. Stoltenberg, por sua vez, disse à imprensa que o país deveria encontrar uma solução para a dívida "em cooperação" com o FMI.

A distância, nesse caso do FMI, pode ser menor do que parece.

O Brasil não aceita vincular o desembolso do acordo com os bancos ao cumprimento de um acordo com o FMI e tem insistido em que esse acordo venha depois de algum acerto com os credores privados.

Bresser Pereira, contudo, explicou que é possível ao Brasil iniciar conversas com o FMI durante o processo de negociação com os bancos, desde que haja claras indicações da possibilidade de chegar a bom termo. A precedência do acordo com os bancos, disse ele, tem sido mencionada por uma questão de clareza, uma razão "didática", segundo o ministro. O que é inaceitável é vincular o desembolso dos bancos a um acerto com o FMI.

Quanto ao token payment, a posição é também flexível. Se os bancos mostrarem "que estão decididos a negociar", o Brasil poderá, segundo Bresser Pereira, fazer um gesto de boa vontade. O que é inaceitável, reafirmou o ministro, é suspender a moratória antes de um acordo com os bancos.

Independentemente das questões específicas, o fato é que há um esforço para caracterizar a discussão com o Brasil como positiva: há também o desejo, de muitos, de tentar preservar um espaço para Bresser Pereira. Como disse um alto funcionário de uma instituição multilateral, o ministro brasileiro é "uma pessoa muito construtiva que precisa ser apoiada". O suposto é que essa mesma atitude construtiva poderia faltar a um eventual sucessor.

Significativamente, o presidente do Comitê Interino do FMI, o ministro dos Países Baixos, Onno Rudding, usou a mesma expressão numa entrevista, pela manhã, à imprensa. Ele agradeceu a Bresser Pereira por "sua participação muito construtiva" nas discussões do comitê, no domingo.

O ex-presidente do Federal Reserve Board, o banco central norte-americano, Paul Volcker, foi ainda mais longe na questão brasileira. Falando num seminário, em Washington, Volcker disse que o Plano Baker necessita de "reforço e revigoramento" e que as negociações entre o Brasil e seus credores serão "um caso-teste crucial".

Ele foi contra as propostas "de professores e políticos" que implicam perdão de parte da dívida, mas defendeu "um esforço corporativo" entre bancos, governos e instituições internacionais para montar programas que possam sustentar o crescimento do país durante anos.

Outro sinal entendido como positivo pelo ministro brasileiro foi o fato de o comitê interino, o mais importante centro de decisões relativas ao FMI, em que o voto dos países mais ricos é hegemônico, ter incluído em seu comunicado final, ontem, uma referência à abertura de novas opções para a dívida, orientadas para o mercado. Entre elas, o comitê disse ser "especialmente dignos de atenção" novos instrumentos financeiros, inclusive títulos. Essa abertura a uma "secundarização" da dívida (transformação da dívida em títulos negociados), embora centro das regras do mercado e em bases estritamente voluntárias, endossa o princípio da parte não convencional da proposta brasileira de negociação. Antes disso, no sábado, o Brasil havia conseguido incluir no documento produzido pelo Grupo dos 24 (que reúne os países em desenvolvimento) um endosso formal à idéia de transformação da dívida em títulos de longo prazo, considerando-se os valores de negociação da dívida no mercado e a necessidade de ter juros fixos, de forma a tornar mais estável o fluxo de pagamentos externos.

Apesar da soma de sinais encorajadores e da criação de um clima mais distendido em relação ao Brasil, a avaliação sobre o futuro deve ser feita com prudência. Dois assessores do ministro da Fazenda sugeriram a este jornal que não há razão para excessivo otimismo e lembraram que existem muitos problemas pela frente. O próprio ministro, por sua vez, lembrou que a negociação deverá durar muitos meses.


  • Os Desafios do Crescimento: Dos Militares à Lula.

    Autor: Eliana Cardoso

    Veículo: Jornal Valor Economico, edição 3 abril de 2009

    Fonte: Jornal

    Eliana Cardoso, Jornal Valor Econômico, edição de 3 de abril 2009.

    "Não estamos aqui para dizer que tem mocinho de um lado e bandido de outro, mas para contar a história relevante para o leitor", disse Celso Pinto alguns anos atrás. Sua independência e capacidade de escutar e peneirar o que lhe diziam economistas de diversos matizes marcam os diálogos em que se baseiam os artigos reunidos em "Os Desafios do Crescimento: Dos Militares a Lula". Os 90 artigos (publicados na "Gazeta Mercantil" entre 1981 e 1996, na "Folha de S. Paulo" a partir de 1997 e no Valor Econômico entre maio de 2000 e maio de 2003) oferecem uma visão fluente de um período importante e conturbado da história do Brasil e uma discussão equilibrada sobre juros, câmbio, dívida e inflação. O livro é um testemunho das qualidades do grande jornalista. De sua convicção de que encontrar a trama dos fatos para contá-la aos leitores é um serviço público. De sua determinação em discernir o argumento do que é apenas a defesa de um interesse ou o desejo de persuadir. De sua capacidade de perceber o traçado maior por trás de uma história e de mostrar a colcha de retalhos que é a formulação. Da política econômica em diferentes perídos. As contradições do mundo da política são inevitáveis e tomam o jornalismo econômico particularmente difícil. Escreve Henry Kissinger: "Antes de servir como consultor de Kennedy, eu acreditava, como a maioria dos acadêmicos, que as decisões de política eram parte de um processo intelectual e que me bastaria entrar no escritório do presidente e convencê-lo da correção de um determinado ponto de vista. Logo entendi que esta percepção não só é perigosamente imatura como largamente difundida". A observação de Kissinger mostra que as coisas nunca são claras ou óbvias no mundo em que vivemos. Não existem respostas certas e erradas como as que aprendemos na escola. Os problemas têm várias dimensões e podem ser avaliados sob diferentes perspectivas e métodos. Só conhecemos as conseqüências de nossas decisões muito tempo depois de as tomarmos: Seus resultados, quase sempre, são ambíguos. Talvez seja por isso que Celso Pinto nunca ceda à tentação de criar um espetáculo em torno da notícia. Sua informação é relevante, contextualizada e analisada sob diferentes ângulos. O que poderia causar barulho vem temperado pelo reconhecimento das contradições do mundo real. Por isso, os artigos, continuam atuais e cabem bem no formato de um livro. Que formato é esse? André Gide, escritor francês e Nobel de literatura, escolhe a imagem do ovo. Diz ele, em "Paludes" (1981) que um livro "é fechado, cheio, liso como um ovo. Não se saberia fazer entrar mais nada dentro dele, nem um alfinete, a não ser à força, mas isso destruiria sua forma". Gosto da analogia, porque o ovo é símbolo de vida, da simplicidade perfeita, da forma mais pura. E desconfio de que a comparação seja uma advertência para abrirmos um livro com respeito e ali não colocarmos coisas que o autor não pretendia. Por isso foi tão importante que na reprodução dos artigos de Celso se tenha respeitado sua forma original Situações, fatos e análises se sobrepõem no texto exato e elucidativo do jornalista à vontade no ato de escrever. O livro está organizado por temas. Nesta resenha, entretanto, escolho uma abordagem quase cronológica para um resumo breve. A economia brasileira enfocada na obra começa quando se esboçava o plano de emergência do então candidato à Presidência, Tancredo Neves. Acertava-se um programa austero com o FMI e temia-se pela recuperação econômica. O país absorvia os prejuízos provocados pelos excessos dos anos 70. Viriam a seguir os anos do governo Sarney, que Celso analisa em detalhe. Confere particular atenção à reforma monetária de 1986 e observa que até os economistas da oposição aplaudiram o Plano Cruzado. O sucesso do plano, entretanto, dependeria do, equilíbrio fiscal do setor público. Dito e feito. Comprometido o equilíbrio fiscal, a implantação do plano foi um desastre marcado por disputas internas de poder. O resultado foi o que Celso chamou de esfacelamento nas hostes do pensamento econômico não ortodoxo e um novo repique inflacionário. O livro acompanha passo a passo a crise externa de US$ 100 bilhões, as negociações com o FMI, e discute as lições de duas moratórias: a voluntária de Dilson Funaro, que Sarney lamentaria como o maior equívoco de seu governo, e a de Maílson da Nóbrega. Esta segunda seguiu-se ao malogro de mais um plano anti-inflacionário e foi negociada com o FMI depois de esvaziado o caixa. Mas o autor adverte: havendo confronto ou negociação, os recursos externos não voltam sem ajuste interno. Quando o capital voltou, Celso seguiu suas idas e vindas durante a década de 90 e seus solavancos no princípio do século XXI até o período pré-eleitoral de 2002. Já em fevereiro daquele ano, Celso anunciava o que estava por vir entre agosto e outubro. O perigo não estava em movimentos de mercado que se desfazem com uma boa notícia, mas num refluxo mais prolongado, que pressionaria o câmbio e suscitaria dúvidas sobre a solvência da dívida pública. A seqüência dos artigos vai mostrando como os problemas se recriam. Já em 1985 o foco recaía sobre os elementos que prendiam o governo na armadilha do baixo crescimento. "Contar com a apreciação do real frente ao dólar para ajudar a conter a inflação não é uma solução e sim um enorme risco", lembra uma coluna. Celso Pinto foi um dos primeiros jornalistas a romper o silêncio mantido pela imprensa sobre a bomba que se armava com a âncora cambial. Em 2000 voltou ao tema, com uma discussão sobre os perigos do populismo cambial. Embora a inflação baixa com câmbio valorizado convenha aos políticos, a valorização prejudica as exportações e o crescimento. Por outro lado, as propostas para manter uma cotação mais desvalorizada (tais como o aumento de reservas, o controle da entrada de capitais ou um corte da taxa de juros) encontram enormes dificuldades. Em 2003, quando a ansiedade com a valorização do real frente ao dólar começou a se manifestar, Celso listou e discutiu essas dificuldades. Ele não tem escrito mais, pois convalesce de uma parada cardiorrespiratória. Na preparação do livro, família, amigos e colegas colocaram todo o carinho, amizade e respeito que sentem por ele. Não se sabe se a seleção dos artigos e sua organização seriam as que Celso teria preferido, mas desconfio de que ele se orgulha do resultado.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Comprei este livro motivado por um artigo de Eliana Cardoso, publicado no jornal Valor Econômico, edição de 3 de abril 2009.


 

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