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A Ilha Sob o Mar

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A Ilha Sob o Mar

Livro Péssimo - 1 opinião

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Autor: Isabel Allende

Editora: Bertrand Brasil

Assunto: Romance

Traduzido por: Ernani Ssó

Páginas: 476

Ano de edição: 2010

Peso: 705 g

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Péssimo
Marcio Mafra
24/06/2011 às 22:24
Brasília - DF

Isabel Allende, nascida peruana e com larga vivência na Venezuela e no Chile, conhece bem a cultura da América Central e América do Sul. Não foi muito difícil criar uma saga sobre os escravos negros, dominados pelos franceses e que viviam nas Antilhas. Com esses ingredientes ela descreve com alguma graça e muita imaginação como os franceses detonaram toda a região do Haiti. É um drama carregado de raiva, paixão, sacrifícios, amores, traições e protagonizado pela escrava Zarité, amante de seu dono, o cruel e insensível Toulouse Valmorain, francês, branco, dono de vastas plantações de cana-de-açucar. Não chega a ser um livro água-com-açúcar, mas fica perto desse conceito. A história, tipo saga, se desenvolve no rumo do batidíssimo domínio de colonos sobre escravos e suas conhecidas diferenças: patrões cruéis, escravos fortes e valentes prontos para matar e fugir na primeira oportunidade. Tudo regado a muita lenda, folclore, musicalidade e beleza rústica da gente africana. Miséria, exploração humana, sexo sem romance, amor sem correspondências. Nada que mereça grande dedicação por parte dos leitores. O final do livro não é patético, mas não emociona o leitor.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A historia da negra Zarité, que ainda criança foi vendida para Toulose Valmorain, branco e dono de enormes plantações de cana-de-açúcar, nas Antilhas. Ela foi escrava de cama, mesa, banho e cozinha. Teve dois filhos do patrão. Anos depois, quando aconteceu a revolta da libertação dos escravos eles saíam destruindo as propriedades, pondo fogo nas plantações e matando todos os brancos. Valmorain consegue escapar da sanha assassina, graças à sagacidade, força e resistência de Zarité. Ela, os filhos e o patrão branco fogem para a cidade de Cuba e depois para Nova Orleans, nos EUA. Como escrava ela não padeceu de fome, nem dos sofrimentos físicos, castigos e açoites pelos quais passavam os escravos que trabalhavam no campo, mas conheceu muitas misérias e humilhações que lhe impunham os brancos, mesmo sendo escrava que trabalhava na "casa grande"

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O Sabor da Liberdade
As coisas continuavam do mesmo jeito no verão do ano seguinte, quando, uma noite, Tété acordou de repente com uma mão firme tapando-lhe a boca. Pensou que, por fim, assaltavam a plantação, coisa que temia havia tanto tempo, e rogou para que a morte fosse rápida, pelo menos para Maurice e Rosette, adormecidos ao seu lado. Esperou sem tentar se defender, para não acordar as crianças, até que conseguiu distinguir a figura inclinada sobre ela no tênue reflexo das tochas do pátio, que se filtrava através do papel encerado da janela. Não o reconheceu, porque, depois de um ano e meio de separação, o rapaz já não era o mesmo, mas quando ele sussurrou seu nome, Zarité, ela sentiu um disparo no peito, não mais de terror, mas de feliciidade. Levantou as mãos para atraí-lo e sentiu o metal da faca que ele mantinha entre os dentes. Tirou-a de sua boca, e ele, com um gemido, se deixou cair sobre aquele corpo que se acomodava para recebê-lo. Os lábios de Gambo buscaram os dela com a sede acumulada em tanta ausência, sua língua abriu passagem em sua boca e suas mãos se agarraram a seus seios através do camisolão fino. Ela o sentiu entre as coxas e se abriu para ele, mas se lembrou das crianças, que por um instante havia esquecido, e o empurrou. "Venha comigo", sussurrou-lhe.

Levantaram-se com cuidado e passaram por cima de Maurice.

Gambo recuperou sua faca e a prendeu na tira de couro de cabra
do cinturão, enquanto ela esticava o mosquiteiro para proteger as crianças. Tété fez um sinal para que ele esperasse e saiu para se assegurar de que o patrão estava em seu quarto, como o havia deixado duas horas antes. Depois soprou a lamparina do corredor e voltou para o amante, levando-o às apalpadelas até o quarto da louca, na outra ponta da casa, desocupado desde sua morte.

Caíram abraçados sobre o colchão estragado pela umidade e pelo abandono e se amaram na escuridão, em total silêncio, sufocados de palavras mudas e gritos de prazer que se desfaziam em suspiros. Enquanto estiveram separados, Gambo havia se desafogado com outras mulheres dos acampamentos, mas não tinha conseguido aplacar seu apetite de amor insatisfeito. Tinha dezesseis anos e vivia abrasado pelo desejo persistente de Zarité. Lembrava-se dela, alta, abundante, generosa, mas agora via que era menor que ele, e aqueles seios, que antes lhe pareciam enorrmes, cabiam com folga em suas mãos. Zarité se converteu em espuma sob o corpo dele. Na agitação e voracidade do amor tão longamente contido, ele não conseguiu penetrá-la e, num instante, sucumbiu numa só explosão. Mergulhou, então, no vazio, até que a respiração ardente de Zarité em seu ouvido o trouxe de volta ao quarto da louca. Ela o acalentou, dando pancadinhas em suas costas, como fazia com Maurice para consolá-lo, e, quando sentiu que ele começava a renascer, virou-o na cama, imobilizando-o com uma das mãos no ventre, enquanto com a outra, seus lábios suaves e uma língua faminta o massageavam e o chupavam, elevando-o ao firmamento, onde se perdeu nas estrelas fugazes do amor imaginado em cada instante de repouso e em cada pausa das batalhas e em cada amanhecer enevoado nas cavernas milenares dos caciques, onde tantas vezes montava guarda. Incapaz de se aguentar por mais tempo, o rapaz a levantou pela cintura e ela o montou, atravessando-se naquele membro candente que tanto havia desejado, inclinando-se para cobrir de beijos o rosto do amado, para lamber-lhe as orelhas, acariciá-lo com seus mamilos, rebolar seus quadris enlouquecidos, espremê-lo com suas coxas de amazona, ondulando como uma enguia no fundo arenoso do mar. Brincaram como se fosse a primeira e a última vez, inventando passos novos para uma antiga dança. O ar do quarto ficou saturado com a fragrância de sêmen e suor, com a violência prudente do prazer e os extravios do amor, com os gemidos sufocados, risos calados, investidas desesperadas e arquejos de moribundo que, num instante, se transformavam em beijos alegres. Talvez não tivessem feito nada que já não tivessem feito com outros, mas era muito diferente fazer amor quando se amava.

Esgotados de felicidade, dormiram apertados num nó de braços e pernas, aturdidos pelo calor pesado daquela noite de julho. Gambo acordou pouco depois, aterrorizado por ter baixado a guarda daquela maneira, mas ao sentir a mulher abandonaada, ronronando no sono, se deu tempo para apalpá-ça com suavidade, sem acordá-la, e perceber as mudanças naquele corpo, que, quando ele se fora, estava deformado pela gravidez. Os seios ainda tinham leite, mas estavam mais frouxos e com os mamilos distendidos, a cintura lhe pareceu muito delgada, porque não lembrava como era antes da gravidez, o ventre, os quadris, as nádegas e as coxas eram pura opulência e suavidade. O cheiro de Tété também havia mudado, já não cheirava a sabão, mas a leite, e naquele momento estava impregnado do cheiro de ambos. Mergulhou o nariz no pescoço dela, sentindo a passagem do sangue nas veias, o ritmo de sua respiração, a batida de seu coração. Tété se esticou com um suspiro satisfeito. Estava sonhando com Gambo e levou um instante para se dar conta de que, na verdade, estavam juntos e que já não precisava imaginá-lo.

- Vim levar você, Zarité. Chegou a hora de irmos embora sussurrou ele.

Gambo explicou que não pudera chegar antes, porque não tinha para onde levá-la, mas que agora já não podia esperar mais. Não sabia se os brancos conseguiriam acabar com a rebelião, mas teriam que matar até o último negro antes de proclamar a vitória. Nenhum dos rebeldes estava disposto a voltar à escravidão. A morte andava solta e à espreita na ilha. Não existia nem um só canto seguro, mas pior do que o medo e a guerra era aquela separação. Contou que não confiava nos chefes, nem mesmo em Toussaint, não devia nada a eles e pensava lutar à sua maneira, mudando de bando ou desertando, conforme os acontecimentos. Por um tempo poderiam viver juntos em seu acampamento, ele lhe disse; havia levantado uma ajoupa com paus e folhas de palmeira, e não faltaria comida. Só podia lhe oferecer uma vida dura, e ela estava acostumada às comodidades daquela casa de branco, mas nunca se arrependeria, porque quando se prova a liberdade não se pode voltar atrás. Sentiu lágrimas quentes no rosto de Tété.

- Não posso deixar as crianças, Gambo - disse ela.
- Levaremos o meu filho.
- É uma menina, se chama Rosette e não é sua filha, mas do patrão.

Gambo se levantou surpreso. Naquele ano e meio havia pensado em seu filho, o filho negro que se chamava Honoré. Não lhe passara pela cabeça a ideia de que o bebê pudesse ser uma mulata, filha do patrão.

- Não podemos levar Maurice, porque é branco, nem Rosette, que é muito pequena para enfrentar a miséria - explicou Tété.

- Você tem que vir comigo, Zarité. E deve ser nesta noite mesmo, porque amanhã será tarde. Essas crianças são filhos do branco. Esqueça elas. Pense em nós e nos filhos que teremos, pense na liberdade.

- Por que diz que amanhã será tarde? - perguntou ela, secando as lágrimas com o dorso da mão.

- Porque amanhã atacarão a plantação. É a última que resta, todas as outras já foram destruídas.

Então, ela entendeu a magnitude do que Gambo lhe pedia.

Era muito mais do que se separar das crianças, era abandoná-las a uma sorte horrenda. Enfrentou-o com uma raiva tão intensa quanto a paixão de minutos antes: jamais as deixaria, nem por ele e nem pela liberdade. Gambo se estreitou contra seu peito, como se pretendesse levá-la enquanto se decidia. Disse que Maurice estaria perdido de qualquer maneira, mas que, no acampamento, poderiam aceitar Rosette, desde que ela não fosse muito clara.

- Nenhum dos dois sobreviveria entre os rebeldes, Gambo.

A única forma de salvá-los será o patrão levá-los comigo. Tenho certeza de que protegerá Maurice com sua vida, mas Rosette não.

- Não há tempo para isso, seu patrão já é um cadáver, Zarité - respondeu ele.

- Se ele morrer, as crianças também morrerão. Temos que tirar os três de Saint-Lazare antes do amanhecer. Se não quer me ajudar, darei um jeito sozinha - decidiu Tété, vestindo o camisolão na penumbra.

Seu plano era de uma simplicidade pueril, mas o expôs com tanta determinação que Gambo acabou por ceder. Não podia forçá-la a ir com ele e também não podia deixá-la. Ele conhecia a região, estava habituado a se esconder, podia se locomover de noite, evitar perigos e se defender, mas ela não.

- Acha que o branco se prestará a isso? - perguntou, por fim.

- Que outra saída ele tem? Se ficar, destripam ele e Maurice. Não só vai aceitar, como vai pagar por isso. Me espere aqui - respondeu ela.


  • Isabel Allende seduz a Flip

    Autor: Roberto Kaz

    Veículo: Jornal Folha de São Paulo, sexta feira, 6 de agosto de 2010

    Fonte:

    Autora afirma ter sido "reporter ruim, que mentia muito" e disse que na literatura, seus defeitos são virtudes.

    Quando o general Augusto Pinochet instaurou o regime militar no Chile, em 1973, não imaginava criar também, naquele momento, a base para que surgisse a maior best seller do país.

    Isabel Allende era então, como gosta de dizer, "uma repórter ruim, que mentia muito". Esmagada pela ditadura, deixou o país e, para não perder o oficio do texto, trocou o jornalismo pela ficção. Foi um achado. "Na literatura, todos os meus defeitos são virtudes", disse.

    Com essa e outras frases de efeito, a escritora chilena foi aplaudida três vezes durante sua apresentaação na Flip, ontem.

    Respondendo a perguntas do jornalista Humberto Werneck, a autora de ''A Casa dos Espíritos" falou que escrever "não é nenhuma tortura", que o realismo mágico que a caracteriza é também um bom álibi para erros e que, a diferencia de muitos autores, ela "escreve para o público, e não para o crítico".

    "Tento agarrar o leitor pelo cangote e fazê-lo me acompanhar até a última página."

    Allende aproveitou as perrguntas bem elaboradas de Werneck para contar anedotas. Por exemplo: sobre quando, 23 anos atrás, coonheceu o marido, o americano William Gordon, então "o último heterossexual solteiro da Califómia".

    "Eu disse a ele que gostaria de me casar, para obter o visto. Ele respondeu que já se casara três vezes e que precisaria pensar. Concordei, dando-lhe até o meio-dia do dia seguinte para se decidir."

    Sobre a Casa dos Espíritos, que vendeu 12 milhões de cópias, disse que sua família só passou a gostar do livro quando ele virou filme -com Meryl Streep.

    Foi a deixa para que Werneck perguntasse qual atriz ela escolheria para viver a si mesma em um eventual filme sobre sua vida.

    "Penélope Cruz!", disse, enfática. "Da última vez que lhe fiz essa pergunta, você havia respondido Sônia Braga", contestou o jornalista.

    "Sim, mas agora existe a Penélope Cruz", respondeu, para deleite do público.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A Ilha Sob o Mar foi um lançamento da escritora Isabel Allende, durante a Flip 2010. Não deixaria de comprar este livro.


 

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