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Livro Ruim - 1 comentário

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Autor: J M Coetzee

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Romance

Traduzido por: José Rubens Siqueira

Páginas: 275

Ano de edição: 2010

Peso: 355 g

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Ruim
Marcio Mafra
18/11/2011 às 16:32
Brasília - DF

O Sul-africano J.M.Coetzee, no seu livro Verão escreve – de certa forma - como já fizera Machado de Assis, em Memórias Póstumas de Brás Cubas, considerado obra-prima da literatura brasileira. Porém, o livro de Coetzee – Nobel de Literatura de 2003 – nem de longe, tem o mesmo encanto, talvez porque o personagem principal do livro é o próprio Coetzee. Então o escritor cria outro personagem, de nome Vincent, que vai escrever a biografia do falecido Coetzee. Vincent parte para entrevistas com as mulheres que haviam convivido com o falecido Coetzee e vai entrevistando-as, em muitas passagens forçando a barra, para conhecer a intimidade do biografado. As entrevistas são monótonas. Bobinhas. Sugerem indecisões, ambigüidades e são inconclusas, formadas por opiniões parciais e contraditórias. Não dá para entender porque Vincent escolhe entrevistar apenas mulheres: uma prima, uma ex-amante, uma paixão platônica. É através da voz dos outros que ficamos sabendo o pensamento de Coetzee. Por vezes o leitor fica com a impressão que Coetzee queria parecer mais macho do que era realmente. A leitura do livro fica um porre, muito embora tenha ar e cara intelectualizada. A escrita do autor é engenhosa, mas parece um exercício de masoquismo, de vaidade intelectual carregada de literatice. Verão, mais parece daquelas peças publicitárias feitas para ganhar prêmio e não para divulgar um produto, muito menos para vendê-lo. São peças de arte, muito apreciada pelos críticos e pela elite dos profissionais da área. Ganham prêmios, mas ninguém compra o produto. É assim o livro Verão: Muito bem construído, escrito por um Prêmio Nobel, mas de uma chatice sem igual.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A historia da auto biografia – ficional - de John Maxwell Coetzee, realizada pelo personagem Vincent, que traça um retrato humano do escritor. Quando Vincent começa a escrever sobre J. M. Coetzee, este já havia falecido. Para traçar o retrato do biografado, o biográfo busca entrevistar, em longos encontros, as mulheres com quem ele havia se relacionado e assim poder escrever seu retrato, tanto afetivo, como íntimo.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Rodamos para as montanhas - tivemos de parar para as meninas vestirem os casacos, porque elas estavam ficando com frio -, até um parque, não me lembro o nome agora, onde havia pinheiros e locais entre eles onde as pessoas podiam fazer piqueniques, só brancos, claro - um lugar bonito, quase vazio porque era inverno. Assim que escolhemos o nosso lugar, mr. Coetzee se pôs a descarregar a caminhonete e acender uma fogueira. Eu achei que Maria Regina ia ajudar, mas ela desapareceu, disse que queria explorar. Não era um bom sinal. Porque se as relações fossem comme íl faut entre eles, só de professor com aluna, ela não teria tido vergonha de ajudar. Mas foi Joana quem se prontificou, Joana era muito boa naquilo, muito prática e eficiente.

Então lá estava eu, deixada para trás com o pai dele como se nós dois fôssemos os velhos, os avós! Eu achei difícil conversar com ele, como eu disse, ele não conseguia entender meu inglês e era tímido também com uma mulher; ou talvez ele simplesmente não entendesse quem era eu.

E então, antes mesmo de o fogo ter pegado bem, apareceram nuvens, escureceu e começou a chover. "É só uma pancada, já vai passar", disse mr. Coetzee. "Por que vocês três não entram na caminhonete?" Então, as meninas e eu nos abrigamos na caminhonete e ele e o pai se encolheram debaixo de uma árvore, esperamos a chuva passar. Mas é claro que não passou, continuou chovendo e aos poucos as meninas perderam a animação. "Por que tinha de chover justo hoje?", Maria Regina choramingou como um bebê. "Porque é inverno", eu disse a ela: "porque é inverno e gente inteligente, gente que tem os pés no chão não sai para fazer piquenique no meio do inverno".

O fogo que mr. Coetzee e Joana tinham acendido apagou.

Toda a madeira agora estava molhada, de forma que jamais conseguiríamos assar nossa carne. "Por que não oferece os biscoitos
que você fez?", falei para Maria Regina. Porque eu nunca tinha visto nada mais triste do que aqueles dois holandeses, pai e filho, sentados juntos, lado a lado, debaixo de uma árvore, tentando fingir que não estavam molhados e com frio. Uma coisa triste e engraçada também. "Ofereça os biscoitos e pergunte o que nós vamos fazer agora. Pergunte para eles se não gostariam de nos levar para dar um mergulho na praia."

Eu disse isso para fazer Maria Regina sorrir, mas só consegui fazer com que ficasse mais irritada; então, no fim, foi Joana quem saiu na chuva, conversou com eles e voltou com o recado de que logo ia parar de chover, nós voltaríamos para a casa deles e eles fariam chá para nós. "Não", eu disse a Joana. "Volte lá e diga para mr. Coetzee que não, não podemos ir tomar chá, ele tem de nos levar de volta direto para o apartamento, amanhã é segunda-feira e Maria Regina tem lição de casa que ela nem coomeçou a fazer."

Claro que foi um dia infeliz para mr. Coetzee. Ele esperava causar uma boa impressão em mim; talvez quisesse também exibir para o pai as três lindas damas brasileiras que eram amigas dele; e em vez disso tudo o que ele conseguiu foi uma caminhonete cheia de gente molhada rodando debaixo de chuva. Mas para mim foi bom para Maria Regina ver como era o herói dela na vida real, aquele poeta que não conseguia nem acender uma fogueira.


  • Dúvida existencial

    Autor: Revista Veja

    Veículo: Revista Veja

    Fonte: Revista Veja Edição 2162 / 28 de abril de 2010

    Depois de sua morte, em 2006, o prêmio Nobel de Literatura J.M. Coetzee tornou-se alvo do interesse de um jovem biógrafo, que desejava retratá-lo no início dos anos 70, quando seus primeiros livros foram publicados. O biógrafo desenterrou diários e fez longas entrevistas com pessoas que conheceram Coetzee naquele período (entre elas, uma dançarina brasileira). A pesquisa não desvendou as fontes de inspiração do escritor sul-africano – mas trouxe à luz uma figura patética, que vivia com o pai inválido numa casinha não muito asseada. Na cama, "ele tinha uma qualidade autista", diz uma das entrevistadas. Adriana, a brasileira, o descreve como "um homem de madeira". Até os depoimentos mais comedidos têm uma nota depreciativa. "Alguma coisa nele era sempre reprimida", diz um amigo. "Ele não tinha nenhuma sensibilidade especial que eu pudesse detectar", afirma Sophie Denoël, amante e colega de trabalho. Ao fim e ao cabo, a impressão que o homem deixa é tão insatisfatória que contamina até mesmo a apreciação de seu talento literário.

    Até os fãs mais distraídos de J.M. Coetzee provavelmente perceberam que o parágrafo acima contém um erro gritante. O escritor não morreu em 2006. Ele está vivo, bem vivo. E não seria preciso ir muito longe para descobrir outras incorreções. Por exemplo, o fato de que no começo dos anos 70 Coetzee, em vez de morar com o pai, morava com a mulher e dois filhos. Mais difícil é saber como lidar com as descrições nada lisonjeiras da personalidade do escritor. Digamos logo: em vez de ser o produto dos esforços de um biógrafo, Verão (tradução de José Rubens Siqueira; Companhia das Letras; 280 páginas; 44,50 reais), o livro de onde as descrições saíram, foi escrito pelo próprio Coetzee. O que leva às seguintes possibilidades: 1) a obra é um exercício de autoflagelo; 2) é um exercício de humor; 3) é as duas coisas juntas. É improvável que Coetzee algum dia ajude a derrubar a dúvida. Verão foi feito para confundir. Trata-se de um romance. Ao mesmo tempo, foi incluído em Cenas da Vida na Província – uma série de memórias da qual também fazem parte os volumes Infância e Juventude.

    De todos os escritores renomados de língua inglesa na faixa dos 60 ou 70 anos – de Philip Roth a V.S. Naipaul –, Coetzee, nascido em 1948, é o mais dado a experiências com a forma. Em Verão, o uso de entrevistas permite que o personagem principal (não importa o grau de realidade que ele contenha) seja visto de várias perspectivas. Daí resulta o equivalente literário de um retrato cubista. Mas o livro não é apenas uma demonstração de virtuosismo. Há também grandes passagens narrativas, algumas hilariantes, como aquela em que Coetzee tenta convencer uma de suas amantes de que ir para a cama ouvindo um quinteto de Schubert lhes permitiria entender como era fazer sexo na Áustria pós-Bonaparte. Uma das muitas tiradas anti-Coetzee do livro indaga se alguém pode ser um grande escritor, quando não passa de um homenzinho ordinário. Homenzinho? Quem sabe. Grande escritor? Com certeza.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

De 4 a 7 de julho de 2004, J M Coetzee brilhou entre os convidados da FLIP, na cidade de Paraty, Rio de Janeiro. Ele era o autor que – sozinho - apresentava o tema (ou compunha a mesa) “Diário de Um Ano Ruim”. A imprensa acompanhou cada passo dele dentro e fora da Tenda dos Autores. Enormes eram as filas para comprar livros do autor e para tomar o seu autografo. Não consegui comprar o livro. Ficou na minha lista de futuras compras, até que, Roberta Saraiva, colega de trabalho do Sindivarejista me presenteou “Verão” no “amigo oculto” do Natal de 2010.


 

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