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Fogo Amigo

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Livro Péssimo - 1 opinião

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Autor: A B Yehoshua

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Romance

Traduzido por: David Bogomoletz

Páginas: 383

Ano de edição: 2010

Peso: 580 g

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Péssimo
Marcio Mafra
24/06/2011 às 18:45
Brasília - DF

Yehoshua vai narrando a sua história na mesma medida que vai acendendo as velas do candelabro que se usa durante a festa do Hanukah. São sete velas “novas” e mais uma que fica como “piloto” das demais. A primeira vela é da história de Yaari. A segunda vela se refere a história da mulher dele, Daniela, e assim vai seguindo cada capítulo até a oitava vela. Como em qualquer livro de contos as historias vão se cruzando e se interpondo uma às outras, com cargas amorosas e outros símbolos menos marcantes. A diversidade dos fatos e dos personagens forma uma trama cheia das coisas religiosas, radicais, judaicas e sionistas. A leitura só não deve ser enjoada para leitores judeus militantes ou leitores israelenses porque para ocidentais, nascidos após a segunda guerra mundial, não significa quase nada. É de uma chatice atroz, a despeito de se tratar de um escritor de nomeada. O escritor é bom, sabe escrever, certamente é possuidor de talento literário, mas a história de Fogo Amigo é chata e sem graça.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Yaari, assim como de mais outros seis personagens, é pontuada pelas sete velas do candelabro que se ascende durante a festa do Hanukah. Uma vela para cada dia. Yaari, um velho engenheiro projetista, personagem que corresponde as primeira vela, tem problemas com ruídos ouvidos no poço de elevadores de um edifício recém-construído, enquanto revolve também problemas de saúde de pessoa de sua família.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Na fazenda africana já são quase três horas da tarde, e em frente à porta trancada de seu quarto Yirmiyáhu chama a adormecida: Estamos saindo! Por que você achou que não era necessário acordá-la?

Daniela se desculpa, mas não se sente realmente culpada. Em viagens ao exterior ela sempre cuidava de manter em seu relógio a hora de Israel, a fim de estar conectada a seus filhos e netos, enquanto o tempo local era atriibuição de Amótz.

"Mas o Amótz não está aqui", admira-se o cunhado com uma pontinha de irritação, exigindo que desça depressa, caso contrário a deixará aqui para terminar seu livro.

Apesar de ser uma mulher que leva muito a sério "seu ritmo", a ameaça de ficar sozinha com um velho segurança africano torna mais lépidos seus movimentos, ainda mais que desta vez não lhe é necessário entrar em confliito quanto às roupas. Com ágil naturalidade ela se enfia novamente no vestido africano, não só devido à textura agradável do tecido e aos olhares amistosos dos pastores empertigados apoiados em seus cajados, mas também por saber que só aqui, na África, lhe é permitido um vestido tão colorido.

No pátio da fazenda, os veículos já estão prontos para partir. Perto das caminhonetes, paradas lado a lado, estão os tonéis de leite, os recipientes de água e os pequenos sacos com farinha e batatas e feijão branco pré-cozido, e também alguns grandes panelões de sopa, e panelas vazias limpas e utensílios de mesa. O cabrito, que teve sua degola adiada, examina o mundo com muito interesse. E os cozinheiros, que trocaram os uniformes brancos do trabalho matinal por curtos casacos de tecido grosso acinzentado, concluem os últimos preparativos para a viagem, azeitam espingardas de caça e remexem nos motores das velhas caminhonetes.

A cozinha está deserta. Sijin Kuang, vestindo um guarda-pó verde, deposita numa das longas mesas um prato e um copo para a visitante.

"Vamos lhe esquentar algo", pressiona o cunhado, "mas com a condição de que você coma rápido."

Contudo, a visitante faminta não pretende rebaixar-se a comer sozinha à vista de estranhos, e ainda numa rapidez à qual não está acostumada. Não, ela abre mão da refeição. Aguentará bem até o almoço com o pessoal da escavação. Se é assim, podemos iniciar a viagem. Mas a enfermeira sudanesa não se contenta com a desistência da visitante e lhe prepara competentemente dois sanduíches para o caminho. E nem com isso ela se contenta, e enquanto os motores das caminhonetes acordam e tossem, ela desaparece no interior a casa e volta com um grande casaco. Seu vestido é bonito, mas à noite a senhora precisará de uma defesa a mais contra o frio, diz ela a Daniela, e toma seu lugar ao volante do Land Rover.

Yirmiyáhu tem pernas compridas, e por isso pede licença à cunhada, que enviada ao banco traseiro, em meio às iguarias especiais - garrafas de uísque e conhaque, e pacotes de cigarros e chocolate, para os cientistas, e equipamento médico para todos. Ela deposita o casaco de Sijin Kuang sobre os joelhos e olha em volta, mordendo o sanduíche. O Land Rover viaja entre duas caminhonetes, a da frente levando os africanos, com as espingardas nas mãos.

"Por que as espingardas?", admira-se a visitante, e recebe a explicação de que, por vezes, animais e aves de rapina sentem-se atraídos pela comida ao longo da viagem, e é necessário afugentá-los.

Inicialmente a caravana dirige-se à pequena aldeia em que estiveram pela manhã. Os meninos ainda se acotovelam perto da palhoça do elefante com o olho de ciclope. Dali a estrada desce numa ladeira moderada até a planície gigantesca e deserta da savana, em que o sol a ocidente agora doura o ar e o capim seco, chamuscado em vários lugares. Eles viajam devagar, tomam distância uns dos outros, para evitar as nuvens de pó levantadas pelos pneus. Volta e meia freiam diante de manadas de pesados gnus, e por vezes de zebus, cujo tempo lhes é sagrado e por isso não se apressam para lugar algum, razão pela qual é necessário aguardar até que decidam mover-se e liberar a estrada.

O espaço aberto à sua frente desperta um sentimento de reverência no
coração da visitante. Yirmiyáhu chama sua atenção para um gigantesco baobá cujo tronco é mais largo que a largura do seu quarto na fazenda, e cujos galhos dão a impressão de que a árvore virou de cabeça para baixo, enviando suas grossas raízes pelos ares. Sobre um dos galhos está sentada uma fera de pelos dourados.

Os mortos, tanto animais quanto seres humanos, explica a enfermeira sudanesa, não são enterrados, mas sim largados no campo, para serem comidos pelos animais e pelas aves, até se dissolverem na natureza que os gerou. Para eles não haverá outra vida, mas uma alma boa poderá encontrar um vento forte que concordará em levá-lo consigo.

No horizonte brotam duas colinas, que talvez sejam o objetivo da viagem, pois no momento em que elas surgem a caravana modifica sua formação e não mais transita com um veículo atrás do outro, mas agora com os três veículos lado a lado, na alegria da liberdade ou da competição daqueles cuja meta lhes é conhecida e não precisam mais do auxílio de um roteiro ou de regras de trânsito. O avanço se realiza graças apenas ao céu que os encobre, que muda suas cores incessantemente tendo em vista o poente que não tarda, e que rodopia acima deles devido às aves de rapina que perseveram em seguir a expedição de comida em movimento, a qual de vez em quando dispara em sua direção uma violenta descarga de chumbo. Os africanos abanam alegreemente das caminhonetes em direção ao Land Rover, em especial para a visiitante israelense, que ainda ontem pela manhã decolou de sua terra, e para a qual seu país, o marido, os filhos e netos já parecem estranhamente distantes. Sim, medita ela, de fato é irrelevante acender velas de Hanukah num lugar onde estão em busca de um macaco primevo que jamais teria imaginado judeus saindo de suas entranhas.

A sudanesa e Yirmiyáhu trocam entre si algumas frases curtas, que o ruído do motor torna inaudíveis. Ela aperta contra os joelhos o casaco que Sijin Kuang lhe trouxe, e depois o levanta e o aproxima do rosto, aspirando seu cheiro. Subitamente sua respiração estanca. Os africanos, em meio a gritos exultantes, atiram contra um abutre teimoso e o derrubam. Pálida, ela toca nas costas largas de Yírmi, aponta em silêncio para o casaco, e antes mesmo que ela pergunte ele lhe dá a resposta:

"Sim, claro, esse é o casaco da Shúli, eu lhe disse que haveria aqui um casaco quente para você."


  • Autor Israelense revê "promessas de um velho mundo"

    Autor: Roberto Kaz

    Veículo: Jornal Folha de São Paulo, pagina E 20, Sexta feira 6 de agosto de 2010

    Fonte: Jornal

    Quando indagado sobre os motivos simbólicos que o levaram a escrever sobre um poço de elevador onde o vennto emite uivos, o israelense Abraham.B Yehoshua foi pragmático: "É o elevador do meu prédio, em Tel-Aviv. Os vizinhos ficaram felizes quando escrevi sobre ele".

    Autor de "Fogo Amigo" (Cia. das Letras, tradução de Davy Bogomoletz), Yehosshua divide, hoje, a mesa "Promessas de um Velho Mundo", às 17h15, com a iraniana Azar Nafisi. Na pauta está o objetivo de discutir "o papel da literatura como caminho para um diálogo entre as culturas em conflito".

    Aos 73 anos, Yehoshua diz saber que a literatura tem um poder lento e limitado de mudança. Por isso, além de escrever, ele costuma palestrar, em diversos países, para , promover o ideal sionista (que defende o retomo dos judeus a Israel).

    Foi em um desses discursos, nos EUA, que Yehoshua lançou a máxima: a de que uma existência judaica só pode ser completa se vivida em Israel. "Se não", disse à Folha, "é como um homem que ama sua mulher, mas
    prefere viver sozinho. Se você a ama, case-se".

    JUDEU NÃO RELIGIOSO
    Embora exagerado quanto ao que chama de "plena identidade judaica", Yehoshua carrega uma estranha ambiguidade: não é religioso. "Antes de o Estado de Israel ser fundado, os judeus não tinham um componente nacionalista. Por isso, toda energia se voltou para a religião. Agora não, temos um país, uma língua. Posso queimar a bíblia e continuar sendo judeu. A religião é apenas um dos nossos legados", diz.

    Ele não é o primeiro israelense convocado à Flip para tratar de política. Há três anos, Amos Oz veio a Paraty para pensar "o papel da literatura na luta contra a injustiça". Yehoshua concorda que o contexto de guerras de seu país serve como garoto propaganda: "Não somos publicados apenas por isso, mas ajuda. Quando a literatura sul-americana era muito popular, se devia à qualidade da escrita de alguém como Borges aliada às disputas civis na Argentina da época".

    Ultimamente, todavia, ele anda mais interessado nos meandros da engenharia mecânica: o elevador de seu prédio ainda não foi consertado.
    Veja os principais trechos da entrevista:

    Folha: Como é possível ser sionista e ateu ao mesmo tempo?
    Abraham B. Yehoshua: Um francês pode escolher se é católico e um americano pode escolher se é protestante. Mas quanto ao israelense,
    costuma-se colocar nacionalidade e religião na mesma palavra. Os fundadores do sionismo eram intelectuais. Judeus não são uma religião,
    mas um povo. Sou a favor do retormo dos judeus, só isso.

    Como é vir ao país após a visita de nosso presidente ao Irã?
    Se Lula estiver se aproximando do Ahmadinejad para moderar o país, serei o primeiro a dar as boas vindas. Me pergunto por que os iranianos precisam de bomba atômica. Se eles jogam em Tel-Aviv, Israel acaba. Não entendo a obsessão deles, pois nem sequer temos fronteiras em comum. E ninguém de Israel os está ameaçando.

    Qual é o contexto político que marca a nova geração de escritores em Israel?
    As novas gerações não lidam muito com política. Preferem falar de amor. Os jovens escritores não estão tão interessados em enxergar um panorama abrangente.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A.B.Yehoshua é um escritor famoso em Israel e está sempre presente onde deve ser defendido o sionismo. Ele foi convidado da Flip em 2010 para compor a mesa “Promessas de Um Velho Mundo”, juntamente com a Iraniana Nazar Nafisi. Ele é muito simpático e muito radical. Eu mesmo o fotografei após ter adquirido o Fogo Amigo.


 

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