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O Trato dos Viventes

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O Trato dos Viventes

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Autor: Luiz Felipe de Alencastro

Editora: Companhia das Letras

Assunto: História

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 523

Ano de edição: 2006

Peso: 855 g

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Ótimo
Marcio Mafra
27/04/2011 às 13:42
Brasília - DF

Durante o tempo do Brasil colônia e até após a independência, a economia do país foi vergonhosamente irrigada pelo sangue e suor dos negros africanos. O Padre Antônio Vieira, em seus famosos Sermões, disse: "Angola de cujo triste sangue, negras e infelizes almas se nutre, anima, sustenta, serve e conserva o Brasil". Felipe de Alencastro demonstra que Angola era o polo econômico que abrigava os escravos caçados e subjugados em todo o território africano. Os portugueses caçavam os negros e os traziam – já domados pela força, pelo açoite e pela fome para Angola. A colonização portuguesa dependia dessa mão-de-obra para dar conta da produção econômica no litoral da América do Sul. Então, os polos econômicos do Brasil e Angola formavam um só sistema produtivo, financeiro e social para a exploração das riquezas minerais e agrícolas do além-mar, num período de, pelo menos 300 anos, que vai, 1570 – logo após o tempo dos descobrimentos - até 1899, na fase da Proclamação da República. O subtítulo de “O Trato dos Viventes” demonstra a inteligente (e histórica) colocação do autor no sentido de que a formação do Brasil, também se deu pela influência do Atlântico Sul. Talvez um contraponto ou para aduzir novos e outros elementos às teorias de Caio Prado Júnior com “Formação do Brasil Contemporâneo”, e “Raízes do Brasil” de Sérgio Buarque de Holanda ou “Populações Meridionais do Brasil” de Oliveira Viana. Leitura baseada em fatos históricos tende a ser difícil de entender, e às vezes chateia, até pela inevitável citação detalhada de dados, pessoas e lugares. Em Trato dos Viventes, Felipe Alencastro consegue amalgamar o hermetismo do fato histórico com a doçura da linguagem quase coloquial: “Não procurei resumir para os leitores a história da Africa portuguesa, nem tampouco “brasilianizar” de qualquer jeito personagens e feitos ultramarinos. Pretendi, isto sim, esboçar as fronteiras e as etapas históricas que constituíram um espaço transcontinental, luso-brasileiro e luso-africano que se assemelha a um atol do pacífico.” E conclui com esta verdadeira alocução: “ A história do mercado brasileiro, amanhado pela pilhagem e pelo comércio, é longa, mas a história da nação brasileira, fundada na violência e no consentimento, é curta”. Vale a frase, vale o livro e vale a leitura.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história da exploração dos escravos e sua influência na economia portuguesa e brasileira, na visão de Felipe Alencastro. O autor conta – utilizando-se de pesquisa histórica - como se “produziam” escravos em Africa. Na seqüência a mercadoria era encaminhada para Angola e daí feita a sua distribuição, através do Atlântico, tanto para os mercados do extenso território português no Brasil, como para o restante do litoral sul-americano. A logística e os meios empregados na operação não ficaria devendo nada aos atuais administradores de empresas. O controle político e econômico do negócio fez “rodar” a economia tanto de Portugal como do Brasil, durante mais de 300 anos.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

No final do século XVII o Brasil formado a partir de Angola estava prontinho.

O mercado atlântico impusera o primado do tráfico negreiro, interpretado pela Igreja como uma obra de caridade cristã e de evangelização. O escravismo dominava tudo, a barreira indígena no interior fora destroçada, o território se repovoava dentro do esquadro colonial, o gado se expandia, os mestiços e mulatos furavam o seu lugar. Nas décadas seguintes, a economia do ouro instaura uma divisão interrregional do trabalho na América portuguesa, engendra um só mercado e faz isso tudo virar uma coisa só.

A partir de 1550, todos os "ciclos" econômicos brasileiros - o do açúcar, o do ouro e o do café - derivam do ciclo multissecular de trabalho escravo resultante da pilhagem do continente africano. O tráfico negreiro vai irrigar os desdobramenntos regionais e setoriais da economia mineira, permitindo o desenvolvimento simultâneo das diferentes zonas produtivas: a indústria açucareira não só se mantém, como acaba rendendo mais que a do ouro no século XVIII.

Mas a emergência do mercado interno oculta o seu apêndice angolano e, numa certa medida, as relações bilaterais que unem a Bahia à Costa da Mina. O brilho do ouro setecentista encobre as cores do século XVII e desfoca o perfil do século XIX. De fato, a Independência traz de novo a evidência do tráfico negreiro e da desterritorialização do mercado de trabalho escravo. Como disse logo no primeiro capítulo, a continuidade da história colonial não coincide com a continuidade do território colonial. A transparência intermitente de uma matriz colonial que é distinta da unidade nacional brasileira inverte a cronologia e sugere uma seqüênncia histórica alternada: o século XIX está mais perto do XVII que do século XVIII.

Para interpretar o Império do Brasil, é preciso voltar ao Seiscentos e estudá-lo na perspectiva sul-atlântica. Por isso escrevi este livro.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Luiz Felipe de Alencastro estava na mesa que abriu a Flip de Paraty, em agosto de 2010. Ele, como um dos maiores conhecedores da escravidão no Brasil, comentou a palestra de ninguém menos, que o sociólogo e ex Presidente Fernando Henrique Cardoso. Fernando Henrique falou durante 1h50 sobre a obra e a pessoa de Gilberto Freyre. Ao final da palestra FHC foi aplaudido de pé, durante mais de 10 minutos. Empolgado com FHC comprei A Arte de Fazer Política. De Alencastro trouxe este Trato dos Viventes.


 

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