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Elogio à Madrasta

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Elogio à Madrasta

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: Mario Vargas Llosa

Editora: Francisco Alves

Assunto: Erotismo

Traduzido por: Remy Gorga Filho

Páginas: 160

Ano de edição: 1988

Peso: 245 g

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Ótimo
Marcio Mafra
26/12/2010 às 19:54
Brasília - DF


Elogio à Madastra é mais um dos livros de Vargas Lhosa que, explicitamente, aborda o erotismo. Do raro talento e apreciada cultura do autor é que poderia fazer surgir de uma história banal, um jogo erótico elegante, fino, inteligente e bem-humorado. O editor escolheu à dedo as ilustrações de famosos pintores para compor o livro e que fazem parte da decoração da casa de Rigoberto. Lucrécia, 40 anos, é seduzida gradualmente pelo filho do primeiro casamento de Rigoberto. Para fazê-lo Fonchito usa os serviços da criada Justita, que por sua vez, tem inclinações lésbicas por Lucrécia. Os prazeres proibidos de Don Rigoberto, que faz de Lucrécia sua deusa do erotismo, ocupam Rigoberto que vivia para o sexo e não o deixam perceber as maldades e safadezas de seu filhinho. Já Lucrécia, usada e abusada pelo marido, se comprazia e curtia o assédio do guri, que embora parecesse pleno de ingenuidade era premeditado. O final é interessante.

 



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Dom Rigoberto, sua segunda mulher Lucrécia e Fonchito. Fonchito é filho do primeiro casamento de Rigoberto e usa a criada Justita, para assediar sexualmente sua madrasta Lucrécia.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Justiniana tinha os olhos arregalados e não parava de gesticular. As mãos pareciam asas de moinho:
- O menino Alfonso está dizendo que vai se matar! Porque a senhora já não gosta mais dele, foi o que ele disse!. - Piscava, aterrorizada. - Está escrevendo uma carta de despedida, senhora.
- Essa é outra das loucuras que ... ? - balbuciou Dona Lucrécia, olhando-a pelo espelho do toucador. - Você tem parafuso de menos na cabeça, não é?
Mas a cara da criada não estava para brincadeiras e Dona Lucrécia, que estava depilando as sobrancelhas, deixou cair a pinça ao chão e sem perguntar mais nada saiu correndo, escadas abaixo, seguida por Justiniana. A porta do menino estava trancada a chave. A madrasta bateu com as costas da mão: "Alfonso, Alfonsito." Não houve resposta nem se ouviu ruído lá dentro.
- Foncho! Foncho! - insistiu Dona Lucrécia, batendo de novo. Sentia que suas costas gelavam. - Abra para mim! Você está bem? Por que não responde? Alfonso.
A chave girou na fechadura, rangendo, mas a porta não se abriu. Dona Lucrécia engoliu uma tragada de ar. O chão era outra vez sólido debaixo de seus pés, o mundo se reordenava depois de ter sido um escorregadio tumulto.
- Deixe-me sozinha com ele - ordenou a Justinia.
Entrou no quarto, fechando a porta a suas costas.
Fazia esforços para reprimir a indignação que se apossava dela, agora que tinha passado o susto.
O menino, ainda com a camisa e a calça do uniforrme do colégio, estava sentado à mesa de trabalho, a cabeça baixa. Levantou-a e a olhou, imóvel e triste, mais belo que nunca. Apesar de que ainda entrava luz pela janela, tinha aceso o abajur e no dourado redondel que caía sobre o mata-borrão esverdeado Dona Lucrécia viu uma carta inacabada, a tinta ainda brilhante, e uma caneta aberta junto à mãozinha de dedos manchados.
Aproximou-se a passos lentos.
- Que está fazendo? - murmurou.
Tremiam-lhe a voz e as mãos, o peito subia e descia.
- Escrevendo uma carta - respondeu o menino
imediatamente, com firmeza. - Para você.
- Para mim? - sorriu ela, tratando de parecer agradada. - Já posso lê-la?
Alfonso pôs a mão em cima do papel. Estava descabelado e muito sério.
- Não ainda. - Em seu olhar havia uma resolução adulta e seu tom era desafiador. - É uma carta de despedida.
- De despedida? Mas, será que vai a alguma parte, Fonchito?
- Vou me matar - ouviu-o dizer Dona Lucrécia, olhando-a fixamente, sem se mexer. Embora, passados alguns segundos, sua atitude se abrandou e seus olhos se encheram d'água: - Porque você já não gosta mais de mim, madrasta.
Ouvi-lo dizer dessa maneira um pouco magoada e agressiva, com o rostinho torcendo-se em um beicinho que tentava em vão impedir e usando palavras de amante experimentado que tanto destoavam em sua figurinha imberbe, de calças curtas, desarmou Dona Lucrécia. Ela permaneceu muda, boquiaberta, sem saber o que responder.
- Mas, que bobagem você está dizendo; Fonchito
- murmurou por fim, recuperando-se um pouco. - Que
eu não gosto mais de você? Mas, coração, se você é como meu filho? Eu de você .. :
Calou-se, porque Alfonso, deixando cair o corpo sobre ela e abraçando-se a sua cintura, começou a chorar. Soluçava, o rosto esmagado contra o ventre de Dona Lucrécia, seu pequeno corpo comovido pelos suspiros e com um ofegar ansioso de càozinho esfaimado. Era uma criannça, agora sim, não havia dúvida, pelo desespero com que chorava e o impudor com que exibia o seu sofrimento. Lutando para não se deixar vencer pela emoção que apertava sua garganta e já tinha molhado seus olhos, Dona Lucrécia acariciou os cabelos do enteado. Confusa, presa de sentimentos contraditórios, ouvia-o desabafar, balbuciando suas queixas.
- Faz dias que não fala comigo. Pergunto uma coisa e você vira as costas. Já nem deixa que eu a beije, nem
para dar-lhe bom-dia ou boa-noite, e quando volto do colégio, olha como se ficasse chateada de me ver entrar em casa. Por quê, madrasta? Que foi que eu fiz?
Dona Lucrécia dizia-lhe que não e o beijava nos caabelos. Não, Fonchito, nada disso é verdade. Que suscetibilidades eram aquelas, garotinho! E, procurando a forma mais atenuada, tentava explicar-lhe. Como podia não querê-lo? Muitíssimo, coraçãozinho! Então, não vivia tão ligada a ele por todas as coisas, e o tinha sempre presente quando estava no colégio ou jogando futebol com os amigos? Acontece, simplesmente, que não era bom que fosse tão pegado a ela, que se consumisse dessa forma por sua madrasta. Podia lhe fazer mal, bobinho, ser tão impulsivo e veemente em seus afetos. Do ponto de vista emocional, era preferível que não dependesse tanto de alguém como ela, tão mais velha que ele. Seu carinho, seus interesses deviam ser compartilhados com outras pessoas, voltarem-se sobretudo para meninos de sua idade, os amiguinhos, os primos. Assim cresceria mais depressa, com personalidade própria, assim seria um homenzinho de caráter de quem ela e Dom Rigoberto se sentiriam depois tão orgulhosos.
Porém, enquanto Dona Lucrécia falava, algo em seu coração desmentia o que ia dizendo. Estava certa de que o menino também não lhe prestava atenção. Talvez nem a ouvisse. "Não acredito em uma palavra do que lhe digo", pensou. Agora que os seus soluços tinham cessado, embora ainda o apanhasse de quando em quando um fundo suspiro, Alfonsito parecia concentrado nas mãos de sua madrasta. Ele as tinha colhido e as beijava devagarinho, timidamente, com unção. Logo, enquanto as esfregava contra a face acetinada, Dona Lucrécia escutou-o murmurar mansamente, como se se dirigisse apenas aos dedos afilados que apertava com força: "Eu a quero muito, madrasta. Muito, muito ... Nunca mais me trate assim, como nestes dias, porque me matarei. Juro que me matarei."


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Estava em Lima, Peru, durante a Feira Internacional de Livros 2010, uma espécie de Bienal do Livro do Brasil onde comprei “História Del Peru Contemporáneo” de Carlos Contreras , “Asesinatos Políticos em América Latina”, de Julio Sierra e “La Guerra del Fin del Mundo” de Vargas Llosa. No mesmo local havia uma banca de livros usados, onde encontrei Elogio à Madrasta, no velho e bom português.


 

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