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Tempestades Comuns

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Tempestades Comuns

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: William Boyd

Editora: Rocco

Assunto: Romance

Traduzido por: Paulo Reis

Páginas: 383

Ano de edição: 2010

Peso: 450 g

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Ótimo
Marcio Mafra
12/12/2010 às 18:16
Brasília - DF

Neste romance Wiiliam Boyd mostra seu talento numa história atual, com trama factível de acontecer a qualquer executivo das grandes empresas e que vivem nas grande cidades. Embora alguns atos de Kindred possam parecer exagerados, a leitura chega a dar a impressão de um roteiro de filme, aliás, gênero que o autor também é craque. Apesar da velocidade do conto, o leitor se depara com passagens amorosas, de enorme desespero, de terrível perversidade, e também, de jogadas inteligentes e outras de muito bom humor, como é típico dos escritores ingleses. Kindred, o personagem central, se envolve com prostitutas, escroques, policiais decentes, traficantes, corruptos e assassinos. O final não é previsível. O título adotado em português retrata bem a narrativa.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Adam Kindred, profissional do segmento da geografia física que trata das variações do tempo e climas em quase todos os canto da terra e com múltiplas finalidades - num dia comum de sua rotineira vida - se vê enredado num crime, e para não ser responsabilizado nem processado, foge. Em conseqüência da fuga ele fica sem casa, carro, amigos, credibilidade, documentos, dinheiro, cartões e celular. Acaba se enredando no submundo do crime envolvendo-se com prostitutas, bandidos, traficantes e toda sorte de pessoas problemáticas.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Na manhã do dia seguinte, à primeira luz da madrugada, ele desceu até a pequena praia para encher a garrafa d'água. Havia um outro pneu enterrado pela metade na lama, numerosas garrafas de plástico quebradas, alguns pedaços de madeira e um enovelado de cordão de nylon azul. Adam pegou o cordão - pensando vagamente que aquele era o tipo de material descartado útil que um náufrago poderia usar - e calculou que tivesse pelo menos sete metros de comprimento. Que desperdício. Que barqueiro ou marinheiro irresponsável atirara aquilo por sobre a amurada? Pássaros marinhos poderiam ficar presos nele, hélices enroscadas. Ele olhou ao redor; a luz estava linda, cor de pêssego e cinza, e o ar meio frio. Os pássaros do rio já começavam a voar e a pairar: gaivotas, corvos, patos, cormorões. Adam viu uma garça passar, batendo as asas sem elegância, na direção do parque Battersea e suas árvores altas. Sabia que no rio também havia gansos canadenses, e de repente a expressão "cozinhar o ganso" lhe veio à cabeça. Ele olhou para a praia - a maré estava virando - talvez em meia hora já estivesse claro demais e ele corresse o risco de ser observado. Então subiu de volta pelas correntes até o triângulo.
Não levou muito tempo - raspando suas latas vazias, ele reuniu um punhado de feijões frios. Pegou o caixote de madeira e, num instante, desceu para a praia. A armadilha que construiu era muito rudimentar, mas ele tinha fé de que a coisa funcionaria: levantou uma das extremidades do caixote e calçou-a com um pedaço de madeira que viera com a correnteza, atando ali sua nova aquisição, o cordão azul de nylon. Arrumou sobre uma pedra lisa um pequeno cone de feijões cozidos frios e colocou esta pilha debaixo do caixote já levantado. Depois subiu de volta pelas correntes, com a ponta do cordão presa nos dentes, e sentou-se para esperar atrás de um arbusto. Não estava levando muita fé que um ganso fosse cair na armadilha, mas esperava um pato - um pequeno pato gordo viria a calhar - e ficaria feliz se apanhasse um reles pombo londrino. Ficou esperando, dizendo a si mesmo para ser paciente, reunir a calma do caçador à paciência inabalável, se conseguisse. Esperou e esperou. Cormorões seguiam rio abaixo com a maré vazante, e depois mergulhavam. Dois corvos voaram até a praia e ficaram bicando as pedrinhas da beira d'água, sem mostrar qualquer interesse pelos feijões. Então Adam ouviu um zunir seco de asas, como se fosse um anjo acima de sua cabeça, e uma grande gaivota branca e cinzenta passou perto, fez uma curva brusca, pairou no ar e pousou, imaculada e delicadamente, com um cuidado quase ostensivo. Os corvos ignoraram a ave, revirando as pedrinhas meticulosamente e bicando os pedaços de alga. A gaivota seguiu direto para os feijões cozidos, curvando-se para dentro da extremidade levantada do caixote ... Adam puxou o cordão, o suporte saltou fora e o caixote caiu.
- Mais fácil dizer do que fazer - comentou Adam em voz alta, enquanto contemplava o caixote, já mexendo para lá e para cá agitadamente na praia lodosa, enquanto a gaivota apavorada batia as asas e andava dentro da armadilha. Mais fácil planejar do que executar. Mas ele estava faminto; apanhara sua presa, tinha combustível, uma faca, e carne assada era aquilo pelo qual ansiava. Não havia segredo - ele meteu a mão rapidamente debaixo do caixote e agarrou a gaivota por uma perna. O duro bico amarelo da ave atingiu violentamente seu antebraço, tirando sangue, até que Adam nocauteou a gaivota com a madeira de apoio do caixote. Depois lavou o braço no rio - mais ferimentos, quem se importava? - e voltou para pegar a gaivota amolecida e morta, as largas asas brancas abertas. Ao fazê-lo, viu uma grande barcaça carregada aparecer debaixo da ponte Chelsea,seguindo rio acima. Havia um homem de pé na proa, olhando para ele. Adam colocou a gaivota atrás do corpo e acenou, despreocupadamente. O homem não acenou de volta.


  • William Boyd debate na Flip e busca traços de Bishop no país

    Autor: Fabio Victor.

    Veículo: Jornal Folha de São Paulo, pagina E20, sexta feira, 6 de agosto de 2011

    Fonte:

    O escritor William Boyd é filho de escoceses, nasceu em Gana, viveu na Nigéria, estudou em Glasgow, Nice e Oxford e hoje mora entre Londres e a França.

    "Se você me perguntar de onde eu sou, não há resposta fácil. Minha identidade é muito complexa e confusa", disse em entrevista à Folha.

    Primeiro, Boyd falou por telefone, da sua propriedade em Bergerac, sudoeste francês, onde produz vinhos. Ontem, já em Paraty, onde participa hoje da Flip, ele contou que aproveitará a estada no Brasil para fazer uma reportagem para o jornal inglês "The Guardian" sobre o periodo em que a poeta Elizabeth Bishop viveu aqui. Convidado da Flip em
    2007, Boyd cancelou a vinda de última hora por problema de saúde da mulher. Agora, aproveita para lançar dois livros pela Rocco:"Fascinação", de contos, e o romance "Tempestades Comuns". Neste último, volta à
    questão da identidade, recorrente em sua obra.
    Inspirado em Dickens, "Tempestades Comuns" conta a história de um americano em Londres que é obrigado a mudar radicalmente de vida após um crime. Como ritmo cinematográfico (Boyd é também roteirista de cinema e TV) e sofisticação narrativa, o thriller reúne um painel de tipos da multicultural Londres no qual o rio Tâmisa é o fio condutor.
    O autor teve a ideia para o romance ao ler, numa notícia de jornal, que a polícia recolhe todo ano de 50 a 60 cadáveres do rio Tâmisa.
    Boyd afirma nunca ter visto um corpo no Tâmisa, mas mostra bom humor ao responder sobre o que de mais estranho já viu no rio.
    ''Acho que foi o meu amigo Daniel Craig numa lancha laranja pelo Tâmisa, para dar uma entrevista coletiva, anunciando que ele seria o novo James Bond. E ele vestia terno e gravata."
    O trânsito entre culturas e a vivência colonialista o tornam, diz, "o candidato perfeito" a integrar na Flip a mesa "Chá Pós-Colonial", às
    15h, com Pauline Melville.
    "Toda a minha juventude foi colonial. E isso definitivamente moldou a minha forma de pensar e de escrever."

    Questionado se é hoje mais escocês, inglês, francês ou africano, respondeu: "É engraçado, eu me sinto mais europeu. Costumo passar 30 a 40 dias por ano em Nova York, e, quando volto para Londres ou para a França, toda vez percebo o quão europeu e diferente dos americaanos eu sou".

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

William Boyd era um dos menos festejados (pela mídia) autores estrangeiros convidados da Flip 2010, em agosto de 2010. Na Flip os autores mais festejados se apresentam na quinta feira. a mesa em que se apresentaria Boyd estava marcada para as 15h30, um horário não nobre, logo após o almoço. Mas após a sua apresentação ele foi aplaudido de pé a a fila para "apanhar" seu autográfo foi tão grande que no horário da mesa seguinte, ainda haviam muitos leitores na fila para cumprimentar William Boyd. Trazer - sem autografo - Tempestades Comuns era simples e lógica consequência.


 

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